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quarta-feira, 8 de junho de 2016

DO SONHO À REALIDADE

Há dias em que os sonhos se transformam em realidade e vice-versa, isto é, em que a realidade se transforma em um sonho. Sonhar acordado pode ser prenuncio de uma grande capacidade imaginativa ao criar e prever situações. No pior sentido, sonhar acordado pode ser uma atitude de fuga à realidade que, por qualquer razão, se tornou difícil de ser vivida.
Contudo, tornar os sonhos realidade é um anseio ancestral e comum a todo o ser humano. Não há quem não tenha o secreto desejo de concretizar alguns dos seus sonhos. Note-se que me refiro a sonhos e não a pesadelos…
Que dizer então quando a realidade se transforma em sonho. Quantas vezes damos por nós a dizer, isto não me está a acontecer, só pode ser um sonho! A diferença está em ser um sonho bom ou um sonho mau…
É na distância que separa o sonho da realidade que existe o perigo de nos perdermos ao ver os sonhos de uma vida esfumarem-se em coisa nenhuma.
Há dias assim.

terça-feira, 7 de junho de 2016

I´M ALIVE

Apesar da chuva que teima em cair,
Apesar do sol que insiste em se esconder,
Apesar daquela dor que insiste em ficar,
Apesar das sombras e desencontros,
Apesar de tudo que me faria ficar infeliz,
Sinto-me bem. Estou contente
Porque estou vivo…!
Pode a chuva continuar a cair,
O sol pode esconder-se,
As dores podem ir e voltar
Que mesmo assim, fico contente
Porque estou vivo…!
É uma bênção contemplar a Natureza,
O sol reflectido nas folhas novas das árvores,
O mar imenso e as ondas que morrem na praia,
O sorriso da pequenina e o calor da sua mãozinha
Quando agarra na minha e me conduz…
Apesar de tudo que me poderia fazer infeliz,
Estou contente porque estou vivo…!

domingo, 5 de junho de 2016

NO TEU ANIVERSÁRIO

Morro com esta saudade
Que trago dentro do peito
Sem que nem tempo ou idade
Da cura façam proveito.
                           Jorge Leal, 5/6

sexta-feira, 3 de junho de 2016

DE CORAÇÃO ABERTO

Hoje não me apetece abrir o coração. Nem aqui, nem em parte nenhuma. Nem em sentido figurado e muito menos, literalmente (safa!!!). Já me bastou quando foi preciso abri-lo por motivos óbvios de saúde…
Aqui para nós, em boa hora o abriram apesar de todo o sofrimento do pós-operatório. Uma vez aberto, todos os medos, tabus e preconceitos que se encontravam aprisionados se libertaram permitindo adquirir uma nova capacidade de análise e filosofia de vida que a maioria dos mortais jamais irão experimentar.
Há dias em que nos fechámos ao exterior concentrando toda a nossa atenção no próprio EU. Deixo já aqui o aviso de que não é nada fácil nem agradável tal prática. É que, fechando-se ao exterior, isso conduz inevitavelmente a um profundo exercício de introspecção que pode vir a revelar-se profundamente doloroso e mesmo decepcionante. Compreensivelmente, a maioria das pessoas tentam a todo o custo evitar fechar-se sobre si próprios. Em tempos cheguei a pensar ser esta uma manifestação de falta de inteligência. Só mais tarde compreendi que afinal não passava de um mecanismo de autodefesa.
Seja como (ou o que) for, hoje não me apetece abrir o coração. Por isso, não esperem encontrar confidências, palpites, sugestões,… nem me atrevo a dizer conselhos porque afinal quem sou eu para os dar? São apenas sugestões para ultrapassar qualquer momento mais difícil à luz da experiência adquirida ao longo de muitos anos. É essa uma das finalidades deste blog.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

DA MINHA JANELA P´RA TUA

Todos temos uma janela, ou mais do que uma. Mesmo os sem abrigo, não tendo casa, têm a maior janela de todas por onde podem ver o céu por inteiro…
Há janelas que se abrem para o lado mais sombrio da rua e outras por onde, se não entram directamente os raios solares, pelo menos entra toda a luz do sol.
Toda a gente, de quando em vez, se debruça por uma janela nem que seja a do Windows no computador, mas essa é uma janela virtual por onde muitos se evadem das realidades desagradáveis da vida…
Tendo a possibilidade de escolher a janela por onde observamos a vida, inexplicavelmente há quem teime em abrir sempre a janela que dá para o lado sombrio. Por essa janela apenas conseguem ver o lado errado das coisas o que os deixa revoltados e faz deles gente amarga. Por outro lado, abrindo a janela que dá para o lado luminoso é possível ver com clareza a real dimensão dos problemas, equacioná-los, prever soluções e exigir correctamente uma solução.
Há dias em que abrimos a janela que dá para o lado mais luminoso da vida e nos surpreendemos a (re)descobrir toda a beleza que nos rodeia.
Há dias assim.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O CÃO QUE COMIA CHUVA

É um livro escrito por Richard Zimler com ilustrações de Júlio Pomar. Diz o autor que se trata de um livro infantil (o quarto) o que, na minha opinião, não corresponde inteiramente à verdade. De infantil tem apenas o narrador (a Violeta) e o herói, um menino de 11 anos chamado Zé. O tema central da história gira à volta do bullying e das alterações comportamentais das vítimas. Por este motivo considero de leitura obrigatória para os pais que têm filhos em idade escolar e principalmente para quem está na direcção das escolas (públicas ou privadas) e a quem cabe a responsabilidade de detectar e evitar que tais situações se prolonguem no tempo além de tomar medidas radicais para punir os delinquentes.
A certa altura o autor escreve pela voz de Violeta. Passados uns dias, ouvi os nossos pais a conversarem e a interrogarem-se sobre as razões que levariam rapazes de 15 anos a aterrorizar um colega de 11 e a roubar-lhe as suas coisas. Talvez fossem maltratados pelos próprios pais e tivessem aprendido a violência em casa. Achei que fazia sentido, mas ao fim de algum tempo deixei de prestar atenção à conversa. Apercebi-me que as razões não me interessavam. Soavam-me a desculpas. E, a meu ver, não havia desculpas para fazer com que alguém como o Zé passasse a odiar as coisas de que mais gostava. É um crime. E qualquer pessoa que faz isso devia pagar um preço elevado.
Quantos dos que me estão a ler não terão um episódio do género que por vergonha ocultaram dos pais e mais tarde de si próprios?
É que o bullyng existe e sempre existiu embora com outro nome. A meu ver e de acordo com a opinião da Violeta, o bullying é um crime e, qualquer pessoa que o pratica devia pagar à sociedade um preço elevado. Tudo o que se possa dizer sobre as razões que levam os autores a exercer estes actos, soam-me a desculpas…
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