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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

MÃE, HÁ SÓ UMA

Já lá diz o ditado “mãe há só uma” e é bem verdade. Nada me custa admitir a existência de muitos, um só ou nenhum pai mas mãe, existe só uma. A que nos pariu no meio de dores, sofrimento mas também muita alegria. Quanto mais não seja por se ver livre de nós ao fim de tantos meses, mas isso é outra história.
Independentemente de ser (ou ter sido) uma boa mãe, o que é certo é que ninguém consegue esquecer-se dessa figura feminina que povoa o nosso imaginário. É ela que cura os nossos dói-dói, que nos cobre as costas quando adormecemos, que finge não entender quando chegámos a casa mal humorados,…
Na verdade pai, de uma maneira ou doutra, também existe, escondido ou simplesmente ausente mas existe. E mesmo ausente, nada de fazer drama, existe sempre o recurso ao Pai Natal… Esse existe de certeza nem que seja num cantinho escondido do nosso coração apesar de ter sido possível, até hoje, obter uma evidência que comprove a sua real existência…
Voltando ao tema, é possível desconhecer-se quem é o pai mas mãe, essa “sabe-se” sempre quem é mesmo naquela idade em as dúvidas superam as certezas.
Aqui fica um louvor aquela que emprestou durante meses o seu Ser e que estará presente durante toda a vida e para além desta, estou seguro.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA VOZ

Existem mil formas e feitios sem conta para comunicar. Pode-se usar a linguagem corporal, gestual ou oral sendo esta, a forma preferida quando se pretende comunicar com desconhecidos.
Cada vez mais se torna imperioso comunicar oralmente caso se pretenda privilegiar o desenvolvimento social e pessoal do individuo. Por isso é muito importante o uso que se dá à voz, aquele som produzido pelas cordas vocais. Graças a esse som, é possível  falar e o que é mais importante, transmitir toda a sorte de emoções que lhe vão na alma.
Neste momento, imagine que não pode usar a sua (linda) voz para comunicar com os demais. Não pode pedir um café, falar ao telefone, cantar, abrir uma conta em qualquer banco… nada. Lembre-se que não pode fazer uso da voz para transmitir todas as emoções que acabam presas dentro de si… Que lhe parece?
Uf…, felizmente era apenas um sonho, uma suposição destinada a compreender como seria ficar no seu canto sem poder passar as emoções que lhe enchem o peito.
Agora que já imaginou, pode voltar a usar a voz que Deus lhe deu e comunicar com toda a gente que lhe apetecer deixando aos estudiosos a linguagem corporal e gestual que tudo dizem sem precisar de falar.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

É NATAL. JINGLE BELLS...

O Natal já lá vai. Pelo menos, este ano, já passou.
Do que ficou escrito, pode depreender-se que não gosto do “Natal” o que não é inteiramente verdade. Fazendo uma retrospectiva, não encontro muitos motivos para recordar com prazer o natal, ou seja, a quadra nunca me trouxe as melhores recordações até ao momento presente…
Reconheço que existe uma certa magia no ar nesta quadra o que só vem aumentar a solidão de algumas (muitas) almas que deambulam pelas ruas desertas das vilas e cidades. Tudo fechado, ruas desertas, gentes recolhidas no seio familiar…
E quem não tem ou não pode ter a família por perto?
Recordo outros natais, a infância, as prendas, quase sempre meias, cachecóis ou um par de luvas, que o dinheiro não dava para mais e sobretudo a decoração da árvore que nos roubava a parca presença daquela que tanta falta nos fazia.
Mais tarde, na adolescência e na fase adulta, o natal que já pouco significava, deixou de ter aquela magia própria do Natal. Vieram por fim, na minha vida errante, os filhos e com eles voltou de novo a tal magia tão característica da quadra natalícia, os presentes e os parentes mais chegados…
Recordo com saudade esse tempo que decididamente passou. Os filhos cresceram, voaram para longe do ninho e os parentes decidiram partir, muitas vezes sem anunciarem essa partida. A doença também chegou sem bater à porta e os natais voltaram aquela solidão acompanhada que já devia ser um hábito.
Resumindo, o que não gosto no Natal é o movimento excessivo nas ruas e grandes superfícies, o consumismo desenfreado, a louca procura da prenda que se tem de oferecer aquele parente esquecido durante o ano.
O Natal já lá vai mas ninguém se livra da troca de presentes que se sucede à oferta do presente em que se finge ser a melhor prenda que se recebe. Acrescente-se o gastar aquele dinheirinho oferecido por quem não sabe mais o que oferecer. E cá estou eu, sentado no meu cadeirão ouvindo músicas natalícias como chamamento da Magia perdida numa qualquer curva do caminho…
O Natal já lá vai, segue-se um Novo Ano em que é obrigatória a diversão…

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

COMEÇA O INVERNO

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Falar de algo já foi muito falado, parece tarefa fácil mas não é. Pela mesma razão, torna-se bem mais difícil visto que tudo o que havia a dizer, já foi dito. Mesmo assim, não resisto à tentação de comentar mais um solstício. Falar em Solstício de Inverno sem falar no fenómeno astronómico que lhe deu origem não se compreende mas na Internet podem encontrar-se imensas explicações… Por mais banal que pareça é sempre conveniente recordar o Solstício de Inverno.
Na impossibidade de apagar tudo o que está relacionado com superstição a Igreja vai tentando (e conseguindo) vestir-lhe uma nova roupagem. Qualquer que seja o Solstício (Inverno ou Verão) encontram-se sempre reminiscências de religiões mais antigas que lhe deram origem.
Como não é possível esquecer todo um passado, a Igreja conseguiu conciliar os dois ritos, sendo o Cristão muitas vezes inventado para se sobrepor às religiões mais antigas. De outra forma, o povo  ou se afastava da Igreja ou, o que era mais grave, não ia respeitar as leis que lhes eram impostas. Tornou-se portanto necessária a sobreposição dos ritos Cristãos para manter a harmonia actual.
Depois destas reflexões, só me resta recordar que, este ano (2017) o inverno começa a 21 de Dezembro.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

E VÃO QUATRO

Parece mais uma dissertação inconclusiva sobre futebol, mas não. Muito menos entrarei pelo (obscuro) campo da política. Nenhum dos temas me seduz ao ponto de merecer uma efectiva referência neste blogue. Obviamente guardo para mim as ideias que tenho sobre política e futebol mas, como prometi, não farei deste site uma arma de arremesso para temas tão polémicos como actuais. Tirando estes temas, o que resta então para alimentar este blogue?
Restam apenas quatro histórias tão sentidas, tão singelas que, além de levarem consigo pedaços de mim, procuram um leitor mais atento que as queira ler. É verdade, são já quatro os livros atirados para o fundo da gaveta, o que permite pensar-se que a gaveta é muito grande ou os livros são muito pequenos…!
Como os livros não são assim tão pequenos pois estão sempre a crescer… é lógico concluir-se que a gaveta é muito grande. Contudo, também esta conclusão não corresponde inteiramente à verdade.
Em sentido figurado, quando se faz referência a “gaveta”, literalmente quer-se dizer disco externo onde tudo cabe e todo o lixo que se acumula ao longo de vários anos.
É essa a verdade… É essa a triste realidade.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

É LÁ QUE MORAM AS EMOÇÕES

Durante muitos anos, como a maioria dos leitores, andei convencido que o coração era o centro de toda a actividade humana. Era lá, pensava eu, que se encontravam todas as emoções, desejos, aspirações e frustrações do ser humano.
Estava redondamente enganado e aqui me retrato. A principal função do coração é exclusivamente manter o sangue em movimento. Nada que uma sofisticada máquina não faça… Todas as outras funções (respiração e alimentação) atribuídas erradamente ao coração, devem-se apenas ao sangue.
Depois de aberto e retalhado, nada encontraram dentro desse órgão senão um grande coágulo que ameaçava a toda a hora desprender-se e invadir outras zonas vitais do corpo humano não esquecendo o meticuloso trabalho de “remendar” algumas válvulas que não estavam a desempenhar cabalmente a sua função… A não ser isso, nada mais havia dentro do coração que fosse digno de integrar o relatório.
Mais tarde, aberta a velha “caixa de Pandora” para retirar um angioma que felizmente se revelou benigno, constei, e não foi preciso nenhum relatório, que era aí que todas as emoções estavam guardadas. Nenhuma parcela até ao momento foi esquecida ou sequer alterada. Todos os sentimentos residem nessa pequena caixa  que carregámos para todo o lado sem disso ter consciência.
Não sei se feliz ou infelizmente nenhuma recordação foi minimamente afectada pela intervenção cirúrgica. Já não digo o mesmo no que se refere ao aspecto físico… Aí revela-se a necessidade de um braço amigo que atenue o desequilíbrio característico dessa intervenção.
Exceptuando-se o aspecto físico, todas as outras funções permaneceram milagrosamente inalteráveis. Hoje carrego comigo todo um passado onde é impossível voltar mas que não me é permitido esquecer.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

RUMO AO ALENTEJO #2

Para que não se volte a dizer: Que fazer em Vila Viçosa? Aqui ficam algumas das muitas sugestões.
Uma vez que decidiu visitar Vila Viçosa, não deixe de ver o castelo e, dentro deste, o santuário de Nossa Senhora da Conceição.


Já que aqui está, aproveite para visitar o Museu de Caça e Arqueologia.

É ainda obrigatório ver a igreja de São João Evangelista virada para a Praça da Republica.

Olhar com olhos de ver o belo edifício da Câmara Municipal e o cineteatro.

Mais longe mas não menos digno de ser visto, o Palácio Ducal que abrigou os duques de Bragança até à proclamação da República (1910).

Um pouco mais além, fica a célebre Porta dos Nós.

Saindo do castelo e à sua direita, fica a célebre casa onde nasceu Florbela Espanca que dá nome a ruas e cafés…

Eis um mau exemplo para as nossas memórias…

Um bom exemplo a copiar por outros municípios…

Não deixe de visitar o Museu Bento de Jesus Caraça situado ao seu lado esquerdo.

E… se ainda lhe sobrar algum tempo, pode ainda visitar o Museu do Mármore.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

RUMO AO ALENTEJO

Podia fazer uma resenha da minha vagem, do filme ou do livro mas em nada disso detenho a minha atenção. Direi apenas que chegou finalmente o dia há muito esperado… chegou cinzento, sem sol à vista e consequentemente pouca luz, contrariamente ao que vem acontecendo nos últimos dias.
Tínhamos pensado passar por Fátima onde pernoitávamos e só depois rumávamos a Vila Viçosa onde nos aguardava uma reserva no hotel Marmoris. Devido ao concerto de Gospel em Leça do Balio, invertemos todo o programa.
Não me ofereci para guiar porque sei, de experiências anteriores, que não confiam na minha competência como condutor o que aliás é compreensível. Quem me viu em casa e por essas ruas, acha estranho que conduzindo não se faça notar o efeito dos enjoos…!
Assim sendo, fomos directos a Vila Viçosa. Devido ao (mau) tempo e sobretudo ao frio intenso, muita coisa foi deixada para depois, contrariamente ao que venho aqui frisando mas o frio mata-me.
Não evito deixar algumas sugestões que podem ser úteis a quem visitar esta simpática vila:
Não esquecer de visitar o castelo e, dentro deste, o santuário de Nossa Senhora da Conceição a dois passos do hotel (Marmoris). É de aproveitar para visitar o Museu de Caça e Arqueologia ali ao lado. Reparar em caminho o belo edifício da Câmara Municipal de Vila Viçosa e o cineteatro.
Mais longe mas não menos digno de ser visto, o Palácio Ducal abrigou os duques de Bragança até à proclamação da República (1910). Mais atrás, a célebre Porta dos Nós.
Não deixe de visitar o Museu Bento de Jesus Caraça situado ao seu lado esquerdo. Logo de seguida, procure a casa onde nasceu Florbela Espanca, um mau exemplo das nossas memórias…
É ainda obrigatório ver a igreja de São João Evangelista virada para a Praça da Republica.
Se sobrar tempo, pode ainda visitar o Museu do Mármore.
Como se pode avaliar, não faltam pólos de interesse em plena Vila sem ser preciso recorrer ao automóvel que ficou arrumado no parque interior do hotel.
No regresso, depois das minhas orações e da apresentação (tardia) do carro, rumámos ao Padrão da Légua onde me espera a rotina do costume.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

IMACULADA CONCEIÇÃO

Há dias destinados a recordar e, desta vez, achei pertinente lembrar que após a Restauração da Independência, D. João IV coroou a Virgem Maria com a coroa da monarquia portuguesa. A partir desde essa data, nenhum rei português voltou a usar coroa na cabeça. A nível nacional e muito particularmente em Vila Viçosa. celebrou-se no dia oito a festa à Imaculada Conceição.
Podia ser um dia como todos os outros ou melhor, mais um feriado religioso usado unicamente para passear ou descansar, mas não foi assim. Na minha parca religiosidade esta data podia passar despercebida não fora o significado muito especial que para mim adquiriu.
Quer se queira ou não acreditar, o pós-operatório (extração de um cálculo renal) foi complicado devido a ser um indivíduo hipocoagulado. Depois de vários dias de contínuas hemorragias acompanhadas de dores horríveis, acordei completamente curado neste dia … Daí o significado muito especial que esta data adquiriu.
Há dias em que a Fé move montanhas.
Há dias assim.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

UMA VIDA AO TEU LADO - O LIVRO

Convenhamos que uma vida é muito tempo, mas, quando se fala de tempo, tudo é muito relativo. No caso de Ira e Ruth o tempo não conta… Neste livro, uma vida não é nada comparada com a empatia que se estabeleceu entre os membros dos casais protagonizados.
Algo decepcionado com o livro anterior, comecei a ler “Uma Vida ao Teu Lado”. Noto que o autor de quem li as primeiras obras, abandonou, com alguma pena minha, a velha “receita” que lhe granjeou o estrelato nestas andanças. A obra, assaz conhecida, nunca me decepcionou pela sua profundidade e, ao mesmo tempo, pela leveza que não está presente neste livro. Aqui o autor perde-se em pormenores de pouco interesse mas que aumentam o número de páginas impressas.
Quanto ao enredo, a historinha resume-se à vida de Ira com o qual me vou identificando ao longo do livro e de Sophia e Luke, que  pouco ou nada têm de comum. Só na página 400 das 448 que tem o livro, percebe-se a relação que existe entre os dois casais. Confesso que, logo no início, pensei que a Sophia viria a estabelecer a relação entre os casais que veio a concretizar-se na pessoa de Luke. Nesta parte do livro nota-se a mão experiente do autor na forma como manipula os seus personagens.
Por este e por outros motivos que agora não interessam, acabei a muito custo a leitura deste livro pouco recomendável a quem procura voos mais altos na literatura.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

VER PARA ALÉM DA APARÊNCIA

Sempre me ensinaram a ver para além da aparência e, deste modo, encontrar a discrepância que existe entre o aspecto físico e a essência de cada pessoa. É que o essencial, já lá diz o poeta, é invisível aos olhos. Quem ama vê além da aparência física e é isto que ama: a essência.
Efectivamente, vendo para além do aspecto físico, a gente surpreende-se com a verdadeira essência, isto é, com a realidade dos que nos cercam. A aparência não é senão o aspecto que se retém após o primeiro contacto com outra pessoa e quase sempre, enganadora.
Por mais que digam que a aparência não conta, infelizmente acho que depende muito das circunstâncias. Existem incontáveis estudos que demonstram que a aparência tem muita importância na atitude e até na mentalidade de muita gente. Diz-me a experiência que a aparência, embora não seja o mais importante, acaba por ter uma importância decisiva em vários campos de actividade humana.
Convenhamos que dá muito trabalho manter uma certa aparência e nem sempre compensa, mas que ajuda muito a alimentar a auto estima, é inegável.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

UM DIREITO QUE NOS ASSISTE

Toda a gente devia ter o direito de se apaixonar. Quem nunca se apaixonou devia apaixonar-se, pelo menos uma vez. Além de ser um direito é barato, não sobrecarrega as finanças públicas nem nada…
A isto acrescento que toda a gente tem o prazeroso direito a se apaixonar seja pelo que for, se bem que é mais agradável apaixonar-se por alguém. Independentemente do aspecto ou sentimentos que desencadeie, insisto no direito inalienável que toda a gente tem de se apaixonar. Só deste modo é possível emitir um juízo de valor sobre quem está apaixonado. E quem nunca esteve apaixonado?
Quem nunca experimentou esse sentimento intenso e profundo por qualquer coisa ou por alguém?
Discordo dos cientistas que separam amor da paixão alegando que esta pode durar poucos meses, chegando ao ponto de estabelecer o tempo de duração. Esquecem que há paixões que duram por toda a vida…
É verdade que a paixão depende de muitos factores entre eles factores ambientais mas, quaisquer que sejam, a paixão surge sempre quando menos se espera e de uma forma irracional que só o próprio (às vezes) encontra o sentido.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

NUNCA DEIXES PARA AMANHÃ

Há frases assim que a gente lê aqui e acolá, que podem dizer muito ou nada de acordo com as vivências que carregámos. São frases que nos tocam de uma maneira ou doutra e mais tarde nos tomam de assalto a cabeça.
Embora seja já um cliché, só agora alcancei o verdadeiro sentido da frase Nunca deixes para amanhã o que realmente é importante fazer hoje.
Foi preciso estar internado para alcançar o verdadeiro sentido desta frase. Entrei pensando “perder” ali algumas horas e em seguida, já com alta,  podia regressar a casa e a vida seguiria o seu curso normal. Regressei três meses depois.
Nada do que aconteceu então e depois foi exactamente como tinha pensado. A todo o momento podem surgir imprevistos que alteram completamente todos os planos que se possam fazer.
Talvez não faça sentido ou então um sentido completamente diferente mas deve reflectir-se e guardar esta frase.
O amanhã não existe.

domingo, 26 de novembro de 2017

SEJA BEM-VINDA

Cansado de subir a persiana de manhã e ver um céu azul sobre um sol radioso, é compreensível o meu contentamento ao verificar que o tempo mudou mas a chuva não veio. Anseio por aquela chuva miudinha, certa e vertical por falta de vento, tudo elementos que detesto mas muito desejo pela sua ausência. Esclareço que não mudei de atitude, continuo a detestar a chuva, a humidade que a acompanha, os dias cinzentos que acarreta mas, quando olho para as barragens quase vazias, então anseio pela chuva.
É sempre assim, só desejámos o que está ausente e que por conseguinte não possuímos. É pena que assim seja mas é esta a realidade. Nunca vi ninguém agradecer o que possui mas, se calhar, sou eu que ando cego… Só se deseja aquilo que faz falta e não se dá valor ao que a muito ou pouco custo se alcançou.
Na vida tudo funciona assim por mais juras que se façam no sentido de mudar de atitude. Por isso repito, agora que lhe noto a falta, que seja bem-vinda a chuva. É preciso arejar os impermeáveis há muito guardados no armário.
Como diria o poeta, Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Por isso repito, bem-vinda a chuva.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

JÁ CHEIRA A NATAL

Por vontade própria ou não, apercebi-me de repente que estamos a um mês apenas da data estipulada para a Ceia de Natal. Admito que no passado esta data pouco me empolgou não fora a existência das minhas crianças e actualmente festejada em atenção aos netos. O Menino Jesus, atirado para um canto na maioria das casas, manteve-se em exposição todo o ano embora misturado agora com outros símbolos mais modernos do Natal.
Mais uma vez a Igreja tenta apagar uma data puramente pagã, o nascimento do deus sol em que se celebra o Solstício de Inverno, com a data em que presumivelmente assinala o nascimento de Jesus. Bem fazem os Espanhóis que comemoram a seis de Janeiro, o célebre Dia de Reis, tempo que os reis magos levaram para encontrar o Menino.
Venha então o Natal e com ele as bênçãos de Deus que caiam sobre toda a família.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ÀS DUAS POR TRÊS

Às duas por três, bato aquela porta,
parecia fechada, estava entreaberta…
A tristeza é muita, a saudade aperta.
Que importa o futuro?
Que importa o passado?
Já saltei o muro,
fiquei deste lado.

A porta entreaberta, estava fechada.
Que importa o futuro,
que importa o passado,
já saltei o muro…!
Não existe nada
também deste lado.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O QUE É PRECISO É TEMPO

Perguntar a quem sofre de qualquer patologia o que mais precisa no momento, a resposta pronta será: TEMPO. A longo e a médio prazo esperava ouvir-se SAÚDE mas, no momento, é preciso tempo e muita paciência da parte do cuidador.
Qualquer tarefa que um adulto normal faz num ápice e sem sequer pensar, um deficiente precisa do triplo do tempo para a executar. O que não invalida que antes pense muito bem nos passos a dar para alcançar os objetivos pretendidos. Isto no caso de pensar…Tratando-se de quem já teve uma vida “normal” o caso torna-se ainda pior na medida em que jamais se confere o tempo que é necessário para se adaptar à nova situação. Ocorre então uma miscelânea entre passado e presente nunca se sabendo por qual dos dois optar. Mais tarde, mas muito mais tarde, chega o futuro com a aceitação de todos os condicionalismos que a deficiência acarreta.
Como diria o poeta, o que é o passado, presente ou futuro?
A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão. (Einstein).

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O QUE OS SEPARA?

O Porto disputou esta tarde com 16 cidades a nova sede da EMA. Não sei se fique triste ou alegre com o resultado desta votação. Ganhar, significaria uma rápida e grande mexida na cidade com o consequente aumento do movimento da cidade. Perder, como se verificou, significa que tudo se manterá na mesma, com o normal e lento evoluir da cidade ao ritmo de novos forasteiros.
Mais uma vez reitero o meu afastamento de tudo quanto é “política” mas não posso, como aficionado invicto, ficar indiferente a este importante evento. Na mesma proporção em que sou bombardeado com notícias sobre a corrupção que grassa no nosso país, tenho que ingressar pelo tortuoso caminho da política.
Não sou de esquerda nem tão pouco de direita ou centro, aliás não sou de coisa nenhuma. Ando a cirandar estre esquerda e direita em busca de “justiça”, Justiça essa que não encontro em lado nenhum, daí o meu cirandar. Não ignoro os partidos de Direita, Esquerda ou Centro assim como não me revejo em nenhum deles, permitindo-me cirandar.
O que mais me preocupa são as desigualdades sociais que me puxam mais para a esquerda do que para a direita. O chamado Centro que devia usufruir das melhores decisões dos outros partidos deixa muito a desejar. Depende de quem se encontra à frente do partido e dos objectivos que persegue.
Completamente baralhado, vou circulando entre partidos mesmo sendo alvo de inúmeras e duras críticas. O que não posso, nem quero, é concordar plenamente com Esquerda, Direita ou Centro embora reconheça que todos os partidos defendem prioridades diferentes. Apenas nisso reside aquilo que os separa.

sábado, 18 de novembro de 2017

TODOS OS DIAS MERECEM SER VIVIDOS

Há dias em que os pensamentos surgem do nada numa catadupa incontrolável, de tal maneira que se torna quase impossível dar vasão a tanto pensamento relevante. Outros dias, não surge nada além daquela rotina diária que não merece registo. Não tenho nada contra a rotina, aliás as rotinas têm o seu lado positivo se nos fazem poupar tempo das tarefas mais monótonas do dia-a-dia.
São dias assim o que se chama de dias para esquecer, em que nada se escreve nem se pensa.
Contudo, por mais rotineiro, nenhum dia merece ser esquecido. É como passar em branco esses dias, como se não existissem ou não merecessem ser vividos. Ignorá-los  seria o mesmo que recusar a dádiva suprema que é a própria vida.
Qualquer dia, por mais insignificante que pareça, merece ser vivido e lembrado como um patamar para alcançar objectivos mais elevados.
Há dias assim.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A VACA QUE VIVIA CÁ EM CASA

A vaca que vivia na minha casa de banho fugiu, pelo menos já não se faz ouvir. Na verdade, o animal a que chamo de vaca, não era literalmente uma vaca. Era apenas um ruído que fazia lembrar uma vaca quando se accionava o autoclismo. Desde que experimentei outra posição para a torneira, deixou de se ouvir.
Agora que se foi, sinto saudades da vaca que presumivelmente vivia no meu WC. Pouco ou mesmo nada tínhamos em comum, exceptuando aquelas lesões a nível cerebral que descoordenavam os nossos movimentos mais comuns. E, enquanto ao animal lhe chamam louco, a mim não me chamam nada… só pensam. A descoordenação só é visível quando me empresta aquele ar de bêbado bem bebido.
Se vivesse na Índia o animal, como animal sagrado, circulava livremente invadindo ruas, lojas e centros comerciais e podia até comer os alimentos ali expostos para venda. Contudo, a “minha vaca” vivia fechada no WC e não saía de lá sob nenhum pretexto. Fazia-se ouvir, mas nunca se mostrou a ninguém.
A vaca que vivia na minha casa de banho, já não vive. Cheguei à conclusão que sai muito mais barato comprar leite no supermercado do que ter uma vaca fechada na casa de banho.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O FOGO QUE ASSOLOU O PAÍS

O fogo passou por aqui. Não estou só a pensar em Pedrogão Grande, no Pinhal de Leiria ou quaisquer outros sítios e lugares de que, provavelmente, nunca antes ouviu falar. O pior é que o fogo passou e levou com ele casas, instrumentos que existiam ao redor das casas e principalmente vidas. Essas ninguém paga. Não há moeda que consiga substituí-las. Os intensos fogos que lavraram por todo o país deixaram marcas tanto na floresta como nas habitações e sobretudo na vida das pessoas já para não falar nas vidas que se perderam.
Olha-se em volta e vê-se logo que o fogo andou por ali pelas marcas que deixou. Árvores que eram verdes pintadas de preto assim como habitações, instrumentos dedicados ao trabalho e não só.
E que foi feito ao nível de quem pode decidir e quem pode legislar?
Que medidas foram tomadas no sentido de ordenar o território?
Que me conste, nada foi feito além de se debaterem exaustivamente as condições que originaram estes incêndios.
As condições climatéricas estão a mudar, é um facto, por isso nada garante que o mesmo fenómeno não se venha a repetir no futuro. Há que evitar que tal aconteça.
As casas, voltam a construir-se, a floresta volta a pintar-se de verde mas as vidas, não há volta a dar-lhe. As vidas essas, não voltam mais.

sábado, 11 de novembro de 2017

PERGUNTAR AO CEGO SE QUER VER

Perguntar a um cego se quer ver é uma questão que, além de mórbida, encerra uma extrema maldade, contudo é expectável que ele dê uma de duas respostas: ou ele diz NÃO e está tudo resolvido, continua cego e não se fala mais nisso ou então diz SIM, (excluindo a hipótese do talvez) e nesse caso, há um longo caminho a percorrer.
Desde o deslocar-se a um local específico ao atravessar a rua uma ajuda pode ser bem-vinda apesar de não ser solicitada. Nem sempre a ajuda que nos parece ser a melhor é a mais adequada. Durante uma simples deslocação, é preciso que haja a sensibilidade de verificar se a ajuda é útil ou não e, caso ela se torne necessária, às vezes basta um braço para que a pessoa deficiente se sinta acompanhada.
A incapacidade física nem sempre ataca de igual forma o mesmo ser. Enquanto uns manifestam apenas ligeiras alterações de postura, outras há em que se notam graves alterações dessa postura.
Em qualquer dos casos, convém não recusar a ajuda quando ela é de todo necessária. Como diz a lenda: O pior cego é aquele que não quer ver...!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

DIA DO CUIDADO

Como há dias para tudo e para todos os gostos, devia haver um Dia consagrado ao Cuidado. Não, não me enganei nem troquei os termos acidentalmente. Estava mesmo a referir-me àquele que recebe todos os cuidados do seu cuidador o que convenhamos, não é nada fácil. Um bom cuidador é aquele que consegue colocar-se no lugar do cuidado, compreender a sua essência, as suas limitações, dores… e amores.
Há cuidadores que o são por opção. É essa a profissão que escolheram e para quem vai, desde já, a minha sincera admiração. Além deles permitam-me mencionar os outros, aqueles que são cuidadores por devoção ou por obrigação. Não sei em que (de) grau me insiro, mas nunca o relativo a um cuidador de profissão. Para isso é preciso muita paciência que não tenho. Seja em que grau for, para esses aqui fica também uma palavra de apoio e a minha simpatia.
Tenho pena, sinceramente tenho pena daqueles cuidadores que se entregam de alma e coração a quem cuidam, sobretudo aqueles que são totalmente dependentes. Para esses cuidadores há sempre uma palavra, um carinho, uma pena especial dirigida a quem “estragou” uma vida para se dedicar a outrem.
Quando existe uma certa autonomia por parte do cuidado, a vida de cuidador fica muito facilitada. Recai sobre ele a maior parte das tarefas que se dividiam pelos dois, é certo, mas em tudo o resto a vida fica mais facilitada.
Como ser cuidado, encontro-me à vontade para dizer que é com muita luta que se consegue evoluir para estádios superiores nesta triste hierarquia. E uma só palavra vinda de fora fazia toda a diferença no universo do cuidado… com alguma autonomia.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O USO INCORRECTO DO TELEFONE

Nunca gostei muito daquele aparelho que existia na maior parte das nossas casas. Não posso precisar, mas penso que a aversão que lhe dedico remonta à minha tenra idade.
O aparelho que actualmente designámos por telefone, situava-se frequentemente no hal de entrada das casas ou apartamentos e era lá, para não fugir à regra, que estava instalado em nossa casa.
É óbvio que me refiro ao telefone fixo e não aos telemóveis que agora inundam o mercado e andam nos “dedos” de toda a gente. Mesmo que pareça impossível, há bem pouco tempo ainda, o telefone muito utilizado social ou profissionalmente, só se encontrava em poucas casas. Por mais cores e feitios que lhe fossem atribuídos, não passava de um aparelho frio e sem vontade própria que só merecia atenção quando tocava.
Como disse, nunca gostei muito desse aparelho e constatei que a aversão que lhe dedico ainda hoje prevalece intacta. Apesar de pouca gente lhe conhecer o número, deixo-o tocar por longos períodos sem ousar tocar-lhe.
Tempos houve em que atendia alegremente as chamadas de que raramente era o destinatário até ao dia em que foi incorrectamente utilizado.
Aquilo mexeu comigo e nunca mais o encarei como um mero aparelho destinado apenas a converter energia sonora em energia eléctrica e vice-versa.
Através do telefone passam, desde simples palavras, a emoções sentidas de parte a parte. Do que ficou dito, depreende-se que o “mal” está no uso incorrecto desse aparelho a que vulgarmente se chama telefone.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O TEMPO TUDO APAGA

Agora está na moda considerar como “erro humano” todo e qualquer desvio do que se considera correto. É permitido pensar-se nos incêndios que assolaram o nosso país ou outro qualquer acidente na área da saúde ou na área aérea. O problema fica resolvido ordenando-se a elaboração de um inquérito que pode durar dias ou mesmo anos... Quase sempre se chega à conclusão que o acidente ocorreu devido a um “erro humano”. Com esta atitude e perante a sociedade em geral, fica tudo explicado.
O “erro humano”, usa-se sempre que a gente ou qualquer coisa que devia agir em conformidade com os cânones vigentes decidiu agir de outra forma. Quem se desvie dos objectivos perseguidos é classificado como “erro humano”. Discute-se exaustivamente o acidente mas nunca o que lhe deu origem de forma a evitar que o fenómeno se repita num futuro próximo.
Encontrado (à força) um responsável, quer sejam as condições climatéricas ou qualquer outra causa, tranquiliza-se a consciência e espera-se que o tempo apague tudo da memória colectiva. Estou a lembrar-me de acontecimentos passados como o célebre desastre aéreo na Madeira, dos incêndios que assolaram Portugal, dos corpos carbonizados que não me deixam esquecer todo um passado que se faz presente.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

ISTO, SOU EU A PENSAR...

Há dias em que o “esforço” de pensar nem merece o sacrifício contudo continua-se inexoravelmente a pensar mesmo que não se escreva. E quem se pode gabar de ter parado o pensamento?
É impossível parar completamente o pensamento mas é possível controlar o nosso comportamento, isto é, a maneira como se reage perante os pensamentos negativos, aqueles que aprisionam a mente, remoendo acontecimentos passados (ou futuros) que não é mais  possível alterar.
Pelo menos, enquanto escrevo não penso, já pensei antes e vou pensar depois nas consequências do que escrevi. Mas durante o processo da escrita não penso. Essa seria a grande vantagem de escrever mas o ato em si não assim tão linear. Afirmar que não penso é falso de certo modo, devia antes dizer que não ocupo a mente com pensamentos mais profundos, mas o pensamento continua lá. Penso nas teclas certas sobre as quais devo exercer pressão. Enquanto o pensamento se foca nas teclas do computador, não salta para outros temas mais complicados.
Há dias em que nem um pensador inato pensa antes de escrever, escreve apenas o que pensa e mais nada.
Há dias assim.

sábado, 4 de novembro de 2017

MODO ACTIVO OU MODO REFORMADO?

Encontram-se na Internet várias dicas para arrancar com PC em Modo de Segurança ou em Modo Anónimo mas nem uma sobre aquela idade crítica da reforma, nem sempre encarada como o tempo ideal para satisfazer essas vontades que trazemos escondidas durante uma vida. O problema está, na minha opinião, no modo como se encara essa idade comum a toda a gente. Na prática, pode optar-se pelo Modo Activo ou então pelo Modo Reformado sendo que, muitas vezes, os dois modos podem coexistir numa mesma pessoa.
Tomando como exemplo a simples deslocação até ao café da esquina, a diferença entre os dois modos acaba por notar-se. Enquanto que, no modo activo, a deslocação é feita colocando os pés no chão com toda a facilidade e segurança, em modo reformado, a mesma deslocação, faz-se de forma bastante hesitante e insegura exigindo o dobro do tempo. Claro está que o problema é tanto mais grave quando todos se deslocam em Modo Activo e apenas um em Modo reformado. Como são modos incompatíveis torna-se infrutífera a tarefa de os conciliar.
Para piorar a situação há quem, embora reformado, teime em viver em Modo Activo. Isso nota-se nas mais elementares tarefas do dia-a-dia. São pessoas para quem a vida de reformado não coartou o empreendedorismo, isto é, gente para quem aquela fase da vida já chegou… apenas cedo demais.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

AQUELA FRASE QUE NINGUÉM ESPERA

Há dias que, quando tudo parece perdido nas brumas do presente ou no desconhecimento do futuro, chega até nós aquela frase que nos faz rir ou pelo menos sorrir daquilo que no momento é objecto de preocupação. Há gente assim, gente que reage duma forma totalmente inesperada a esses momentos tornando a realidade mais interessante do que realmente ela é. Não é muito comum, mas existem pessoas assim que nos acompanham por toda a nossa vida. Hoje não posso deixar de lamentar não ter manifestado o quanto aprecio essa particularidade que considero um dom. Há pessoas que já nascem com esse dom, são mesmo assim e não fazem qualquer esforço para ser assim.
Dizem que essas pessoas são optimistas, serão. Ser optimista ou pessimista depende da forma como se encaram as diferentes fases que se sucedem na vida e que por vezes nos puxam para baixo. Nesse instante, lá vem a tal frase que, de tão inesperada, tira todo o dramatismo ao problema que nos aflige.
Afinal nada é tão mau que não possa ser contornado e, caso o não seja, o tempo encarrega-se de resolver, de uma maneira ou doutra. Não sei quem mas alguém disse que os navios não se afundam por causa da água que os rodeia mas por causa da água que se encontra dentro deles. É um facto.
Há dias em que não permitimos que acontecimentos fortuitos comprometam todo o futuro que nos aguarda.
Há dias assim.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CRUZEIRO DO PADRÃO DA LÉGUA

Não sou religioso e tenho pena. Na verdade devia dizer que a minha fé sofre altos e baixos como uma montanha russa.
Não sabia por que estava ali “plantado” nem imaginava por que lhe puseram o tal nome que absorveu toda a zona até que um dia resolvi recolher informação que me permitisse responder a todas estas questões. Datado do século XVII, pode ver-se no cruzeiro um Cristo esculpido também em pedra que assinala uma légua (6 quilómetros, mais ou menos) entre dois cruzeiros. Além de assinalar a entrada no concelho, é também um ponto de referência para indicar aos peregrinos o Caminho Português para São Tiago. Cá está um detalhe que muito me arrependo de ter deixado “para mais tarde”.
Até certo ponto, é normal que me tenha afeiçoado a este cruzeiro. Olhando através da vidraça, além de outros apartamentos, consigo ver o tal Cristo voltado para mim.
Recentemente o cruzeiro sofreu obras de remodelação que felizmente se limitaram apenas a insignificantes modificações. Acabou mais desafogado depois que demoliram o prédio que o ensombrava e quase o engolia.
Depois que adoeci compreendo a tendência do olhar repousar sobre o cruzeiro. Apercebe-se aquela tendência que existe de se agarrar a alguém ou alguma coisa que esteja por perto. À falta de melhor, agarrei-me a este cruzeiro que vejo da minha janela sempre que a vista quiser. E num murmúrio, quase consigo ouvir aquele pedido de ajuda mudo, que vem de não sei donde e se dirige a parte alguma… a não ser a que existe no fundo de cada um de nós.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

COMO SABER ONDE SE NASCEU

Ter ou não ter sotaque é muito subjectivo e nem merecia aqui ser referenciado Até por que ter sotaque depende essencialmente do local onde cada um se encontra. No sul, a manifestação de um inconfundível sotaque nortenho leva a pensar-se num indivíduo “parolo”. Já no norte, o sotaque sulista é olhado pelos autóctones com uma certa… direi, curiosidade.
De tão imitado, já se perdeu no tempo e no espaço, o sotaque alentejano. Não há anedota sobre alentejanos que não implique uma imitação, ainda que grosseira, do sotaque alentejano.
No meu caso, nascido e criado em plena cidade do Porto, era suposto ter algum sotaque. Já não digo o característico sotaque portuense mas, pelo menos, um sotaque. Estranhamente, sou de uma família sem sotaque. Penso eu! Que me lembre, nenhum dos meus pais ou irmãos apresentavam algum sotaque que os ligasse à terra onde nasceram.
Se é verdade que, através do sotaque é possível identificar a terra de nascença ou onde cada um foi criado nem sempre isso funciona.

domingo, 29 de outubro de 2017

ESCAPADINHA NO PARADOR DE BAIONA

Como não há duas sem três, ao terceiro quarto acertámos. A reserva foi feita através de um site especializado para um deficiente motor. Se calhar foi esse o mal. O primeiro quarto, com um WC perfeitamente adaptado, dava para a piscina. Pensando no ruído das vozes das criancinhas, foi pedido outro quarto. O novo quarto dava para um pátio interior e o WC dispunha de uma banheira para a qual era preciso subir. Servindo-se do meu problema em subir e descer escadas e comprometendo-se a pagar mais, foi-nos atribuído um quarto virado para o mar com WC adaptado.
Enfim, reservar quarto só a partir do 33, seja em que piso for. Fora esse pequeno pormenor, gostei da estadia e recomendo o Parador de Baiona um pouco envelhecido mas bem conservado, até pela simpatia e paciência das recepcionistas.
Uma estadia neste Parador dá para descansar ou conviver intensamente além de oferecer uma vista deslumbrante sobre o mar.
Se quer andar, está no sítio certa, pode deslocar-se ao longo da muralha (como eu fiz) ou pelo passadiço que se encontra mais abaixo.
Em direcção à cidade propriamente dita há imensos restaurantes onde se pode degustar por preços bastante acessíveis os pratos típicos da Galiza. Ao mesmo tempo pode passear-se pelas ruas da pequena cidade, vale a pena.
A caminho da cidade existem imensos restaurantes a preços acessíveis
Escadas que conduzem a um mirante sobre o mar

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

MUDA A HORA, MUDA A SORTE, MUDA A VIDA

Não é que seja muito complicado andar para trás ou para a frente com os ponteiros do relógio, aliás, todos os anos se faz isso com a maior facilidade, mesmo assim atrevo-me a explicar como se faz. Já agora não se esqueça que este ano o fenómeno dá-se por volta do último domingo de Outubro. Nessa data, às 02:00 horas deve atrasar-se o relógio para as 01:00 hora.
À muitos anos, diz-nos a tradição que os relógios se devem atrasar uma hora no solstício de inverno. Pelo facto é expectável ouvir dizer que se trata do dia mais longo (25 horas) do ano já que se “ganha” uma hora… de sono. A partir daqui, os dias começam a ficar mais curtos e a anoitecer mais cedo para mal dos meus pecados.
Não gosto que os dias se tornem mais curtos e com isso constatar que anoitece mais cedo! Não gosto do escuro que se abate sobre todas as coisas nesta época do ano. Acho a época triste não só pelo facto de escurecer mais cedo mas por obrigar quem trabalha  a sair dos empregos já de noite.
A favor da mudança da hora devo dizer que a medida não é recente, já tem alguns anitos. Começou em 1794 na voz de  Benjamin Franklin com o intuito de poupar nas velas uma vez que empurrava mais cedo as pessoas para a cama …. Tal medida porém, foi implementada só em 1916 para poupar os parcos recursos energéticos existentes em tempo de guerra. Mas será que uma medida implementada em 1916 ainda faz sentido nos nossos dias?
A dúvida persiste.
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