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terça-feira, 7 de novembro de 2017

O TEMPO TUDO APAGA

Agora está na moda considerar como “erro humano” todo e qualquer desvio do que se considera correto. É permitido pensar-se nos incêndios que assolaram o nosso país ou outro qualquer acidente na área da saúde ou na área aérea. O problema fica resolvido ordenando-se a elaboração de um inquérito que pode durar dias ou mesmo anos... Quase sempre se chega à conclusão que o acidente ocorreu devido a um “erro humano”. Com esta atitude e perante a sociedade em geral, fica tudo explicado.
O “erro humano”, usa-se sempre que a gente ou qualquer coisa que devia agir em conformidade com os cânones vigentes decidiu agir de outra forma. Quem se desvie dos objectivos perseguidos é classificado como “erro humano”. Discute-se exaustivamente o acidente mas nunca o que lhe deu origem de forma a evitar que o fenómeno se repita num futuro próximo.
Encontrado (à força) um responsável, quer sejam as condições climatéricas ou qualquer outra causa, tranquiliza-se a consciência e espera-se que o tempo apague tudo da memória colectiva. Estou a lembrar-me de acontecimentos passados como o célebre desastre aéreo na Madeira, dos incêndios que assolaram Portugal, dos corpos carbonizados que não me deixam esquecer todo um passado que se faz presente.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

ISTO, SOU EU A PENSAR...

Há dias em que o “esforço” de pensar nem merece o sacrifício contudo continua-se inexoravelmente a pensar mesmo que não se escreva. E quem se pode gabar de ter parado o pensamento?
É impossível parar completamente o pensamento mas é possível controlar o nosso comportamento, isto é, a maneira como se reage perante os pensamentos negativos, aqueles que aprisionam a mente, remoendo acontecimentos passados (ou futuros) que não é mais  possível alterar.
Pelo menos, enquanto escrevo não penso, já pensei antes e vou pensar depois nas consequências do que escrevi. Mas durante o processo da escrita não penso. Essa seria a grande vantagem de escrever mas o ato em si não assim tão linear. Afirmar que não penso é falso de certo modo, devia antes dizer que não ocupo a mente com pensamentos mais profundos, mas o pensamento continua lá. Penso nas teclas certas sobre as quais devo exercer pressão. Enquanto o pensamento se foca nas teclas do computador, não salta para outros temas mais complicados.
Há dias em que nem um pensador inato pensa antes de escrever, escreve apenas o que pensa e mais nada.
Há dias assim.

sábado, 4 de novembro de 2017

MODO ACTIVO OU MODO REFORMADO?

Encontram-se na Internet várias dicas para arrancar com PC em Modo de Segurança ou em Modo Anónimo mas nem uma sobre aquela idade crítica da reforma, nem sempre encarada como o tempo ideal para satisfazer essas vontades que trazemos escondidas durante uma vida. O problema está, na minha opinião, no modo como se encara essa idade comum a toda a gente. Na prática, pode optar-se pelo Modo Activo ou então pelo Modo Reformado sendo que, muitas vezes, os dois modos podem coexistir numa mesma pessoa.
Tomando como exemplo a simples deslocação até ao café da esquina, a diferença entre os dois modos acaba por notar-se. Enquanto que, no modo activo, a deslocação é feita colocando os pés no chão com toda a facilidade e segurança, em modo reformado, a mesma deslocação, faz-se de forma bastante hesitante e insegura exigindo o dobro do tempo. Claro está que o problema é tanto mais grave quando todos se deslocam em Modo Activo e apenas um em Modo reformado. Como são modos incompatíveis torna-se infrutífera a tarefa de os conciliar.
Para piorar a situação há quem, embora reformado, teime em viver em Modo Activo. Isso nota-se nas mais elementares tarefas do dia-a-dia. São pessoas para quem a vida de reformado não coartou o empreendedorismo, isto é, gente para quem aquela fase da vida já chegou… apenas cedo demais.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

AQUELA FRASE QUE NINGUÉM ESPERA

Há dias que, quando tudo parece perdido nas brumas do presente ou no desconhecimento do futuro, chega até nós aquela frase que nos faz rir ou pelo menos sorrir daquilo que no momento é objecto de preocupação. Há gente assim, gente que reage duma forma totalmente inesperada a esses momentos tornando a realidade mais interessante do que realmente ela é. Não é muito comum, mas existem pessoas assim que nos acompanham por toda a nossa vida. Hoje não posso deixar de lamentar não ter manifestado o quanto aprecio essa particularidade que considero um dom. Há pessoas que já nascem com esse dom, são mesmo assim e não fazem qualquer esforço para ser assim.
Dizem que essas pessoas são optimistas, serão. Ser optimista ou pessimista depende da forma como se encaram as diferentes fases que se sucedem na vida e que por vezes nos puxam para baixo. Nesse instante, lá vem a tal frase que, de tão inesperada, tira todo o dramatismo ao problema que nos aflige.
Afinal nada é tão mau que não possa ser contornado e, caso o não seja, o tempo encarrega-se de resolver, de uma maneira ou doutra. Não sei quem mas alguém disse que os navios não se afundam por causa da água que os rodeia mas por causa da água que se encontra dentro deles. É um facto.
Há dias em que não permitimos que acontecimentos fortuitos comprometam todo o futuro que nos aguarda.
Há dias assim.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CRUZEIRO DO PADRÃO DA LÉGUA

Não sou religioso e tenho pena. Na verdade devia dizer que a minha fé sofre altos e baixos como uma montanha russa.
Não sabia por que estava ali “plantado” nem imaginava por que lhe puseram o tal nome que absorveu toda a zona até que um dia resolvi recolher informação que me permitisse responder a todas estas questões. Datado do século XVII, pode ver-se no cruzeiro um Cristo esculpido também em pedra que assinala uma légua (6 quilómetros, mais ou menos) entre dois cruzeiros. Além de assinalar a entrada no concelho, é também um ponto de referência para indicar aos peregrinos o Caminho Português para São Tiago. Cá está um detalhe que muito me arrependo de ter deixado “para mais tarde”.
Até certo ponto, é normal que me tenha afeiçoado a este cruzeiro. Olhando através da vidraça, além de outros apartamentos, consigo ver o tal Cristo voltado para mim.
Recentemente o cruzeiro sofreu obras de remodelação que felizmente se limitaram apenas a insignificantes modificações. Acabou mais desafogado depois que demoliram o prédio que o ensombrava e quase o engolia.
Depois que adoeci compreendo a tendência do olhar repousar sobre o cruzeiro. Apercebe-se aquela tendência que existe de se agarrar a alguém ou alguma coisa que esteja por perto. À falta de melhor, agarrei-me a este cruzeiro que vejo da minha janela sempre que a vista quiser. E num murmúrio, quase consigo ouvir aquele pedido de ajuda mudo, que vem de não sei donde e se dirige a parte alguma… a não ser a que existe no fundo de cada um de nós.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

COMO SABER ONDE SE NASCEU

Ter ou não ter sotaque é muito subjectivo e nem merecia aqui ser referenciado Até por que ter sotaque depende essencialmente do local onde cada um se encontra. No sul, a manifestação de um inconfundível sotaque nortenho leva a pensar-se num indivíduo “parolo”. Já no norte, o sotaque sulista é olhado pelos autóctones com uma certa… direi, curiosidade.
De tão imitado, já se perdeu no tempo e no espaço, o sotaque alentejano. Não há anedota sobre alentejanos que não implique uma imitação, ainda que grosseira, do sotaque alentejano.
No meu caso, nascido e criado em plena cidade do Porto, era suposto ter algum sotaque. Já não digo o característico sotaque portuense mas, pelo menos, um sotaque. Estranhamente, sou de uma família sem sotaque. Penso eu! Que me lembre, nenhum dos meus pais ou irmãos apresentavam algum sotaque que os ligasse à terra onde nasceram.
Se é verdade que, através do sotaque é possível identificar a terra de nascença ou onde cada um foi criado nem sempre isso funciona.
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