Etiquetas

terça-feira, 15 de agosto de 2017

AFINAL, PARA QUE FOI FEITO O HOMEM?

Os ventos (fortes) que assolaram a Madeira durante vários dias deixaram muita gente pendurada no aeroporto hoje chamado CR7. É claro que lamento os que fazem regularmente a viagem de ida e volta, sobretudo em trabalho, e também quem vê umas férias estragadas à data de deixar a ilha. Não haja dúvida que me fazem pena.
Por motivos óbvios não gosto da Madeira…. Ao ver, através da TV, aquela gente que dorme no chão e as pessoas que passam horas a pé por falta de lugares sentados, só posso concluir: o Homem não foi feito para voar.
Seguramente, o Homem não foi feito para voar mesmo entendendo o voo com ajuda mecânica, como é o caso das aeronaves. Não me atrevo a explorar sequer o voo biológico que deixo aos animais ditos irracionais. O voo dos humanos, estou em crer, é fruto duma vontade férrea de imitar outros seres da Natureza. Só pode ser. Perante as tragédias que se abatem sobre vítimas inocentes dos fogos e não só, posso concluir: o Homem não foi feito para voar.
Se não foi feito para voar, tão pouco foi feito para viver na água. 
Que que dizer então do que se passa debaixo dos nossos pés? Que mundos encerram os oceanos, os rios e os mares?
Perante as gentes que abandonam as suas terras e se fazem ao mar, que posso eu dizer?
O Homem não foi feito para voar nem tampouco para viver na a água.

sábado, 12 de agosto de 2017

MAIS VALE CAIR EM GRAÇA...

Existe um ditado que diz “Mais vale cair em graça do que ser engraçado”, e é bem verdade. Toda a gente testemunha casos de alguém que atinge um tal estado de graça que acaba por cair nas boas graças de outrem…. Há casos desses no trabalho, mas também a nível familiar…
Tomando como ponto assente que não me refiro a graça no sentido que se dá (ou dava) ao nome de baptismo de uma qualquer pessoa. Estamos fartos, mas fartos, de ouvir a célebre pergunta “Qual é a sua graça?”
Também não me refiro ao nome próprio que ainda hoje persiste em ser dado às criancinhas…
Não é destas “graças” que me ocupo. Dedico parte do meu tempo ao lado teológico do termo, se quisermos, ao lado sobrenatural que o termo encerra. Não é todos os dias que admitimos como graça viver mais um dia…! Na realidade, não é todos os dias que damos graças...! E devíamos. Devíamos dar graças por mais um dia que nos é concebido viver com vê grande.
Dar graças, quanto mais não seja por tudo que já foi e pelo que é…. Não forçosamente por esta ordem.
Tão depressa esquecemos essas simples bênçãos, essas graças, que encarámos como normais, quase como algo que nos é devido.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

OS MÉDICOS TAMBÉM MORREM

Esta semana fui surpreendido com a noticia da morte do meu médico de família. Foram só duas consultas, mas foi o bastante para fazer dele mais que um médico, um amigo. Era assim que o via, sempre risonho e sobretudo, muito optimista quanto ao meu estado de saúde. Nunca chegámos a falar nisso, mas sempre se mostrou muito optimista, mais do que seria recomendável no meu estado actual, mas por isso ainda gostava mais dele como médico.
É compreensível o meu espanto perante esta realidade. Não foi tanto quem me deu a notícia ou o fato em si. O que me deixou mudo de espanto foi ter de admitir, por incrível que pareça, que os médicos também morrem.
No nosso entender, meros pacientes, os médicos não morrem. Nós podemos passar por esta vida, mas eles não. Ficam não para contar como foi, nunca contam, permanecem mudos pelo juramento de Hipócrates.
Apesar de todas essas razões, os médicos dispõem de outros recursos, tratamentos médicos, que não são acessíveis ao comum dos mortais. Enfim, os médicos não gostam dessa ideia peregrina que é morrer.
Na realidade, embora disponham de múltiplos tratamentos, raramente se submetem a eles. E morrem, morrem serenamente. Encaram de forma realista a possibilidade de morrer. A serenidade com que encaram este fato talvez se deva à consciência do que vai acontecer. Partem e, para nosso espanto, partem suavemente, de uma forma quase submissa.
É compreensível pois o meu espanto: afinal os médicos também morrem…!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

ESPERO... SENTADO

Porque estou sentado?
Para descansar, talvez… ou porque é tradição, esperar sentado?
Não sei. Seja qual for o motivo, espero sentado. (Não vá ficar cansado…). Espero.
Nem eu sei bem o que espero. E, enquanto espero, esboço um sorriso. Dantes, antigamente, diria que era o meu sorriso número três. Agora tenho apenas um sorriso, este. Mais uma coisa que a Vida me ensinou…  além de esperar sentado.
Ah, esqueci de referir que me tornei um Expert na difícil Arte de esperar. Depois de tanto esperar por internamentos e consultas em hospitais, não admira que me tenha tornado expert na arte de esperar.
Mas estava eu a dizer que esperava sentado por um acontecimento extraordinário e inesperado (ou talvez não). Confesso não me interessarem explicações. Quero apenas voltar para onde não há regresso…
É pedir muito? É o que peço. Não me importa que, com os conhecimentos que dispomos actualmente, não haja explicação para o meu pedido.
Quando me dizem que estou melhor, que tenho bom aspeto, esboço um sorriso. Que outra coisa posso fazer?
Permaneço sentado. Aqui que ninguém me lê, posso dizer que me cansa estar muito tempo a pé. Às vezes, muito raramente, apetece-me seguir pelo caminho mais fácil… É que dá um trabalhão doido manter-me vivo. Mas tem que ser. Não me perguntem porquê, apenas sei que tem de ser. Esboço um sorriso. Enquanto espero olho para o céu, sabendo que há uma coisa que ainda não lhes disse: agora acredito que os milagres podem acontecer.

sábado, 5 de agosto de 2017

QUANDO O SOL NÃO CHEGA

Nem era preciso o estudo de investigadores da Universidade de Montreal para provar que o Sol é uma estrela do tipo solar. Toda a gente sabe isso, mas ficou assim provado graças a esses investigadores.
Ninguém discute que o Sol é uma estrela e muito menos a sua importância para a própria vida na Terra. Deus nos livre pensar na Terra na ausência do sol…!
Graças aos raios ultravioletas invisíveis a olho nu, o sol é responsável pelo tom dourado que a pele adquire quando exposta ao astro-rei. É claro que essa exposição é maior e mais frequente no verão, mas pensar que lá por ser inverno o sol é inofensivo, é um erro muito comum. A radiação emanada pelo sol pode ser igual à do verão, tornando-se prejudicial para a pele. Não devemos descurar a protecção obtida através de cremes protectores sempre que praticarmos actividades ao ar livre.
No entanto, nem sempre o sol é o bastante para que a pele adquira o tão desejado tom bronzeado de verão. Por outras palavras, direi que nem sempre o sol chega para conferir o tom bronzeado que leva horas a adquirir… É o que vulgarmente se diz “trabalhar para o bronze”.
Nesse caso, é sempre bom recorrer a uma boa receita para favorecer o tão almejado tom bronzeado sem grande “trabalho”.
Receita:
Num liquidificador, misture 2 cenouras (partidas em pedaços) com metade de uma manga e duas laranjas.
Prepare um sumo com estes alimentos e beba pelo menos um copo por dia.
Ao fim do verão verá que adquire o tom bronzeado que sempre quis.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

HOMENAGEM AOS AVÓS

Bem sei que o Dia dos Avós já lá vai, celebra-se a 26 de Julho.  É importante que se saiba que a data foi escolhida pelo papa Paulo VI como homenagem aos pais de Maria (Ana e Joaquim), avós de Jesus. Eu continuo a dizer e a pensar que todos os dias são dias, basta a gente querer.
Numa época em que o conceito de família tem sofrido algumas alterações, o papel dos avós tem-se adaptado à nova realidade ao longo dos tempos. De uma maneira ou doutra, os avós têm conseguido estar presentes cuidando e substituindo os pais quando ausentes.
Há avós mais ocupados do que outros, por isso compreendo e não exijo que todos reajam do mesmo modo, mas há sempre lugar (nos nossos corações) para os nossos pequenotes. Não seja esta mais uma desculpa para o não desempenho do papel fundamental dos avós na transmissão de valores, conhecimentos e até crenças.
A maior parte de nós guarda com saudade as histórias de encantar e os ensinamentos dos nossos avós e ainda bem que guardam estas recordações!
Haja saúde e bem-estar, condições fundamentais para acompanhar de perto os nossos pequenos. De acordo com os dados fornecidos por “Caring for Children in Europe”, Portugal é o país da União Europeia que dedica mais tempo (cerca de 30 horas semanais) aos respetivos netos. Não resta qualquer dúvida, sobretudo a quem os tem, que o convívio entre avós e netos é uma fonte de saúde para ambas as partes. Cá para nós, esta relação traz mais benefícios aos avós do que aos netos na medida em que evita o risco de depressão. Os avós que não cuidam dos seus netos, está provado, são mais propensos a problemas de saúde.
De uma forma geral, o convívio entre avós e netos além de favorecer a saúde psicológica, também favorece o convívio na medida em que permite o intercâmbio de saberes. Deste modo, os avós continuam a sentir-se úteis e válidos durante mais tempo.
Tomar conta dos netos exige alguns sacrifícios é certo, quer nível físico, quer  emocional, mas favorece uma boa saúde para ambas as partes. Fala um avô babado.

sábado, 29 de julho de 2017

NÃO ACREDITO EM BRUXAS...

... pero que las hay, las hay.
A frase nem sequer é “nossa” (dito popular castelhano) mas nem por isso menos usada no nosso léxico nem menos verdadeira. Toda a gente declara (eu incluído) que não acredita em bruxas o que não significa que existam. Pelo menos com aquele cariz que a literatura infantil lhe pretende dar.
Se é verdade que não acredito em bruxas, não é menos verdade que acredito em energias, positivas ou negativas, que emanam de todos os seres. Creio que são as principais responsáveis por quase todas as manifestações emocionais (espirituais, físicas ou mentais) do ser humano. Há energias positivas emanadas por alguns seres que as libertam mantendo o ambiente limpo e equilibrado. Infelizmente, é mais frequente que pairem energias negativas sobre todo o nosso ambiente tais como a inveja, raiva, rancor… Pode dizer-se mesmo que há “especialistas” em emanar energias negativas e o pior, é que não sabem que o são… Por mais que tentem evitar, acabam por lançar energias negativas sobre as nossas vidas evitando que se alcance a tão desejada tranquilidade.
No entanto, quem é que não gosta de ter uma casa “arrumada” na ausência de energias negativas? Embora se atribua pouca ou nenhuma importância à cor na decoração, esta pode ter um papel fundamental no equilíbrio das tais energias. Uma só parede pintada de amarelo pode ajudar a neutralizar energias negativas e contribuir para a limpeza do ambiente.
É certo que o amarelo não vai muito bem com a decoração em geral, em contrapartida, pode pensar-se que esta cor ajuda a ampliar o ambiente tornando-o mais quente e aconchegante.

domingo, 23 de julho de 2017

ADRIANA BEACH CLUB

Depois de muito GPS do carro (que nunca tinha ligado) chegámos a uma subida que nos ficou na memória. Depois de desfazer a curva à direita, lá estava Adriana Beach Club em todo o seu esplendor.
Depois de devidamente instados, a bagagem é depositada em “carro” próprio na casa que nos é atribuída, há que explorar o empreendimento. No exterior existem duas piscinas além das casas com R/c e 1.º andar. As casas já conheceram melhores dias e estão a pedir uma total reforma. Como se vai num espírito de ferias, ninguém reclama.
A seguir, vem a praia privativa “Adriana Beach” mais conhecida por praia do Poço Velho. O único inconveniente desta praia é o acesso que se faz através de uma escada construída em madeira sobre a falésia. Como fomos no regime de “tudo incluído” não tivemos que pagar pela espreguiçadeira. Já o mesmo não se pode dizer acerca das toalhas para as quais é preciso deixar uma caução (reembolsável) na receção. Ah, o estacionamento também é pago.
Quanto à praia, são 5 km convidativos a longas caminhadas desde Vilamoura a Albufeira. Isto sem contar com o percurso pedestre existente no topo da falésia entre Vilamoura e Olhos de Água…
Qualquer que seja o percurso escolhido, é inevitável passar na Praia dos Tomates e não se pense em outros tipos de frutologia… O nome atribuído a esta praia deve-se apenas e exclusivamente ao tipo de fruta explorado nos terrenos agrícolas subjacentes. Aí encontra-se um restaurante de praia além de um parque de estacionamento em terra batida, como deve ser.

Uma palavra de simpatia para todo o pessoal do Staff. E boas-ferias.
Praia da Falésia
Praia dos Tomates

sexta-feira, 14 de julho de 2017

POR QUEM NÃO MORRO DE AMORES

Já deu para entender que não morro de amores pelo Salvador. Eu sei que “morrer de amores” é apenas uma força de expressão e não se pode interpretar literalmente. A minha postura relativamente a este assunto nada tem a ver com o Festival Eurovisão da Canção. Nada disso, simplesmente não gosto da forma de cantar e principalmente, de estar do cantar. Mas não foi ele que originou a escrita destas linhas.
O mesmo já não digo da irmã, autora da letra e música da canção vencedora. Reconheço-lhe valor como compositora e também, porque não, como intérprete.
Há quem queira ver algumas semelhanças entre esta e a música brasileira…. Cada um vê o que quer. Também há quem queira ver na canção, a “síndrome do coração partido”. Este nome foi atribuído por pesquisadores alemães ao trauma da perda de um ente querido. Posso dizer, com toda a propriedade que sofro deste síndroma… Quanto à canção, basta “olhar” com atenção a respectiva letra:

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez, devagarinho, possas voltar a aprender

Talvez, devagarinho… quem sabe? Seja como for, aprecio a poesia de Luísa Sobral. Já quanto ao irmão, mantenho o que escrevi, não morro de amores pelo cantor, o que quer dizer que não gosto lá muito de Sobral. Mas se pensa que a expressão morrer de amores é o mesmo que morrer de amor, desengane-se. São expressões completamente diferentes. Pode mesmo, dizem os especialistas, morrer-se de amor. Segundo eles o organismo produz demasiadas hormonas (adrenalina e cortisol) que obstruindo as artérias, podem induzir a morte. Eles lá sabem, para isso são especialistas…
Contudo, fique tranquilo, trata-se apenas de um mecanismo de defesa do nosso organismo e nada mais.
Ah, e continue a ouvir “Amar Pelos Dois”
Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar


Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois.
Parte superior do formulário

quarta-feira, 12 de julho de 2017

UM MOMENTO INESQUECÍVEL - O LIVRO

É já incontornável dizer que a vida é feita de momentos. Uns mais alegres do que outros, mas todos somados, configuram a nossa história.
Por que estamos no princípio de verão ou por que o tempo está assim, assim, recorri ao livro, “Um Momento Inesquecível”. Uma leitura mais aligeirada, para quem pretende descansar na borda da piscina ou na praia à beira mar. Esta obra marca o regresso do conceituado autor dos bestsellers “O Diário da Nossa Paixão” e das “As Palavras que Nunca te Direi”.
Trata-se indubitavelmente de um romance ternurento, de uma leitura até certo ponto, mais a gosto, não envolvendo muitos personagens e não andar para trás e para a frente como no livro anterior. Não se pede mais a este livro muito longe de outros do mesmo autor. Ao longo de 166 das 206 páginas do livro, mais precisamente 12 capítulos, o autor preocupa-se em retratar psicologicamente Landon (o narrador) e Jamie, a namorada. A narrativa arrasta-se ao longo destas páginas tornando, por vezes, difícil a leitura.
A obra, inspirada na vida e sobretudo na coragem da irmã de Nocholas Sparks foi, segundo a opinião de várias editoras, o único que fez chorar o autor. Na minha opinião, por isso vale o que vale, só chora quem tem algo por trás que o faz chorar… A mim fez-me chorar, mas por outros motivos que não o livro.
Um grande elogio vai para o tradutor, Mário Correia, que transcreveu do inglês este romance.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A PACIÊNCIA DE QUEM NÃO A TEM

Se há dias em que a paciência transborda, inundando tudo que nos cerca, outros há em que ela escasseia, não sobejando para coisa nenhuma. Hoje foi um desses dias.
Não é fácil gerir emoções, eu sei, sobretudo perante uma vida que não nos contempla com meras pausas tão necessárias para retemperar forças. A paciência é necessária porque só ela transmite a calma e paciência necessárias para ver as coisas tal como elas são.
Depois de muito vasculhar, lá se vai arranjando um pouco de paciência para fazer o que tem de ser feito o que não significa que haja pachorra para consultas, sessões, ou seja lá o que for. Por mais que se procure, não existe a tal característica que nos permite manter a calma (aparente) e o controle emocional tão necessário nesses momentos.
Mais tarde, quando pensávamos não existir mais paciência para as pequenas coisas do dia-a-dia, eis que chega uma nova remessa, vinda não se sabe bem donde. Haja paciência!
Há dias assim.

sábado, 8 de julho de 2017

O SEGREDO

Homem de parcas palavras, fui “fadado” mais para ouvir do que para falar. Este sou eu, tal como consigo definir-me.
Deixem-me ir avisando que não se nasce assim, é a vida que nos faz. Confesso que com uma pequena ajuda da genética.
Não sei se já era, mas acho que me tonei, com o tempo, num bom ouvinte. Para divulgar as minhas ideias, basta-me um papel e lápis.
Bem, isto é maneira de falar…
Como disse Epiteto, possuímos dois ouvidos e uma só boca para que possamos ouvir mais do que falámos por isso nada faço que contrarie a minha apetência de escutar. Ensinou-me a vida que não basta ter a capacidade de compreensão para ser um bom ouvinte. É preciso ser capaz de ver o mundo através dos olhos do nosso interlocutor. Gostar de ouvir e colocar-se no lugar do outro, o que permite ver com mais atenção o problema dos outros. Ao mesmo tempo, consegue-se uma maior tolerância ao ambiente que nos cerca.
Pode dizer-se que é este o segredo, se é que existe algum segredo, para se ser um bom ouvinte.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

EM CADA CURVA A DOR ESPREITA

O tempo tem destas coisas, passado, presente e futuro. Eu sei que há quem defenda que o passado, o presente e o futuro podem coexistir num só espaço, eu sei, mas não concordo. Segundo essa mesma teoria, nunca sairíamos do presente.
Para mim, o passado é passado onde, por mais que se tente, é impossível voltar. Por um lado, seria bom, mas por outro, nem por isso. O passado já lá vai e o presente é o que se vê. O futuro? Quem sou eu, quem somos nós para nos pormos a adivinhar?
Estupidamente continuámos a percorrer o mesmo caminho que imaginámos rectilíneo, mas que, na realidade, está cheio de curvas. Em cada curva há uma dor espreita e somos assaltados pela angústia… E lá vamos, qual fénix renascida, perseguindo no caminho, recolhendo os despojos e as armas que usámos na luta com o passado.
Caminhemos, pois sempre em frente, já que é impossível regressar ao passado.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A RAPOSA E A CEGONHA

Cada vez que me sento à mesa para mais uma refeição, não consigo deixar de pensar na fábula de Esopo “A raposa e a cegonha”. Não é que me identifique com alguma das personagens da história, recordo apenas a história em si e nada mais. Para quem, mesmo assim, pretenda ver uma certa semelhança com a cegonha, devo dizer que me identifico mais com a (velha) raposa. Também não é que me sirvam as refeições em pratos rasos. Contudo, por uma razão que me parece estranha, não consigo deixar de pensar nesta fábula. Principalmente quando da refeição consta o arroz, batata frita e cenoura, bem cortadinha, etc. …
A fábula “A raposa e a Cegonha” estava bordada num lençol bem como a história do João Ratão. Lembro-me perfeitamente do João Ratão a cair no caldeirão assim como da cegonha a tentar comer num prato raso. Penso que os lençóis foram bordados aquando da demonstração grátis da máquina de costura recém-adquirida. Sem querer ser maldizente, direi apenas que a mãe não era muito dada a essas lamechices de pegar ao colo ou contar histórias para adormecer. Não tinha tempo nem paciência para isso. Hoje compreendo-a, nessa altura, não.
E lá estava a cegonha bordada a tentar comer a deliciosa sopa preparada pela raposa.
Para ambos os lados dos lençóis, a história continuava, só que não recordo as outras figuras.
Hoje pergunto-me porque recordo amiúde estas cenas, mas não perco muito tempo a aprofundar qual o motivo. Dizem que, com a idade, a memória alcança mais o tempo passado do que do presente… Pode ser que seja verdade mas, como disse, não perco muito tempo a pensar no que origina tais memórias.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

VOLTAR ONDE SE FOI MUITO FELIZ

Não sei onde li ou se realmente li que “nunca se deve voltar ao sítio onde já fomos muito felizes.” Depois de muito pensar e de algum tempo de permeio, permito-me discordar. Devemos voltar, sim. Imensas vezes, tantas quanto nos der na gana.
Voltar aos lugares onde já fomos felizes é um risco, mas é um risco calculado. Lá encontrámos emoções, momentos que ficam guardados para sempre no nosso coração, todo um passado.
Voltar, é a palavra de ordem. Mas voltar não é garante de sofrer a mesma ausência, de encontrar expectativas geradas no tempo em que já fomos felizes. Por muito que se tente, não é possível ir à espera de sentir o mesmo que já foi sentido antes. Enfim, voltar onde já fomos felizes, acaba por ser muito relativo. Depende das circunstâncias em que ocorre o tal regresso e graças a elas, tornei-me naquilo que hoje sou.
Voltar é a palavra de ordem sem esquecer que regressar nunca é verdadeiramente um regresso. É antes um voltar com outra disposição, outros sentidos…
Desengane-se quem vai aos mesmos sítios em busca de um passado que não volta.
Pode-se regressar para recordar, mas nunca para voltar a sentir o que se sentiu.

domingo, 2 de julho de 2017

VOLTA A FALAR-SE NA TAP

Pelas melhores razões (esperemos), volta a falar-se na TAP. Não por motivos familiares como é lógico pensar-se, mas por uma notícia que ouvi na TV. Já o disse e não me canso de repetir, agora vejo e escuto com muita atenção as notícias que passam pelo menos nas TV´s.
Voltando ao que foi noticiado, o Estado passa a ser o principal accionista da TAP, detendo 50% do capital social da Companhia Aérea Portuguesa. Não posso esconder o meu contentamento, mesmo que isso englobe alguns custos suplementares para os contribuintes. A ver vamos. Aquando do Programa Eleitoral deste Governo foi-nos prometida a posse desta importante Companhia para a soberania portuguesa. Quer se goste muito, pouco ou nada deste Governo, é mais uma promessa que foi cumprida.
Resumindo, enquanto a Atlantic Gateway detém 45% do capital social da TAP, o Estado Português detém 50% desse mesmo capital. Não esquecendo que os restantes 5% são detidos pelos trabalhadores desta Empresa.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

MUDAR DE PASSEIO

Há palavras que atravessam o tempo e o espaço, o que não quer dizer que tomem sempre o mesmo significado. A palavra “Deficiente” é uma delas. Seja qual for o significado que lhe atribuam (e tem mudado ao longo dos séculos), causa sempre um certo receio aos que se apelidam “normais”. O que é diferente mete medo, daí a repulsa, o fugir a sete pés do que não obedece à norma em vigor.
Para ser mais preciso, e segundo a OMS, deficiente é a palavra que se usa para indicar a perda da normalidade quer seja psicológica, fisiológica ou anatómica. Qualquer que seja a perda, é sempre uma perda, e é encarada segundo as vivências que trazemos detrás. Estamos programados para aceitar a dita normalidade e quem se desvie desse padrão, dá vontade de mudar de passeio. Por outras palavras, tudo que se desvie a nível físico ou psicológico do que considerámos “normal” acaba por se tornar estranho e meter medo.
Se, por qualquer razão, a ténue fronteira entre o normal e o anormal for ultrapassada, quem nos conheceu no primeiro plano sente muito mais a diferença. Dá pena ver uma vida completamente diferente do que já foi, é compreensível uma certa rejeição. Quem nasceu nessa diferença, nem nota que ela existe…
Há dias em que pensámos mais nos deficientes que o são e nos que a vida obriga a atravessar essa fronteira.
Há dias assim.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

EMOÇÕES E OUTRAS COISAS MINHAS...

O tempo passa depressa, mas as emoções ficam. Ficam a fazer-nos companhia durante toda a vida… As emoções acompanham-nos para onde quer que se vá, onde quer que se esteja. Não adianta fugir.
Quando falo em emoções estou a referir-me à manifestação (visível) da dor, alegria, tristeza, cólera ou medo. Não é exagero dizer que as emoções governam a maior parte da nossa vida mesmo que não se saiba defini-las. Na verdade, dependem muito das vivências que trazemos e dificilmente se explicam. Diremos apenas que as emoções são pessoais e, por isso, muito relativas.
Basta uma música, um som qualquer, e lá somos transportados a outros tempos e outros locais. É do senso comum que um medo, uma cólera, mesmo uma tristeza persistente, originam uma emoção negativa enquanto que uma alegria origina uma emoção positiva. Podem ser mais ou menos agradáveis, mas não existem emoções boas ou más. Tudo depende da forma como são recordadas.
Por estranho que pareça, deixo aqui esta certeza: as emoções estão sempre presentes e comandam passo a passo a nossa vida.

domingo, 25 de junho de 2017

ESCRITO NA ÁGUA - O LIVRO

Inexplicavelmente, Paula Hawkins decidiu iniciar o respectivo livro numa segunda-feira, dia 10 de Agosto. Aparte o ano, tudo o mais são puras coincidências…. Afinal o que é um ano? Um ano pouco interessa.
Neste livro, após quinze anos como jornalista financeira, a autora acaba por se revelar uma “fazedora” de bestsellers da literatura. Não discuto se fez mal ou bem em abandonar a sua carreira como jornalista. O que sei, é que, com o presente livro, ela afirma-se de forma triunfal. Aliás, já o tinha comprovado com A rapariga no Comboio. Adorei a leitura desse livro que continua a ser o meu preferido. Desde já o recomendo.
Relativamente a Escrito Na Água não podemos esquecer essas figuras pardas que são os tradutores. São eles afinal que reescrevem a trama que o autor elaborou. Muito do sucesso duma obra a eles se deve.
O presente livro apresenta-se dividido em quatro partes. Depois de uma primeira parte em que a autora nos apresenta, através do traço psicológico, os personagens envolvidos na estória, segue-se uma outra totalmente dedicada ao inquérito. Numa terceira parte, continua a dar-nos o traço psicológico dos intervenientes e algumas dicas sobre as afogadas.
Não é o tipo de leitura que me agrade. O avanço e o recuo no tempo, leva-me a fazer alguma confusão. Tive que recorrer a um esquema para relacionar os diferentes personagens.
Terminada esta parte, a autora dedica as várias linhas de escrita (demasiado lenta) ao desenrolar integral da história que, por motivos óbvios, não vou contar.
Página a página, o leitor tem tempo para se identificar com este ou aquele personagem e mergulha (salvo seja) nas águas calmas do Poço das Afogadas.
Aqui paro para reflectir, cuidado com as águas calmas. Não sabemos o que escondem no fundo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

ANDO DEVAGAR

Ninguém nos avisa quando somos novos, e muito menos depois de velhos, que a nossa zona de conforto pode mudar repentinamente. É daquelas coisas que toda agente sabe, mas ninguém se atreve a verbalizar.
Três vezes por semana (pelo menos), pego na bengala e percorro a galeria no meu passo ziguezagueante, desço as breves escadas lenta e cuidadosamente que conduzem ao estacionamento onde me espera a viatura que me conduzirá ao hospital. O que dantes me parecia levar imenso tempo, actualmente, demora muito mais…
Tudo isto porque um dia adormecemos com a nossa idade e acordarmos com a idade que teria a nossa mãe, se fosse viva. Pois é, ninguém nos avisa que nos tornaríamos lentos depois de velhos. Não nos sobra tempo para uma adequada habituação à nossa nova postura. Tudo acontece depressa demais e o mal (ou bem) é que nos lembrarmos do tempo em que já fomos rápidos… Então, desprezávamos a lentidão dos que nos são próximos, e não só, e pensámos que “isso” nunca acontecerá connosco.
Hoje, sorrio quando chego à portaria, não por ter conseguido chegar, mas pelo sorriso. Sorrio ao empregado do café, a toda a gente e ando devagar sem que isso me envergonhe ou aborreça, quero crer. Ouço com frequência a canção que hoje em dia me baila na mente a toda a hora, ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais
Os dias em que calcorreava veloz por essas ruas fora podem ter terminado, com muita pena minha, mas decidi continuar em frente. E quando eu decido…

segunda-feira, 19 de junho de 2017

GOSTAR, NÃO SE EXPLICA

Há dias em que tentámos em vão racionalizar emoções, mas quem é capaz de explicar o que não tem explicação?
Venha o mais sábio e tente explicar cabalmente o que se encontra por trás de uma emoção!  Gostar, por exemplo. Gosta-se, ou não se gosta e, duma maneira simplista, não se discute. Gosta-se ou detesta-se e pronto…
Através das definições disponíveis online, sabe-se que gostar é sentir-se bem, ter afeição ou afinidade por alguém… e pouco mais. Mas gostar é muito mais do que isso, o que não implica definir cabalmente o que é gostar.
Gostar é demasiado relativo, incomensurável. Gosta-se sem saber porquê assim como não se gosta, pelas mesmas e variadas razões.
Enfim, há razões para gostar assim como existem mil razões para não gostar. Não se gosta de alguém só porque tem os mesmos gostos musicais ou os mesmos planos de vida. Gosta-se pelos motivos mais fúteis como o sorriso, o formato do rosto, a maneira de ser e sabe-se lá por que outros motivos!
Gosta-se porque se amam as diferenças tal como se amam as qualidades que emergem no dia-a-dia. Gosta-se e não se encontra a razão para gostar. Sabe-se apenas que essa pessoa é especial e que não vale a pena procurar o que já se encontrou….  Encontrar alguém diferente e mesmo assim não deixar de gostar é algo que não se pode explicar.
Enfim, gostar é algo que fica, que nos acompanha por toda a vida.
Há dias assim.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

DORMIR PARA EMAGRECER

Agora que ando a dormir pouco, é normal que me preocupe e leia tudo que se relacione com facilitadores do sono. Numa dessas leituras, eu que até quero engordar, deparei-me com a “Dieta da Bela Adormecida” muito em voga na actualidade.
Não é só por estar na moda que a “Dieta da Bela Adormecida” deve ou não deve ser seguida. O que terá de extraordinário esta “dieta” que faz emagrecer quem a segue?
É incontornável pensar que dormir bem é meio caminho andado para uma boa saúde física e mental, mas não é tudo. Com efeito, esta dieta começa por sugerir o recurso a longos períodos de sono que podem durar cerca de vinte ou mais horas. Ora estes períodos de sono só podem ser viáveis recorrendo a analgésicos que contribuam para o efeito. É nisto que reside o problema que esta dieta encerra. Pensando tratar-se de uma técnica aparentemente inócua, o uso indiscriminado de fármacos, condena desde logo a dieta da bela adormecida. O uso de analgésicos com o fim de prolongar o período de sono, além de responsáveis por inúmeros problemas de estômago, causa habituação obrigando, na prática, a um considerável aumento da dosagem.
Em suma, não é por dormir muito que se emagrece. Hoje sabe-se que o método desencadeia em quem recorre a ele, uma tal perturbação alimentar que origina a consequente perda de peso.

terça-feira, 13 de junho de 2017

LÓGICA MATEMÁTICA

No passado domingo a RTP transmitiu “Os gatos não têm vertigens”. Trata-se de um filme português escrito por Tiago Santos e realizado por António Pedro Vasconcelos, que já em 2015 arrecadou 9 prémios Sophia.
Para quem anda longe destas lides dos filmes, direi apenas que este relata a vida de Jó expulso de casa no dia do respectivo aniversário, pelo próprio pai. Acolhido por uma viúva de seu nome Rosa, desponta entre eles um amor improvável atendendo que aos 18 anos de Jó se opõem os 73 de Rosa… A vida tem destas coisas.
Não tivesse sido professor de Matemática para admirar recorrer ao pensamento lógico matemático com o fim de solucionar o problema que o tema encerra. Partindo do pressuposto de que os gatos não têm vertigens, posso inferir que, tendo vertigens, eu não sou gato… Grande novidade! De uma forma literal eu sei que não sou gato… ou antes, já fui mais.
Em sentido figurado, também sei que não sou gato visto pertencer (penso eu) à espécie Homo Sapiens, isto é, sou bípede e enquadro-me perfeitamente na ordem dos primatas…
Logo, não sou gato (com muita pena minha) …!

domingo, 11 de junho de 2017

CONVIDAR ALGUÉM PARA ALMOÇAR

Não sei de quem partiu a iniciativa nem isso interessa. O que importa é que fui convidado para almoçar fora. Em boa verdade reconheço que não é a primeira vez e outras, por qualquer razão que adivinho, não se veio a concretizar…. Admito que não é agradável sair com alguém que se desloca como um bêbado. Daí a escassez de convites…
Para algumas pessoas, comer bem é um dos maiores prazeres da vida. Não é o caso. A nenhum dos comensais se aplica esta máxima.
Confesso que gosto de convites, nem que seja para um almocinho entre amigos. Sobretudo comer fora dá-me imenso prazer porque não há a ingrata responsabilidade de decidir a ementa nem lavar a loiça no final da refeição. Enfim, pormenores que não deixam de ter o seu peso na hora de convidar ou ser convidado por amigos. O que realmente importa é que se lembraram da minha pessoa e não se envergonham da marcha ziguezagueante que tento controlar.
O restaurante escolhido para o dito almoço foi o Caximar em Vila do Conde, que recomendo pela qualidade do serviço, vista deslumbrante e preço convidativo.
Sem dar por isso, o domingo chegou está passado. Não fica mais a sensação de desânimo que acompanha sempre o fim-de-semana. Sensação essa que advém do dia seguinte ser segunda-feira, dia de fisioterapia, dar sangue para análise e não sei que mais.
Um (bom) hábito que certamente vai melhorar substancialmente qualquer segunda-feira é almoçar com alguém de quem goste, nem que seja um amigo ou mesmo um colega de trabalho, o que interessa é comer acompanhado.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A CONFUSÃO ESTÁ INSTALADA

Tenho de confessar que ando um pouco baralhado o que é normal nos tempos que correm. Concretamente, sinto uma certa frustração por não saber qual o acordo ortográfico que realmente ando a seguir. A tal frustração advém da tentativa em descobrir qual o Acordo Ortográfico comum à maioria dos mortais.
Se, neste momento, me perguntassem qual o Acordo Ortográfico que sigo, ficava sem palavras. Como desenvolvo o tema dos meus textos em Word e só depois faço “paste” no blog, confronto-me com várias ortografias e demasiados acordos ortográficos… No Word deparo-me com correcções (umas automáticas outras não) de palavras que não tencionava corrigir e com a introdução de outras que nem pensava que existiam.
Efectivamente, o AO 99 tem dado comigo em doido. É que nalguns casos estou de acordo com o bendito AO no que diz respeito a alguns assentos, letras que não se leem, etc. Mas no que respeita a hífen's e até letras que nós (na nossa terrinha) lemos, bem como alguns assentos, não estou de acordo…
Não é fácil estabelecer regras que abranjam todas as situações, por isso continuo a escrever como me dá na gana.

sábado, 3 de junho de 2017

O HOMEM É UM ANIMAL POLÍTICO

Sempre disse e não me canso de repetir, este não é mais um blogue de cariz político. Quem aqui vier com essa intenção, desengane-se. O melhor é começar a procurar outro blogue. Contudo, reconheço que não é possível passar por este mundo sem ter uma opção política ou politizada perante os acontecimentos do dia-a-dia. Citando Aristóteles e sem que isso me sirva de desculpa, direi que o Homem é um animal político. Há dias que o pensamento escapa ao nosso controlo e voga por onde quer, tomando esta ou aquela opção política.
Este preâmbulo serviu para assumir que comungo de muitas das ideias expressas pela líder do BE, naturalmente com algumas (poucas) reservas. Efectivamente, já estive mais longe deste pensamento. São assuntos que, sem ser tabu, podem chamar a si bastantes votos nas próximas eleições. A ver vamos quando chegar a altura.
É recorrente dizer que o povo tem memória curta, por isso, não é demais recordar que já em Agosto de 1983, o Governo de então foi obrigado a assinar um memorando de entendimento com o FMI. Esta atitude teve consequências como o aumento dos impostos, desvalorização da moeda, congelamento do crédito, dos salários e, como não podia deixar de ser, aumento da taxa de desemprego…
Tudo afinal se repete na história de qualquer país. Quer se goste ou não do BE, é lá que reside grande parte do meu pensamento actual.
Há dias em que os pensamentos nos dão a volta e ficam virados sabe-se lá para onde.
Há dias assim.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ACONTEÇA O QUE ACONTECER, DESTA VEZ NÃO VOU CHORAR

A parte o enorme cansaço que me causa, lá fui vestindo a farda de quem vai frequentar mais uma sessão de qualquer coisa. Como vem sendo hábito, à medida que esta tarefa ia evoluindo, repetia para mim que, aconteça o que acontecer, desta vez não vou chorar. Grande parte da minha vida tem sido dedicada a tentar não chorar diante das pessoas que me amam. Quem o diz não sou eu, mas traduz perfeitamente o que penso. Por mais que se repita que não se vai chorar, acaba-se por engolir em seco, olhar a pessoa que nos ama e sorrir …. Que mais nos resta senão sorrir, além de comer e dormir? Com efeito, aguardo a noite como quem espera um analgésico que lhe tarda. É que durante o sono não penso.
Não posso falar de insónia porque adormeço pela manhã, mas como o sono é entrecortado por longos períodos de vigília, posso afirmar que foi mais uma noite mal dormida. Desde o meu internamento, deixei de saber o que é dormir bem. Aliás muita coisa mudou de lá para cá…
Para variar, há várias noites que acordo por volta das três da manhã. Por mais voltas e variadas tentativas, torna-se impossível voltar a adormecer. Acabo por ficar ali sentado à espera do pequeno-almoço, sem choro nem lágrimas.
Dizem que chorar, além de uma manifestação de tristeza faz bem à saúde. Com efeito, as lágrimas, além de libertarem certas hormonas que funcionam como analgésicos naturais, contribuem para eliminar do organismo determinadas toxinas que, caso contrário, dão origem ao chamado stress.
Resta-me essa consolação…

quarta-feira, 31 de maio de 2017

DIA DOS IRMÃOS

Ao meu morto querido

«Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água…»
Ah! Poverello! Em mim, essa lição
Perdeu-se como vela e mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
- Eu fui na vida a irmã de um só irmão,
E já não sou a irmã de ninguém mais!

                                                         Florbela Espanca

AFINAL, DE QUEM É A CULPA?

Esta mania de não assumir a culpa não é um exclusivo do povo português, contudo este povo goza dessa fama perante o mundo. Dizem que este povo tem a estranha mania de não assumir a culpa, seja do que for. Não há dúvida que se trata de uma maneira de ser no mínimo estranha!
Com efeito, somos um povo especial, muito diferente dos outros povos latinos. Somos um povo melancólico, até certo ponto contraditório, que se distingue dos outros povos, apesar do sangue latino que nos corre nas veias. Começando pela tolerância, apanágio do português daí ser apelidado de povo de brandos costumes, não parava de lhe tecer elogios. Mas no que diz respeito a carregar com a culpa, o português nunca assume a parte que lhe cabe nessa responsabilidade. As coisas acontecem por que é esse o seu destino, são fruto de um DESTINO contra o qual nada se pode fazer. Tudo que acontece é fruto desse destino cruel e fatídico.
Ao português é que não cabe a culpa seja do que quer que aconteça. Se o país está como está, a culpa é dos maus políticos que temos. No que respeita ao futebol, se perdemos, a culpa é dos árbitros que não sabem o que estão a fazer. Se os nossos filhos ou netos reprovam, a culpa é da professora que não sabe ensinar. Se o médico não acerta no diagnóstico, a culpa é do médico que é incompetente e por aí fora…
Como povo latino, o português já demonstrou a capacidade de realizar grandes coisas como o comprova a história, não ignorando que somos um povo especial.

terça-feira, 30 de maio de 2017

BRINQUEDOS QUE EDUCAM

Confesso que até há bem pouco tempo desconhecia o Fidget Spinner e não fui eu quem trouxe a novidade cá para casa. Na realidade, o meu neto já conhecia da o tal brinquedo muito vulgarizado na escola. Em inglês, chama-se Fidget Spinner, como todo o produto que ostenta uma certa griffe. O que é certo é que está na moda e toda a criança que se preza, possui um pelo menos. Por isso, os meus netos não podiam ficar à parte destas tendências da moda.
Este brinquedo não é mais duma pequena peça que gira em torno de um eixo central e adquire as mais variadas cores de acordo com a cor que lhe é introduzida. Aí é que reside o padrão colorido que interfere com a nossa saúde. De acordo com as previsões mais optimistas, o brinquedo pode vir a ser esquecido, daqui a uns três meses.
Usando as palavras de conceituados pedopsiquiatras, o engenho torna-se benéfico no tratamento de crianças com autismo, défice de atenção e hiperatividade. Este aparelho tem um efeito no organismo semelhante à ritalina.  Estes, são motivos mais do que suficientes para deixar a sua criança brincar com o Fidget Spinner, mesmo durante as refeições…
Trata-se dum aparelho que utiliza o movimento de rotação como ajuda no fornecimento ao cérebro de um certo conforto. Quem diria!
Conclusão, se vir alguém brincar com um aparelho rotativo deste tipo, não se insurja, pode muito bem tratar-se de um efeito terapêutico.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...