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sexta-feira, 30 de junho de 2017

MUDAR DE PASSEIO

Há palavras que atravessam o tempo e o espaço, o que não quer dizer que tomem sempre o mesmo significado. A palavra “Deficiente” é uma delas. Seja qual for o significado que lhe atribuam (e tem mudado ao longo dos séculos), causa sempre um certo receio aos que se apelidam “normais”. O que é diferente mete medo, daí a repulsa, o fugir a sete pés do que não obedece à norma em vigor.
Para ser mais preciso, e segundo a OMS, deficiente é a palavra que se usa para indicar a perda da normalidade quer seja psicológica, fisiológica ou anatómica. Qualquer que seja a perda, é sempre uma perda, e é encarada segundo as vivências que trazemos detrás. Estamos programados para aceitar a dita normalidade e quem se desvie desse padrão, dá vontade de mudar de passeio. Por outras palavras, tudo que se desvie a nível físico ou psicológico do que considerámos “normal” acaba por se tornar estranho e meter medo.
Se, por qualquer razão, a ténue fronteira entre o normal e o anormal for ultrapassada, quem nos conheceu no primeiro plano sente muito mais a diferença. Dá pena ver uma vida completamente diferente do que já foi, é compreensível uma certa rejeição. Quem nasceu nessa diferença, nem nota que ela existe…
Há dias em que pensámos mais nos deficientes que o são e nos que a vida obriga a atravessar essa fronteira.
Há dias assim.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

EMOÇÕES E OUTRAS COISAS MINHAS...

O tempo passa depressa, mas as emoções ficam. Ficam a fazer-nos companhia durante toda a vida… As emoções acompanham-nos para onde quer que se vá, onde quer que se esteja. Não adianta fugir.
Quando falo em emoções estou a referir-me à manifestação (visível) da dor, alegria, tristeza, cólera ou medo. Não é exagero dizer que as emoções governam a maior parte da nossa vida mesmo que não se saiba defini-las. Na verdade, dependem muito das vivências que trazemos e dificilmente se explicam. Diremos apenas que as emoções são pessoais e, por isso, muito relativas.
Basta uma música, um som qualquer, e lá somos transportados a outros tempos e outros locais. É do senso comum que um medo, uma cólera, mesmo uma tristeza persistente, originam uma emoção negativa enquanto que uma alegria origina uma emoção positiva. Podem ser mais ou menos agradáveis, mas não existem emoções boas ou más. Tudo depende da forma como são recordadas.
Por estranho que pareça, deixo aqui esta certeza: as emoções estão sempre presentes e comandam passo a passo a nossa vida.

domingo, 25 de junho de 2017

ESCRITO NA ÁGUA - O LIVRO

Inexplicavelmente, Paula Hawkins decidiu iniciar o respectivo livro numa segunda-feira, dia 10 de Agosto. Aparte o ano, tudo o mais são puras coincidências…. Afinal o que é um ano? Um ano pouco interessa.
Neste livro, após quinze anos como jornalista financeira, a autora acaba por se revelar uma “fazedora” de bestsellers da literatura. Não discuto se fez mal ou bem em abandonar a sua carreira como jornalista. O que sei, é que, com o presente livro, ela afirma-se de forma triunfal. Aliás, já o tinha comprovado com A rapariga no Comboio. Adorei a leitura desse livro que continua a ser o meu preferido. Desde já o recomendo.
Relativamente a Escrito Na Água não podemos esquecer essas figuras pardas que são os tradutores. São eles afinal que reescrevem a trama que o autor elaborou. Muito do sucesso duma obra a eles se deve.
O presente livro apresenta-se dividido em quatro partes. Depois de uma primeira parte em que a autora nos apresenta, através do traço psicológico, os personagens envolvidos na estória, segue-se uma outra totalmente dedicada ao inquérito. Numa terceira parte, continua a dar-nos o traço psicológico dos intervenientes e algumas dicas sobre as afogadas.
Não é o tipo de leitura que me agrade. O avanço e o recuo no tempo, leva-me a fazer alguma confusão. Tive que recorrer a um esquema para relacionar os diferentes personagens.
Terminada esta parte, a autora dedica as várias linhas de escrita (demasiado lenta) ao desenrolar integral da história que, por motivos óbvios, não vou contar.
Página a página, o leitor tem tempo para se identificar com este ou aquele personagem e mergulha (salvo seja) nas águas calmas do Poço das Afogadas.
Aqui paro para reflectir, cuidado com as águas calmas. Não sabemos o que escondem no fundo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

ANDO DEVAGAR

Ninguém nos avisa quando somos novos, e muito menos depois de velhos, que a nossa zona de conforto pode mudar repentinamente. É daquelas coisas que toda agente sabe, mas ninguém se atreve a verbalizar.
Três vezes por semana (pelo menos), pego na bengala e percorro a galeria no meu passo ziguezagueante, desço as breves escadas lenta e cuidadosamente que conduzem ao estacionamento onde me espera a viatura que me conduzirá ao hospital. O que dantes me parecia levar imenso tempo, actualmente, demora muito mais…
Tudo isto porque um dia adormecemos com a nossa idade e acordarmos com a idade que teria a nossa mãe, se fosse viva. Pois é, ninguém nos avisa que nos tornaríamos lentos depois de velhos. Não nos sobra tempo para uma adequada habituação à nossa nova postura. Tudo acontece depressa demais e o mal (ou bem) é que nos lembrarmos do tempo em que já fomos rápidos… Então, desprezávamos a lentidão dos que nos são próximos, e não só, e pensámos que “isso” nunca acontecerá connosco.
Hoje, sorrio quando chego à portaria, não por ter conseguido chegar, mas pelo sorriso. Sorrio ao empregado do café, a toda a gente e ando devagar sem que isso me envergonhe ou aborreça, quero crer. Ouço com frequência a canção que hoje em dia me baila na mente a toda a hora, ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais…
Os dias em que calcorreava veloz por essas ruas fora podem ter terminado, com muita pena minha, mas decidi continuar em frente. E quando eu decido…

segunda-feira, 19 de junho de 2017

GOSTAR, NÃO SE EXPLICA

Há dias em que tentámos em vão racionalizar emoções, mas quem é capaz de explicar o que não tem explicação?
Venha o mais sábio e tente explicar cabalmente o que se encontra por trás de uma emoção!  Gostar, por exemplo. Gosta-se, ou não se gosta e, duma maneira simplista, não se discute. Gosta-se ou detesta-se e pronto…
Através das definições disponíveis online, sabe-se que gostar é sentir-se bem, ter afeição ou afinidade por alguém… e pouco mais. Mas gostar é muito mais do que isso, o que não implica definir cabalmente o que é gostar.
Gostar é demasiado relativo, incomensurável. Gosta-se sem saber porquê assim como não se gosta, pelas mesmas e variadas razões.
Enfim, há razões para gostar assim como existem mil razões para não gostar. Não se gosta de alguém só porque tem os mesmos gostos musicais ou os mesmos planos de vida. Gosta-se pelos motivos mais fúteis como o sorriso, o formato do rosto, a maneira de ser e sabe-se lá por que outros motivos!
Gosta-se porque se amam as diferenças tal como se amam as qualidades que emergem no dia-a-dia. Gosta-se e não se encontra a razão para gostar. Sabe-se apenas que essa pessoa é especial e que não vale a pena procurar o que já se encontrou….  Encontrar alguém diferente e mesmo assim não deixar de gostar é algo que não se pode explicar.
Enfim, gostar é algo que fica, que nos acompanha por toda a vida.
Há dias assim.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

DORMIR PARA EMAGRECER

Agora que ando a dormir pouco, é normal que me preocupe e leia tudo que se relacione com facilitadores do sono. Numa dessas leituras, eu que até quero engordar, deparei-me com a “Dieta da Bela Adormecida” muito em voga na actualidade.
Não é só por estar na moda que a “Dieta da Bela Adormecida” deve ou não deve ser seguida. O que terá de extraordinário esta “dieta” que faz emagrecer quem a segue?
É incontornável pensar que dormir bem é meio caminho andado para uma boa saúde física e mental, mas não é tudo. Com efeito, esta dieta começa por sugerir o recurso a longos períodos de sono que podem durar cerca de vinte ou mais horas. Ora estes períodos de sono só podem ser viáveis recorrendo a analgésicos que contribuam para o efeito. É nisto que reside o problema que esta dieta encerra. Pensando tratar-se de uma técnica aparentemente inócua, o uso indiscriminado de fármacos, condena desde logo a dieta da bela adormecida. O uso de analgésicos com o fim de prolongar o período de sono, além de responsáveis por inúmeros problemas de estômago, causa habituação obrigando, na prática, a um considerável aumento da dosagem.
Em suma, não é por dormir muito que se emagrece. Hoje sabe-se que o método desencadeia em quem recorre a ele, uma tal perturbação alimentar que origina a consequente perda de peso.
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