Etiquetas

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

MOMENTOS

O dia tinha amanhecido chuvoso e frio mas nada que fizesse prever a tempestade que chegaria pela tarde. Era dia de consulta da pequenita ainda abrigada na barriga da mãe, consulta essa agendada para as 12 horas de terça-feira. Para não variar, almocei na praça da alimentação do shopping e, pelo mesmo motivo, escolhi o bacalhau com natas que já havia saboreado em outras ocasiões. Era o mesmo bacalhau com natas mas o paladar é que não… Não sei se o meu ou o do bacalhau. O certo é que não me soube nada bem. Com a minha idade já devia saber que nada se repete por isso cada momento é único e não volta a acontecer da mesma maneira, nem com a mesma intensidade… Daí a necessidade de se viver intensamente cada momento especial na nossa vida.

De regresso a casa cheguei a tempo de receber a minha filha que regressara da consulta. Confirma-se agora, sem margem de dúvida, que se trata de uma menina. Nada que surpreenda o avô ou o irmão. Nós sabíamos (não nos perguntem como) que ela estava mortinha por ingressar na família… a espertalhona!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

DIAS DE SILÊNCIO

Há dias em que se acorda com a sensação de ter sido desligado da corrente.
Qual corrente?
Que importa o tipo de corrente?
O que pretendo referir é aquela sensação que vai para além da falta de energia.
Não me ocorre outra analogia senão a de qualquer aparelho eléctrico em standby… É isso mesmo, fica-se à espera de ser ligado e entretanto aguarda-se sabe-se lá o quê ou quem… Não é certamente a melhor atitude. A vida exige acção, cada vez mais é preciso agir, tomar iniciativa, tomar decisões mesmo correndo o risco de optar pelas erradas, tropeçar, cair para depois levantar e prosseguir caminho…
Mas enquanto não chega o momento de viragem, é natural e desculpável permanecer nessa espécie de marasmo na condição de não se prolongar indefinidamente. Neste estádio de catarse mental, o pensamento não se encontra inactivo. Múltiplos pensamentos se cruzam e entrelaçam no cérebro mesmo sem se dar por isso e sem que haja fixação em qualquer um deles. São momentos de descompressão mental e física em que nada há para falar ou escrever. A folha fica em branco apenas com a função de reflectir a luz tão necessária à iluminação interior. Nada se escreve nela a não ser o silêncio…
Há dias em que um silêncio diz mais que mil palavras.
Há dias assim

domingo, 2 de fevereiro de 2014

SEMPRE DE PARTIDA

O perigo ou a vantagem (depende do ponto de vista) está precisamente aí, na hipótese de não voltar… Pelo contrário, como prezo acima de tudo a minha independência, nada faço para reter coisas ou pessoas que, por algum motivo, entraram na minha vida. Como dizia John Lennon, “Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem, é porque nunca as possuí.”
Aprendi de muito novo a estar sempre preparado para partir. A aprendizagem começou no momento da separação dos meus pais o que implicou deixar (sem grande saudade, diga-se) a casa onde literalmente nasci. Para trás ficaram os amigos de infância, a escola, o largo onde brincava… Mais tarde percorri o país de norte a sul na minha profissão de professor. No final de cada ano lá regressava a casa para de novo partir para outra escola, outra localidade. Habituei-me a não me prender às coisas nem às terras, sempre de MALAS FEITAS, pronto a partir...
O tempo passou mas todas estas vivências ajudaram a construir a pessoa que hoje sou… sempre de partida… Por isso não coleciono nada, não guardo papeis nem mágoas… Só em segredo, muito em segredo, guardo saudades que nunca conto a ninguém…

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O NOME DOS MESES #2

FEVEREIRO
Bem vindo mês de Fevereiro, não porque goste particularmente deste mês mas apenas por ser mais um passo em direcção ao verão...
O nome deste mês deriva do latim “februarius” que por sua vez deriva de “februare” que significa purificar. Era o mês durante o qual se celebram os sacrifícios expiatórios. Antes da reformulação do calendário por Júlio César (calendário juliano), fevereiro era o último mês do ano e os sacrifícios de flagelação tinham por fim pedir um bom ano...
Ainda bem que deixou de ser o último mês do ano...
Espero que a moda não pegue no mês de dezembro...!

JANEIRO

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

MORTE APARENTE

Há momentos que guardamos na memória pelas melhores ou piores razões. O dia 31 do mês de Janeiro de 2001 foi um deles por uma razão determinante na minha vida. Nesse dia, depois de várias peripécias ocorridas durante os exames preliminares realizados no mês anterior, fui submetido a uma cirurgia cardiotorácica no HUC pela equipa do Prof. Manuel Antunes. A urgência desta cirurgia impunha-se devido ao estado crítico da minha saúde.
Não vou descrever aqui com pormenor a intervenção cirúrgica, registo apenas que a necessidade de reparar as válvulas aorta e tricúspide, o que implicou abrir o coração. Esta cirurgia faz-se recorrendo à circulação extracorpórea e arrefecimento do paciente a 28ºC. Pode dizer-se que, com o coração parado a esta temperatura, o paciente se encontra numa situação de morte aparente… Não, não posso corroborar aquela “visão” da luz intensa ao fundo de um túnel porque não tive essa visão… Contudo, tratou-se garantidamente de uma experiência marcante na minha vida. Depois de ter caminhado pelo sombrio vale da morte e de ter saído para a luz do dia, o passado fica definitivamente para trás e a partir daí começa uma vida nova… Esse renascer fez de mim uma pessoa melhor sob todos os aspectos com uma necessidade urgente de apreciar as pequenas coisas e cada novo dia de vida….
Obviamente não desejo que ninguém passe por uma experiência desta natureza mas que é uma boa forma, embora radical, de nos deixarmos de preocupar com coisas comezinhas e apreciar a maravilha que é viver… não resta a menor dúvida.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

DORMIR SOBRE O ASSUNTO

Há dias em que a gente sente que algo não está bem. Há qualquer coisa que não engrena ou então existe um pequeno grão de areia (um qualquer assunto) na engrenagem… Por mais que a gente se esforce para encontrar a causa (o pequeno grão de areia), nada adianta… E duma hipótese, parte-se para outra que depois de avaliada e testada leva a uma outra e esta, por sua vez, arremessa-nos para uma nova hipótese numa sucessão infernal… Mas o pior, é que nenhuma das hipóteses ponderadas permite chegar a uma conclusão, pela simples facto de que muitas vezes não há nenhuma razão plausível. Ou então, se há, essa razão está de tal maneira camuflada que nunca será desvendada por mais que se canse a cabeça a pensar no assunto. Às vezes é preciso dormir sobre o assunto pois lá diz o provérbio que “o travesseiro é bom conselheiro”. Mas como é sabido, o travesseiro não fala… Não é portanto por aí que se vai alcançar a paz (ou o inferno) de uma certeza… Contudo existem estudos que apoiam a tese de que o sono ajuda a clarificar determinados problemas permitindo encontrar com mais facilidade a respetiva solução.
Na minha opinião, dormir apenas permite deixar de pensar no assunto. Nesta perspectiva o sono até pode ser encarado como uma fuga ao problema. Ou então, o facto de dormir sobre o assunto, embora não possibilite encontrar uma resposta, permite ver a real grandeza do problema que muitas vezes, não é aquele colosso que parecia na véspera mas apenas um pequeno grão de areia…
Há dias em que a gente sente que algo não está bem e é preciso dormir sobre o assunto…
Há dias assim…
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...