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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

A CAMINHO DE FÁTIMA

Não é a primeira vez que me deparo com alguns indivíduos de mochila às costas e colete refletor caminhando ao longo da berma da estrada transformada em rua. Comecei por estranhar a sua presença nesse roteiro pouco atento que ando a estas datas do calendário litúrgico mas depois percebi-me que se tratavam de romeiros a caminho de Fátima. O facto em si nada tinha de estranho visto estar próximo o dia treze… Estranha é a minha reação sempre que os vejo passar que me leva a desejar acompanhar essa vossa caminhada!

Durante todo o ano é comum avistar esses romeiros que em geral se dirigem a Santiago e sempre penso, que bom seria acompanha-los nessa caminhada… Este pensamento é provável que se pense estar perante um desejo secreto e de uma pontinha de inveja… claro que admito tratar-se de um misto de os dois sentimentos uma vez que não admite qualquer tipo de cariz religioso.

Essa pontinha de inveja dura o breve espaço de tempo que os romeiros demoram a passar enquanto eu permaneço a vê-los passar…

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

HÁ COISAS QUE NÃO SE EXPLICAM

Há coisas que não se explicam por mais que sejam ditas até porque ninguém vai entender. São coisas que só quem passou por elas as entende e não é por falta de palavras ou capacidade para as definir, é mais uma questão de sensibilidade. Cada um sente da maneira que sente, isto é, à sua maneira. Acabo por dar razão a quem diz que, há coisas que não se explicam, sentem-se.

Às vezes assalta-nos a tentação de explicar algumas coisas como se fosse possível alguém sentir na mesma proporção o que se sente. Decididamente há coisas que não se explicam como não se explicam sentimentos, gestos ou sorrisos. Com certeza já se experimentou um sentimento de frustração e o desespero de não conseguir explicar certos atos tão naturais. Os sentimentos não se medem como qualquer outra qualquer grandeza. Por isso, só se podem imaginar mas ninguém saberá a verdadeira dimensão dos sentimentos.

Os sentimentos não são mensuráveis. Surgem de forma inesperada com diferentes intensidades e em diferentes ocasiões.

Há dias em que certas coisas acontecem porque têm de acontecer. Não se explicam nem se medem.

Há dias assim.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

RECORDAR É VIVER... SERÁ?

Há recordações que fazem doer mas que incompreensivelmente a gente teima em reviver. Tal atitude podia considerar-se uma espécie de masoquismo já que não há desculpa que justifique este comportamento. Não tenho uma formação académica que me permita compreender determinados comportamentos humanos que poderiam explicar a tal teimosia atendendo a que ninguém, no seu perfeito juízo, possa extrair algum prazer ao mortificar-se desta maneira.

Recordações que por vezes magoam são frequentes e muito gente, apesar da dúvida, considera normal. Tal comportamento só se pode compreender atendendo que o ser humano deixa a emoção dominar a razão.

Como seres racionais, é suposto termos a capacidade de controlar as emoções negativas contudo, esta tentativa, revela-se impotente perante recordações que fazem doer.

Por ironia do destino, sempre que ouço o “desafinado” em qualquer parte, assaltam-me as tais recordações que fazem doer numa atitude de perfeito masoquismo, já que ainda hoje me emociona.

Há dias em que as emoções comandam a razão!

Há dias assim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

QUEM ME DIZ ONDE É A ESTRADA...?

Onde me leva esta estrada…?  Não sei. Mesmo que soubesse, é por aí que eu vou… Essa é a única certeza.

Há estradas que se percorrem devido seguem à beleza da paisagem que as ladeia, mesmo que não conduza a parte nenhuma ou alcance o “destino” traçado por alguém ou ainda, mais modernamente, pelo GPS que naquela voz um tanto irritante indica para seguir em frente na próxima rotunda… Perante esta insistência, segue-se em frente na ansia de chegar à bendita rotunda que nunca se alcança ou, quando se alcança, a voz insiste para seguir sempre em frente… na chegar à próxima rotunda.

E assim, orientados por aquela voz, lá vamos seguindo em frente incapazes de alterar o rumo que traçado como um destino fatal que se é obrigado a seguir. Virar à esquerda ou à direita, está fora de questão, depende de outros fatores tais como a beleza da paisagem… ou do destino que se pretende alcançar.

Há estradas assim que desembocam em locais paradisíacos, cheios de sol e calor enquanto outras só nos levam pelo meio de tempestades, estradas sinuosas onde, em cada curva, espreitam velhos fantasmas bem nossos conhecidos. Citando o poeta, Quem me leva os meus fantasmas? Quem me diz onde é a estrada?

Há dias assim em que mudar de rumo implica desarranjar completamente o rumo acostumado mesmo que sabendo que a “estrada” não conduz, a parte nenhuma…

Há dias assim.

domingo, 8 de novembro de 2020

...MAUS VIZINHOS AO PÉ DA PORTA

A vaca que vivia na minha casa de banho mudou-se. Na verdade, o animal a que chamo “vaca”, literalmente não existe. Era apenas um ruído do autoclismo que fazia lembrar uma vaca a mugir. Desde que um técnico lhe tratou da “saúde” deixou de se fazer ouvir mas, para piorar a situação, o animal mudou de andar… Se estivéssemos na Índia a vaca, como animal sagrado, podia circular livremente pelas praças, ruas, lojas e centros comerciais, podia até comer os alimentos expostos para venda! Contudo, esta “vaca” que vivia fechada e sossegada na casa de banho já não mora lá. Mudou-se.

Agora que se foi, deixou a saudade desse som que foi substituído por pelo ruido vindo da vizinhança… A vaca que vivia cá por casa, já não vive enquanto que o tal animal, além de outros nomes, já chamaram de  louco,… a mim não chamaram nada. Só pensaram.

Como os outros vizinhos não se manifestam, o defeito auditivo deve ser meu ou então concluíram que sai mais barato comprar o leite no supermercado do que ter uma vaca fechada em casa.

sábado, 7 de novembro de 2020

ASSIM VAI O MUNDO

Não vai longe o tempo em que qualquer noticiário abria com uma notícia sobre futebol. Atualmente, não é o futebol que tem a primazia dos noticiários, esta foi atribuída ao covid-19 e mais tarde às eleições nos EU. As notícias são comunicadas em altos brados pelo locutor de serviço como se fossem um abanão para os mais distraídos. Apesar de proclamada em altos brados, por mais grave que seja, a notícia acaba por não causar aquele impacto que era suposto visto não se referir ao desporto principal. Por outro lado, as notícias sobre ajuntamentos, o uso correto da máscara e outras medidas de prevenção contra o coronavírus, apesar de um número ilimitado, pouco interessam à maioria da população, sobretudo aos mais novos que depois, um pouco de forma inconsciente, transportam o vírus até ao ambiente familiar e não só.

As notícias que dantes ajudavam a preencher os noticiários tais como o aquecimento global do planeta, a fome no mundo, o drama dos migrantes,… ficaram em standby sob o ponto de vista das audiências. O interesse económico sobrepõe-se à saúde publica. Por trás de cada trabalhador há, pelo menos, uma família que depende economicamente desse vencimento e tratando-se de um empresário há imensos empregos em risco de despedimento.

Haja saúde e educação que são os alicerces de qualquer sociedade…

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