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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A PARTE MELHOR

É sempre difícil tomar uma posição e muito discutível qualquer opção que se tome a esse respeito. Não sei qual das partes é a melhor, tudo depende do sexo, da idade, da cor, etc. e o que pode parecer verdade, às vezes não é. E não me refiro apenas à parte do corpo que se opõe à parte ventral, vulgarmente designada por nádegas ou traseiro…
É sempre muito subjectivo optar pela parte melhor, cada um sabe de si. Se é difícil falar do ser humano o que gera confusões, é ainda mais difícil falar das “coisas” pelo seu abstractismo. As coisas devem ser observadas de diferentes ângulos mas, qualquer que seja o ângulo, todas apresentam invariavelmente uma parte da frente e uma parte de trás. O modo de ver a vida é que varia e tudo depende da forma como a vivemos. Neste momento lembro-me sempre da história do macaco…
Passo a contar em breves palavras visto que nem todos receberam o respectivo e-mail.
Uma vez um macaco vendo um peixe no seu mundo debaixo de água, pensando que ele se estava a afogar, retirou-o. Fora da água, o peixe morreu.
Moral da história: É preciso entender o mundo do outro.
Aqui se expõem diferentes concepções da mesma realidade. Insistir em ver só a parte da frente de qualquer coisa é um erro que muitos de nós cometemos.
Acredite-se ou não, a lei do livre arbítrio permite-nos fazer da vida o que quisermos desde que se assumam as consequências das nossas escolhas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

NADA - O LIVRO

Logo que nascemos estamos condenados a morrer, é esta uma verdade insofismável que Janne Teller explora ao longo de todo o livro.
Enervado com o livro anterior, iniciei uma leitura mais amena e sobretudo mais rápida. Não admira pois que esteja aqui a fazer uma crítica a um novo livro. Até à data nunca tinha lido NADA desta autora mas, como estava em sétimo lugar no Top de Vendas, veio comigo para casa.
A história é curta, conta-se em poucas palavras, contudo não é isso que interessa nem o que o leitor pretende saber. Aliás, uma das características da autora é escrever histórias curtas como esta. Por outro lado, o facto de anunciar cobrir uma variedade enorme de questões filosóficas, o livro acabou por me atrair.
Quanto à obra, o personagem principal (Pierre Anthon), sentado sobre uma ameixeira, declara a quem o quer ouvir que vai dar um (novo) sentido à vida enquanto atira ameixas a quem segue o caminho das aulas. Aqui entram os seus colegas da turma do 7A decididos a trazer o rapaz para baixo para o que fazem uma monte de “coisas” que realmente importam a cada um e à sociedade em geral. A certa altura a escolha recai sobre o que de mais tétrico se pode considerar. Dá que pensar!
Não é tanto a história em si que interessa mas os problemas existenciais que ela levanta.
Confesso que, através da leitura da sinopse, estava à espera de mais. Talvez não tenha gostado tanto por se destinar, como todas as suas obras, a jovens adultos…?
O sétimo lugar no top de vendas, quanto a mim, acaba por ser merecido.
Assaz premiada, terei que lhe dar lugar na minha pequena biblioteca já que adquiri o livro…

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

SEGUNDA-FEIRA... OUTRA VEZ

Podia dizer que não lhe sinto a falta mas isso seria pura e incomensurável mentira. Admito que me fazem falta quer a família, quer amigos, conhecidos… tudo e todos. Uns mais que outros, evidentemente. Mas fazem-me falta.
Contudo, apesar de bem acompanhado, sigo milimetricamente o caminho por mim traçado embora sabendo que não me conduz a parte nenhuma. Não é tanto por teimosia mas pela impossibilidade de acreditar a cem por cento no que me dizem as  vozes que me cercam. Por vezes os familiares mentem ou então omitem a realidade. O mesmo sucede com os amigos, pese embora com menos frequência. Os amigos, geralmente não mentem. É-lhes difícil mentir e, se uma mentira piedosa lhes aflora aos lábios, fazem aquela “carinha” que revela tudo o que as palavras não dizem. Por outro lado, os familiares dispõem de muito mais tempo, logo adquirem um traquejo que lhes permite mentir com um sorriso nos lábios.
Em princípio exijo que me digam a verdade, médicos, amigos, familiares… tudo e todos. Acho que já ultrapassei aquela fase, quer pela doença, quer pela idade, em que é permitido dizer sem rodeios aquilo que se pensa e também ouvir o que deve ser ouvido. Digamos que já ultrapassei a fase que Freud designaria de frustração sexual tendo-me fixado na frustração existencial, no puro vazio. Deste modo, desperdiço os meus dias entre consultas e sessões terapêuticas contentando-me a pensar (cada vez mais) nos “velhos” amigos que se eclipsaram um a um.
Termino com uma frase que não é minha mas que traduz tudo o que penso:
Um dia era igual ao outro. E, se bem que pensássemos todos os dias no fim de semana, o fim de semana era sempre uma desilusão, e depois vinha novamente segunda-feira e tudo recomeçava, e a vida era aquilo, não havia mais nada. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

NÃO SOU LOIRO...

“Não é para me gabar, mas sempre tive motivos de sobra para me considerar um ídolo das meninas”… lá do Instituto. Isto apesar de não ser forte, loiro nem jogar basquetebol, embora continuasse a ser alto. Ainda hoje não sei a que atribuir tal atracção mas era um facto que não se pode negar. Nessa altura já me branqueavam as têmporas a exemplo do que acontecia na minha família, mas continuava escorreito… e alto.
Por algum ou todos esses predicados, era um ídolo e, diga-se à luz dos dias atuais, muito parvo, também.
Tudo isso morreu na dura prática da vida que se lhe seguiu de tal modo que esqueci a existência dessa fase dourada da minha (outra) vida. Por quantas vidas passei? Já lhe perdi a conta… Só sei que hoje, apesar de tudo, sou muito diferente do que já fui.
Há pouco tempo ainda, preso numa cadeira de rodas, “disparava” em todas as direcções a amargura que me ia na alma. Logo a mim que sempre tive uma vida activa e a quem o tempo negou a habituação necessária a uma nova realidade!
Os dias passaram, um outro outono voltou e eu continuo a tentar (Deus sabe como estou a tentar) retomar a vida no ponto em que a deixei aceitando as limitações que a realidade presente me impõe…

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A MÃO PREGUIÇOSA

De repente apercebi-me da impossibilidade de voltar a pintar. Aconteceu quando observava esta mão, que por ser a direita, estava destinada às tarefas mais ousadas do dia-a-dia. Agora que declarou independência só faz o que lhe apetece.
Evidentemente que me recordo dos artistas que pintam com o pé ou com a boca o que considero difícil e para quem vai toda a minha admiração. Mas não é caso, não penso vir a pintar com o pé e muito menos com a boca. Contudo, uma coisa a vida me ensinou, nunca digas desta água não beberei…
Tenho que agradecer conservar a mão que muitos gostariam de conservar, mesmo sendo independente da vontade. De momento, tenho uma mão preguiçosa, diria sem exageros que é uma mão do contra. Quando digo que vá para a direita, ela vai para a esquerda , independentemente da política, convém esclarecer. Em abono da verdade tenho que reconhecer que já ajuda muito embora de vez em quando faça aquilo que lhe apetece fazer, principalmente no que diz respeito a bater em mim… É uma mão que não comando mas quem sou eu para comandar seja o que for?
De momento, não estou a pensar dar-lhe um pincel para a mão, ainda por cima a mão direita! Mas quem sabe, a obra prima que daí resultaria?
Seja como for, não me arrependo de ter iniciado já a oferta de duas jarras que pintei para o quarto dos netos. Agora só falta oferecer aos amigos alguma obra-prima. Não é que não tenha já andado a procurar pela casa.. O que resta está tão danificado (pelos dentinhos afiados dos filhos) que me falta a coragem para oferecer.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

BOFETADA SEM MÃO

Durante muito tempo andei convencido de que “bofetada sem mão” era o mesmo que “bofetada de luva branca ou de pelica” só que a segunda expressão era mais sofisticada. Cheguei mesmo a corrigir, na linguagem falada, uma frase por outra, já que ambas tinham o mesmo significado. Não sei se é assim mas vou continuar a usar a expressão “bofetada sem mão” por ser a mais ouvida lá em casa. Muitas vezes ouvi esta expressão a propósito dos falsos amigos que deambulavam pela nossa sala e se tornou por isso, na minha preferida.
Uma bofetada sem mão, no momento presente, era aparecer limpo de bactérias, enjoos e vertigens perante a família em particular. Continuo à espera dessa célebre bofetada…
Com o andar dos anos, senão esclareci a minha dúvida, estou de acordo com a definição: Bofetada sem mão é quando se quer insultar alguém duma forma educada, não deixando de ser um  enxovalho ainda que de forma metafórica, bem à maneira da minha mãe. Muitas vezes, e ainda bem que isso acontece, a pessoa visada nem sempre se apercebe de que está a ser atingida mas o enxovalho, o insulto, está lá.
E agora a pergunta que se impõe: Quanta vezes foi atingido pela célebre bofetada sem mão?
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