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terça-feira, 12 de novembro de 2019

POR UM MOMENTO DE FAMA


Numa sociedade em que muitos dos valores morais estão ausentes ou totalmente subvertidos, não surpreende ninguém o esforço que indivíduos completamente anónimos fazem por aparecer em diversas reportagens ou programas televisivos. Nem mesmo qualquer causa humanitária os arranca do sofá e interagir. Será que a vida os tornou tão cépticos que não acreditem mais em gestos inocentes ditados por puro altruísmo?
Sempre me surpreende o que certos seres humanos são capazes de fazer para sair do anonimato… Reconheço que existem outras formas mais radicais de o fazer como, por exemplo, morrer de forma violenta… É óbvio que esta opção tem o inconveniente de negar ao próprio “saborear” o seu momento de fama. Uma das vantagens era aparecer em todos os jornais, revistas e noticiários da TV, embora de costas ou de cara tapada… Outra hipótese a ponderar, era matar alguém. O inconveniente é correr-se o risco (embora remoto) de ser preso.
Além destes, existem outros meios menos radicais contudo mais trabalhosos como escrever um livro, compor uma canção que se torne um enorme sucesso, roubar (desviar) uma avultada quantia, ser alvo de suborno (que está na moda) ou cometer qualquer outra excentricidade que possa imaginar.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

A LÂMPADA IMAGINÁRIA


Num país onde virou moda frequentar um ginásio, é estranho que um deles feche portas por motivo de insolvência apesar duma suposta  boa gestão financeira. Foi o que aconteceu ao ginásio que frequentava apesar da decadência que já vinha ostentando a diversos níveis. A partir desse dia, apesar de ter pago meio ano de quotas, fui obrigado a procurar outro ginásio que felizmente encontrei mais perto de casa e com a oferta de melhores condições em termos de instalações e ginásio, dispondo ainda de uma ampla piscina.
Com a oferta da pulseira electrónica e da minha impressão digital, de acesso, gosto de imaginar que também me foi oferecida uma lanterna que passei a transportar cuidadosamente, sem nunca a esfregar, desde as máquinas até ao banho turco que finaliza cada sessão.
Até ao momento não me aventurei a esfregar a dita lâmpada. Não sei se por medo de libertar o génio que a lâmpada encerra, se por medo dos três desejos que o génio concede a quem o libertar.

domingo, 10 de novembro de 2019

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS


Ter ou não ter opinião em determinado momento e perante os factos divulgados por qualquer meio, é motivo de preocupação. Data já de 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos que, segundo um dos seus artigos (Artigo 19º), todo o ser humano tem direito à liberdade de opinião… De acordo com este artigo, qualquer indivíduo tem direito a emitir e divulgar a sua opinião através de qualquer meio… Trata-se de um conceito fundamental comum a qualquer ser humano não subestimando a responsabilidade do autor pelo que escreve e pelas declarações que profere. Divulgar e manifestar o que se pensa é apanágio de todo o indivíduo não omitindo outros direitos que também estão contemplados na DUDH. Portanto, emitir uma opinião sobre qualquer facto, exige muita coragem não subordinada ao credo ou convenção política aliás, qualquer texto exprime apenas um modo de ver e de pensar muito pessoal reservando-se porém o direito a não estar de acordo.
É esse o direito humano que cabe a qualquer indivíduo e sobre o qual assentam as regras da democracia.

sábado, 9 de novembro de 2019

UM PAÍS ASSOLADO POR VAGAS


Vivemos num país assolado por vagas. À partida, não há perigo de tsunami já que se fala em vagas… também era só o que nos faltava! Se é verdade que toda a costa (não confundir com a pessoa) tem sofrido os inconvenientes de um inverno pródigo em vagas alterosas que provocaram imensa destruição, outras vagas nos têm assolado. Durante o verão sofremos o efeito das vagas de calor e agora, em pleno inverno, atravessámos uma vaga de frio e chuva e também, como se isso não bastasse, atravessámos diferentes vagas de corrupção… Estas últimas são as mais perigosas tanto pela sua persistência como pela destruição da economia do próprio país e dos bolsos de toda a gente…
Enquanto que as vagas de calor, do frio ou da chuva persistente assolam o país por curtos espaços de tempo, as vagas da corrupção são recorrentes e, de certo modo, cíclicas. Estou em crer que se trata de um problema social que é despoletado sempre que certos indivíduos atingem qualquer cargo de chefia…

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

A ATRACÃO DO MAR


No passado dia 6 deste mês comemorou-se o centésimo aniversário do nascimento de Sophia Mello Breyner. Uma justa e merecida homenagem dedicada à mulher que ajudou este país a caminhar em frente, só quem não conhece a basta obra da poetisa foi capaz de mudar de canal ou, numa atitude mais radical, desligar o meio de comunicação que divulgou exaustivamente esta homenagem.
Acrescente-se que não é o único gosto em comum, a poesia e o estranho fascínio pelo mar figuram entre os gostos em comum. Com efeito, o mar corre nas veias de todo o português embora “corra” mais nalguns do que em outros… Admito a minha adoração pelo mar mas só à superfície. Adoro o ruído calmante das ondas, o aspecto calmo da superfície do mar que às vezes se exalta, fascina e mete medo.
Gosto do mar mas, de um mar calmo que banhe apenas os pés… o mais longe que me aventurei foi mergulhar nas suas águas pouco acima da cintura. Não é que guarde ainda aquelas ideias de monstros marinhos frequentes na idade média mas o fundo do mar continua um local perturbador propício aos seres marinhos nada propício à manutenção da vida humana…
Gosto de ficar junto ao mar e deixar que o olhar se  estenda até perder de vista as distâncias conhecidas mas só à superfície.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

UMA OPÇÃO ENTRE OUTRAS


Acreditar no destino é apanágio só de alguns salvaguardando o direito a não acreditar. Toda agente já ouviu a célebre frase, é esse o meu destino em relação à vida que se leva…
Não acredito no destino. O destino constrói-se momento a momento, dia a dia à medida que a vida se vai desenrolando. É uma opção que se deve e pode alterar em qualquer ocasião. Acredito que se está sempre a tempo de mudar de rumo.
O destino, na minha opinião, é uma falácia, é apenas uma opção que se escolhe entre várias opções disponíveis para uma dada situação.
Por maiores que sejam os nossos intentos, nunca saberemos aquilo que não sabemos, por isso se desconhece o futuro. Ninguém sabe o desfecho de qualquer situação, tudo depende da opção escolhida.
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