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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

DE ANIVERSÁRIO EM ANIVERSÁRIO

Ultimamente, a coisa repete-se muitas vezes. Quando digo ultimamente, quero dizer há largos anos… no tempo em que os animais falavam o que significa, o tempo em que era feliz, se alguma vez o fui, e não sabia.
Naquele tempo, não havia jantar que não terminasse em poesia, fosse de quem fosse, mas sempre declamada magistralmente pela tua voz.
Nestes momentos, assalta-me a memória a casa de Gaia, a mobília da sala de jantar da qual já guardo saudades, a tua face de olhos cansados, a inocência perdida ao longo dos anos… .Agito a cabeça (muito devagar conforme me foi recomendado) na vã tentativa de que tudo volte atrás mas o que já foi, não volta a ser.
Não me guio por estudos e muito menos por estatísticas mas desta vez, é  a Universidade de Harvard quem nos diz que o mês de Setembro (até 1999) regista um número recorde de nascimentos. Este estudo, publicado no New York Times, só vem comprovar o que já sabíamos através da prática. Não há cão e gato (sem ofensa) que não faça anos neste mês. E o orçamento familiar que o diga!
Desta vez, foi a vez do meu genro. Pensando um pouco, não é de admirar que assim seja. Dezembro, pleno inverno, é um mês adequado para “fazer” bebés. Há quem explique este boom através do grande consumo de álcool que se verifica no Natal e Passagem de Ano, mas não é por aí que pretendo entrar.
Celebrava-se, com toda a família reunida, mais um aniversário. Então, por uma estranha magia, ouço outra vez a tua voz, o poema já muito gasto e quase esquecido que dizias por altura do meu aniversário: Ainda se os desfizesse…mas fazê-los não parece de quem tem muito miolo!

Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse...
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal: porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa: que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois que se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!

                                                  João de Deus

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

OS FILHOS, OS NETOS E EU

Um simples acento, grave, agudo ou esdrúxulo, parece não ter grande importância mas faz toda a diferença. Podia mesmo aproveitar-se como sendo um bom exemplo da importância que têm os acentos.
A confusão situa-se entre as palavras avos e avós (pondo de fora a palavra avôs) sem esquecer que todas as formas existem e coexistem nos dicionários de bom português. Nos meus tempos de adolescente acontecia-me, muitas vezes, confundir a palavra avos com a palavra avós. Nesse tempo, o que me deixava confuso, era estar convicto de que essa confusão só acontecia comigo. Hoje apercebo-me que a confusão se estende a muito boa gente.
Evidentemente, escreve o velho professor de Matemática, a palavra avos muito usada e Matemática, dificilmente se confunde com avós. Nesse tempo, recorria ao velho e estafado exemplo da pizza que se pretende dividir, dando-lhe um cariz mais moderno através de outros meios mais modernos como sejam os PowerPoint´s. Resumidamente, direi que sempre que o denominador de uma fracção é maior do que dez, usámos a velha palavra avos.
Quando nos referimos aos pais dos progenitores, então deve usar-se a palavra avós.
Nesta altura, após uma exaustiva reflexão, tenho que admitir a minha falta de jeito para ser avô e pouco para ser pai. Com o tempo lá fui “aprendendo” o duro ofício de ser pai. Mas avô, acho que nunca cheguei ou não quis apreender. Parafraseando Teresa Morais (como sempre acontece quando termino um livro), sei que que sou o menos pedagógico dos avós – o deixá-los comer sem lavar as mãos, a permitir-lhes recusar a sopa e o peixe cozido, a enchê-los  de guloseimas, o autorizá-los remexer nos móveis da cozinha, a brincar e a partir os bibelots da sala, a encantar-me com os rabiscos feitos nas paredes, e a sorrir ao vê-los comer terra dos vasos. Ainda hoje é assim com os netos, principalmente com a mais pequenina que não chegou a conhecer o avô com as limitações que tem hoje. Muitas vezes embarcámos os dois num mundo que é só nosso.
Com os avós ficam aquelas tarefas que ninguém quer como sejam recolher os meninos no colégio, ficar com eles em casa enquanto os pais estão ausentes por motivos profissionais, entretê-los no terreno contíguo a casa, levá-los de férias, etc. enfim,  substituir os pais na ausência destes.
Se por um lado gosto de ser avô, há outro lado em que recusa a inexorável lei da vida…
No entanto, ser avô, tem imensas vantagens ou deveria escrever  compensações?
É através deles que é possível voltar a ser criança outra vez.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

NOS NOVELOS DA MEMÓRIA - O LIVRO

Só a Teresa me fazia sair de casa num fim de tarde e num dia de despedida mas ainda bem que o fez! O lançamento do livro foi um sucesso e congratulo-me pela minha presença.
Nesta obra, Teresa Morais mais que sugere, obriga o leitor a revisitar, antigos odores, velhos móveis, outros caminhos da memória que pensávamos perdidos mas que teimam em regressar cada vez mais vivos.
Quanto à obra, Marta, alter ego de Teresa (e não sou eu quem o diz), refugia-se num hospital psiquiátrico de uma sociedade cada vez mais doente.
Neste livro (o primeiro), a autora guia-nos com mão, firme mas nunca redutora, através de vários capítulos, momentos de um passado que teimosamente se torna presente.
Depois de entrar no hospital psiquiátrico, à Marta só restam duas saídas: ou continuar no mesmo percurso acabando por enlouquecer ou sair e diluir-se na sociedade que a conduziu até lá. É a segunda opção que prevalece e aí, colocam-se ao leitor várias questões:
Será esse o caminho que pretendemos seguir?
É esse o destino dos nossos passos?
Será esse o fim que pretendemos para as nossas vidas?
Trata-se de um livro para ser mais que lido, assimilado, devagar, capítulo a capítulo.
Após uma leitura demorada e atenta, recomendo.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

ZANGAM-SE AS COMADRES...

Admira-me que alguém se surpreenda que os dois partidos ditos de esquerda se zanguem com o Governo e ainda mais uns com os outros. Não esqueçamos que os ditos partidos apenas “deram as mãos” para viabilizar o presente Governo, isto é, realizaram o que se pode chamar um casamento de conveniência. Por definição, este tipo de casamento realiza-se com a  intenção de obter algum benefício, não sendo necessário envolver outro tipo de sentimento… Atendendo à definição, é de admitir que este tipo de união falhe, não mais que os outros é certo.
Com as devidas reservas, é possível estabelecer um paralelismo entre o actual governo e o conhecido provérbio. Admitindo a existência de algumas facadinhas na união, que por vezes é confundida com a menage à trois. (Deus nos livre de maus pensamentos…!) tudo isto é normal e expectável.
Seja casamento, união de facto ou menage, por que não aceitar a alternativa que se nos oferece assumindo a sua real existência?
Entretanto, as obras de fachada prosseguem ao ritmo das autárquicas com prejuízo de automobilistas e peões.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

TERRA ADOPTIVA

Poucos se podem gabar de ter uma terra adoptiva contudo eu posso. Tudo começou em 2001 quando fui operado em Coimbra. Nessa altura declarei, se escapasse com vida, que fecharia negócio com a imobiliária. Estava comprador de um apartamento dúplex no centro de Esposende.
Como escapei com vida e por que sou um homem de palavra, assim fiz,. Para isso, muito contribuiu a Senhora da Saúde que me levou até esta terra. Quer se acredite ou não, há muito de milagroso quer na intervenção como na lenta recuperação que se seguiu.
Contudo, esta terra que parecia um paraíso de tão plana e sossegada, adoece todos os anos. Carros e camionetas apinhados de gente, despejam na praia toda essa gente sequiosa de mar. Acaba-se o silêncio e o bulício cresce junto ao mar prolongando-se através das ruas da pacatas duma cidade já acordada do longo sono de inverno. Os comerciantes agradecem e aos outros só resta aguardar que tudo volte ao mesmo…
Passada então que é a época de verão, a paz regressa e volta às ruas, avenidas, cafés e pastelarias da cidade. Os comerciantes, atrás do balcão, voltam a esperar num novo verão.
É o tempo de colher as pêras e maçãs das poucas árvores plantadas no terreno que circunda a casa. As ameixas, nem as chego a ver levadas no bico dos pássaros.
E os dias vão passando calmamente junto ao mar, na mesma casa onde guardo gratas recordações juntamente com a roupa da estação anterior.
Ruas com poucos carros...
Fortaleza junto ao mar...
fortaleza ao longe... por que não pousada?
e o rio.. e o mar... sempre presente
Não esquecer a piscina de ondas

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

OS PILARES DA TERRA - O LIVRO

Conforme vem sendo hábito, por cada livro que leio, cá estou a dar a minha opinião sobre a obra. Trata-se apenas de uma opinião e muito pessoal, por isso deve ser encarada como tal. Existe um tempo para tudo e este, dediquei-o a (re) ler alguns dos livros que fazem parte da minha estante. O termo ganha sentido visto que quase todos já foram lidos, mas há pormenores ou, com os conhecimentos actuais, atribuo-lhe outro valor.
Neste caso, a editora presenteou-nos com dois volumes da mesma obra numa elegante embalagem. A obra de Ken Follett continua a mexer com quem a lê. Convém não esquecer que o enredo decorre em plena guerra civil Inglesa em pleno século XII.
A figura central Tom, sonha em construir uma catedral, e tudo se passa à volta das pessoas que com ele se cruzam no duro caminho em busca do seu sonho. Nesta obra o autor revela-se demasiado realista descendo ao pormenor das várias cenas revelando assim uma criteriosa pesquisa do ambiente da época.
A descrição irritantemente pormenorizada em geral e de que são exemplos a batalha entre reis (2.º vol.), e a maneira como estavam vestidos determinados personagens ou de outras coisas, não interessaria muito à leitura de um possível leitor. Na minha opinião, não descendo tanto ao pormenor, os dois volumes podiam resumir.se num só, mas não foi essa a vontade do autor…
O segundo volume, com igual pano de fundo, sofre do mesmo mal do primeiro, demasiado pormenor desenrolando-se neste a acção…
Enfim, uma leitura que acaba por prender o leitor, mas que só recomendo a quem gosta mesmo e tiver muito tempo para ler.
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