Etiquetas

terça-feira, 30 de junho de 2015

RAIS ME PARTA SE VOU CHORAR

Dizia Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) no seu poema "Em linha recta":
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Mas nós, os da minha geração, quando éramos putos, levávamos porrada daquela mesmo a sério e às vezes por “dá lá aquela palha”. Que passe a expressão já que todo o burro come palha… mas os nossos pais não.
As ordens dadas nunca eram repetidas e, quando não acatadas, lá vinha mais um bofetão. Hoje diríamos (a medo), um açoite. Naquele tempo não se conheciam “os direitos da criança” nem existia a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.
Apesar do que ficou dito, sou absolutamente contra os chamados castigos corporais e a implementação do “respeito” através do temor…
Contudo devo confessar que muito tabefe que levei foi muito bem aplicado, na hora certa e nem por isso deixou cicatriz no corpo ou na alma. Ainda está por descobrir a alternativa eficaz à milagrosa palmada no rabo em situações extremas como quando o puto resolve atravessar a rua largando a mão do progenitor. Não conheço nenhum discurso pedagógico que seja tão eficaz quanto a palmada dada no momento certo. Até porque passados poucos segundos a criança já não retém absolutamente nada do discurso.
Vem daí, dos meus tempos de criança esta rebeldia, orgulho e inconformismo perante situações de injustiça social que nem toda a porrada conseguiu vergar. Nessas ocasiões, lembro-me de cerrar os dentes e pensar: rais me parta se vou chorar. Dizendo isto arranjava forças para aguentar e nem uma só lágrima rolava pela face.
Hoje em dia era inadmissível praticar este tipo de “educação” até porque existem leis de protecção à criança e mesmo que não existissem, tentaríamos sempre evitar fazer as nossas crianças passar pelo mesmo.
Mais tarde, quando adultos, a vida vai-nos ensinando a levar, isto é, ela própria se vai encarregando de nos dar porrada. Já tenho levado alguma e talvez ainda vá levar mais mas rais me parta se vou chorar…

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DO ALTO DA MINHA JANELA

Do alto da minha janela,
contemplo o mundo lá em baixo e o mundo contempla-me a mim… Quer queira, quer não, ficámos assim fatalmente unidos. E que todas as janelas, portas e postigos permitam esta união entre os dois mundos!
Do alto desta janela,
observo outras janelas. Olho aquele ali que se refresca na janela em frente… Não admira! Num país em que o frio e a chuva estão presentes durante quase todo o ano, o anormal calor que se faz sentir convida a refrescar. Ao mesmo tempo que se refresca, como de costume, talvez fume um cigarro.
Numa outra janela mais abaixo, alguém vê televisão, não sei se por gosto ou por não ter nada mais interessante para fazer… mas de momento, está para ali virado.
Do alto da minha janela,
consigo ver o pôr-do-sol até que me fique apenas gravado na retina…
Do alto da minha janela,
contemplo o mundo e o mundo contempla-me a mim e, desta união, uma certeza me assalta: que a vida merece mesmo a pena... 

domingo, 28 de junho de 2015

UMA TARDE BEM PASSADA

Há tardes vazias e tardes cheias, tardes de festa e tardes de pesadelo, tardes bem passadas e tardes que não passam…esta foi uma tarde bem passada e em boa companhia no parque da cidade ali juntinho ao Pavilhão da Água. Uma tarde cheia de sorrisos de crianças e de pais ali presentes. Sobre a(s) mesa(s) as mais diversas “multas” iam desde os salgados até às frutas passando pelos mais variados doces. Um verdadeiro picnic como há muito não participava.
Dou por mim a admirar os diferentes tons de verde, tudo em volta é verde, tudo em volta é belo, tudo em volta é um festival de cor! E eu penso... Meu Deus! O que seria de mim se não tivesse sido operado e acabasse por cegar? 
À volta do carrinho da Rita juntam-se alguns coleguinhas do Miguel – Parece o Miguel, diziam. Eu acho-a diferente do irmão e assim se confirmou a minha inépcia para detectar parecenças familiares…
Obrigado Chupetão por nos proporcionar uma tarde tão cheia de verde, do rosado das faces e das mais variadas cores do vestuário das crianças e principalmente daquela cor inconfundível que tem o sorriso de crianças e dos pais… que ali, de certo modo, também voltaram a ser crianças…
Tenho a certeza que aqueles meninos levaram para casa o seu lençol com um nó bem apertado… e o meu também.

sábado, 27 de junho de 2015

A IMPORTÂNCIA DO NÓ NO LENÇOL

A história anda por aí nas redes sociais e não faço ideia se é ou não verídica até porque desconheço o autor. Para quem não conhece ou simplesmente para recordar, vou tentar conta-la em breves palavras:
Conta-se que numa reunião de pais, a directora de uma escola apelava a que estivessem presentes durante o maior tempo possível com os filhos. Nesse momento foi surpreendida por um pai que se levantou e explicou, que não tinha tempo para estar com o filho durante a semana pois, quando ele saía para trabalhar, o filho ainda estava a dormir e, quando voltava do trabalho, o garoto já não estava acordado. 
Explicou, ainda que, apesar de ter de ir trabalhar para sustentar a família, ficava angustiado por não ter tempo para estar com o filho e que todas as noites ia beijá-lo quando chegava a casa. Para que o filho soubesse que tinha estado lá, dava um nó na ponta do lençol da sua cama. O nó era o meio de comunicação entre eles. 
Conto esta história como motivo de reflexão sobre as infinitas formas que dispomos para demonstrar que estamos presentes ou para comunicar.
São gestos simples como estes, um simples beijo e um nó na ponta do lençol que nos fazem sentir menos sós e desejados.
Quantas vezes arrastamos o nosso lençol por uma vida inteira sem um único nó… E, pior ainda, é quando além da ausência do nó, nem somos dignos de ouvir palavras, mesmo que vazias, de conforto ou de desculpas pela ausência…

sexta-feira, 26 de junho de 2015

APESAR DE EXPLORADA E EXAURIDA, MERECE RESPEITO

Hoje deu-me para sair em defesa da classe média à qual infelizmente também pertenço. É óbvio que preferiria pertencer à classe dos ricos para a qual até possuo o perfil apropriado mas não quis a sorte que tal acontecesse…
Apesar de explorada, exaurida e desprezada, a classe média merece todo o respeito de governantes, políticos em geral e restante população. Isto porque a classe média é o suporte deste país sem a qual já teríamos entrado em banca rota há muito tempo. É sobre a classe média que incide o grosso das medidas de austeridade na forma tributária. Desde o início da crise de austeridade, Portugal já perdeu uma grande parte da classe média por via da emigração e do empobrecimento devido à enorme carga fiscal que se abateu sobre ela. Deste modo, a sociedade portuguesa é formada maioritariamente pela classe dos (novos) ricos e dos pobres e quer uma, quer outra, em nada contribuem para encher os cofres do Estado. Os ricos porque conseguem contornar as medidas de austeridade e os pobres porque nada têm para tributar e ainda recebem, através do rendimento mínimo e subsídios de desemprego. É legítimo portanto concluir que é sobre aqueles que trabalham por conta de outrem que recai o grosso dos impostos, ou seja, sobre a classe média.
Não resta a menor dúvida de que a classe média é indispensável ao desenvolvimento da economia do país. Se esta abandonar o país ou ficar mais pobre e envelhecida, quem sustentará este país? 
Hoje deu-me para sair em defesa da tão explorada e exaurida classe média.
Há dias assim

quinta-feira, 25 de junho de 2015

LISTAS DE COMPRAS

Por ter adquirido uma Bymbi, por ter começado a cozinhar, por ter a mania da organização e porque sim, comecei também a fazer algumas compras no supermercado. Dizer que é a minha actividade preferida seria mentir. Considero-a tão aborrecida quanto necessária. Detesto o tempo perdido à procura daquilo que pretendo comprar e mais ainda o tempo de espera nas filas para pagamento…
Com o objectivo de conseguir fazer as compras num mínimo tempo possível não me esquecendo de nada, reactivei o velho hábito de fazer listas de compras. Comecei por registar num papelucho o que precisava de comprar mas como a ordem era aleatória isso obrigava-me a dar mais voltas do que seria necessário, isto é, voltar a uma secção onde já havia estado. Aí comecei a fazer o registo por secções até chegar à lista que publico em anexo. Com esta lista é possível:
·Poupar tempo.
·Encontrar todos os artigos de acordo com um único percurso na superfície comercial sem ter de voltar atrás à procura de algum artigo que se encontrava numa secção por onde já se havia passado.
·Deixar para o fim a secção dos congelados que devem ser os últimos a adquirir.
Antes de preencher esta lista há que ter em conta a necessidade de planear as refeições. Planear as refeições da semana ou dos próximos dias permite além de comprar apenas aquilo que é necessário, gastar os alimentos que já temos em casa.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

FOI NUMA NOITE DE S. JOÃO

Lembras-te?
Lembras-te daquela noite?
Até a mim me surpreendeu este súbito acesso de memória!
Há noites assim que a gente não esquece.
Nessa noite, tu ainda eras tu e eu, eu era outro.
Lembras-te?
Foi numa noite de S. João e nós dois sozinhos, tendo apenas a TV por companhia, desdenhávamos do “povinho” que desfilava pela rua não tanto por desdém mas por ninguém nos ter convidado…?
Nesse tempo éramos tão cúmplices que nem era precisa uma única palavra para entabularmos uma grande conversa. Também sabíamos quando o silêncio era o melhor a dizer porque o silêncio entre nós não era só silêncio. Apenas com os nossos olhares nos entendíamos.
Por uma estranha conjugação astral ou por influência de São João, demos por nós a confessar nossos segredos mais profundos. Segredos só dessa vez verbalizados o que nem teria sido necessário por demais já serem conhecidos…
Nesse tempo, tínhamos os nossos segredos, segredos como aqueles que só são partilhados entre irmãos que nem precisam ser do mesmo sangue…
Lembras-te?
Era noite de São João e nós desdenhávamos do “povinho” que desfilava pela rua armados de alho-porro. Nesse tempo a tradição era dar a cheirar a flor do alho-porro ou a cidreira e só mais tarde deram lugar ao plástico dos infernais martelinhos.
Naquelas noites, tendo por companhia apenas a TV, éramos tão felizes sem saber…!
Há dias... e noites assim

terça-feira, 23 de junho de 2015

NOITE DE SÃO JOÃO

Hoje, na minha cidade, é a grande noite, a noite de São João. Apesar do solstício de verão esta é a noite mais longa em que muita gente sai à rua para confraternizar em vários locais da cidade. Não importa muito saber quem é o santo que se está a festejar e que nem sequer é o padroeiro da cidade cuja padroeira é a Senhora da Vandoma. Neste particular, também em Lisboa cometem a mesma imprecisão já que o padroeiro da cidade não é Santo António como muita gente pensa, mas sim S. Vicente.
Quanto ao resto, o facto de ser uma festa popular está de acordo com o santo, homem simples que viveu em pleno deserto. Tem uma particularidade a escolha desta data para a celebração do santo. Ao contrário do que acontece com os outros santos populares que se festejam no dia da sua morte, São João é festejado no dia do seu nascimento.
João Baptista era, como se sabe, primo de Jesus Cristo tendo como missão pregar os mandamentos do cristianismo incomodando muita gente com as palavras que pregava. Por ter denunciado a mancebia entre o Rei Herodes e a mãe de Salomé foi mandado decapitar.
É este o santo que celebrámos nesta data. São estes os festejos de São João que não se restringem apenas à cidade do Porto. Muitas outras cidades e Vilas nortenhas o celebram também.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O SONHO MAIS SECRETO

Apesar de não morrer de amores, gosto mais de leões do que de hienas. Não porque alguma vez tenha tido uma má experiência com estes canídeos. Não gosto de hienas pela sua natureza oportunista e sádica… Enquanto os leões caçam e matam as suas presas antes de as devorar, as hienas ou se contentam com os restos da refeição dos leões ou, quando caçam, devoram sadicamente as suas presas ainda vivas… Por estas e outras razões, não gosto de hienas.
Se não gosto de hienas no estado selvagem, ainda gosto menos das citadinas… Também elas sobrevivem à custa dos leões (citadinos). Se por qualquer razão um desses leões é capturado e enjaulado, é ver as hienas numa azáfama empenhadas em manifestações, petições e uivos como só elas sabem dar, na tentativa de libertar o leão… Compreende-se esta atitude, pois sem a ajuda dos leões estas hienas só conseguirão sobreviver à custa de muito trabalho.
Decididamente embora não goste de leões porque devoram as suas vítimas indefesas gosto ainda menos de hienas sorridentes cujo sonho mais secreto é um dia virem a tornar-se leões…

domingo, 21 de junho de 2015

SAUDEMOS O VERÃO

Oficialmente chegou hoje mas, como tudo que não tem hora de chegar, há alguns dias que ele andava por aí. Bem-vindo seja o Verão venha ele em que dia vier!
O calor aperta, o calor é demais, que venha depressa uma chuvinha para refrescar… É assim o ser humano, sempre descontente, sempre ansiando por aquilo que não tem para logo de seguida desejar o que perdeu…
É tempo de aproveitar este céu azul e temperaturas convidativas a uma roupa mais leve e colorida, para conviver, gozar umas justas e apetecidas férias e sobretudo deixar de desenhar nuvens onde elas não existem…
Que estes sejam dias de sol, de praia de noites cálidas, de divertimento, seja do que for que nos traga felicidade.

sábado, 20 de junho de 2015

A FAMÍLIA QUE (NÓS) TEMOS

As pessoas foram chegando em grupos formados pelos pais, avós, amigos, vizinhos e sei lá mais quem…! Só não vinha o cão porque era proibida a entrada no espetáculo. Falavam em voz alta, riam e cumprimentavam-se entre si. Eu não conhecia ninguém e ninguém me conhecia ao que parece. Passava meia hora das dezasseis, quando se deu início ao espectáculo. Entrei. E ali estava eu entre três cadeiras vazias destinadas aos pais e aos avós. Tudo bem, eu sou avô do Miguel, estava no lugar certo. O espectáculo começou, o Miguel subiu ao palco e depois de muito acenar, finalmente viu-me. Estava cumprida a minha missão. Evitar que se sentisse só. Eu continuava a senti-me só na presença de tantos avós e alguns pais ainda jovens… assim permaneci até à chegada da mãe depois de deixar a Ritinha a dormir em casa da avó. Mais tarde, chegou o pai. Havia meninos com muita família na assistência e outros com menos mas nenhum ficou sozinho com o avô a assistir a mais de metade do espectáculo. Ninguém escolhe, por isso cada um não tem a família que merece mas aquela que lhe calhou na sorte. Recorrendo a um velho chavão, direi que os amigos sim, são a família que escolhemos.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

PROMETO NÃO FALHAR (A LEITURA)

De tão falado, divulgado e atirado para os top de vendas, o livro “Prometo Falhar” de Pedro Chagas Freitas despertou em mim aquela curiosidade apanágio de quem anda sempre à procura de algo inovador. Vai daí, num impulso súbito, muito ao meu estilo, adquiri o livro ali mesmo, numa das últimas incursões à Fnac.
Esta obra, surpreende o leitor mais desprevenido pelo estilo de escrita na qual me revejo em parte, Pedro Chagas é um escritor e eu, um “pensador”. Isto é, enquanto Pedro Chagas conta estórias, eu limito-me a registar os meus pensamentos. E ficámos por aqui nas comparações. Em parte devido a essa remota afinidade mas principalmente pelo tema abordado - o amor, não poderia dizer outra coisa que não fosse, gostei! É um livro que recomendo (como se isso fosse preciso…!) como uma leitura de eleição para este verão que se aproxima. Como se trata de uma compilação de curtas estórias (de amor), é a leitura ideal para uma esplanada, piscina ou até mesmo na praia sem correr o risco de perder o fio à meada já que o livro é composto por vários pequenos textos, eu preferia chamar-lhe crónicas... "É um livro para ler da frente para trás ou de trás para a frente, deitado, em pé ou sentado porque, faça o que fizer, "é possível sair ileso de tudo.Menos do amor". E, sendo uma obra que aborda diferentes tipos de relações e situações amorosas, não seria despropositado classificá-lo como um pequeno manual para quem quer (ou precisa) aprender a amar porque, ao contrário do que muita gente pensa, amar não é algo que já nasça com a gente… (Ler mais).

quinta-feira, 18 de junho de 2015

MORRER ÀS VEZES VALE A PENA

Raramente falo ou penso na morte. Não a temo na mesma medida em que a quero ver bem longe pelo menos enquanto tiver um mínimo de qualidade de vida. Contudo todos sabemos que a morte faz parte da vida. Partindo desta premissa e se vale a pena viver, então a morte também vale a pena. Já deram conta que estou a parafrasear Mário Quintana que magistralmente o disse de outra forma: “Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer também vale a pena”. Na verdade, em determinadas situações, a morte é mesmo uma bênção…
Quer se queira, quer não é impossível ignorar a presença da morte que nos acompanha ao longo da vida e mesmo até no nosso dia-a-dia trasvestida de várias formas… Pode-se morrer de tédio, de inação, de desejo, de saudade, de raiva, de ciúme, de tristeza,… Há até gente que já morreu sem nunca ter desconfiado disso!
Todos os dias a gente morre um pouco, de silêncio, de medo de encarar a realidade, de velhice… A gente morre cada vez que o frio se instala na alma…

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A ARMA DOS FRACOS

Como já disse num outro post, a palavra é a arma mais poderosa que o ser humano possui embora nem sempre se aperceba disso. Contudo, o uso da palavra nem sempre vai no sentido do elogio ou do incentivo e não raras vezes, descamba no insulto. Basta ler alguns comentários às opiniões divulgadas através do facebook quer a respeito do futebol, quer de ideologia política… Faz pena constatar que muitos indivíduos não possuam a elasticidade mental que lhes permita aceitar uma opinião diferente da sua e recorram ao insulto como resposta! O recurso ao insulto como argumento prova a incapacidade do indivíduo de rebater uma qualquer ideia ou opinião. Não há dúvida que, se a palavra é a arma dos fortes, o insulto é seguramente a arma dos fracos.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A HIPOCRISIA DA PALAVRA

A palavra é a arma mais poderosa que o ser humano possui e nem sempre se apercebe disso… Através da palavra pode-se endeusar ou destruir, seduzir ou agredir qualquer pessoa… Pode fazer-se da palavra o veículo da verdade ou, através dela, esconder uma mentira de tal forma que a faz parecer uma verdade.
Todos os dias assistimos a discursos de pessoas ligadas à política ou não, que se escondem atrás das palavras e, com elas nos agridem e insultam a inteligência colectiva. Um bom exemplo da hipocrisia das palavras são as declarações dos representantes dos diferentes partidos políticos, sindicatos e demais pessoal relativamente à privatização da TAP… O que esses indivíduos dizem, não significa que esteja em sintonia com as suas ideologias. Eles dizem apenas o que um grande sector da população quer ouvir e que seguramente lhes garantirá nas próximas legislativas uma razoável fatia de votos a favor.
Para conseguir detectar a mentira que se esconde por trás destas palavras é preciso mais do que uma sólida bagagem intelectual ou um elevado QI, de tal forma elas são convincentes. Só mesmo sendo um empata se consegue “ver” a mentira camuflada de verdade em cada uma das palavras. Imagine-se então quão doloroso se torna para um empata assistir a noticiários da TV ou à leitura de jornais sabendo que, na maioria das vezes, o que afirmam não corresponde ao que realmente pensam…

segunda-feira, 15 de junho de 2015

FOI ASSIM QUE TUDO COMEÇOU

No tempo em que os reis mandavam, sim porque já houve tempos em que os reis mandavam mesmo. Nada do que passa agora com os reis actuais que já pouco ou nada mandam… Mas já houve tempo em que os reis mandavam e, nesse tempo, consta que um dos nossos reis cujo nome já não recordo veio à varanda do seu iluminado palácio e reparou que toda a cidade estava escura como breu.
Chamou o seu primeiro-ministro e ordenou-lhe:
- Antes do Natal quero ver a cidade toda iluminada. Toma lá 500 cruzados e trata já de resolver o problema.
O primeiro-ministro chamou o presidente da câmara e ordenou-lhe:
- O nosso rei quer a cidade toda iluminada ainda antes do Natal. Toma lá 250 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.
O presidente da câmara chamou o chefe da polícia e disse-lhe:
- O nosso rei ordenou que puséssemos a cidade toda iluminada para o Natal.
Toma lá 100 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.
O chefe da polícia emitiu um edital a dizer:
“Por ordem do rei em todas as ruas e em todas as casas deve imediatamente ser colocada iluminação de Natal.  Quem não cumprir esta ordem será enforcado”.
Uns dias depois o rei veio à varanda e, ao ver a cidade profusamente iluminada, exclamou:
- "Que lindo! Abençoado o dinheiro que gastei. Valeu a pena".
E desde aí… nada mudou, ou antes, apenas mudou a moeda.

domingo, 14 de junho de 2015

PARA ONDE VAI ESTE RIO?

Podia ser o meu rio,
não é rio de ninguém…
E nas margens deste rio,
a vida corre também.
Corre, corre, lá vai indo
sabe-se lá onde vai…!
Vai correndo se me rio
se choro corre também,
Alguém me sabe dizer
para onde vai este rio?
Quem corre assim também cai
só não cai por ser um rio…
Enquanto o rio vai indo
eu fico a vê-lo passar.
E não para de correr,
quer eu chore ou quando rio…
E nas águas deste rio
os sonhos lá vão também
antes que os sonhe alguém…

sábado, 13 de junho de 2015

SE O AMANHÃ VIER

Se o amanhã vier...
Tanto melhor…!
Errado é pensar no amanhã
ao ponto de esquecer de viver hoje…
Se o amanhã vier, tanto melhor,
porque hoje já vivi o quanto pude…!
Jorge Leal

SERÁ QUE NINGUÉM SE LEMBROU?!

Poucos foram os que se lembraram ou assinalaram a data… Eu próprio quase me ia esquecendo. Em abono da verdade devo dizer que só agora me lembrei.
Mas ainda vai a tempo, não vai?
Espero que a resposta seja afirmativa ou melhor, por favor não responda.
Prefiro assim.
Desde já as minhas desculpas por quase me ter esquecido do seu aniversário. É que o facebook não avisou… Talvez por não ter aceitado o meu pedido de amizade, quem sabe?
Pois é, o tempo passa tão depressa que nem nos damos conta que um ano já passou! Os anos vão passando quase sem darmos por isso… Tendo nascido a 13 de Junho de 1888, faz hoje, se não me engano, 126 anos. Verdade?
Bonita idade…! E sempre jovem e actual…
Parabéns Fernando Pessoa! Creia-me sinceramente seu amigo.
Tenha um bom dia onde quer que se encontre.
Até sempre.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

EM BUSCA DA IMORTALIDADE

Desde de tempos imemoriais que o homem se tem preocupado com a sua imortalidade física. Este anseio não esmoreceu ao longo dos tempos estando actualmente em curso diversas investigações científicas com o objectivo de descobrir uma forma de evitar o envelhecimento das células do nosso corpo e assim conseguir senão a imortalidade, a longevidade.
Enquanto a humanidade se empenha na procura da imortalidade (leia-se, física) há os que a conseguem alcançar através de obras literárias, artísticas ou do seu próprio exemplo de vida… Deste modo, as pessoas pensam viver para sempre na memória de quem as admira através das suas obras. Daí que nunca se escreveram tantos livros, se “abram” tantos blogues, se publiquem tantos textos e fotos nas redes sociais… O certo é que alguns conseguem…
Podia ter tentado a minha imortalidade através da escrita de livros, do meu blogue, dos textos que púbico no facebook mas acabei por consegui-la, estou certo, através da cumplicidade que existe entre mim e o meu neto. Sei que serei lembrado e imortalizado através da recordação dos tempos que passámos juntos. Sinto-o na preferência que ele manifesta pela minha companhia num passeio, à mesa do restaurante, na estadia em nossa casa,…

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A VIDA DEPOIS DE UMA VIDA

Para qualquer pessoa minimamente empedernida pelas circunstâncias de vida, falta de sensibilidade ou egoísmo inato, é deprimente visitar um lar de idosos. É vê-los ali sentados em cadeirões dispostos em filas virados para um ecrã de televisão que ninguém vê nem ninguém ouve talvez por incapacidade física ou falta de interesse. Pelo menos, é esta a imagem que me fica sempre que vou visitar o meu sogro internado num desses “lares”.
Esta quarta-feira festejámos o 92.º aniversário da minha sogra que por enquanto se tem mantido em casa por falta de vaga no lar onde se encontra o marido, situação que se vai alterar na próxima segunda-feira com o seu ingresso.
Faz pena ver a “vida” que ali os espera depois de uma vida activa que já foi a deles.
É isto que (nos) acontece quando fragilizados pela falta de saúde se fica dependente da ajuda de terceiros, quando os familiares não têm possibilidades físicas e económicas para acolher os seus idosos.
Devido à enorme dificuldade de locomoção e à distância que nos separa, o lar de idosos foi a solução de último recurso, depois um período de permanência na própria casa, apoiados por uma empregada.
Não deve ser fácil para um idoso o internamento em qualquer lar de idosos por melhor que seja, pois que isso pressupõe a perda de autonomia e a ruptura com os hábitos de vida anteriores já para não falar no abandono da casa que os acolheu (em muitos casos) durante uma vida. E toda esta perda em troca de quê? De uma “vida” sem presente nem futuro depois de uma vida plena de família e amigos…
 De visita ao meu sogro, pela observação da forma como alguns funcionários lidam com os idosos o que denota falta de perfil para as funções que desempenham, pela sua ausência na sala durante a visita, a ideia que fica é de que, devido às exigências inerentes ao trato de pessoas de idade, muitos dos funcionários não gostarão do trabalho que fazem, ou seja, obrigam-se a “cuidar” daqueles seres apenas por necessidade e para terem um salário no fim de cada mês.

É triste e difícil envelhecer com dignidade em Portugal.

terça-feira, 9 de junho de 2015

SOLTEM O LADRÃO!

Nos últimos tempos tem sido noticiado o julgamento de alguns dos suspeitos de corrupção que acabam geralmente ilibados dos crimes que lhe eram imputados. Estou a lembrar-me do caso de João Rendeiro. Outros, ainda nem chegaram ainda a julgamento apesar das inúmeras provas de que a justiça já dispõe… A este propósito, recordo o caso de Ricardo Salgado e do tal de Marquês.
É assim a realidade, pelo menos por cá, a justiça é lenta…
Não me assumo como católico praticante e nem por isso muito convicto principalmente no que se refere à interpretação dos textos bíblicos. Por isso, não paro de me surpreender com a analogia que faço entre o julgamento de Jesus e esses outros julgamentos.
Presumindo que haverá muita gente que desconhece ou anda esquecida dos textos bíblicos, recordo que Jesus foi conduzido à presença de Pilatos e acusado de enganar o povo, de ser malfeitor e revolucionário.  Pilatos interrogou Jesus e enviou-o a Herodes que o questionou sobre as acusações de que era alvo, mas como não obtivesse qualquer resposta, Herodes mandou-o de novo a Pilatos. Era costume, durante as festividades da Páscoa, libertar um prisioneiro à escolha do povo. Então, Pilatos, dirigindo-se ao povo, perguntou:
Quereis que liberte Jesus ou Barrabás?
Barrabás era um ladrão e malfeitor acusado de vários crimes.
O povo gritou em uníssono:
Libertem o ladrão!
Dá que pensar…

segunda-feira, 8 de junho de 2015

E VOCÊ É UM EMPATA?

Ser um empata, na gíria vulgar, não é nada abonatório para o visado pois significa que se trata de um sujeito que só atrapalha, quer seja na realização de um negócio, de uma tarefa, de um namoro,… enfim, um verdadeiro estorvo.
Porém, num outro sentido, refere-se a uma pessoa sensitiva, isto é, que tem a capacidade de “saber” coisas que nunca lhe foram ditas (não tem nada a ver com intuição) e de sentir a energia de outras pessoas que o afetam de alguma forma. Por isso, para um empata é extremamente penoso frequentar locais públicos tais como shoppings, supermercados, ou qualquer outro local onde se encontre um elevado número de pessoas porque pode absorver as energias (boas ou más) vindas dessas pessoas ou ser sugado da sua própria energia pelos “vampiros” da energia…
Por isso, um empata tem momentos em que precisa de ficar a sós e em silêncio para conseguir carregar baterias.
Além do poder de captar energias, o empata consegue também sentir as emoções dos outros e vivê-las como suas sendo-lhe doloroso assistir a cenas de violência ou tragédias no cinema, na TV e muito menos na vida real.
Os empatas são espíritos livres, por isso gostam de aventura, liberdade e viagens. Abominam a desordem pois que ela pode bloquear o fluxo de energia e jamais compram antiguidades ou coisas em segunda mão porque carregam a energia do antigo proprietário.
São propensos a mudanças de humor e quando captam demasiada energia negativa ficam calados e manifestam um comportamento anti social. Detestam fingir que são felizes quando estão tristes porque isso vai aumentar ainda mais a carga negativa.
Depois do que acabou de ler, considera-se um empata?

domingo, 7 de junho de 2015

IMAGEM DE MARCA

Chamava-se Isidoro.
Podia chamar-se Manuel, João, José, Miguel, Francisco…
ou qualquer outro nome que tivesse dado na telha à madrinha.
Mas acabou por se chamar Isidoro por ser um nome de marca,
a mesma que era preferida lá por casa.
Os nomes são assim uma espécie de imagem de marca da nossa identidade.
Se a pessoa não faz o nome,
o nome acaba por fazer a pessoa…

sábado, 6 de junho de 2015

FAITES VOS JEUX

Ela sabe que mente, eu não sei
se ele não sabe que ela mente…
Ela mente fingindo não se importar.
Eu não sei se ele sabe que ela finge
que já não se importa.
Há uma voz que comanda:
Faites vos jeux, rien ne va plus
Ela sabe que um sorriso dá mais ganho
do que apostar um amuo no preto
ou uma cena de ciúmes, no vermelho…
Eu não sei se ele sabe
que ela finge…
Faites vos jeux, rien ne va plus
mas o jogo é mesmo assim…!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A BONDADE É CONTAGIOSA

Não me surpreende nada o estudo levado a cabo pela psicóloga Sarina Saturn e agora publicado na revista “Biological Psychiatry”. Através de várias experiências, esta psicóloga conseguiu localizar no cérebro onde se encontra a bondade.
Segundo o mesmo estudo, percebeu-se que a bondade é “contagiosa”, ou seja, ao assistirmos a actos de bondade, somos impelidos a fazer o mesmo.
Todas estas descobertas foram possíveis através da observação da actividade cerebral de diversas zonas.
Não resta agora qualquer dúvida de que as pessoas que nos rodeiam acabam de uma maneira ou de outra por influenciar a nossa maneira de ser. Já lá dizia o ditado popular: “junta-te aos bons e serás como eles, junta-te aos maus e serás pior que eles”. A fazer jus ao ditado, ainda um dia se virá a provar que a maldade também é contagiosa.
Para já ficou provado que a bondade é contagiosa mas Lobo Antunes, conhecido psiquiatra, diz a este propósito: “o problema é haver tanta gente vacinada contra ela…”

quinta-feira, 4 de junho de 2015

V. DE THOMAS PYNCHON

Thomas Pynchon é conhecido por escrever grandes (literalmente) livros que chegam a rondar as quinhentas e muitas páginas e, além disso, de leitura nada fácil… O autor é também conhecido pela sua reclusão sendo que raramente dá entrevistas ou se deixa fotografar. Esta atitude tem gerado alguma especulação quanto à sua verdadeira identidade. Há quem diga que ele é Jim Morrisson e também quem afirme que se trata de Bob Dylan…! Enfim, paira o mistério sobre a sua vida privada e isso alimenta sempre a imaginação.
Ao longo da sua carreira literária já ganhou diversos prémios como o National Book Awards e foi por várias vezes citado presumível candidato ao prémio Nobel de Literatura.
Confesso que não conhecia Thomas Pynchon nem a sua vasta obra. O conhecimento veio através do meu filho que me ofereceu o livro V. deste autor. Segundo consta é um dos seus livros de mais fácil leitura… imagine-se se eu tivesse começado por qualquer outro livro deste autor…! Ao meio das 556 páginas do livro ainda não formei uma opinião muito consistente sobre o livro. Para já posso dizer que para além do estilo de escrita bastante complexo, o elevado número de personagens dificilmente relacionáveis entre si exige uma leitura atenta exaustiva forçando-nos constantemente voltar atrás para compreender o prosseguimento da leitura principalmente quando se interrompe de um dia para outro num determinado capítulo. Por várias vezes me senti tentado a abandonar a leitura deste livro entediante e confuso. Só não o fiz por curiosidade, para saber se a história acaba por fazer algum sentido…
Honestamente devo confessar que não é o meu tipo de leitura e não o recomendo à maioria dos leitores. Enfim, é a minha opinião e por isso, vale o que vale…

quarta-feira, 3 de junho de 2015

OS SENTIMENTOS NÃO MORREM

As coisas têm uma tendência natural para acabar. É assim uma espécie de regra que, como tal, admite excepções…
Generalizando, é permitido afirmar que todas as coisas têm um fim, um prazo de validade…
Mas os sentimentos não são coisas e como tal, não morrem. Podem transformar-se, metamorfosear-se mas estarão sempre lá, sempre presentes no cantinho mais recôndito da nossa alma.
Assim, carinho, ternura, amizade, companheirismo, amor e ódio interagem, evoluem e podem até transformar-se uns nos outros
... os sentimentos nunca morrem, apenas se transformam.

terça-feira, 2 de junho de 2015

DE REGRESSO AOS LIVROS

Como devorador de livros assumido não causará grande admiração se disser que ando literalmente às voltas com três livros… são mesmo três e em simultâneo… É preciso que se diga que não é por gosto, mania, hábito ou qualquer outra tara. Andar a  ler três livros em simultâneo tem uma explicação e tem tudo a ver com esta estranha moda que deu nos autores contemporâneos de escrever livros com mais de 500 páginas onde narram histórias que poderiam ser narradas em cerca de 100 páginas. As páginas restantes são preenchidas por aquilo a que eu chamo “palha” e que não fazem absolutamente falta nenhuma à compreensão da história. Essa “palha” é constituída por uma fastidiosa descrição de pormenores paisagísticos e outros relativos aos personagens, ao tempo, à toilete,… Eu sei que muitos desses pormenores são essenciais para localizar a história no tempo ou caracterizar física e psicologicamente os personagens mas convenhamos que muitos outros, são absolutamente desnecessários e fica-se com a sensação de que foram ali registados apenas para preencher algumas (muitas) páginas. É o que me está a acontecer com este livro de Thomas Pynchon… mas sobre este e os outros livros voltarei a escrever mais tarde.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

MORAL DA HISTÓRIA

Era uma vez um príncipe que um belo dia conheceu uma linda princesa. Não se sabe ao certo se estavam apaixonados mas acabaram por casar e viveram felizes para sempre…
Era assim que a história devia acabar se fosse um conto de fadas mas não foi essa a realidade. De facto não viveram felizes para sempre porque o príncipe tinha uma secreta paixão por uma dama da corte e um belo dia a princesa descobriu a traição e vai daí, vingou-se… Fez ela muito bem, digo eu.
Acabaram por se separar e o príncipe, vendo-se de novo livre, casou com a tal dama de seu nome Camilla Parker-Bowles.
Mas também esta história acaba mal. Parece que uma estranha maldição lançada pela princesa Diana Spencer se abateu sobre o príncipe. Bem se diz que “cá se fazem, cá se pagam”. Segundo a revista “Globe”, Camilla foi apanhada por uma câmara de vigilância a beijar um ator (não se sabe ao certo, quem), … mas recusa separar-se, e, em caso de divórcio, exige 320 milhões de euros.
Moral da história: antes de beijar seja quem for veja com muita atenção se não há uma câmara de vigilância por perto.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...