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sábado, 29 de setembro de 2018

O PESO DAS MOCHILAS


Com o início do ano escolar tudo serve para distrair pais, encarregados de educação e não só de um dos reais problemas que a escola encerra. Visitada e revisitada a calamidade de Pedrogão, das armas desaparecidas de Tancos agravada pelas suspeitas de corrupção, tudo contribui para que o início do ano escolar não decorra com a normalidade esperada.
Como avô confesso-me preocupado com o peso excessivo das mochilas escolares e não é por falta de legislação. Determinados organismos públicos como é o caso da Deco, confessam-se “frustrados” por não verem nenhuma dessas medidas implementadas.
Efectivamente, no final de 2017 o Parlamento aprovou onze medidas destinadas a diminuir o peso das mochilas escolares. Decorrido quase um ano, (Outubro de 2017), nada foi feito no sentido de diminuir o peso excessivo das (bem)ditas mochilas. É verdade que os lóbis, que os há em toda a parte e para todos os gostos, falam mais alto e impõem regras.
Perante esta realidade só nos resta esperar de preferência sentados que algo se resolva e marcar consulta num hospital, preferencialmente privado, com vista a colmatar as dores nas costas já presentes em alguns dos pequenos utentes.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

FOTOGRAFIAS


Comparando fotografias antigas com o visual actual, sai-se sempre a perder pois o aspecto de agora geralmente é pior, salvo raras excepções. Deste confronto verifiquei que afinal a diferença não é muita. Talvez exiba um ar mais cansado, nada que não desapareça com uma noite bem dormida. Além disso, surpreende-me que os estragos feitos pelo tempo não sejam assim tantos e a maior parte já eram existentes.
Entre a fotografia e o aspecto actual vão décadas de história, duma vida mal ou bem vivida pouco importa mas vivida. Nela revejo ruas, costumes e sobretudo gente que se afastou, não de mim como poderia pensar-se, mas da doença que assusta qualquer um qualquer que seja. Era assim que pensava e reagia mas que agora, depois dum longo e demorado processo, consigo ver com maior naturalidade.
Há sempre um momento em que somos confrontados com fotos do antigamente e nem é preciso que a distância (em tempo) seja muito grande. Basta que a alteração seja tão repentina que não dê tempo indispensável à habituação. Compara-se então a imagem sorridente da fotografia com o aspecto dos nossos dias o que é .normal, o problema está quando essa comparação acarreta sentimentos negativos. Aí, fica-se quieto durante longos períodos na contemplação da triste realidade.
Nesse momento é altura de reagir de forma racional de maneira convincente que a realidade não é assim tão triste como à primeira vista podia parecer. É tempo de pensar mais em si próprio deixando para trás o que já foi. O tempo não se comove com a vontade de cada um e não tem retrocesso. É fundamental admitir que não se permanece sempre igual ao longo do tempo. A vida ensinou-nos coisas que o tal da fotografia não sabia, aquela qualidade que orgulhosamente hoje se exibe e que dantes não existia.
Em suma, em vez de se comparar com a fotografia, aproveite para desenvolver as qualidades que a vida entretanto lhe ofereceu e fique apenas pela contemplação muda de uma foto curiosa do antigamente.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A VOZ


Há dias em que manifestamos maior sensibilidade a vozes graves e outros em que fica mais próxima das vozes agudas. Tudo depende também do gosto pessoal mas numa coisa estamos todos de acordo, a voz é essencial para comunicar, basta ver o que acontece quando se está temporariamente afónico.
Embora existam vários registos, a voz é um instrumento natural e o mais antigo que se conhece graças ao qual é possível comunicar com os outros seres humanos. Para isso, pode recorrer-se a  simples sons, palavras ou até à própria música. Por este meio conseguem-se comunicar diferentes emoções.
Qualquer que seja o registo há uma infinidade de qualidades vocais que originam novos registos e assim sucessivamente. Pessoalmente prefiro as vozes mais graves independentemente do sexo. Existe uma certa sensibilidade a alguns timbres que não sei nem pretendo explicar mas, em qualquer parte, procuro entre a multidão o possuidor desse timbre mais grave.
Do mesmo modo que se verifica uma infinidade de caraterísticas humanas, também existe uma infinidade de vozes às quais se é mais ou menos “alérgico”.
Existirem variadíssimos estudos sobre este maravilhoso instrumento vocal que a Natureza oferece mas nunca, que eu saiba, foi feito um estudo rigoroso sobre a influência da voz ao nível pessoal.
Como diria São Paulo, há sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo; nenhum deles, contudo sem sentido.
Só é preciso encontrar-lhe o sentido…
Há dias assim.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O MAU USO DOS BONS ANTIBIÓTICOS


É essa a principal diferença entre os países do Norte da Europa e os países do Sul, nomeadamente a Holanda. Neste país é a própria população que demonstra uma grande preocupação e sensibilidade quanto à resistência aos antibióticos, quando pergunta ao próprio médico – Preciso mesmo deste medicamento?
Lamentavelmente o mesmo não acontece nos países do Sul onde se verifica um acentuado aumento da resistência aos antibióticos. Uma das causas é o uso excessivo deste medicamento mas também a transmissão de bactérias patogénicas entre pessoas e animais para o que contribui a grande mobilidade existente entre países da Comunidade Europeia.
O recurso aos antibióticos só se compreende quando prescritos pelo médico e não por pressão do paciente só porque tem tosse… O uso inadequado dos antibióticos fica a dever-se muitas vezes à falta de formação dos próprios médicos e outras vezes aos hospitais que se mostram incapazes de evitar a transmissão de infecções entre doentes.
Trata-se de um problema grave nos nossos dias atendendo a que não se dispõem de novos antibióticos. Recorre-se a ligeiras variantes dos antibióticos já existentes, por isso, torna-se urgente encontrar outras formas de eliminar as bactérias patogénicas. Caso não se encontrem outras formas de combate, a resistência aos antibióticos tende a aumentar tornando fatais simples infecções chegando ao ponto de impedir cirurgias consideradas banais devido ao risco de infecção.
Foi esta a conclusão dos cerca de 300 especialistas reunidos anualmente em Lisboa na ESCMID (Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas) já conhecida e sentida por muita gente.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

QUANDO O MAL É A TOSSE


Sempre fui avesso a tomar qualquer medicamento e contra a tosse esses remédios variam conforme o que está na moda. Abro uma excepção para os remédios caseiros à base de cenoura ou do aloé. Estas partes da planta, em presença de açúcar, segregam um líquido viscoso que atenuam naturalmente a tosse.
Com efeito, estes xaropes, devido ao seu poder broncodilatador, são capazes de aliviar a tosse dando uma sensação de bem-estar sem contudo curar esse mal. Como complemento, pode tomar-se uma colher de mel dissolvido num copo de água que ajuda a hidratar as cordas vocais contribuindo assim para diminuir os acessos de tosse. Os remédios, sejam eles quais forem, apresentam efeitos secundários nefastos ao ser humano que convém ter em conta.
Desta vez, investigadores da Universidade de Basileia, chegaram à brilhante conclusão de que, em pacientes cuja tosse perdurava para além de três a oito semanas, os remédios contra a tosse em nada ou muito pouco ajudaram a recuperar desse mal. No entanto, os efeitos secundários fizeram-se sentir com maior incidência nas dores de cabeça, náuseas, dores no peito e mesmo, nalguns casos, agravamento da própria tosse…
Cabe apenas ao médico de família tranquilizar o doente, em vez de receitar à partida um medicamento contra a tosse mesmo que isso implique dedicar mais tempo à respectiva consulta.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

FICAR À MARGEM


O mundo real não é a preto e branco como se quer. Pelo contrário, todos os dias somos confrontados com um mundo cinzento que nos espera ao acordar.
Uma maneira simplista de ver o mundo e não se preocupar mais com a política é considerar que só existem dois partidos neste país, a direita e a esquerda, como se não houvesse outras opções!
Confesso que tentei enveredar por esse caminho pelo que comecei por ignorar todo e qualquer noticiário, até porque não pretendo que este seja mais um blogue de cariz político. Os partidos de direita só estão preocupados em manter os valores tradicionais enquanto que os partidos de esquerda querem mudar radicalmente toda a sociedade. No meio disto tudo, apercebi-me que afinal não percebo nada de política, só entendo que nem um nem outro partido conseguirá os seus intentos…
Mas como permanecer à margem da política numa sociedade politizada por natureza?
Dentro deste espírito, acabei mais atento ao que se passava pelo país e verifiquei que a corrupção alastrava por toda a parte e a vários níveis, que a economia em vez de crescer, inexplicavelmente andava pela rua da amargura e, o que é mais triste, não vejo solução para este problema qualquer que seja o partido que se encontre no Governo. Não há nada novo sob o Sol, e a eterna repetição das coisas é a eterna repetição dos males.
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