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sexta-feira, 12 de julho de 2019

O RUÍDO E O SILÊNCIO


Por oposição ao ruído, o silêncio tem inúmeras vantagens na medida em que contribui para a saúde do cérebro. Frequentemente relacionado com solidão, tristeza e tédio dos mais idosos e não só, o silêncio transporta consigo imensos benefícios para a saúde.
O ruído característico do trânsito, o som estridente das sirenes, as vozes altas em diferentes situações e até o ruído longínquo de alguns electrodomésticos contribuem para o desequilíbrio indicativo da falta de uma sólida saúde mental. Com efeito, o silêncio beneficia a actividade cerebral, a capacidade cognitiva e a criatividade. Já no seu tempo Florence Nightingale defendia que “o ruído desnecessário é a mais cruel ausência de cuidados que se pode infligir aos doentes”.
Descobertas recentes relacionam o ruído excessivo com a pressão alta. Os cientistas acreditam que o ruido ativa uma amígdala relacionada com a memória e as emoções, efeito que se verifica mesmo quando dormimos. O estudo já publicado (revista Heart) defende que dois minutos de silêncio podem ter um efeito mais calmante do que ouvir uma música calma.
Como todas as coisas, esta terapia deve ser usada com conta, peso e medida…

quinta-feira, 11 de julho de 2019

VANTAGENS E INCONVENIENTES


Viver numa cidade pequena tem inúmeras vantagens mas também alguns inconvenientes que convém não esquecer. Nascido no coração da cidade do Porto onde vivi alguns anos, não podia deixar de gostar desta cidade da qual guardo muitas saudades. Gostava da agitação do corre-corre dos dias, da estranha sensação de estar sozinho rodeado de tanta gente, de passear sozinho nos jardins em pleno centro e ter à disposição todos os cinemas sempre que queria.
Um belo dia, mudei-me para a periferia de uma cidade vizinha do  Porto e aí pude constatar as vantagens e inconvenientes de habitar numa cidade pequena. Apesar dessa mudança ainda posso ver o mar sempre que quero, as inúmeras praias e aquela sensação de liberdade trazida pelo vento… Estas e outras sensações foram-me queridas até ao dia em que o calendário se lembrou de assinalar um feriado nacional ou municipal. Obviamente a cidade parou, as ruas ficaram desertas, as lojas fecharam-se e o silêncio tomou conta de cada recanto. Passada a primeira reacção de surpresa e alguma indignação assaltou-me o pensamento, e se for preciso de algum serviço de saúde?
Tudo acaba por se resolver apesar do feriado. Viver numa cidade pequena não quer dizer que se viva uma vida menor. Aprendi a gostar da calma e do silêncio que se experimenta nos arredores. Além disso, sempre posso ver o mar quando quero… Com o tempo  aprendi a dar mais valor à saúde, à paz, ao amor e à lentidão do tempo, o bem mais precioso que se pode ambicionar.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

ALGO VAI CORRER MAL


Se alguma coisa tem hipótese de correr mal, de certeza que vai correr mesmo mal, não haja a menor dúvida. Quem o disse há muitos anos foi Murphy mundialmente famoso. Não há dúvida que, seja o que for, se tiver a mínima chance de correr mal, vai mesmo correr mal. E não há volta a dar-lhe, é quase uma lei, a lei da vida. O melhor a fazer é partir com o pensamento de que qualquer coisa que se comece vai acabar mal, só assim se estará preparado para o que der e vier. Nada ou quase nada acontece segundo a nossa vontade ou como estava planeado, é essa a realidade.
Baseado na história de Milo a quem tudo corre mal, a Disney conseguiu transmitir a importância da existência de um “plano B” em qualquer situação. Até lá há que enfrentar os desastres da vida com muito humor, fair play diriam os desportistas e muita capacidade de rir dos próprios erros, só assim se pode dizer que algo correu mal… Pensar, sim mas pensar positivo, pois quem espera (sentado)  sempre alcança… a não ser que seja dia de greve nos transportes públicos. Como alguém disse “Mais vale ser pessimista do que optimista. O pessimista fica sempre feliz quando erra mas também quando acerta”.

terça-feira, 9 de julho de 2019

VELHOS SÃO OS TRAPOS


A frase feita velhos são os trapos que é costume dizer-se em certas ocasiões não me convence nem me consola minimamente. Este termo tem diferentes conexões, infelizmente todas depreciativas. O epíteto aplica-se a todos os idosos que vistam fora de moda ou que exponham ideias muito antiquadas e, o que ainda é pior, que a sociedade considere uma figura ridícula…
Os anos passaram, envelheci, é um facto, mas nunca me senti um velho jarreta. As ideias evoluíram ou melhor, adaptaram-se ao passar do tempo e à maneira de ser e de vestir da realidade do presente.
Olhando para o espelho não ignoro os lamentáveis estragos que o tempo fez ao passar, fora isso, vejo-me sempre como um jovem que dificilmente aceita o declínio físico natural e a falta de saúde que geralmente o acompanha.
Actualmente a sociedade já permite uma grande diversidade na forma de envelhecer visto que nem todos envelhecem da mesma maneira. Estas diferenças inerentes ao estatuto social e até de género, ajudam muito mas não são suficientes para que a velhice seja encarada como algo normal de que não se pode fugir. Esta incontornável verdade não invalida que se combata a falta de actividade e o isolamento comum a muitos dos idosos, sobretudo a descriminação social a que estes ainda são sujeitos nas sociedades contemporâneas.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

LAMEGO E CASTRO DAIRE


Ir a Lamego e não visitar o Santuário da Senhora dos Remédios, a visita não ficava completa. Foi aí que iniciámos o roteiro da curta visita a esta vetusta cidade onde vivi durante alguns anos sem nunca me aperceber da riqueza arquitectónica que a cidade encerra na pressa do regresso a casa no fim de semana.
A três passos do jardim principal visitámos a Sé Catedral (fundada em 1129) imponente por fora e por dentro. A dois passos dali vende-se a famosa bola de Lamego que é imprescindível provar. Um pouco mais longe, em pleno centro histórico, situa-se a antiga Biblioteca Municipal e o Museu que não tivemos oportunidade de visitar. Com efeito, Lamego é uma cidade muito antiga, com vestígios da ocupação romana. Não convém esquecer que foi aqui que se realizaram as lendárias Cortes de Lamego onde D. Afonso Henriques foi aclamado Rei de Portugal e se estabeleceram as Regras de Sucessão ao trono.
Apesar dos parcos dias de viagem (apenas 3) e da reduzida mobilidade pessoal, deu para visitar o Castelo de que nunca me havia apercebido e um pouco mais longe a Cisterna apoiados por uma simpática guia.
A escassos quilómetros fica Castro Daire que visitamos num roteiro de saudade… Gostei de rever além da rua principal, o jardim contíguo e o coreto, as antigas instalações da câmara municipal e das finanças, as antigas instalações do ciclo preparatório e o simpático comércio local. Valeu a pena a visita.
Antes de regressar a casa, não podia deixar de apreciar a paz que se usufrui nos belos jardins da cidade de Lamego. Vale a pena voltar com mais calma.

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