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sexta-feira, 19 de maio de 2017

QUEM ESPERA...

Como em todas as lendas gregas há um fundo moralista em cada uma e esta não podia fugir à regra.  Conta-se que Pandora, a primeira mulher enviada à Terra pelos deuses, transportava consigo uma caixa da qual desconhecia o conteúdo. Um dia, não resistindo à sua curiosidade, decidiu abrir a caixa libertando todos os males do mundo tal como hoje o conhecemos.
Quantas vezes, se transporta numa caixa, não os males do mundo, mas emoções e sentimentos agarrados ao passado? A parte física pode ser muito ou pouco afectada, mas os sentimentos, as emoções lá estão intactos guardados na referida caixa.
Infelizmente não subsiste um mínimo de curiosidade por saber o que a caixa contém. Sabe-se muito bem o que foi guardado na tal caixa…
É claro que não esqueço que, na lenda grega, Pandora vendo o mal que fizera, fechou rapidamente a caixa. Contudo, não foi tão rápida que permitisse a Esperança de sair…

quarta-feira, 17 de maio de 2017

UMA SINGELA HOMENAGEM

Não sou muito de homenagens, contudo abro uma excepção quando se trata de alguém muito próximo, como é o caso. Desta vez e por que sempre me lembro desta poesia quando se fala em insónias, noites mal dormidas ou dias que tardam em chegar…

Ó dia! Vem!...
Vem afastar a noite imensa
onde a minha dor não cabe
vem ofertar-me a esperança
na harmonia dos sons prenunciando a alvorada,
nos tons suavíssimos do horizonte
quando sorris despontando,
na volúpia morna do sol regressando!...

Ó dia! Vem!... vem na bênção da manhã!...
E à tarde,
quando imperturbáveis
rolarem as horas quentes do desejo,
- Aquelas horas de pasmo
que a Natureza gerou
para os seres se possuírem,
quando os meus olhos se entornarem de crepúsculo,
e a luxuria da tristeza,
e a inconsolável melancolia,
se apossarem de mim, despedaçando-me,
Ó dia! Verte em minha dor o absinto da resignação!...

Ó dia! Vem!...
Vem e não findes neste alucinante assombro!...
Que outra noite
não suceda a esta noite onde enlouqueço!...
Que um outro morrer de dia
Não me envelheça uma vida!...

Ó dia! Vem!
Mesmo se fores o último onde eu viva.

Maria Bernardette

terça-feira, 16 de maio de 2017

UM DIA VEM...

Um dia amanhece como tantos outros. Parece mais um dia. Mas não é. Como tantos outros, amanhece assim, sem nada que o torne diferente! Chega de mansinho como se fosse um dia (atrevo-me dizer) normal. Mas não.
Mais tarde ou mais cedo, inevitável lá vem o dia em que se dá o confronto com a ausência de loucuras, ou então, tenta-se em vão realizar o maior número dessas loucuras. O mal reside em ignorar que a verdadeira loucura está em tentar realizar o irrealizável.
Apesar da idade, seja ela qual for, descobre-se que os anos passados, não foram suficientes para realizar as ditas loucuras. De súbito, a gente apercebe-se que nem sempre foi feito o que devia ser feito nem dito o que devia ser dito…
E assim vai correndo a nossa vidinha até que chega o tal dia em que se descobre com clareza o verdadeiro valor da amizade e percebemos que somos tão importantes para os outros, como somos para nós, …
O dia que parecia igual, torna tudo diferente, mas o maior problema está em que, muitas vezes, nem damos conta disso…!
Há dias em que pensamos tanto que acabámos a ver o que era suposto não ser visto…
Há dias assim.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

BOCEJAR, PORQUE NÃO?

Ainda ninguém explicou cabalmente o porquê do bocejar. Há várias teorias que tentam explicar o porquê do bocejo. Como nenhuma explica a 100% a origem e o porquê do bocejo, qualquer interpretação é bem-vinda.
Basta consultar os vários dicionários online para encontrar diferentes explicações para o chamado bocejo. As imensas teorias reduzem-se a dizer que bocejamos por estarmos com sono, fome, aborrecidos ou simplesmente, por ver alguém bocejar. Pesquias mais atuais, explicam o bocejo como uma forma do organismo diminuir a temperatura do corpo. Ultrapassando explicações sobrenaturais, direi apenas que “abrir a boca”, é uma forma de estabelecer um equilíbrio entre energias de dois ou mais indivíduos…
Qualquer que seja a explicação, só sei que me aborreço de morte quando regresso a casa depois de um dia passado longe dela…
Gosto das quintas feiras pela ausência de sessões e consultas. É bom que seja assim e não reclamo por isso. O que me faz bocejar é o tédio que se instala nesses dias.
O que fazer? Sigo com mais atenção horários, controlo horas de saída e de entrada e pouco ou nada mais me resta …

quarta-feira, 10 de maio de 2017

DIAS DE CHUVA E DIAS DE SOL

Parece que o mau tempo voltou. Há quem goste do frio e da chuva! É próprio, dirão, da estação do ano ou da sua localização mais ao Norte. Depois de uma semana cheia de sol e calor, eis que volta o frio e aquele vento húmido carregado de solidão. É claro, que falo em nome pessoal…!
Prefiro os dias de sol, mas como diz Pessoa, um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um é como é. Apesar de considerar Fernando Pessoa como meu mentor, permito-me discordar (em parte). Ambos existem, é inegável, mas continuo a não gostar dos dias de chuva.
Um dia de chuva traz consigo uma certa nostalgia, uma dor estranha que em tudo faz lembrar a dor da saudade…
É já um cliché dizer que a vida é feita de dias de sol e dias de chuva. Cada dia tem um destino a cumprir… Mas um dia de sol dá outra cor à vida!
Há dias de sol assim como há dias de chuva…. Eu prefiro os dias de sol.
Há dias assim.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

CONTINGÊNCIA OU CONTRADIÇÃO?

Não tem nada demais entrar em contradição relativamente a qualquer coisa. Como ponto de partida, admito que me contradigo e não me envergonho nada disso.
Note-se que a realidade do “antes” não tem nada a ver com o “depois”, sem que isso me sirva de desculpa …. Enfim, quando falo em “contradição” comparo o que pensava antes com o que penso agora, o tal “depois” … O que não assegura que venha a pensar o mesmo amanhã. Não é este um blog de pensamentos? Nada me obriga a manter estanque o pensamento como algo estático que não pode evoluir ao longo da vida. Não fosse eu fruto dessa tal contradição…!
Deixando esse tema para uma próxima oportunidade, refiro-me literalmente às memórias do passado confrontadas com os pensamentos atuais. Estou consciente da contradição de muitos dos textos quando comparados com outros, mais atuais e sob o mesmo tema. Nesse caso, é preciso não perder de vista a data de publicação.
Por outras palavras, direi que a contradição depende (muito) das contingências que vão mudando ao longo da vida….
Dizia eu que não me envergonha a contradição. E é verdade.
Pela mesma ordem de ideias, era também uma vergonha pensar que este é um blog de pensamentos….

domingo, 7 de maio de 2017

TODOS OS DIAS SÃO DIAS

Celebra-se hoje, primeiro domingo de maio, o Dia da Mãe. Porquê hoje? Mil e uma respostas para a mesma pergunta. Basta consultar a Internet.
No entanto, é lamentável que tenha sido necessário estipular um dia para promover com mais intensidade o Dia da Mãe. Mais uma vez me coloco ao lado dos que se opõem a estes dias. Contudo, a maioria dos indivíduos e principalmente o Comércio, defendem a existência destes dias.
Permito-me usar estes termos já que todos os dias são dias de “chamar” aquela que me carregou durante, pelo menos, nove meses. Não há dia que passe sem recordar com tristeza e saudade a Mãe. Por que não fazer com que todos os dias sejam Dia da Mãe dando-lhe o estatuto que ela merece ter?
Há dias em que pensámos na mãe com mais intensidade…

Há dias assim.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

GOSTAR (OU NÃO) DE POESIA

Se me pedissem uma definição de poeta, diria que ser poeta é… ser poeta. É-se poeta por devoção, nunca por obrigação. Logo, não existe uma definição plausível de poeta.
Considerando Poesia como um amontoado de versos que podem ou não rimar, torna-se mais fácil definir. Direi então que Poesia é sobretudo uma forma de expressão que usa uma linguagem muito própria, direi mesmo metafórica. Sem pretender construir uma definição correta de poesia, direi que poesia… é poesia. Não se define.
Gostar de poesia, é outra coisa. Ou se gosta ou não se gosta. Não existe o meio termo. Para se gostar de poesia, é preciso saber lê-la e, mais do que isso, interpretá-la. É preciso procurar a essência de cada ode poética o que nem sempre acontece. Caso contrário, a poesia torna-se massuda, chata e sombria.
Já todos perceberam que adoro poesia. Há quem diga até que sou poeta….  Que mais se lembrarão de dizer de mim?
Poeta ou não, cá vou tentando rimar “Vida” com “Dor” de tal maneira que, citando o poeta, chego a fingir que é dor a dor que deveras sente.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O FIM COMO PRINCÍPIO

Desde tenra idade, detesto o fim, seja do que for. Não gosto. Podia recusar qualquer explicação (a idade assim o permite), mas vou tentar explicar o que talvez não tenha explicação.
Hoje fui pela última vez à terapia de posicionamento…. Foi o fim, o culminar de muitas outras sessões, mas um fim. Ao sair da fisioterapia que lhe sucedeu, apercebi-me que se aproxima aquele dia que a maioria dos portugueses anseia, o fim de semana. Mais um fim de semana talvez, mas um fim. Isto sem contar com o próprio mês que se aproxima do fim…. Detesto o fim!
Há muito que venho observando esta estranha aversão pela palavra latina “Fim” sem sucesso, diga-se. Aceitando como definição os termos, conclusão, remate ou morte, fico com a sensação de que morte é a que mais se adequa. Detesto a morte, por isso me recuso (tenho recusado) a morrer. Aliás, não sei qual das palavras detesto mais, se "Fim” ou “Morte”. Contudo, nada na vida é eterno e ficar focado no que já aconteceu é o erro mais comum que se possa imaginar…
Por associação talvez, entre as duas palavras, um fim soa-me a morte, a algo que não volta mais, mas que agora sei não ser verdade. Por vezes a morte é necessária como começo de algo que lhe sucede, mas a mim não me convence.
Recuso o “fim” que transformo sempre em “começo” de qualquer coisa o que não invalida o enorme vazio que se instala quando algo finaliza… seja do que for.
Há dias em que pensámos mais no futuro e só conseguimos ver o passado…
Há dias assim!

sábado, 29 de abril de 2017

RECORDAR E SEGUIR EM FRENTE

Há dias em que as coincidências se sucedem sem que tenhamos mão no seu correr. É o chamado dèjá vu…
Ouço com frequência “rádio” no carro onde sou conduzido, mas não deixa de ser curioso ouvir o locutor anunciar, no seu tom de voz inconfundível, que vai “tocar” não sei quantas músicas seguidas e, entre elas, reconhecer uma voz que se ouviu recentemente no nosso velho gira-discos.
Um sorriso que ninguém viu inundou-me o rosto. É que na minha idade mais do que uma já é demais…. Noutro tempo brincaria com a situação hoje calei, ou antes, brinquei comigo próprio.
Entre os nomes sonantes anunciados, lá esta ela, inconfundível. Enfim, coincidências todos os dias se sucedem sem darmos por isso.
E lá continuava a artista e cantora no seu tom de voz triste e monocórdio cantando a velha canção que tantos recuerdos trazia. Eu, que nada sabia sobre o assunto, concordava intimamente com o que estava a ser dito pela voz da cantora que me transportava até não sei onde… Num dado momento, vejo-me em frente de um copo meio cheio e no momento seguinte, já não era eu…
Há dias em que a vida nos permite viajar até ao passado, outros deixa-nos regressar…!
Há dias assim.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

INSÓNIA OU NOITE MAL DORMIDA?

Falar de insónia, tornou-se tão vulgar nos dias de hoje como falar do almoço ou do jantar do próprio dia. Muita gente saberá a diferença entre insónia e uma noite mal dormida. A insónia é a ausência total de sono que pode ter origem em problemas de depressão enquanto que uma noite mal dormida pode ser intercalada por períodos de sono o que não garante um descanso adequado ao organismo. Enfim, uma noite mal dormida não é o fim-do-mundo se ocorrer de vez em quando, mas começa a ser um problema quando se repete ao longo do ano. Não vou então dedicar o meu tempo a descrever os vários tipos de insónia.
Adormecer só de manhã depois de muitas voltas na cama durante a noite, acaba por deixar marcas profundas e piorar a qualidade de vida.
É sabido que para dormir bem o estômago não deve estar muito cheio nem muito vazio.
Embora não pareça, a insulina está relacionada com a produção de serotonina a principal hormona do sono. Está provado que a elevada presença de glicose no sangue, implica um aumento de insulina no organismo.
Em vez de recorrer de imediato aos produtos de laboratório, por que não recordar alguns dos velhinhos remédios naturais que podem dar qualidade ao sono? Não garanto que resulte, deixo aqui algumas dicas baseado na minha experiência pessoal:
Antes de dormir (cerca de uma hora) ingerira uma pequena porção de pão brancor ou bolachas por serem ricos em hidratos de carbono que ajuda a adormecer.
A acompanhar (ou não), beber um chá de valeriana que, ao actuar sobre o sistema nervoso central, faz dele um poderoso sedativo.
Para quem não gosta de valeriana o chá de flor de laranjeira é óptimo pelo seu efeito sedativo e funções terapêuticas consideráveis.
Já que me referi à flor de laranjeira, convém falar na flor de limoeiro que, além de sedativo, possui substâncias anti fadiga, ansiedade e sintomas de gripe.
O mel, por ser muito rico em hidratos de carbono é também um excelente sedativo.
E claro que teríamos que falar no conhecidíssimo chá de camomila que tem demonstrado a sua poderosa acção sedativa.
O que eu não sabia e agora já sei, é que comer pipocas ajuda a adormecer. Além do seu alto teor em hidratos de carbono, possui triptofano que se converte em serotonina.
Se nenhum destes truques resultar, então só me resta desejar “boa noite”.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A LOCALIZAÇÃO DA SALA E A SUA IMPOTÂNCIA

Não sei onde nem quando teve origem essa ideia peregrina de situar as salas nas traseiras dos edifícios. Aliás, admitindo que as salas se devem localizar nas traseiras, implica colocar os quartos na fachada principal, zona muito mais barulhenta e com maior movimento. Isto é o que se verifica em quase todos os edifícios. Desconheço mesmo se existe alguma legislação neste sentido, o que não faz de mim um defensor desta localização.
Num edifício com orientação nascente-poente, logo havia de calhar a sala situar-se a nascente! Dá para compreender que tomo por exemplo a minha própria sala. Esta localização faz com que, muitas vezes, se instale nos quartos o que pertencia à sala. Na minha (modesta) opinião, devia ser muito bem pensada a localização dos edifícios antes de projectar a respectiva sala.
Estou convicto dos problemas que existem relativamente a arquitectura bem como à situação da cozinha, escadaria de acesso aos diferentes andares etc. Contudo, todos estes problemas são contornáveis, logo não impeditivos de alterar tal situação.
Não esquecer que existe uma nova forma de viver a sala. Ela é, na actualidade, um local onde recebemos os nossos amigos, um local de trabalho, onde vemos TV ou… simplesmente relaxámos.
Já não se trata de um sacrilégio afirmar que a sala é afinal o coração da casa tendo mesmo destronado a ancestral cozinha desse papel.
Torna-se claro que me refiro à minha sala, mas quantos se reveem nesta localização?

domingo, 23 de abril de 2017

O (ESTRANHO) PODER DA MÚSICA

Já confessei por aqui o estranho poder que a música tem sobre mim. Numa fracção do segundo, arrebata-me e consegue levar-me junto de pessoas ou locais insuspeitados.
Usando os mesmos termos dos técnicos de saúde, direi que possuo uma memoria evocativa muito refinada. Pode ser que sim. O que é certo, é que consigo lembrar de pessoas, momentos e locais através da música.
Como sou bastante eclético (e não só…) no que diz respeito a música, basta ouvir uma para que seja transportado de imediato a quilómetros de distância ou a momentos de um passado mais ou menos longínquo.
Talvez por este facto, adoro ouvir música (bem alto) e, ao mesmo tempo, desempoeirar alguns CD´s que se encontram sobre a respectiva prateleira.
Fugindo às canções mais conhecidas por mais comerciais, extraí esta interpretação magnifica de um clássico, velhinho, que remonta a 1991 e aqui vos deixo. Ouvir a música
É assim a música…. Assim sou eu.

sábado, 22 de abril de 2017

ACREDITAR... OU NÃO

Não creio em Deus tal como não acredito na injustiça e na guerra. No entanto a injustiça e a guerra grassam por todo o lado como epidemia não controlável. Basta olhar para os migrantes para ver a morte e a injustiça. Um olhar mais atento sobre o mundo, mostra-nos as consequências devastadoras do confronto entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. A este confronto, junta-se a atitude dos EUA ao lançarem a bomba (a mãe de todas as bombas) sobre o leste do Afeganistão por ordem de Trump. Aliás Trump parece estar na origem de todo e qualquer conflito armado.
A guerra na Síria é outro exemplo em que Assad, aliado de Trump, se desmarca desta posição após o lançamento da bendita bomba.
Não crer em deus, não significa que Ele não exista. Só que não acredito em Deus tal como o “pintam” …. Acredito numa “força” divina que rege os nossos destinos. E o “livre arbítrio” onde fica nesta baralhada toda?
Não posso deixar de rir (só para mim) quando me falam em Deus, Maomé, Vedas, Buda, e outros quejandos. Deus não existe tal como não existem todos os outros.
O que existe é um único preceito transversal a toda e qualquer religião: o amor ao próximo. E esse próximo, pode ser qualquer um de nós.
Sejamos tolerantes ao ponto de permitir que cada um se relacione com o seu deus de acordo com a fé e cultura inerente.
Não perdendo de vista que todos adoramos o mesmo deus, que importa que o nome mude quando tudo o mais se mantém?
Amámos todos o mesmo deus, a tal força sobrenatural que nos rege… não esquecendo nunca o livre arbítrio.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

AFINAL AS FLORES TAMBÉM PENSAM

Devia ser primavera, mas francamente não sei. Digo “talvez” pelo cheiro a primavera, pelos calções e sobretudo pelas flores que começavam a romper por entre as pedras do Largo. Apenas recordo que construía belos jardins que interrompia para almoçar e me penalizava ver que alguém pisara durante esse curto espaço de tempo.
Talvez fosse primavera, embora os “dentes-de-Leão” como eram chamados floresçam todo o ano, mas principalmente na primavera, quando as temperaturas são mais agradáveis.
Definitivamente era primavera por que no verão, o “teu pai é careca” esvoaçava por todos os compartimentos da casa. Na verdade, trata-se de sementes da planta que esvoaçam levadas pelo vento. Há quem acredite que deve formular-se um pedido relacionado com o amor quando se sopra para uma dessas sementes. Se o vento teimar em trazer de novo a semente, o desejo será realizado muito em breve. Na altura, eu nada sabia sobre tradições, por isso não formulava pedido algum. Apenas construía jardins. Na Idade Média, associava-se esta flor a Cristo e à Virgem Maria daí ter ganho o significado de liberdade, otimismo, esperança e luz espiritual, no que acredito.
Desde o momento em que escrevi algo sobre os “dentes-de-Leão”, não param de florir em volta da minha varanda o que nada tem de extraordinário visto que estarmos na primavera. O extraordinário é que florescem mesmo em frente da varanda e todo o terreno em volta se encontra livre destas flores. São dentes de leão e amarelos (como deve ser) aos montes!
Por coincidência, dirão os mais cépticos, mas eu quero crer que as flores pensam.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

REGRESSO AO PASSADO

Tudo parece maior quando somos pequenos. A porta da rua, a velha escadaria em madeira carunchosa, os patamares, até o Largo agora parece ter encolhido ao longo dos anos.
As flores (amarelas por sinal) são as mesmas, crescem por entre as pedras que atapetam o Largo. Na mesma rua por onde se descortina o Rio, sobem ronronando as camionetas que representam terras situadas na outra margem. Tudo permanece igual embora, nem todos saibam, é preciso fechar os olhos.
Por breves momentos, reporto-me à minha longínqua infância e procuro um passado que está de todo morto. Ninguém percebeu, era essa a ideia, a procura incessante da casa onde passei a maior parte da infância.
Permanecia ali parado junto ao funicular que me transportou desde lá em baixo, amparado por aquelas pedras que não falavam com linguagem de gente, mas que tinham tanto para contar…
Mesmo ao lado, lá estavam as escadas cujos degraus graníticos tão bem conhecia! Nada, nessa altura, prendia a minha atenção, nem a fachada das casas, a igreja ali implantada, nada. Apenas a fuga inconsequente do agente da polícia.
Tantas vezes percorri aquelas escadas sem olhar para trás, saltando alguns degraus, com o fôlego que me restava!
De repente, como num espelho reflectido, vejo-me tal e qual como sou. Comparando com esse passado, fico a pensar: Quem me viu e quem me vê”.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

MEMÓRIAS (MEMORIES)

Hoje em dia conhecem-se vários tipos de memória que vão desde o decorar datas, nomes e lugares, etc. o que é uma chatice. Convém desde já esclarecer que me refiro à memória humana essencialmente evocativa. Resumindo, a capacidade de aquisição, armazenamento e evocação de informações, é onde me situo sem sombra de dúvida.
Confesso que sou muito dado à memória evocativa. Basta uma música, um perfume, um toque de mão ou uma palavra e lá vou eu, reportado a um passado mais ou menos longínquo, mais ou menos vivo. Há quem encontre vantagens em recordar, eu não lhe vejo senão alguns inconvenientes. Deste modo, vivo rodeado de ruas, vilas, cidades e pessoas impossíveis de esquecer.
Desta vez, tirando a poeira a alguns CD,s perdidos na prateleira, encontrei este que partilho aqui. Que a música e principalmente a letra, traga boas recordações.

sábado, 8 de abril de 2017

ESTOU DIFERENTE... E DAÍ?

Não deixa de ser engraçado, se alguma graça existe em comparar o que se vê com o que se viu “antes”. Se não existir graça, pelo menos não deixa de ser curioso entrar num consultório e ver a cara de espanto e surpresa quando se deparam com a bengala e o andar periclitante. Perdem a voz, o maxilar pende-lhe sobre o peito e nenhum gesto se aproxima…. Ali permanecemos impotentes à mercê da piedade alheia.
Ainda que se ignore a respectiva postura corporal, é impossível não registar as palavras sem nexo balbuciadas tais como, “que chatice”. Nesse preciso momento, é que me sinto na obrigação de repetir o velho ditado, quem me viu e quem me vê …
Olho um passado ainda recente onde, cheio de vida, vejo com um certo desprezo as limitações dos outros. Tanta incompreensão, senão desprezo, só pode ser fruto da facilidade com que me deslocava em qualquer espaço. Hoje, tudo é diferente.
Na verdade, quem me viu e quem me vê…!
É natural que não acredite no que está a ver. Não há dúvidas que estou diferente, …
É altura de assumir essa diferença.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

UM ADEUS MUITO SENTIDO

Não é palavra que faça parte do dia-a-dia do meu vocabulário. Geralmente digo “tchau” quando me despeço de alguém que tenciono encontrar num futuro muito próximo. Para mim, a interjeição “tchau” não significa mais do que “até logo” ou “até à vista”.
Guardo o “adeus” para outras ocasiões. Aliás, o “adeus” tem uma conexão muito mais profunda, muito mais triste, por isso o evito. Despedir-me com um “adeus”, quer dizer que não tenciono voltar a ver a pessoa em questão, ou seja, trata-se de uma despedida com carácter definitivo.
Alguém disse, antes de mim, que um adeus não é uma despedida. É um entregar nas mãos de Deus o que é impossível gerir. Talvez seja verdade.
A palavra “ciao”, muito usada na Itália como mero cumprimento, aproxima-se mais da interjeição “tchau” o que acaba por me dar razão.

domingo, 2 de abril de 2017

AGRADEÇO... COMO SEMPRE

Nem sessões, nem consultas… nada. Seria de estranhar se não fosse domingo. E como não havia sessões (de fisioterapia, é claro) nem consultas, foi dia de passeio.
Tudo a voltar ao normal… será”? Pelo menos, o que considero ser normal. Como isso daria tema para outras publicações, fico-me por aqui.
Como bem escrevi, desde o verão passado, ainda não conduzo. Repare-se que tive o cuidado de escrever ainda
Hoje foi dia de passeio, isso é que interessa. Por momentos Fuji à rotina do dia-a-dia e fui por aí fora, levado por um amigo. Na verdade, devia dizer meus amigos, mas como era ele a guiar, refiro apenas o meu amigo. Desta vez, para variar, fomos até Caminha beber a nossa água que o almoço (em Vila do Conde) exigia.
O carro não era o mesmo, mas a Amizade permanece, senão maior. Obrigado.

quinta-feira, 30 de março de 2017

UMA QUESTÃO DE DATAS

A polémica está instalada, qual a melhor data para as eleições autárquicas?
Qual a data que traria mais votos a cada um dos partidos, 24 de Setembro, 01 ou 08 de Outubro? Pergunto eu.
Pode parecer de somenos importância a data das próximas eleições autárquicas, mas quem pensa assim está redondamente enganado. Pelo menos, essa é a opinião de António Costa (Publico, 04/03/17).
Parece, no entanto, haver um certo entendimento quanto à data das eleições por parte de Teresa Leal Coelho e Assunção Cristas. PSD e CDS uniram-se em volta de 01 de outubro. Quanto a Catarina Martins, talvez, antes pelo contrário, vamos a ver…  E ficámos sem saber qual a data mais provável das eleições autárquicas. O mesmo não se passa relativamente ao busto ora implantado no aeroporto da Madeira, ou deverei dizer aeroporto CR7? O nome mudou, pronto e daí? Não mudaram o nome do aeroporto para Sá Carneiro? Não é por aí que virá a “epidemia” ao país… Já o mesmo não se pode dizer do referido busto. Valha-me Deus!
Não lhe reconheço grandes parecenças com o original a não ser nos dentes… Não esqueço que o referido autor do busto revelou ter despendido a fazê-lo 15 dos seus preciosos dias. Mesmo assim, valha-me Deus!

quarta-feira, 29 de março de 2017

EXISTEM MIL MOTIVOS PARA CHORAR

Ou é de mim, do tempo, do pensamento, da doença ou por que sim, ando mais chorão. Noto isso, quando assisto às séries de televisão. Qualquer coisa me faz chorar e às vezes nem sei bem porquê. Sei que se pode chorar de raiva, de medo, de decepção, de felicidade (por que não!) ou por outras emoções. Eu choro… por que sim.
Ou é de mim ou vejo “as coisas”, a própria vida de maneira diferente. Não sei.
O que sei, com toda a certeza, é que ando mais chorão. Choro quando confrontado com o sofrimento alheio ou o próprio sentimento, de saudade, por um passado que não volta, por ti, por mim e, sobretudo, choro por que me apetece chorar.
Um homem não chora, diziam-me em pequeno, e com esta mesma frase despoletavam em mim o choro, sempre contido, sempre só meu.
Seja por que motivo for, ando mais chorão. Uma música (sobretudo a letra), um poste no F.B., uma saudade que aperta, tudo me serve de pretexto para chorar.
Dizem que é normal chorar quando a sensibilidade nos acompanha. Na verdade, chora-se por ser frágil ou forte, ser odiado ou amado ou por outros motivos que não alcanço.
Enfim, existem mil motivos para chorar e outros tantos para ficar calado.… Só é preciso encontrar um motivo.

terça-feira, 28 de março de 2017

NA SENDA DOS DIAS PERDIDOS

Continuando a saga e não esquecendo que hoje é dia Mundial de qualquer coisa, que amanhã será dia Nacional de outra coisa qualquer e por aí fora, aqui estou eu a escrever novamente sobre o dia internacional.
Já dediquei algumas linhas aos “dias internacionais de …” mas nunca é demais referenciá-los. Que fique bem claro que não sou contra os tais dias, só que entendo que devem prolongar-se pelo ano fora, sem data marcada.
Chegou finalmente o dia de não fazer nada (pena que não sela Mundial), nem sessões nem consultas… nada. Ao “dia de não fazer nada” eu ergo bem alto um hino, o meu hino. Nunca esta canção fez mais sentido do que no momento presente.
Todos os dias serão dias internacionais de …. Basta um homem querer.

domingo, 26 de março de 2017

SAIR DEFINITIVAMENTE... DE QUALQUER COISA

Definitivamente este não é um blog de cariz político nem eu queria que fosse. Nele não encontrarão resposta e muito menos soluções para os problemas que afligem a sociedade actual, se é que existem.
Convenhamos que, embora seja um blogue de pensamentos (do momento), não é possível fugir ao pensamento de cariz político. Não é possível circular por este mundo sem que se tenha uma opinião sobre política.
Aqueles que me acusam de não seguir uma linha política definida, respondo que não tenho nem pretendo seguir essa linha. “Corto” a direito, como costumo dizer. Não sigo nenhuma linha de pensamento político. Na verdade, não tenho uma linha política definida. Sigo o meu instinto e o que me parece mais correto e melhor para a sociedade portuguesa em geral.
Estão neste caso os resultados obtidos e confirmados pelo INE. Já perceberam que me refiro ao Défice Excessivo de Portugal (PDE) que ficou pelos 2,1% do PIB. Trata-se de uma estimativa bastante optimista visto que a meta prevista pelo Governo era de 2,4%. Perante esta notícia foram dados os parabéns ao executivo que ninguém nega, contudo ninguém (ressalve-se aqui Marcelo R. de Sousa) se refere aos cinco anos de sacrifício dos portugueses. Quem está de parabéns e o povo português que se privou de tanto e afinal por tão pouco…

O povo português está de parabéns pelo muito que se sacrificou para chegar a estes resultados.

sábado, 25 de março de 2017

EQUILÍBRIO OU A FALTA DELE

Há dias em que embora tente manter o equilíbrio, sem grande sucesso, diga-se, nada resulta afinal. Refiro-me ao equilíbrio propriamente dito, não no sentido figurado. No sentido real, em que o corpo tenta manter-se em pé, sem cair, a coisa não é fácil e as tentativas nem sempre resultam. Por outras palavras, falo de ataxia, termo usado para o estranho fenómeno do equilíbrio, ou a falta dele.
Hoje foi um dia de desequilíbrio total. A todo o custo tentei e Deus sabe como tentei embora caísse para todo o lado. Cada um desenvolve as suas próprias estratégias para se manter em equilíbrio e eu desenvolvi as minhas. Apesar das inúmeras tentativas de aplicação das referidas estratégias, não consegui evitar os ameaços de quedas que não se chegaram a concretizar.
Melhores dias virão…. Esperemos que venham. Nem sempre aceito com esta passividade aparente a presente condição. Tenho os meus momentos de raiva contra tudo e contra todos.
Afinal há dias de chuva (como hoje) intercalados de um sol pleno.
Há dias assim.

segunda-feira, 20 de março de 2017

A INVEJA PODE MATAR

A inveja mata mais do que qualquer outra doença, o que nos leva a pensar na inveja como sendo uma doença. Se não é doença é, pelo menos, um sentimento muito feio que deve a ser banido do nosso vocabulário.
Investigando o significado da palavra nos dicionários disponibilizados online, encontra-se invariavelmente a definição de “desejo de possuir o que o outro tem” o que diz muito pouco ou mesmo nada sobre “inveja”. Contudo, inveja não é nada que não “passe pela cabeça” do cidadão mais pacífico do Universo.
Se pensava, como eu, que nunca teve inveja de nada nem de ninguém, então o melhor é continuar a ler esta mensagem.
Será que nunca sentiu inveja do que quer que fosse, em momento algum?
Por se tratar de um sentimento inerente a todo o ser humano e uma das emoções mais antigas (e destrutivas) do planeta, o invejoso não se contenta com o facto de o outro ficar privado do que a muito (ou nenhum) custo conquistou. Pelo contrário, o invejoso pode ficar extremamente satisfeito com o mal dos outros, isto é, com o que de mal pode advir daquilo que conseguiu conquistar. Reside aí o principal problema.
A par da inveja vem sempre o sentimento de culpa por se permitir um sentimento tão mesquinho. Enfim, analisando um sentimento tão simples como a “inveja”, vêm sempre outros sentimentos que pensávamos adormecidos em nós.
Sentir inveja é humano, mas por que não os ficarmos (como dizem os brasileiros) pela inveja branca ao contrário da pura inveja?
Neste sentido, a inveja pode matar, senão controlada…

domingo, 19 de março de 2017

QUEM SOU?

Por que se celebra mais um dia, o Dia do Pai, impõe-se uma reflexão mais atenta sobre o próprio dia. Viajando pelas redes sociais, só encontro referências ao “melhor pai do mundo”. Ainda bem que assim é. Por mim, continuo à espera de saber do pai que, como toda a gente, certamente tive.
Entre pai, avô, companheiro, amante, amigo, ou seja, lá o que for, continuo sem saber quem realmente sou. Se para ser pai, segundo a definição, basta ter um ou mais filhos, então serei apenas pai. Mas se ser Pai significa ter amor para dar, então não posso deixar de homenagear aquele que me criou e fez de mim o que hoje sou. Ser pai é aquele que cria e educa uma criança que não gerou, mas que adoptou quando casou com a mãe deles … Esse é o Pai.
Ser pai é muito mais do que poderia aqui dizer, é o sorriso sempre aberto fora de horas, o oceano dos sonhos que ficaram por sonhar, o calor do abraço que acalma e acarinha e o beijo, aquele beijo que não termina nunca …
Ser Pai, é tudo isto. Enfim, ser Pai não existe.
Posso não saber quem sou, mas uma coisa é certa, um destes papeis, cabe-me a mim.
Feliz Dia do Pai.

sexta-feira, 17 de março de 2017

O MEDO DO QUE VIRÁ

Ter medo, seja do que for, é natural. Pode surgir, pelo menos, de duas maneiras diferentes. Ora nos protege de uma hipotética ameaça à nossa integridade física, o que é bastante útil, ora assume a sua forma mais negativa já que funciona como um entrave à realização de muita coisa na vida…
Quantas vezes esquecemos o velho ditado, quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela. Isto quer dizer, que quando permite a perda do que realmente amávamos, é por que nos quer dar algo melhor …  E aqui começa a minha discordância e consequente descrença na Fé e no próprio Deus…
Recordo tudo a que fui poupado, desde a cirurgia cardiotorácica até à cirurgia renal passando pela das cataratas e pergunto-me, que mais me estará reservado? Uma coisa, tem sido pior do que a outra. Sinto por perto o medo do que virá a seguir.
O melhor é seguir em frente já que, como diz o outro, o pior medo é aquele que sentimos por nós próprios.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A MINHA ESTRANHA RELAÇÃO COM O MAR

O mar tem destas coisas. Ou se ama ou se odeia. Estranha é a relação que mantenho com o mar. Fico pelo amor não correspondido ou mal compreendido.
Quantas vezes fiquei ali, junto às ondas, escutando o ruído que elas fazem ao espraiam-se na areia molhada! Quantas vezes caminhei ao longo da praia apreciando a imensidão do oceano, sem parar um momento para “escutar” o que o mar tinha para me dizer.
Foram inúmeras as vezes em que ouvi o mar com ouvidos de gente crescida, de homem feito e não com os ouvidos pouco ou nada poluídos de criança! O mar tem uma forma muito especial de falar. Não se escuta com ouvidos de gente, mas com os ouvidos da alma. Os mesmos ouvidos que embora confundidos com emoções dizem aquelas coisas que preferíamos não ouvir…
Tudo corria normal, só que nesse dia parei. Parei por que estava cansado de fingir-me forte, por que o caminho acabava ali ou por que sim, parei. Ali sentado, de frente para o mar, olhos nos olhos, rezei. Desta vez, não existia nada nem ninguém para escutar, apenas eu, o mar e aquela oração que jamais repetirei.
O mar tem destas coisas, quer pelas suas lendas ou magias, faz-nos rezar.
Há dias assim.

segunda-feira, 13 de março de 2017

INDIFERENÇA


Se falo, ninguém responde.
Se choro, ninguém consola
a dor que no rosto se esconde…
em levantando a gola.

domingo, 12 de março de 2017

SÍMBOLOS DE ANIVERSÁRIO

A vida e a morte andam sempre de braço dado. Embora não pareça e queiram fazer-nos crer o contrário, é pura mentira. Na realidade a vida e a morte dão-se bem e por que se dão bem, não nos apercebemos que andam e vão para todo o lado de braço dado, mesmo sem saberem…
Sempre que se aproxima (mais) um aniversário, sente-se a presença da morte quando afinal apenas se deseja festejar a vida. É aí que nos apercebemos que a vida anda de braço dado com a morte. Desde que nascemos, carregamos no coração a morte que um dia, de mansinho ou com violência, há-de chegar.
Ao celebrar mais um aniversário não nos damos conta de que as velas, além de simbolizarem o tempo que passou, simbolizam também a vida e a morte. Ora acesas, ora apagadas, não permitem que se ignore o sopro da vida em plena morte…
O bolo tem a forma redonda em homenagem a Artemisa, deusa da Lua e da Fecundidade não esquecendo que, actualmente, podem encontrar-se várias formas.
É geral o costume de festejar o aniversário na presença de amigos numa tentativa vã de afastar a morte.
Não esquecer a prenda. Essa oferta significa, além de encorajada pelo comércio, o amor (perdido) entre mãe e filho, apenas interrompido pelo corte do cordão umbilical.

sábado, 11 de março de 2017

QUEM ME LEVA...

Não digo “quem me leva os meus fantasmas”(1) como diz a canção de Pedro Abrunhosa, mas quem me leva daqui para fora! Pois é.
Hoje apetecia-me sair sem rumo, sem horário, sem destino. Sair só por sair e ficar onde quer que fosse (de preferência cinco estrelas) desde que seja confortável.
Recordo, com saudade, velhos tempos em que pegaria na família e no carro e lá ia eu… sempre condicionado pelo horário escolar, é verdade. Hoje não existe calendário escolar, sou conduzido, não conduzo. Já não “pego” nada nem ninguém, sou “apenas” condicionado pelas consultas e sessões de fisioterapia…
Ainda não conduzo, por isso, não me perguntem onde quero ir (como se eu soubesse)!
Hoje gostava de sair sem rumo, sem horário, sem destino….

Quem me leva onde não vou… mas quereria ir.

quinta-feira, 9 de março de 2017

A MÃO QUE NÃO COMANDO

Já que assumi centrar algumas (muitas) das acções deste blogue, vou continuar a falar de mim, pelo menos na primeira pessoa.
Hoje vou falar desta mão, daquela mão que na maioria das vezes não comando. Aquela mão que parece animada de vontade própria. Se lhe dou uma tarefa tão simples como escrever, mostra-se incapaz de obedecer. Torna-se independente garatujando alguma coisa que nem eu consigo entender.
Nunca sei quando posso contar com ela. Por vezes, periclitante é certo, chama o elevador outras, agride-me com alguma força (não muita) ou arranha-me com as respectivas unhas… Às vezes torna-se útil como quando fecha a porta do carro ou quando ajuda a outra mão nas tarefas mais simples do dia-a-dia.
Não tem só um lado mau. Às vezes, como se pode constatar, torna-se útil…
Esta mão faz o que quer e sobra-lhe tempo, demasiado para o meu gosto, mas chega de dizer mal desta mão, que faria eu sem esta mão?
Agora vai perguntar de que mão estou eu a falar? Toca a adivinhar…

quarta-feira, 8 de março de 2017

DIA INTERNACIONAL DO HOMEM

Não é que concorde com os “Dias Internacionais de…” e já por várias vezes o manifestei. Estes dias, apenas servem fins comerciais, mas isso não é para aqui chamado….
Perante tanto frenesim em comemorar o “Dia internacional da Mulher”, achei por bem recordar que existe o “Dia Internacional do Homem”. Pois é, se não sabiam ficam agora a saber, o homem também tem o seu Dia Internacional que se celebra a 19 de Novembro.
Apesar de não ser feriado nem tão badalado como o Dia Internacional da Mulher, há que festejar o Dia Internacional do Homem.
Até lá, Feliz dia internacional da Mulher.

Beijos a todas as mulheres, Feliz Dia!

domingo, 5 de março de 2017

EM BUSCA DOS SABORES PERDIDOS

As dezasseis horas aproximavam-se vertiginosamente do relógio da sala e principalmente, do meu estômago. Podia dizer-se que todo o meu ser retinia com fome. Tinha fome. E, porque tinha fome, dirigi-me à cozinha, zona onde logicamente encontraria algo para comer.
Antes de partir, deixou pão de regueifa, bola de carne (fiambre), frutos secos (mais propriamente amendoins), néctar de fruta sobre o balcão e bananas na fruteira. Foi aí que me apercebi que nada tinha o mesmo sabor. Os amendoins não sabiam ao mesmo nem o pão, nem tudo o resto. Enfim, nada tinha o mesmo sabor.
Estudos recentes mostraram que afinal as pessoas sentem mais através dos diferentes receptores que têm no nariz do que com as glândulas gustativas! Admitindo como a premissa como verdadeira, o sabor dos alimentos depende da experiência anterior que se tem, da crença religiosa, da herança genética ou até da cultura do indivíduo o que significa que cada indivíduo reage de maneira diferente a um mesmo estímulo gustativo.
Fiquei ali a admirar o pão de regueifa, os frutos secos, a bola de carne, a banana e os néctares de fruta ao mesmo tempo que pensava no respectivo sabor. As coisas pareciam ter adquirido outros sabores! A coisa piora quando se está habituado a um determinado sabor e depois sai outro…
Há dias em que mais vale procurar os sabores perdidos de um passado que não volta.
Há dias assim.

sábado, 4 de março de 2017

MAIS UM ANIVERSÁRIO

Há quem goste (e gostos não se discutem) de soprar as velas do bolo, cantar os “Happy birthday Say To You” (em Português), beber uma taça de champanhe. Pelo contrário, há quem prefira pura e simplesmente ignorar esse dia ou ocasião, o que depende muito da personalidade de cada um. Eu pertenço, sem grande dúvida, ao segundo grupo, isto é, não gosto de festejar. Na impossibilidade de dar os Parabéns a quem os merece e parafraseando o poeta, “nem sequer fui eu que me pari”.
São já sessenta e nove primaveras carregadas de geada e neve em profusão. Geada da vida e neve dos dias maus… mas são sessenta e nove primaveras. Bem ou mal, trambolhão aqui e acolá, vim até aqui. Há que festejar. Festejemos então os trambolhões, as quedas, a geada e a neve que teima em cair.
Festejemos não só as 69 primaveras que atravessei, mas todas os escolhos que me foram colocados no caminho. Diz-se que festeja quem tem uma óptima auto-estima e claro, família e amigos para festejar.
Há dias em que me apetece festejar todos os meus aniversários e outros… não.
Há dias assim.
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