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sábado, 3 de outubro de 2020

CAIR EM GRAÇA

Segundo o ditado “Mais vale cair em graça do que ser engraçado”, pode até fazer-se o pino, que não se vai cair em graça seja de quem for.

Não há quem não seja testemunha de um caso em que  alguém tenha caído em graça acabando por cair nas boas graças de outrem….

Todos os dias se verificam casos assim, em qualquer local, principalmente em locais de trabalho e mesmo em ambiente familiar…

Note-se que quando digo “graça” não me refiro a graça nenhuma em particular nem ao nome de batismo muito vulgar em certas regiões. Não são essas “graças” que ocupam este espaço.

Vivemos numa sociedade mal agradecida, não é muito frequente admitir como uma graça viver mais um dia…! Na realidade, não é frequente dar graças seja pelo que for e devíamos dar graças por tudo o que passou e por tudo que já temos, não forçosamente por esta ordem.

Depressa se esquecem essas simples bênçãos, essas graças, que encarámos como normais, quase como se nos fossem devidas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

É NORMAL SONHAR COM O QUE SE NÃO TEM?

É normal que se sonhe com aquilo que não se tem, já não é normal invejar o que se quer ter. Não é que não se seja capaz de concretizar os sonhos ou então que os sonhos sejam incompatíveis com a realidade mas, ao longo do tempo, tem sido esta a realidade, já lá diz o povo noutro ditado que “o fruto proibido é o mais apetecido”. Esta expressão abrange todos os sonhos que, por qualquer razão, ficaram por realizar…

Considera-se como fazendo parte da vida desejar o que ainda não se tem ou o que não se pode ter, a fruta proibida é a mais apetecida…

Há sonhos em que, por indisponibilidade ou falta de interesse, se recusam, convites que não se aceitam e dos quais resulta um certo arrependimento, outros chegam tão tarde, quando chegam, que passou o momento de lhe responder. Contudo, cada convite que se recusa deixa sempre aquela estranha sensação de que não se foi capaz  de dizer sim ao convite que formulado.

Sonhar é bom, sonhar faz bem e, sonhar com o impossível, desde que não se ignore a distância que separa o sonho da realidade por mais triste que pareça, nunca fez mal a ninguém.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

BOFETADA SEM MÃO

Durante algum tempo andei convencido de que uma “bofetada sem mão” era sinónimo de “bofetada de luva branca”, só que a expressão posterior era mais sofisticada contudo ambas as expressões tinham o mesmo significado. Não sei se é assim mas vou continuar a usar a expressão “bofetada sem mão” por ser a mais usada e consequente a mais ouvida de sempre. Efetivamente, ouvi muitas vezes esta expressão a propósito dos falsos amigos que frequentavam a nossa casa, daí que seja a minha preferida.

Uma bofetada sem mão, no momento presente, era sinónimo de estar limpo de vírus e bactérias, febre, enjoos e vertigens perante a família, é com este significado que a expressão é atualmente usada.

Com o andar dos anos e a experiência da vida, modifiquei drasticamente este conceito. Bofetada sem mão não é mais que um insulto embora efetuado de maneira educada, o que não invalida que seja um insulto ainda que feito de forma metafórica. Muitas vezes a pessoa visada não se apercebe do insulto ou fica na dúvida se este lhe é dirigido dependendo do grau cultural do visado…

E o leitor, quantas vezes já foi atingido pela célebre bofetada sem mão?

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

O CRUZEIRO

 

Sempre me fez espécie aquele cruzeiro ali “plantado” quase no meio de um acesso a outras regiões, nem tampouco imaginava a proveniência do nome dado a esta região. Aquele padrão afinal acabou por batizar toda uma zona do país com o nome de  Padrão da Légua até ao dia decidi aprofundar a razão da sua presença. A verdade é que o Padrão nem sempre esteve ali, no mesmo lugar. Com a demolição do edifício original e com a posterior venda dos terrenos onde estava implantado, o cruzeiro deslocou-se alguns metros do local original.

Datado do século XVII nele pode ver-se, além da cruz, um Cristo esculpido em pedra assinalando a distância entre este e cruzeiro anterior em cerca de uma légua (cerca de 6 quilómetros), daí chamar-se Cruzeiro do padrão da Légua.

Além de assinalar o início do concelho, é também uma referência para os peregrinos que pretendem percorrer o Caminho Português de São Tiago.

Da janela do meu quarto habituei-me a ver este cruzeiro com o tal Cristo voltado para mim. Depois das obras de remodelação a que o espaço foi sujeito, o cruzeiro acabou mais desafogado livre daquela casa que o ensombrava e quase o engolia.

Cada cruzeiro tem a sua história, uns são marcos de um passado recente outros ficaram a testemunhar a barbárie que habita no ser humano. Este cruzeiro é apenas um padrão que assinala a distância entre cruzeiros e serve para indicar aos peregrinos o caminho da Costa para São Tiago…

terça-feira, 29 de setembro de 2020

EM BUSCA DE NADA

Nada é a ausência de tudo, o mais absoluto vazio, aliás, quase todo o universo é constituído por… nada. Foi este, com muita coragem, o tema que a autora, Janne Tiller escolheu para este livro. Como diz a autora, a partir do momento em que nascemos ficamos condenados a morrer,... facto incontornável explorado ao longo do livro.

Até hoje, nunca tinha lido “nada” desta autora mas, como figurava no Top de Vendas do momento, iniciei a sua leitura.


Uma das características a autora é escrever histórias curtas que cheguem ao cerne dos objetivos que se propõe. Através desta obra a autora aborda uma enorme variedade de questões filosóficas, por isso, o livro acabou por me atrair.

No livro, o personagem principal, sentado sobre uma ameixeira, grita aos que passam em direção à escola que vai ar à vida um novo sentido ao mesmo tempo que atira ameixas aos que por ali passam.

Perante isto, os colegas de turma decidem, para o fazer descer da árvore, fazer um montão de “coisas” valiosas para cada um e à sociedade em geral.

Todos os colegas são chamados a colaborar na execução desse monte de coisas. A certa altura a escolha recai sobre um colega que, o que tem de mais valioso está sobre ele… Apesar de tétrico dá que pensar!

O importante não é tanto a história em si mas os problemas existenciais que ela levanta. Estava uma análise mais profunda,  de qualquer modo, quanto a mim, figurar no top de vendar acaba por ser merecido.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

CASAMENTOS DE CONVENIÊNCIA

Admira-me que alguém ainda se surpreenda que os partidos de esquerda se zanguem com o Governo e mais ainda, uns com os outros, porém é esta a realidade, facto amplamente divulgado por diversos meios de comunicação.

Ainda não esqueci que os ditos partidos apenas “deram as mãos” para viabilizar o presente Governo, isto é, possibilitaram uma união que se designa vulgarmente por casamento de conveniência, um tipo de casamento realizado com o fim de obter alguma benesse, não envolvendo qualquer outro tipo de sentimento… Atendendo ao tipo de casamento, era expectável que este falhasse redondamente, não mais que os casamentos por amor, é certo.

Com a devida distância, existe um certo paralelismo entre o atual governo e o conhecido provérbio zangam-se as comadres…

Mesmo admitindo como normais algumas facadinhas neste tipo de união era de esperar a ocorrência da tal menage à trois. Deus nos livre de maus pensamentos…! Tudo isto é normal e espectável.

Desde que vá ao encontro dos interesses da Nação, qualquer tipo de união é de aceitar, a alternativa que se oferece nos tempos que correm, não é muito agradável.

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