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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

NUNCA MAIS...


Por ser Dia de São Valentim, estipulou-se mais uma vez, (manda o comércio) que ocorra hoje Dia dos Namorados. Já manifestei como sou avesso a estes Dias… Primeiro porque não gosto que me imponham um determinado dia para festejar sei lá o quê, depois porque acho que são dias para celebrar todo o ano. Que mundo seria este se tal se verificasse !
Mais uma vez me deixei-me arrastar pela tradição e, na minha inocência, rumei a um centro comercial na intenção de comprar uma prenda alusiva à data. Neste dia é costume oferecer à cara metade e vice versa uma prenda alusiva ao amor e afeição, dos afectos que se manifestam na alegria indescritível que é sentir que se é amado…
O Dia de São Valentim é mais uma das muitas tradições anglo-saxónica assimiladas pelo comércio do nosso país. Por todo o lado se vêem corações insufláveis, saldos alusivos, uma panóplia de “ofertas” ao fiel consumidor.
Por fim, sem grandes dificuldades, lá encontrei a prenda que tinha em mente oferecer à fiel companheira do meu infortúnio. O pior estava para vir. Em cima da hora de jantar revelou-se extremamente difícil sair daquele centro comercial. Era um pára-arranca interminável até chegar à rua… obrigou-me a circular por zonas impróprias mas fim, lá cheguei a casa jurando que nunca mais me apanhariam, neste dia, num centro comercial.
A “tradição” cumpriu-se.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

FESTEJAR O CARNAVAL


Aproxima-se a passos largos mais uma data em que se celebra o Carnaval ou, em bom português, o Entrudo. Este ano, o evento de origem puramente pagã, celebra-se a 13 de Fevereiro.
Mais uma vez, a Igreja se apoderou de uma festa que já era celebrada na antiga Grécia cerca de seiscentos anos antes de Cristo. Naquele tempo, os festejos dirigiam-se exclusivamente aos deuses como agradecimento  das boas colheitas auferidas. Só muito mais tarde foi instituído o Carnaval que marcava a diferença entre o inicio da quaresma e a despedida da carne, ou seja, o começo de um longo período de jejum…
É lamentável que se deixe ao critério dos municípios conceder ou não este dia como “feriado”… O Carnaval, embora seja uma festa facultativa, não deixa ninguém indiferente.
Atualmente o Carnaval conserva muito pouco das antigas tradições religiosas cingindo-se unicamente a uma época que se aproveita para usar coloridas fantasias ao som de “escolas de samba” que desfilam pelas ruas principais, numa triste imitação do que se passa do outro lado do Atlântico.
Nesse aspeto, pouco ou nada mais haveria para dizer. Com efeito, os desfiles carnavalescos são um dos pontos fortes do festejo do Carnaval… Mas isto sou eu a desabafar !
Uma vez que passo o ano mascarado, está na hora de arrancar a máscara e ser apenas eu. E como é Carnaval, “ninguém leva a mal”.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

AMANHÃ É OUTRO DIA


Como um nevoeiro que se instala de mansinho, o cansaço surge assim do nada e toma conta de toda a vida. É uma sensação estranha, de fadiga, de quem está farto dessa luta inglória contra o tempo, a doença, tudo e todos os que circulam por perto. É um cansaço que se nota principalmente naqueles que já experimentaram o silêncio em que o demais é pensamento…
Silenciosamente, lentamente, o cansaço espalha-se por toda a vida. Nota-se em pequenos pormenores tais como nas tarefas mais comuns de todos os dias. Finge-se que não há dores, que nada custa vestir ou despir, tomar banho, falar com quem está mais próximo, que os filhos ainda precisam de nós… até que chega o momento em que fingir, também cansa. E nada tem a ver com noites mal dormidas, stress, como agora se usa rotular este cansaço, com coisa nenhuma…
Hoje nota-se o cansaço. Amanhã, quem sabe ? Amanhã, é outro dia…
Amanhã talvez nem sinta mais cansaço.
Há dias assim.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

TALVEZ FAÇA MAIS FRIO



Talvez este ano faça mais frio, talvez as defesas do organismo andem mais por baixo devido à doença que se instalou, o facto é que nunca tive tanto frio como agora… E nem me refiro à cozinha da casa a qual apelido com toda a propriedade de “pólo norte” visto que não dispõe de aquecimento central... Reconheço que já sou de mim muito friorento mas nada que se compara ao frio que sinto por toda a casa. Devo dizer  que os esquentadores são ligados logo pela manhã e assim permanecem durante todo o dia. Mesmo assim, a casa não passa dos vinte graus Celsius. Qualquer das palavras (friorento, ) serve adjectivar o frio que me atormenta mais do que àqueles que me cercam.
Há quem defenda que o frio não existe. De acordo com as leis da Física ele é fruto apenas da nossa imaginação. As temperaturas baixas que se têm feito sentir em muito contribuíram para a perda de calor que se colou a mim.
Quem não ouviu ainda o velho ditado popular “o frio é psicológico ? Como todo o ditado possui sempre um fundo de verdade…
Se o frio não existe, porque há tanta gente a morrer por hipotermia devido às temperaturas baixas e pelo facto de não se agasalharem convenientemente ? Será que têm agasalhos adequados a esta vaga de frio ?
Assim como o frio e a escuridão, o mal é simplesmente a ausência do bem, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus.
É o que acontece com o frio quando não há calor ou a escuridão quando não há luz. (A. Einstein)
Quer exista quer não, o certo é que eu sinto muito frio…

domingo, 4 de fevereiro de 2018

FINJO A FINGIR...


Finjo a fingir…
Fingindo-me  no sono matinal
quieto sem sequer pestanejar,
transformo em bem embora “sinta” o mal
da voz que me acompanha… por falar.

Engano assim a vida, por sinal
a mestra da mentira sempre a rir…!
Finjo que durmo. Dormindo afinal
talvez obrigue a vida a não mentir…
              Jorge Leal

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

AO SOM DA MÚSICA


Há músicas que nos fazem viajar no tempo ora lamentando o tempo que passou, ora desejando que esse tempo não volte mais.
Estou certo de ter já declarado o quanto sou sensível à música. Ela tem por condão transportar-me a outras paragens, outras épocas, outros momentos que guardo bem escondidos na memória.
De tanto ouvir dedilhar na viola, os acordes de “O corcovado” e mais tarde do “Desafinado”, o som foi-me ficando no ouvido. Então, só o som daquela viola era o suficiente para arrancar velhas lembranças que ainda hoje conservo. Talvez por estas ou por outras razões, nutro um carinho muito especial por esse instrumento. Não é de estranhar portanto, que uma lágrima mais teimosa me aflore aos olhos quando ouço, não interessa a interpretação, uma dessas referidas músicas. Mais ainda depois que compreendi cabalmente o sentido da letra escrita por Tom Jobin.
Ainda hoje, passados tanto anos, uma lágrima teima em bailar ao canto do olho quando escuto qualquer uma destas músicas. Estupidamente ou por coincidência, era a musica que tocava na única estação de serviço onde parámos de regresso a casa…
Há dias em que nos deixámos ir levados ao som da música.
Há dias assim.
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