A diferença está num simples acento que parece
não ter grande importância mas faz toda a diferença. Com efeito, um único
acento pode mudar completamente o sentido de um texto o que evita muitas confusões.
A língua portuguesa é muito rica em exemplos de palavras homófonas mas, como
professor de Matemática, embora reformado, é normal que privilegie o exemplo
dos termos avos e avós. A palavra “avos” tem um significado muito diferente do
significado da palavra “avós” apesar da escrita diferir apenas num acento… Matematicamente,
o termo “avos” indica que o denominador de uma fração é superior a dez. Já quando
nos referimos aos progenitores de qualquer pessoa, usa-se o termo “avós”. Este exemplo
evidencia a importância que tem um sinal gráfico. Aos avós, reservam-se aquelas tarefas
tais como, ir recolher ou entregar as crianças na escola, cuidá-las enquanto os
pais estão a trabalhar ou ausentes por qualquer motivo, orientar os trabalhos
de casa, alimentá-los e entretê-los nos tempos disponíveis. No tempo de férias,
acresce a todas as tarefas anteriores, fazer-se acompanhar do(s) neto(s), dando
alguma folga ou aos pais. No entanto, o estatuto de avó ou de avô, tem outras compensações
que só os avós podem entender.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
OS FILHOS, OS AVÓS E OS NETOS
quinta-feira, 7 de janeiro de 2021
A ESTÓRIA DO MACACO
Conta a estória que um macaco, ao ver debaixo
de água um peixe a nadar, pensou que ele se estava a afogar e retirou-o da água.
É claro, cá fora o peixe morreu. Moral da estória, É preciso entender o mundo do outro. Qualquer opção que se tome numa
dada situação acaba por ser muito subjetiva. Todas as decisões que se possam
tomar padecem da influencia de vários fatores nomeadamente o sexo, a idade, a cor
da pele,... ou seja, o que parece ser a melhor opção naquela situação, nem
sempre é uma efetiva ajuda!
Todos os factos devem ser observados de
diferentes ângulos admitindo sempre que, de qualquer ângulo, obtém-se uma
imagem diferente. O modo de ver todas as coisas varia conforme as vivências que
as suportam. Se já é difícil falar concretamente do ser humano, ainda é mais
difícil falar de “coisas” abstratas apesar das boas intenções... Falando de
coisas mais concretas, vem a propósito a estória do macaco.
Resumindo, cada realidade apresenta diferentes aspetos
que convém analisar friamente apesar das boas intensões.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
ONDE PÔR A MÃO
Desde tempos que
se escapam da memória, quase todas as sociedades caracterizam-se pela
hipocrisia, sentimento que não é novo nem exclusivo das sociedades atuais.
Aliás, quase todas disfarçam a hipocrisia atrás de valores morais e regras de
conduta com raízes na sociedade em que se vive. A partir deste ponto, todos os comportamentos
são ditados quer por valores morais tais como o ambiente familiar, a religião, a
escola, o trabalho e até pela política. Existiu mesmo uma legislação (Portaria
n.º 69 035), que explicava as sansões a aplicar de acordo com aquilo onde se podia pôr a mão…
De acordo com
essa portaria, a menor penalização (2$50) referia-se a colocar a mão na mão mas, pôr a mão naquilo, nem convém pensar em tal coisa, a multa rondava os 15$00…!
Uma verdadeira fortuna na época.
Estes
comportamentos que nos parecem já tão distantes são muito atuais quando se
observa o que se passa à nossa volta. Relativamente ao uso obrigatório e
correto das máscaras contra o covid-19, verifica-se que as sociedades pouco evoluíram
em certos aspetos nomeadamente no que respeita às mentalidades revelando dificuldade
em acompanhar essa mudança mantendo o nariz a descoberto ou a ausência completa
da máscara em total desrespeito pelos outros. Destes exemplos pode concluir-se
que determinados comportamentos só se explicam através da ignorância ou então de
grande estupidez já que a informação é muita e plenamente difundida.
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
MORRER DE AMOR
Agora que se contabiliza diariamente o número de mortes devido ao
covid-19, não parece tão estranho que aborde o mesmo tema mas por outras causas. É notório que não morro de amores por toda a gente
independentemente da profissão ou de
outros fatores, depende mais da postura que se assume ou então não tem a ver
com coisa nenhuma em particular, simplesmente não gosto.
Há pessoas por quem não morro de amores mas, morrer de amor, na opinião de
alguns especialistas é mesmo possível… De acordo com a investigação desses
cientistas, ficou provado que é possível morrer
de amor, no sentido restrito da palavra. Entre “morrer de amores” e “morrer de
amor”, embora pareça uma mera questão semântica, existe uma grande distância
que separa estes dois termos. É possível “morrer de amores” por alguém ou
alguma coisa fruto da nossa afeição mas que se fica por aí. Por outro lado,
“morrer de amor” é um sentimento mais profundo que abrange a capacidade de
gerir emoções que nem sabíamos que existiam. Explicam os
cientistas que além de outras, o nosso organismo produz certas hormonas que obstruem
as artérias e levam à morte de uma pessoa.
Está provado cientificamente que “morrer de amor” não é
apenas uma questão semântica, pode mesmo acontecer …
Está longe a hipótese em que se julgava impossível “morrer
de amor”!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
DESTRALHAR
Achei
graça ouvir de novo o termo “destralhar” que já não ouvia há muitos anos.
Agora, no rescaldo da época festiva do Natal e do Ano Novo que convida a uma séria
reflexão sobre todo o ano que passou. Ao longo do tempo acumularam-se montes de
tralhas, coisas que já há muito deixaram de se utilizar mas que se guardam por uma
questão sentimental. Umas, porque deixaram de se usar outras, pela impossibilidade
de enfiar o corpo atual dentro delas, os quadros porque já não existe uma parede
disponível, os móveis que ao longo do tempo se transformaram em trastes que se
foram acumulando a tal ponto que o espaço entre eles não permite que se circule
sem correr alguns riscos e por aí adiante…
O
ano que agora começa é a altura indicada para destralhar, isto é, excluir esse
amontoado de objetos, desocupar o guarda-roupa cheio de trapos que já não servem,
dos móveis que já não se usam, enfim toda a tralha acumulada, aquelas coisas
velhas sem qualquer serventia apesar do valor afetivo e pelos “trastes que são os
móveis que só servem para ocupar espaço e que não fazem falta nenhuma no dia a
dia.
A
vida não nos pertence, ninguém decide se o seu percurso vai ser longo, muito
longo ou demasiado breve. Numa fração de segundo esse percurso pode ser
interrompido e toda a tralha guardada e acumulada durante anos, apesar do seu valor
real, pouco significado tem para quem os recebe…
domingo, 3 de janeiro de 2021
AS MITRAS E OS MITRAS
qualquer individuo, geralmente jovem, proveniente de uma sociedade algo desfavorecida. Estes indivíduos caraterizam-se por um comportamento ruidoso que se manifesta pela falta de respeito pelos outros e que, muitas vezes, podem tornar-se violentos quando contrariados. Num mundo em constante mudança não é difícil deparar com este tipo de indivíduos. É normal também que, neste mesmo mundo, a língua portuguesa sofra influência de outras línguas e evolua no sentido de atribuir novos significados a alguns termos o que os torna completamente fora de moda. Perante este panorama, o termo “mitras” reserva-se aqueles indivíduos que numa terminologia mais antiga eram designados por “gunas” ou “chungas” que se encontram nos grandes eventos ou manifestações de rua, por vezes sob máscaras… e em qualquer parte.


