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quarta-feira, 21 de junho de 2017

ANDO DEVAGAR

Ninguém nos avisa quando somos novos, e muito menos depois de velhos, que a nossa zona de conforto pode mudar repentinamente. É daquelas coisas que toda agente sabe, mas ninguém se atreve a verbalizar.
Três vezes por semana (pelo menos), pego na bengala e percorro a galeria no meu passo ziguezagueante, desço as breves escadas lenta e cuidadosamente que conduzem ao estacionamento onde me espera a viatura que me conduzirá ao hospital. O que dantes me parecia levar imenso tempo, actualmente, demora muito mais…
Tudo isto porque um dia adormecemos com a nossa idade e acordarmos com a idade que teria a nossa mãe, se fosse viva. Pois é, ninguém nos avisa que nos tornaríamos lentos depois de velhos. Não nos sobra tempo para uma adequada habituação à nossa nova postura. Tudo acontece depressa demais e o mal (ou bem) é que nos lembrarmos do tempo em que já fomos rápidos… Então, desprezávamos a lentidão dos que nos são próximos, e não só, e pensámos que “isso” nunca acontecerá connosco.
Hoje, sorrio quando chego à portaria, não por ter conseguido chegar, mas pelo sorriso. Sorrio ao empregado do café, a toda a gente e ando devagar sem que isso me envergonhe ou aborreça, quero crer. Ouço com frequência a canção que hoje em dia me baila na mente a toda a hora, ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais
Os dias em que calcorreava veloz por essas ruas fora podem ter terminado, com muita pena minha, mas decidi continuar em frente. E quando eu decido…

segunda-feira, 19 de junho de 2017

GOSTAR, NÃO SE EXPLICA

Há dias em que tentámos em vão racionalizar emoções, mas quem é capaz de explicar o que não tem explicação?
Venha o mais sábio e tente explicar cabalmente o que se encontra por trás de uma emoção!  Gostar, por exemplo. Gosta-se, ou não se gosta e, duma maneira simplista, não se discute. Gosta-se ou detesta-se e pronto…
Através das definições disponíveis online, sabe-se que gostar é sentir-se bem, ter afeição ou afinidade por alguém… e pouco mais. Mas gostar é muito mais do que isso, o que não implica definir cabalmente o que é gostar.
Gostar é demasiado relativo, incomensurável. Gosta-se sem saber porquê assim como não se gosta, pelas mesmas e variadas razões.
Enfim, há razões para gostar assim como existem mil razões para não gostar. Não se gosta de alguém só porque tem os mesmos gostos musicais ou os mesmos planos de vida. Gosta-se pelos motivos mais fúteis como o sorriso, o formato do rosto, a maneira de ser e sabe-se lá por que outros motivos!
Gosta-se porque se amam as diferenças tal como se amam as qualidades que emergem no dia-a-dia. Gosta-se e não se encontra a razão para gostar. Sabe-se apenas que essa pessoa é especial e que não vale a pena procurar o que já se encontrou….  Encontrar alguém diferente e mesmo assim não deixar de gostar é algo que não se pode explicar.
Enfim, gostar é algo que fica, que nos acompanha por toda a vida.
Há dias assim.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

DORMIR PARA EMAGRECER

Agora que ando a dormir pouco, é normal que me preocupe e leia tudo que se relacione com facilitadores do sono. Numa dessas leituras, eu que até quero engordar, deparei-me com a “Dieta da Bela Adormecida” muito em voga na actualidade.
Não é só por estar na moda que a “Dieta da Bela Adormecida” deve ou não deve ser seguida. O que terá de extraordinário esta “dieta” que faz emagrecer quem a segue?
É incontornável pensar que dormir bem é meio caminho andado para uma boa saúde física e mental, mas não é tudo. Com efeito, esta dieta começa por sugerir o recurso a longos períodos de sono que podem durar cerca de vinte ou mais horas. Ora estes períodos de sono só podem ser viáveis recorrendo a analgésicos que contribuam para o efeito. É nisto que reside o problema que esta dieta encerra. Pensando tratar-se de uma técnica aparentemente inócua, o uso indiscriminado de fármacos, condena desde logo a dieta da bela adormecida. O uso de analgésicos com o fim de prolongar o período de sono, além de responsáveis por inúmeros problemas de estômago, causa habituação obrigando, na prática, a um considerável aumento da dosagem.
Em suma, não é por dormir muito que se emagrece. Hoje sabe-se que o método desencadeia em quem recorre a ele, uma tal perturbação alimentar que origina a consequente perda de peso.

terça-feira, 13 de junho de 2017

LÓGICA MATEMÁTICA

No passado domingo a RTP transmitiu “Os gatos não têm vertigens”. Trata-se de um filme português escrito por Tiago Santos e realizado por António Pedro Vasconcelos, que já em 2015 arrecadou 9 prémios Sophia.
Para quem anda longe destas lides dos filmes, direi apenas que este relata a vida de Jó expulso de casa no dia do respectivo aniversário, pelo próprio pai. Acolhido por uma viúva de seu nome Rosa, desponta entre eles um amor improvável atendendo que aos 18 anos de Jó se opõem os 73 de Rosa… A vida tem destas coisas.
Não tivesse sido professor de Matemática para admirar recorrer ao pensamento lógico matemático com o fim de solucionar o problema que o tema encerra. Partindo do pressuposto de que os gatos não têm vertigens, posso inferir que, tendo vertigens, eu não sou gato… Grande novidade! De uma forma literal eu sei que não sou gato… ou antes, já fui mais.
Em sentido figurado, também sei que não sou gato visto pertencer (penso eu) à espécie Homo Sapiens, isto é, sou bípede e enquadro-me perfeitamente na ordem dos primatas…
Logo, não sou gato (com muita pena minha) …!

domingo, 11 de junho de 2017

CONVIDAR ALGUÉM PARA ALMOÇAR

Não sei de quem partiu a iniciativa nem isso interessa. O que importa é que fui convidado para almoçar fora. Em boa verdade reconheço que não é a primeira vez e outras, por qualquer razão que adivinho, não se veio a concretizar…. Admito que não é agradável sair com alguém que se desloca como um bêbado. Daí a escassez de convites…
Para algumas pessoas, comer bem é um dos maiores prazeres da vida. Não é o caso. A nenhum dos comensais se aplica esta máxima.
Confesso que gosto de convites, nem que seja para um almocinho entre amigos. Sobretudo comer fora dá-me imenso prazer porque não há a ingrata responsabilidade de decidir a ementa nem lavar a loiça no final da refeição. Enfim, pormenores que não deixam de ter o seu peso na hora de convidar ou ser convidado por amigos. O que realmente importa é que se lembraram da minha pessoa e não se envergonham da marcha ziguezagueante que tento controlar.
O restaurante escolhido para o dito almoço foi o Caximar em Vila do Conde, que recomendo pela qualidade do serviço, vista deslumbrante e preço convidativo.
Sem dar por isso, o domingo chegou está passado. Não fica mais a sensação de desânimo que acompanha sempre o fim-de-semana. Sensação essa que advém do dia seguinte ser segunda-feira, dia de fisioterapia, dar sangue para análise e não sei que mais.
Um (bom) hábito que certamente vai melhorar substancialmente qualquer segunda-feira é almoçar com alguém de quem goste, nem que seja um amigo ou mesmo um colega de trabalho, o que interessa é comer acompanhado.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A CONFUSÃO ESTÁ INSTALADA

Tenho de confessar que ando um pouco baralhado o que é normal nos tempos que correm. Concretamente, sinto uma certa frustração por não saber qual o acordo ortográfico que realmente ando a seguir. A tal frustração advém da tentativa em descobrir qual o Acordo Ortográfico comum à maioria dos mortais.
Se, neste momento, me perguntassem qual o Acordo Ortográfico que sigo, ficava sem palavras. Como desenvolvo o tema dos meus textos em Word e só depois faço “paste” no blog, confronto-me com várias ortografias e demasiados acordos ortográficos… No Word deparo-me com correcções (umas automáticas outras não) de palavras que não tencionava corrigir e com a introdução de outras que nem pensava que existiam.
Efectivamente, o AO 99 tem dado comigo em doido. É que nalguns casos estou de acordo com o bendito AO no que diz respeito a alguns assentos, letras que não se leem, etc. Mas no que respeita a hífen's e até letras que nós (na nossa terrinha) lemos, bem como alguns assentos, não estou de acordo…
Não é fácil estabelecer regras que abranjam todas as situações, por isso continuo a escrever como me dá na gana.

sábado, 3 de junho de 2017

O HOMEM É UM ANIMAL POLÍTICO

Sempre disse e não me canso de repetir, este não é mais um blogue de cariz político. Quem aqui vier com essa intenção, desengane-se. O melhor é começar a procurar outro blogue. Contudo, reconheço que não é possível passar por este mundo sem ter uma opção política ou politizada perante os acontecimentos do dia-a-dia. Citando Aristóteles e sem que isso me sirva de desculpa, direi que o Homem é um animal político. Há dias que o pensamento escapa ao nosso controlo e voga por onde quer, tomando esta ou aquela opção política.
Este preâmbulo serviu para assumir que comungo de muitas das ideias expressas pela líder do BE, naturalmente com algumas (poucas) reservas. Efectivamente, já estive mais longe deste pensamento. São assuntos que, sem ser tabu, podem chamar a si bastantes votos nas próximas eleições. A ver vamos quando chegar a altura.
É recorrente dizer que o povo tem memória curta, por isso, não é demais recordar que já em Agosto de 1983, o Governo de então foi obrigado a assinar um memorando de entendimento com o FMI. Esta atitude teve consequências como o aumento dos impostos, desvalorização da moeda, congelamento do crédito, dos salários e, como não podia deixar de ser, aumento da taxa de desemprego…
Tudo afinal se repete na história de qualquer país. Quer se goste ou não do BE, é lá que reside grande parte do meu pensamento actual.
Há dias em que os pensamentos nos dão a volta e ficam virados sabe-se lá para onde.
Há dias assim.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ACONTEÇA O QUE ACONTECER, DESTA VEZ NÃO VOU CHORAR

A parte o enorme cansaço que me causa, lá fui vestindo a farda de quem vai frequentar mais uma sessão de qualquer coisa. Como vem sendo hábito, à medida que esta tarefa ia evoluindo, repetia para mim que, aconteça o que acontecer, desta vez não vou chorar. Grande parte da minha vida tem sido dedicada a tentar não chorar diante das pessoas que me amam. Quem o diz não sou eu, mas traduz perfeitamente o que penso. Por mais que se repita que não se vai chorar, acaba-se por engolir em seco, olhar a pessoa que nos ama e sorrir …. Que mais nos resta senão sorrir, além de comer e dormir? Com efeito, aguardo a noite como quem espera um analgésico que lhe tarda. É que durante o sono não penso.
Não posso falar de insónia porque adormeço pela manhã, mas como o sono é entrecortado por longos períodos de vigília, posso afirmar que foi mais uma noite mal dormida. Desde o meu internamento, deixei de saber o que é dormir bem. Aliás muita coisa mudou de lá para cá…
Para variar, há várias noites que acordo por volta das três da manhã. Por mais voltas e variadas tentativas, torna-se impossível voltar a adormecer. Acabo por ficar ali sentado à espera do pequeno-almoço, sem choro nem lágrimas.
Dizem que chorar, além de uma manifestação de tristeza faz bem à saúde. Com efeito, as lágrimas, além de libertarem certas hormonas que funcionam como analgésicos naturais, contribuem para eliminar do organismo determinadas toxinas que, caso contrário, dão origem ao chamado stress.
Resta-me essa consolação…

quarta-feira, 31 de maio de 2017

DIA DOS IRMÃOS

Ao meu morto querido

«Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água…»
Ah! Poverello! Em mim, essa lição
Perdeu-se como vela e mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
- Eu fui na vida a irmã de um só irmão,
E já não sou a irmã de ninguém mais!

                                                         Florbela Espanca

AFINAL, DE QUEM É A CULPA?

Esta mania de não assumir a culpa não é um exclusivo do povo português, contudo este povo goza dessa fama perante o mundo. Dizem que este povo tem a estranha mania de não assumir a culpa, seja do que for. Não há dúvida que se trata de uma maneira de ser no mínimo estranha!
Com efeito, somos um povo especial, muito diferente dos outros povos latinos. Somos um povo melancólico, até certo ponto contraditório, que se distingue dos outros povos, apesar do sangue latino que nos corre nas veias. Começando pela tolerância, apanágio do português daí ser apelidado de povo de brandos costumes, não parava de lhe tecer elogios. Mas no que diz respeito a carregar com a culpa, o português nunca assume a parte que lhe cabe nessa responsabilidade. As coisas acontecem por que é esse o seu destino, são fruto de um DESTINO contra o qual nada se pode fazer. Tudo que acontece é fruto desse destino cruel e fatídico.
Ao português é que não cabe a culpa seja do que quer que aconteça. Se o país está como está, a culpa é dos maus políticos que temos. No que respeita ao futebol, se perdemos, a culpa é dos árbitros que não sabem o que estão a fazer. Se os nossos filhos ou netos reprovam, a culpa é da professora que não sabe ensinar. Se o médico não acerta no diagnóstico, a culpa é do médico que é incompetente e por aí fora…
Como povo latino, o português já demonstrou a capacidade de realizar grandes coisas como o comprova a história, não ignorando que somos um povo especial.

terça-feira, 30 de maio de 2017

BRINQUEDOS QUE EDUCAM

Confesso que até há bem pouco tempo desconhecia o Fidget Spinner e não fui eu quem trouxe a novidade cá para casa. Na realidade, o meu neto já conhecia da o tal brinquedo muito vulgarizado na escola. Em inglês, chama-se Fidget Spinner, como todo o produto que ostenta uma certa griffe. O que é certo é que está na moda e toda a criança que se preza, possui um pelo menos. Por isso, os meus netos não podiam ficar à parte destas tendências da moda.
Este brinquedo não é mais duma pequena peça que gira em torno de um eixo central e adquire as mais variadas cores de acordo com a cor que lhe é introduzida. Aí é que reside o padrão colorido que interfere com a nossa saúde. De acordo com as previsões mais optimistas, o brinquedo pode vir a ser esquecido, daqui a uns três meses.
Usando as palavras de conceituados pedopsiquiatras, o engenho torna-se benéfico no tratamento de crianças com autismo, défice de atenção e hiperatividade. Este aparelho tem um efeito no organismo semelhante à ritalina.  Estes, são motivos mais do que suficientes para deixar a sua criança brincar com o Fidget Spinner, mesmo durante as refeições…
Trata-se dum aparelho que utiliza o movimento de rotação como ajuda no fornecimento ao cérebro de um certo conforto. Quem diria!
Conclusão, se vir alguém brincar com um aparelho rotativo deste tipo, não se insurja, pode muito bem tratar-se de um efeito terapêutico.

terça-feira, 23 de maio de 2017

DE VOLTA AOS LIVROS

Contrariamente ao que é regra, primeiro vi o filme e só muito mais tarde me deixei levar pela leitura faseada do livro. Não é de admirar se pensarmos que as regas existem para que eu as possa ultrapassar…!
A escolha, desta vez, caiu sobre o livro A culpa é das Estrelas se é que se pode falar em escolha. Elegi a obra por se encontrar sobre a mesa de cabeceira, por ser de fácil leitura, por recomendação insistente da terapeuta e por ser um bom início de leitura…
No entanto, recomendo a leitura da obra do premiado autor Jhon Green que, nos apresenta duma forma brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado. Fui obrigado a usar as palavras de lançamento do livro por serem verdadeiras além de não encontrar outras que melhor definam a obra.
Durante a leitura, há frases que ficam retidas no cérebro como:
- Os bons amigos são difíceis de encontrar e impossíveis de esquecer. (diz Waters, pai de Augustus, num dos seus encorajamentos. Fica-se com a frase no ouvido que mais tarde emerge intacta do nosso cérebro. Noutra página, na voz de Augustus, esbarra-se com a frase:
- Não me digas que és uma daquelas pessoas que se transformam na sua doença. Conheço tanta gente assim.
Neste momento, pára-se a pensar na multidão de gente assim que se conhece…! Cada vez menos, é certo, mas ainda assim uma grande percentagem
Ninguém tem culpa do MAL que nos assola, mas havendo necessidade de culpar alguém ou alguma coisa, que a culpa seja apenas das estrelas...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

QUEM ESPERA...

Como em todas as lendas gregas há um fundo moralista em cada uma e esta não podia fugir à regra.  Conta-se que Pandora, a primeira mulher enviada à Terra pelos deuses, transportava consigo uma caixa da qual desconhecia o conteúdo. Um dia, não resistindo à sua curiosidade, decidiu abrir a caixa libertando todos os males do mundo tal como hoje o conhecemos.
Quantas vezes, se transporta numa caixa, não os males do mundo, mas emoções e sentimentos agarrados ao passado? A parte física pode ser muito ou pouco afectada, mas os sentimentos, as emoções lá estão intactos guardados na referida caixa.
Infelizmente não subsiste um mínimo de curiosidade por saber o que a caixa contém. Sabe-se muito bem o que foi guardado na tal caixa…
É claro que não esqueço que, na lenda grega, Pandora vendo o mal que fizera, fechou rapidamente a caixa. Contudo, não foi tão rápida que permitisse a Esperança de sair…

quarta-feira, 17 de maio de 2017

UMA SINGELA HOMENAGEM

Não sou muito de homenagens, contudo abro uma excepção quando se trata de alguém muito próximo, como é o caso. Desta vez e por que sempre me lembro desta poesia quando se fala em insónias, noites mal dormidas ou dias que tardam em chegar…

Ó dia! Vem!...
Vem afastar a noite imensa
onde a minha dor não cabe
vem ofertar-me a esperança
na harmonia dos sons prenunciando a alvorada,
nos tons suavíssimos do horizonte
quando sorris despontando,
na volúpia morna do sol regressando!...

Ó dia! Vem!... vem na bênção da manhã!...
E à tarde,
quando imperturbáveis
rolarem as horas quentes do desejo,
- Aquelas horas de pasmo
que a Natureza gerou
para os seres se possuírem,
quando os meus olhos se entornarem de crepúsculo,
e a luxuria da tristeza,
e a inconsolável melancolia,
se apossarem de mim, despedaçando-me,
Ó dia! Verte em minha dor o absinto da resignação!...

Ó dia! Vem!...
Vem e não findes neste alucinante assombro!...
Que outra noite
não suceda a esta noite onde enlouqueço!...
Que um outro morrer de dia
Não me envelheça uma vida!...

Ó dia! Vem!
Mesmo se fores o último onde eu viva.

Maria Bernardette

terça-feira, 16 de maio de 2017

UM DIA VEM...

Um dia amanhece como tantos outros. Parece mais um dia. Mas não é. Como tantos outros, amanhece assim, sem nada que o torne diferente! Chega de mansinho como se fosse um dia (atrevo-me dizer) normal. Mas não.
Mais tarde ou mais cedo, inevitável lá vem o dia em que se dá o confronto com a ausência de loucuras, ou então, tenta-se em vão realizar o maior número dessas loucuras. O mal reside em ignorar que a verdadeira loucura está em tentar realizar o irrealizável.
Apesar da idade, seja ela qual for, descobre-se que os anos passados, não foram suficientes para realizar as ditas loucuras. De súbito, a gente apercebe-se que nem sempre foi feito o que devia ser feito nem dito o que devia ser dito…
E assim vai correndo a nossa vidinha até que chega o tal dia em que se descobre com clareza o verdadeiro valor da amizade e percebemos que somos tão importantes para os outros, como somos para nós, …
O dia que parecia igual, torna tudo diferente, mas o maior problema está em que, muitas vezes, nem damos conta disso…!
Há dias em que pensamos tanto que acabámos a ver o que era suposto não ser visto…
Há dias assim.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

BOCEJAR, PORQUE NÃO?

Ainda ninguém explicou cabalmente o porquê do bocejar. Há várias teorias que tentam explicar o porquê do bocejo. Como nenhuma explica a 100% a origem e o porquê do bocejo, qualquer interpretação é bem-vinda.
Basta consultar os vários dicionários online para encontrar diferentes explicações para o chamado bocejo. As imensas teorias reduzem-se a dizer que bocejamos por estarmos com sono, fome, aborrecidos ou simplesmente, por ver alguém bocejar. Pesquias mais atuais, explicam o bocejo como uma forma do organismo diminuir a temperatura do corpo. Ultrapassando explicações sobrenaturais, direi apenas que “abrir a boca”, é uma forma de estabelecer um equilíbrio entre energias de dois ou mais indivíduos…
Qualquer que seja a explicação, só sei que me aborreço de morte quando regresso a casa depois de um dia passado longe dela…
Gosto das quintas feiras pela ausência de sessões e consultas. É bom que seja assim e não reclamo por isso. O que me faz bocejar é o tédio que se instala nesses dias.
O que fazer? Sigo com mais atenção horários, controlo horas de saída e de entrada e pouco ou nada mais me resta …

quarta-feira, 10 de maio de 2017

DIAS DE CHUVA E DIAS DE SOL

Parece que o mau tempo voltou. Há quem goste do frio e da chuva! É próprio, dirão, da estação do ano ou da sua localização mais ao Norte. Depois de uma semana cheia de sol e calor, eis que volta o frio e aquele vento húmido carregado de solidão. É claro, que falo em nome pessoal…!
Prefiro os dias de sol, mas como diz Pessoa, um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um é como é. Apesar de considerar Fernando Pessoa como meu mentor, permito-me discordar (em parte). Ambos existem, é inegável, mas continuo a não gostar dos dias de chuva.
Um dia de chuva traz consigo uma certa nostalgia, uma dor estranha que em tudo faz lembrar a dor da saudade…
É já um cliché dizer que a vida é feita de dias de sol e dias de chuva. Cada dia tem um destino a cumprir… Mas um dia de sol dá outra cor à vida!
Há dias de sol assim como há dias de chuva…. Eu prefiro os dias de sol.
Há dias assim.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

CONTINGÊNCIA OU CONTRADIÇÃO?

Não tem nada demais entrar em contradição relativamente a qualquer coisa. Como ponto de partida, admito que me contradigo e não me envergonho nada disso.
Note-se que a realidade do “antes” não tem nada a ver com o “depois”, sem que isso me sirva de desculpa …. Enfim, quando falo em “contradição” comparo o que pensava antes com o que penso agora, o tal “depois” … O que não assegura que venha a pensar o mesmo amanhã. Não é este um blog de pensamentos? Nada me obriga a manter estanque o pensamento como algo estático que não pode evoluir ao longo da vida. Não fosse eu fruto dessa tal contradição…!
Deixando esse tema para uma próxima oportunidade, refiro-me literalmente às memórias do passado confrontadas com os pensamentos atuais. Estou consciente da contradição de muitos dos textos quando comparados com outros, mais atuais e sob o mesmo tema. Nesse caso, é preciso não perder de vista a data de publicação.
Por outras palavras, direi que a contradição depende (muito) das contingências que vão mudando ao longo da vida….
Dizia eu que não me envergonha a contradição. E é verdade.
Pela mesma ordem de ideias, era também uma vergonha pensar que este é um blog de pensamentos….

domingo, 7 de maio de 2017

TODOS OS DIAS SÃO DIAS

Celebra-se hoje, primeiro domingo de maio, o Dia da Mãe. Porquê hoje? Mil e uma respostas para a mesma pergunta. Basta consultar a Internet.
No entanto, é lamentável que tenha sido necessário estipular um dia para promover com mais intensidade o Dia da Mãe. Mais uma vez me coloco ao lado dos que se opõem a estes dias. Contudo, a maioria dos indivíduos e principalmente o Comércio, defendem a existência destes dias.
Permito-me usar estes termos já que todos os dias são dias de “chamar” aquela que me carregou durante, pelo menos, nove meses. Não há dia que passe sem recordar com tristeza e saudade a Mãe. Por que não fazer com que todos os dias sejam Dia da Mãe dando-lhe o estatuto que ela merece ter?
Há dias em que pensámos na mãe com mais intensidade…

Há dias assim.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

GOSTAR (OU NÃO) DE POESIA

Se me pedissem uma definição de poeta, diria que ser poeta é… ser poeta. É-se poeta por devoção, nunca por obrigação. Logo, não existe uma definição plausível de poeta.
Considerando Poesia como um amontoado de versos que podem ou não rimar, torna-se mais fácil definir. Direi então que Poesia é sobretudo uma forma de expressão que usa uma linguagem muito própria, direi mesmo metafórica. Sem pretender construir uma definição correta de poesia, direi que poesia… é poesia. Não se define.
Gostar de poesia, é outra coisa. Ou se gosta ou não se gosta. Não existe o meio termo. Para se gostar de poesia, é preciso saber lê-la e, mais do que isso, interpretá-la. É preciso procurar a essência de cada ode poética o que nem sempre acontece. Caso contrário, a poesia torna-se massuda, chata e sombria.
Já todos perceberam que adoro poesia. Há quem diga até que sou poeta….  Que mais se lembrarão de dizer de mim?
Poeta ou não, cá vou tentando rimar “Vida” com “Dor” de tal maneira que, citando o poeta, chego a fingir que é dor a dor que deveras sente.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O FIM COMO PRINCÍPIO

Desde tenra idade, detesto o fim, seja do que for. Não gosto. Podia recusar qualquer explicação (a idade assim o permite), mas vou tentar explicar o que talvez não tenha explicação.
Hoje fui pela última vez à terapia de posicionamento…. Foi o fim, o culminar de muitas outras sessões, mas um fim. Ao sair da fisioterapia que lhe sucedeu, apercebi-me que se aproxima aquele dia que a maioria dos portugueses anseia, o fim de semana. Mais um fim de semana talvez, mas um fim. Isto sem contar com o próprio mês que se aproxima do fim…. Detesto o fim!
Há muito que venho observando esta estranha aversão pela palavra latina “Fim” sem sucesso, diga-se. Aceitando como definição os termos, conclusão, remate ou morte, fico com a sensação de que morte é a que mais se adequa. Detesto a morte, por isso me recuso (tenho recusado) a morrer. Aliás, não sei qual das palavras detesto mais, se "Fim” ou “Morte”. Contudo, nada na vida é eterno e ficar focado no que já aconteceu é o erro mais comum que se possa imaginar…
Por associação talvez, entre as duas palavras, um fim soa-me a morte, a algo que não volta mais, mas que agora sei não ser verdade. Por vezes a morte é necessária como começo de algo que lhe sucede, mas a mim não me convence.
Recuso o “fim” que transformo sempre em “começo” de qualquer coisa o que não invalida o enorme vazio que se instala quando algo finaliza… seja do que for.
Há dias em que pensámos mais no futuro e só conseguimos ver o passado…
Há dias assim!

sábado, 29 de abril de 2017

RECORDAR E SEGUIR EM FRENTE

Há dias em que as coincidências se sucedem sem que tenhamos mão no seu correr. É o chamado dèjá vu…
Ouço com frequência “rádio” no carro onde sou conduzido, mas não deixa de ser curioso ouvir o locutor anunciar, no seu tom de voz inconfundível, que vai “tocar” não sei quantas músicas seguidas e, entre elas, reconhecer uma voz que se ouviu recentemente no nosso velho gira-discos.
Um sorriso que ninguém viu inundou-me o rosto. É que na minha idade mais do que uma já é demais…. Noutro tempo brincaria com a situação hoje calei, ou antes, brinquei comigo próprio.
Entre os nomes sonantes anunciados, lá esta ela, inconfundível. Enfim, coincidências todos os dias se sucedem sem darmos por isso.
E lá continuava a artista e cantora no seu tom de voz triste e monocórdio cantando a velha canção que tantos recuerdos trazia. Eu, que nada sabia sobre o assunto, concordava intimamente com o que estava a ser dito pela voz da cantora que me transportava até não sei onde… Num dado momento, vejo-me em frente de um copo meio cheio e no momento seguinte, já não era eu…
Há dias em que a vida nos permite viajar até ao passado, outros deixa-nos regressar…!
Há dias assim.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

INSÓNIA OU NOITE MAL DORMIDA?

Falar de insónia, tornou-se tão vulgar nos dias de hoje como falar do almoço ou do jantar do próprio dia. Muita gente saberá a diferença entre insónia e uma noite mal dormida. A insónia é a ausência total de sono que pode ter origem em problemas de depressão enquanto que uma noite mal dormida pode ser intercalada por períodos de sono o que não garante um descanso adequado ao organismo. Enfim, uma noite mal dormida não é o fim-do-mundo se ocorrer de vez em quando, mas começa a ser um problema quando se repete ao longo do ano. Não vou então dedicar o meu tempo a descrever os vários tipos de insónia.
Adormecer só de manhã depois de muitas voltas na cama durante a noite, acaba por deixar marcas profundas e piorar a qualidade de vida.
É sabido que para dormir bem o estômago não deve estar muito cheio nem muito vazio.
Embora não pareça, a insulina está relacionada com a produção de serotonina a principal hormona do sono. Está provado que a elevada presença de glicose no sangue, implica um aumento de insulina no organismo.
Em vez de recorrer de imediato aos produtos de laboratório, por que não recordar alguns dos velhinhos remédios naturais que podem dar qualidade ao sono? Não garanto que resulte, deixo aqui algumas dicas baseado na minha experiência pessoal:
Antes de dormir (cerca de uma hora) ingerira uma pequena porção de pão brancor ou bolachas por serem ricos em hidratos de carbono que ajuda a adormecer.
A acompanhar (ou não), beber um chá de valeriana que, ao actuar sobre o sistema nervoso central, faz dele um poderoso sedativo.
Para quem não gosta de valeriana o chá de flor de laranjeira é óptimo pelo seu efeito sedativo e funções terapêuticas consideráveis.
Já que me referi à flor de laranjeira, convém falar na flor de limoeiro que, além de sedativo, possui substâncias anti fadiga, ansiedade e sintomas de gripe.
O mel, por ser muito rico em hidratos de carbono é também um excelente sedativo.
E claro que teríamos que falar no conhecidíssimo chá de camomila que tem demonstrado a sua poderosa acção sedativa.
O que eu não sabia e agora já sei, é que comer pipocas ajuda a adormecer. Além do seu alto teor em hidratos de carbono, possui triptofano que se converte em serotonina.
Se nenhum destes truques resultar, então só me resta desejar “boa noite”.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A LOCALIZAÇÃO DA SALA E A SUA IMPOTÂNCIA

Não sei onde nem quando teve origem essa ideia peregrina de situar as salas nas traseiras dos edifícios. Aliás, admitindo que as salas se devem localizar nas traseiras, implica colocar os quartos na fachada principal, zona muito mais barulhenta e com maior movimento. Isto é o que se verifica em quase todos os edifícios. Desconheço mesmo se existe alguma legislação neste sentido, o que não faz de mim um defensor desta localização.
Num edifício com orientação nascente-poente, logo havia de calhar a sala situar-se a nascente! Dá para compreender que tomo por exemplo a minha própria sala. Esta localização faz com que, muitas vezes, se instale nos quartos o que pertencia à sala. Na minha (modesta) opinião, devia ser muito bem pensada a localização dos edifícios antes de projectar a respectiva sala.
Estou convicto dos problemas que existem relativamente a arquitectura bem como à situação da cozinha, escadaria de acesso aos diferentes andares etc. Contudo, todos estes problemas são contornáveis, logo não impeditivos de alterar tal situação.
Não esquecer que existe uma nova forma de viver a sala. Ela é, na actualidade, um local onde recebemos os nossos amigos, um local de trabalho, onde vemos TV ou… simplesmente relaxámos.
Já não se trata de um sacrilégio afirmar que a sala é afinal o coração da casa tendo mesmo destronado a ancestral cozinha desse papel.
Torna-se claro que me refiro à minha sala, mas quantos se reveem nesta localização?

domingo, 23 de abril de 2017

O (ESTRANHO) PODER DA MÚSICA

Já confessei por aqui o estranho poder que a música tem sobre mim. Numa fracção do segundo, arrebata-me e consegue levar-me junto de pessoas ou locais insuspeitados.
Usando os mesmos termos dos técnicos de saúde, direi que possuo uma memoria evocativa muito refinada. Pode ser que sim. O que é certo, é que consigo lembrar de pessoas, momentos e locais através da música.
Como sou bastante eclético (e não só…) no que diz respeito a música, basta ouvir uma para que seja transportado de imediato a quilómetros de distância ou a momentos de um passado mais ou menos longínquo.
Talvez por este facto, adoro ouvir música (bem alto) e, ao mesmo tempo, desempoeirar alguns CD´s que se encontram sobre a respectiva prateleira.
Fugindo às canções mais conhecidas por mais comerciais, extraí esta interpretação magnifica de um clássico, velhinho, que remonta a 1991 e aqui vos deixo. Ouvir a música
É assim a música…. Assim sou eu.

sábado, 22 de abril de 2017

ACREDITAR... OU NÃO

Não creio em Deus tal como não acredito na injustiça e na guerra. No entanto a injustiça e a guerra grassam por todo o lado como epidemia não controlável. Basta olhar para os migrantes para ver a morte e a injustiça. Um olhar mais atento sobre o mundo, mostra-nos as consequências devastadoras do confronto entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. A este confronto, junta-se a atitude dos EUA ao lançarem a bomba (a mãe de todas as bombas) sobre o leste do Afeganistão por ordem de Trump. Aliás Trump parece estar na origem de todo e qualquer conflito armado.
A guerra na Síria é outro exemplo em que Assad, aliado de Trump, se desmarca desta posição após o lançamento da bendita bomba.
Não crer em deus, não significa que Ele não exista. Só que não acredito em Deus tal como o “pintam” …. Acredito numa “força” divina que rege os nossos destinos. E o “livre arbítrio” onde fica nesta baralhada toda?
Não posso deixar de rir (só para mim) quando me falam em Deus, Maomé, Vedas, Buda, e outros quejandos. Deus não existe tal como não existem todos os outros.
O que existe é um único preceito transversal a toda e qualquer religião: o amor ao próximo. E esse próximo, pode ser qualquer um de nós.
Sejamos tolerantes ao ponto de permitir que cada um se relacione com o seu deus de acordo com a fé e cultura inerente.
Não perdendo de vista que todos adoramos o mesmo deus, que importa que o nome mude quando tudo o mais se mantém?
Amámos todos o mesmo deus, a tal força sobrenatural que nos rege… não esquecendo nunca o livre arbítrio.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

AFINAL AS FLORES TAMBÉM PENSAM

Devia ser primavera, mas francamente não sei. Digo “talvez” pelo cheiro a primavera, pelos calções e sobretudo pelas flores que começavam a romper por entre as pedras do Largo. Apenas recordo que construía belos jardins que interrompia para almoçar e me penalizava ver que alguém pisara durante esse curto espaço de tempo.
Talvez fosse primavera, embora os “dentes-de-Leão” como eram chamados floresçam todo o ano, mas principalmente na primavera, quando as temperaturas são mais agradáveis.
Definitivamente era primavera por que no verão, o “teu pai é careca” esvoaçava por todos os compartimentos da casa. Na verdade, trata-se de sementes da planta que esvoaçam levadas pelo vento. Há quem acredite que deve formular-se um pedido relacionado com o amor quando se sopra para uma dessas sementes. Se o vento teimar em trazer de novo a semente, o desejo será realizado muito em breve. Na altura, eu nada sabia sobre tradições, por isso não formulava pedido algum. Apenas construía jardins. Na Idade Média, associava-se esta flor a Cristo e à Virgem Maria daí ter ganho o significado de liberdade, otimismo, esperança e luz espiritual, no que acredito.
Desde o momento em que escrevi algo sobre os “dentes-de-Leão”, não param de florir em volta da minha varanda o que nada tem de extraordinário visto que estarmos na primavera. O extraordinário é que florescem mesmo em frente da varanda e todo o terreno em volta se encontra livre destas flores. São dentes de leão e amarelos (como deve ser) aos montes!
Por coincidência, dirão os mais cépticos, mas eu quero crer que as flores pensam.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

REGRESSO AO PASSADO

Tudo parece maior quando somos pequenos. A porta da rua, a velha escadaria em madeira carunchosa, os patamares, até o Largo agora parece ter encolhido ao longo dos anos.
As flores (amarelas por sinal) são as mesmas, crescem por entre as pedras que atapetam o Largo. Na mesma rua por onde se descortina o Rio, sobem ronronando as camionetas que representam terras situadas na outra margem. Tudo permanece igual embora, nem todos saibam, é preciso fechar os olhos.
Por breves momentos, reporto-me à minha longínqua infância e procuro um passado que está de todo morto. Ninguém percebeu, era essa a ideia, a procura incessante da casa onde passei a maior parte da infância.
Permanecia ali parado junto ao funicular que me transportou desde lá em baixo, amparado por aquelas pedras que não falavam com linguagem de gente, mas que tinham tanto para contar…
Mesmo ao lado, lá estavam as escadas cujos degraus graníticos tão bem conhecia! Nada, nessa altura, prendia a minha atenção, nem a fachada das casas, a igreja ali implantada, nada. Apenas a fuga inconsequente do agente da polícia.
Tantas vezes percorri aquelas escadas sem olhar para trás, saltando alguns degraus, com o fôlego que me restava!
De repente, como num espelho reflectido, vejo-me tal e qual como sou. Comparando com esse passado, fico a pensar: Quem me viu e quem me vê”.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

MEMÓRIAS (MEMORIES)

Hoje em dia conhecem-se vários tipos de memória que vão desde o decorar datas, nomes e lugares, etc. o que é uma chatice. Convém desde já esclarecer que me refiro à memória humana essencialmente evocativa. Resumindo, a capacidade de aquisição, armazenamento e evocação de informações, é onde me situo sem sombra de dúvida.
Confesso que sou muito dado à memória evocativa. Basta uma música, um perfume, um toque de mão ou uma palavra e lá vou eu, reportado a um passado mais ou menos longínquo, mais ou menos vivo. Há quem encontre vantagens em recordar, eu não lhe vejo senão alguns inconvenientes. Deste modo, vivo rodeado de ruas, vilas, cidades e pessoas impossíveis de esquecer.
Desta vez, tirando a poeira a alguns CD,s perdidos na prateleira, encontrei este que partilho aqui. Que a música e principalmente a letra, traga boas recordações.

sábado, 8 de abril de 2017

ESTOU DIFERENTE... E DAÍ?

Não deixa de ser engraçado, se alguma graça existe em comparar o que se vê com o que se viu “antes”. Se não existir graça, pelo menos não deixa de ser curioso entrar num consultório e ver a cara de espanto e surpresa quando se deparam com a bengala e o andar periclitante. Perdem a voz, o maxilar pende-lhe sobre o peito e nenhum gesto se aproxima…. Ali permanecemos impotentes à mercê da piedade alheia.
Ainda que se ignore a respectiva postura corporal, é impossível não registar as palavras sem nexo balbuciadas tais como, “que chatice”. Nesse preciso momento, é que me sinto na obrigação de repetir o velho ditado, quem me viu e quem me vê …
Olho um passado ainda recente onde, cheio de vida, vejo com um certo desprezo as limitações dos outros. Tanta incompreensão, senão desprezo, só pode ser fruto da facilidade com que me deslocava em qualquer espaço. Hoje, tudo é diferente.
Na verdade, quem me viu e quem me vê…!
É natural que não acredite no que está a ver. Não há dúvidas que estou diferente, …
É altura de assumir essa diferença.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

UM ADEUS MUITO SENTIDO

Não é palavra que faça parte do dia-a-dia do meu vocabulário. Geralmente digo “tchau” quando me despeço de alguém que tenciono encontrar num futuro muito próximo. Para mim, a interjeição “tchau” não significa mais do que “até logo” ou “até à vista”.
Guardo o “adeus” para outras ocasiões. Aliás, o “adeus” tem uma conexão muito mais profunda, muito mais triste, por isso o evito. Despedir-me com um “adeus”, quer dizer que não tenciono voltar a ver a pessoa em questão, ou seja, trata-se de uma despedida com carácter definitivo.
Alguém disse, antes de mim, que um adeus não é uma despedida. É um entregar nas mãos de Deus o que é impossível gerir. Talvez seja verdade.
A palavra “ciao”, muito usada na Itália como mero cumprimento, aproxima-se mais da interjeição “tchau” o que acaba por me dar razão.

domingo, 2 de abril de 2017

AGRADEÇO... COMO SEMPRE

Nem sessões, nem consultas… nada. Seria de estranhar se não fosse domingo. E como não havia sessões (de fisioterapia, é claro) nem consultas, foi dia de passeio.
Tudo a voltar ao normal… será”? Pelo menos, o que considero ser normal. Como isso daria tema para outras publicações, fico-me por aqui.
Como bem escrevi, desde o verão passado, ainda não conduzo. Repare-se que tive o cuidado de escrever ainda
Hoje foi dia de passeio, isso é que interessa. Por momentos Fuji à rotina do dia-a-dia e fui por aí fora, levado por um amigo. Na verdade, devia dizer meus amigos, mas como era ele a guiar, refiro apenas o meu amigo. Desta vez, para variar, fomos até Caminha beber a nossa água que o almoço (em Vila do Conde) exigia.
O carro não era o mesmo, mas a Amizade permanece, senão maior. Obrigado.

quinta-feira, 30 de março de 2017

UMA QUESTÃO DE DATAS

A polémica está instalada, qual a melhor data para as eleições autárquicas?
Qual a data que traria mais votos a cada um dos partidos, 24 de Setembro, 01 ou 08 de Outubro? Pergunto eu.
Pode parecer de somenos importância a data das próximas eleições autárquicas, mas quem pensa assim está redondamente enganado. Pelo menos, essa é a opinião de António Costa (Publico, 04/03/17).
Parece, no entanto, haver um certo entendimento quanto à data das eleições por parte de Teresa Leal Coelho e Assunção Cristas. PSD e CDS uniram-se em volta de 01 de outubro. Quanto a Catarina Martins, talvez, antes pelo contrário, vamos a ver…  E ficámos sem saber qual a data mais provável das eleições autárquicas. O mesmo não se passa relativamente ao busto ora implantado no aeroporto da Madeira, ou deverei dizer aeroporto CR7? O nome mudou, pronto e daí? Não mudaram o nome do aeroporto para Sá Carneiro? Não é por aí que virá a “epidemia” ao país… Já o mesmo não se pode dizer do referido busto. Valha-me Deus!
Não lhe reconheço grandes parecenças com o original a não ser nos dentes… Não esqueço que o referido autor do busto revelou ter despendido a fazê-lo 15 dos seus preciosos dias. Mesmo assim, valha-me Deus!
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