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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

BELEZA FEMININA

Só com muito boa vontade podia dizer-se que era uma beleza porque de facto nunca foi. Com aquele cabelo revolto com uma madeixa esverdeada jamais se enquadrava no modelo clássico da beleza feminina. Em tempos, ainda me recordo, cantava uma canção desconhecida numa língua estranha… Felizmente perdeu a “voz” não por falta de pilha, mas por uma avaria qualquer não identificada.

Não posso deixar de referir o mau gosto daquela roupinha com que a vestiram num estilo punk totalmente fora de moda.

Apesar daquele aspeto um tanto ambíguo, era a boneca preferida da pequenita embora não fossem as bonecas o seu brinquedo preferido.

Para dizer a verdade, nunca achei muita graça aquela boneca considerando que não devia grande coisa à beleza de acordo com o conceito então em vigor e que em tempos oferecemos à nossa filha. É claro que não é possível corresponder totalmente a qualquer conceito de beleza mas, de qualquer modo, impõe-se um certo sentido estético que não se deve ignorar. Evidentemente que ninguém se fez além de que, desde tenra idade, fomos treinados para ajuizar a beleza segundo um determinado esses conceito…

Como dizia Einstein no seu tempo, “Todas as pessoas são génios. No entanto, se avaliarmos um peixe através da sua habilidade em escalar árvores, ele vai passar o resto da vida convencido de que é um idiota.” Tudo depende do modelo de comparação.

Tendo em vista rentabilizar todas as potencialidades que nos foram dadas à nascença, é fundamental deixar de lado comparações. Cada um é como é e, com este “material”, constrói-se a personalidade de cada indivíduo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

SEJA O QUE FOR, POUCO IMPORTA

Não importa se a história não condiz com a “careta”, seja ela qual for. Também não importa o que aconteceu quer seja hoje, ontem ou amanhã, seja o que for, pertence já ao passado.

Também o provérbio não é bem assim, deveria ser mais “não diz a cara com a careta”, mas isso também não importa… A chuva miudinha que tem persistido em cair alternada com dias de sol outonal, também não importa. Estou numa de não me importar com coisa nenhuma. Decidi viver o momento presente (como se isso fosse possível…!).

Pensando bem, o presente é apenas o presente, uma fração de segundo do que aconteceu agora porque na fração seguinte, já é passado. E quem se importa com o passado? Esse género de preocupações não me parecem muito saudáveis.

O passado não volta nem se altera, por isso, o que foi feito, está feito. Se foi bom, recorda-se, se foi mau, é para esquecer guardando sempre a lição que a experiência nos deixou.

O que é, pois, o tempo? Se ninguém mo pergunta, sei o que é; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não sei: no entanto, digo com segurança que sei que, se nada se passasse, não existiria o tempo passado, e, se nada adviesse, não existiria o tempo futuro, e, se nada existisse, não existiria o tempo presente. (Santo Agostinho)

Confuso? Deixe lá, isso também não importa…

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A OUVIR O SILENCIO

Gosto do silêncio, principalmente quando escrevo, mas também gosto de ficar em silêncio sem fazer nada a ouvir o ruído do trânsito muito ao longe, o chilrear dos pássaros lá fora empoleirados nos ramos das árvores, o som esporádico das vozes dos mais pequenos a brincar no relvado das traseiras, o toque do sino da igreja,…

Gosto do silêncio, mas não de todos os silêncios. Há silêncios que trazem a paz e acalmia qualquer que seja o estado de espírito, mas também há silêncios carregados do desconforto caraterístico das recordações, de cenas antigas que se pretendiam esquecer.

Embora goste muito do silêncio, alterno esses raros momentos com a música que deixo invadir o meu espaço fazendo-o encolher.

Apesar dos silêncios, posso sempre contar também com a “minha” música que, por sua vez, também precisa de silêncio. Assim, qualquer melodia tem um maior impacto quando se escutam os “silêncios” que existem na própria música…

terça-feira, 3 de novembro de 2020

O MEDO DO QUE VIRÁ

Até é bom ter medo, é ele que nos protege de possíveis agressões  preservando assim a nossa integridade física o que já por si é bastante útil. Ter medo, seja do que for, é uma reação normal que não envergonha ninguém. Porém, em excesso, esse sentimento assume a sua forma negativa ao impedir que se realizem muitas das tarefas que tínhamos em mente.

A paragem forçada a que nos obrigou esta pandemia seu tempo para refletir sobre a inutilidade de certos comportamentos e permitiu que alguns acreditassem que nada de grave lhes aconteceria… Esqueceram que muitas vezes o velho ditado que diz, quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela se aplica a vários casos. Nem sempre significa que ao permitir a perda de algo que se ama muito, como a vida, seja por que Deus nos queira dar algo melhor… Nessa circunstância martela-me a mente a duvida que faz vacilar da minha fé… Não esqueço todos os traumas a que fui sujeito que findaram com a extração de um tumor no cérebro que felizmente se rebelou benigno. Como consequência é lógico perguntar, o que mais me estará reservado?

Este é um momento que parecia favorável a um aumento da fé contudo, o medo do que virá a seguir já que uma coisa tem sido pior do que a outra, tolhe qualquer reação da minha parte.

Só vejo um caminho, seguir sempre em frente já que, como alguém disse, o pior medo é aquele que sentimos por nós próprios.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

OS NOSSOS MEDOS

Quando se é novo, é costume ter medo do escuro, dos monstros que vivem debaixo da cama, do desconhecido, enfim, tem-se medos que hoje parecem pequeninos mas que então eram enormes. Conforme se vai crescendo, os medos crescem também e crescem tanto que parecem enormes.

Tal como toda a gente, mesmo aqueles que negam que os têm, o medo é universal. Aliás, ter medo não devia envergonhar ninguém. Trata-se de um sentimento normal e até saudável na medida em que nos protege de qualquer perigo real.

Excluindo a necessidade de definir “medo”, direi apenas que é um sentimento comum a toda a gente. Daí que toda a gente alberga no seu íntimo os próprios medos, sejam eles quais forem.

De entre todos, e são muitos, o pior medo é aquele que sentimos de nós próprios, o medo das emoções e da própria reação perante determinadas situações… É um medo real que se aprende a controlar.

domingo, 1 de novembro de 2020

DIA DE TODOS OS SANTOS

Grande parte da sociedade atual desconhece o verdadeiro significado deste dia caraterizado por um ambiente muito próprio que é impossível esquecer. O primeiro dia de Novembro, dia de Todos os Santos, não é apenas mais um feriado, um pretexto para uma escapadinha (entre conselhos…) quando o tempo o permite. É um dia destinado à reflexão embora se olhe de lado para a morte, como se ela estivesse lá muito ao longe!

Além de evocar todos os santos, este é um dia de homenagem a todos os que já partiram mas que ainda vivem na nossa memória.

Confesso a minha ignorância sobre o simbolismo deste dia. Durante muitos anos andei convencido que se tratava de um dia sem outro significado que não fosse o velho costume de enfeitar as campas de familiares e amigos embora só no dia seguinte se comemore o dia dos Fieis Defuntos. Nesse dia, embora a legislação não o contemple, devia ser destinado a recordar e orar por aqueles que já partiram.

Hoje sei que se trata de dois dias completamente diferentes embora complementares. Como sempre, a igreja cristianizou o evento muito celebrado nos países anglo-saxónicos que lhe estão na origem. Nestes países, sob o nome de Halloween, acreditava-se que as almas dos mortos erravam pela Terra de acordo como se comportaram durante a vida… e as crenças não se discutem.

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