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quinta-feira, 30 de abril de 2020

UMA TRADIÇÃO QUE SE PERDE


Com o mês de maio à porta, fica a dúvida, colocar ou não um ramo de “maias” à porta. A origem desta tradição de colocar maias nos locais a proteger, perde-se no tempo embora se acredite que tenha origem numa antiga festividade Celta. Esta tradição ainda hoje é praticada em Edimburgo, assinala o início do verão e significa a união entre a energia masculina e a feminina bem como a fertilidade… da terra. É lamentável que, no mundo ocidental a religião tenha escondido o real significado desta tradição.
Segundo a tradição em Portugal, era conveniente colocar à porta e na grelha dos automóveis a flor amarela da giesta. Em certas regiões também se cumpria a tradição de colocar à porta bonecas de palha enfeitadas com a flor da giesta. Com este procedimento pretendia-se evitar a entrada do “carrapato” na habitação.
Antes do vírus que nos confinou em casa, noto que a tradição vai morrendo lentamente, já poucas casas ostentam o característico ramo de maias e ainda mais raramente nos automóveis. A minha observação leva-me a pensar que  a tradição garantidamente já não é o que era.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

DIZER NÃO, É CONTRAPRODUCENTE?


O primeiro impulso perante qualquer pedido ou permissão, a resposta era invariavelmente um redondo, não. Agora, não tanto pelo confinamento mas passar do tempo, quase abandonei o péssimo hábito de dizer não mesmo antes de ouvir o que me era solicitado. Essa mania, se assim se pode chamar, teve origem na relação conflituosa que mantive desde tenra idade. Por mais que fosse punido com castigos corporais, mais a minha resposta a qualquer questão era sempre um “não”. Evidentemente que a tareia que se seguia redobrava em intensidade mas a resposta era sempre a mesma. Perante esta atitude que engloba culpa ou a sua ausência, não me consentia verter uma lágrima ou um soluço sequer pelo prazer de dizer “não”. É impossível dar uma razão que justifique dizer “não” quando se queria dizer “sim” a não ser pelo medo, culpa, obrigação ou responsabilidade entre outras razões que desconheço. Claro que os pais sempre querem o melhor para os filhos, contudo fica a dúvida, o que é melhor para eles? Quais os limites que se devem estabelecer no dia a dia? Quais os limites e com que autoridade nos é permitido proibir? Como actuar de modo a não prejudicar e a liberdade de escolha?
As dúvidas por pertinentes persistem e são conhecidas certamente pela maioria dos pais e não só. Às vezes é preciso dizer não embora no fundo da alma exista a forte vontade de dizer sim.
Depois de alguns anos, de pai tornei-me avô e já não guardo  ressentimentos nem rancores para qualquer um dos pais. Consigo até compreender as razões que os levaram a adotar determinados comportamentos.

terça-feira, 28 de abril de 2020

PERDOAR OU ESQUECER?


Desde sempre, pelo menos desde que me conheço, estava convencido que possuía a rara qualidade de perdoar sem contudo esquecer a ofensa que lhe deu origem. Costumava dizer levianamente “perdoo mas não esqueço”. Há ofensas que facilmente se perdoam mas que dificilmente se esquecem. A língua inglesa estabelece bem a diferença entre forgive e forgete. Estes dois termos possuem realmente significados completamente diferentes. Enquanto forgive significa perdoar, forget significa esquecer. Ora dar e receber são coisas completamente diferentes.
Não se trata de um verdadeiro perdão quando não se esquece a causa. Geralmente, quando a ofensa é grave, o autor é posto de lado e o relacionamento resume-se apenas ao estritamente necessário. Ás vezes não se consegue recordar a verdadeira razão da ofensa o que nos impede de compreender que afinal já se tinha perdoado. Perdoar é isso mesmo. Recordar a ofensa sem dor, sem alterar o relacionamento, É recordar vagamente a ofensa, sem sentir mágoa nem sofrimento.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

AFINAL, É OU NÃO PRECISO SONHAR?


Pode até ser considerado como um sinal de inteligência e criatividade mas, às vezes, é preciso parar de sonhar. Há inúmeros estudos que comprovam que o sonho acordado tem as suas vantagens Estes estudos concluíram que o facto de se sonhar acordado permite fugir de outras solicitações possibilitando assim focar toda a atenção naquilo em que ocupa o nosso cérebro. Possuir um cérebro com esta capacidade pode ser uma vantagem ou então desvantagem mas, de qualquer modo, como parar de sonhar?
Existem imensas teorias sobre este assunto, basta navegar pela Internet para ficar completamente informado. Pessoalmente, penso que o ato de sonhar como involuntário que é, não obedece a truques ou receitas. É impossível parar ou mesmo impedir completamente o sono. A comprová-lo está o facto de até hoje, ainda ninguém ter sido capaz de o bloquear e explicar de uma forma convincente o motivo porque se sonha. Sonhar é tão normal como respirar, considero-a mesmo uma actividade saudável.
Através do sono atravessam-se diferentes fases até chegar à denominada fase rem. Nesta fase é natural que o corpo reaja de acordo com o que se está a passar no sonho. Sonhar, acordado, também ajuda a resolver muitas das situações vividas durante o dia e, quando acumuladas, são responsáveis pelo aparecimento de muitas doenças.

domingo, 26 de abril de 2020

SALA DE MÚSICA

De facto não tenho nem nunca terei uma sala de música mas, se a tivesse, essa sala seria muito espaçosa onde o branco predominaria. Gosto de espaços amplos, do branco e do estilo minimalista no mobiliário. Como não possuo uma sala com estas características e com a família por perto, a única hipótese de ouvir música era (antes do aparecimento deste maldito vírus) o meu automóvel. Era no interior dessa viatura que dava largas ao meu lado melómano. Adoro conduzir envolto por uma boa música de acordo com o meu estado de espírito. A música tem o dom de influenciar o estado de espírito. De acordo com esse dom, o estado de espírito varia de momento a momento, determinando assim o tipo de música a ouvir. Há quem escolha o tipo de música de forma a contrariar o respectivo estado de espírito, isto é, se estão tristes, ouvem uma música “alegre” para não se deixar abater pela depressão e vice-versa. Pessoalmente pendo mais para o grupo dos que escolhem uma música consentânea com o estado de espírito não descurando a harmonia da música escolhida. Sem dúvida que a música traduz o estado de espírito de quem a ouve, além de reflectir o momento e a forma de sentir de cada um.

sábado, 25 de abril de 2020

O ESTRANHO DOM DO CAMALEÃO


Provérbios, ditados populares também conhecidos por adágios, são transmitidos oralmente de geração em geração. Constituídos por frases curtas, transmitem ensinamentos aprendidos ao longo da vida. Cresci no meio deles pelo que é inevitável recordar-me de algum a propósito desta ou daquela situação.
Quem diz provérbios, diz palavras que por muito repetidas vão ficando retidas na memória. A palavra “sabujo” usava-se com frequência quando se queria  descrever um indivíduo servil, bajulador,...
Perante o comportamento de certas pessoas só me ocorre o termo “sabujo” para as classificar. Este termo nem sempre se refere a uma manifestação negativa da personalidade. Pode querer dizer que determinado indivíduo tem uma certa inclinação para a dança o que revela uma enorme capacidade de adaptação.
Os sabujos, apesar de dissimulados, tornam-se simpáticos devido à sua enorme capacidade de bajular. São peritos na difícil arte de se insinuarem captando assim um número considerável de “amigos”. Por comparação, comportam-se como se fossem um “camaleão” assumindo as caraterísticas daqueles que querem captar até ao dia em que as pessoas se apercebem da sua verdadeira personalidade.
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