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domingo, 12 de janeiro de 2020

A IMPORTÂNCIA DO TEMPO


Isto de falar do tempo tem muito que se lhe diga. Falar do tempo, é como as cerejas, há sempre alguma coisa mais para dizer. Não admira pois que me repita e que me atreva a falar do tempo sem qualquer finalidade. É o mal de ter tempo, dirão alguns. Pessoalmente não vejo nada de errado em ter tempo, antes pelo contrário. Considero de extrema importância reservar um certo tempo só para nós. Essa reserva é fundamental para o ego tanto a nível físico como a nível psíquico. Não haja dúvidas de que gostar da nossa imagem já é meio caminho para gostar dos outros. E quem não gosta de exibir um bom aspecto?
É muito importante destinar algum tempo para cuidar da imagem convertendo-se na pessoa mais importante das redondezas e merecedora de mimos como sejam cuidar do aspecto físico, ler um livro que lhe agrade, almoçar na companhia de familiares e amigos, fazer uma caminhada à beira mar ou simplesmente sentar numa esplanada e respirar de alívio por estar longe das tarefas diárias, longe de tudo. São pequenos nadas que fazem toda a diferença contribuindo, como já disse, para o bem-estar físico e psíquico de qualquer pessoa. Com o tempo aprende-se a gostar mais da gente, a cuidar da imagem que o espelho reflecte e essencialmente a gostar de quem gosta de nós.

sábado, 11 de janeiro de 2020

A INEXORÁVEL SUBIDA


Muito a custo, vai-se subindo ao longo da vida aquela escada com o único objectivo de chegar onde se pretendia chegar ou então, aquela que não nos conduz a parte nenhuma. Talvez por isso, é tão difícil a subida!
No entanto, é forçoso subir para não atrapalhar a subida dos que nos seguem, em busca de algo que nos impele a subir sem saber muito bem onde chegar. E a vida imperturbável prossegue o seu caminho e “alegremente” seguimos atrás dela… sem saber muito bem porquê. Se alguém questiona essa subida, encontram- mil motivos para dar na ilusão de justificar a penosa subida.
É assim com tudo na vida. Luta-se pela imagem, pela honra, pela paz, pelo país, por isto e mais aquilo sem saber muito bem porquê. Quantas vezes o pranto se solta ou se é acometido de um despropositado ataque de riso durante a subida?
Estas coisas acontecem por que se está numa fase muito triste, muito alegre ou porque sim… Durante a vida ama-se e nem se quer saber porquê e morre-se finalmente sem saber porquê.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

ÀS VEZES FALO COM DEUS


Não é todos os dias mas, às vezes, falo com Deus. Não existe nada que comprove que Ele me escuta mas, apesar de não “ver” nem ouvir qualquer resposta… falo. Estabeleço longos monólogos, formulo perguntas para as quais não obtenho respostas… Não é fácil possuir e ainda menos conservar uma fé fervorosa quando se espera uma “resposta” que às vezes não chega ou tarda em chegar…
Não sou um crente fervoroso, a minha fé tem altos e baixos aliás como a própria vida… Apesar da minha pouca fé, da revolta e da indiferença (fingida ou não), às vezes falo com Deus…
A propósito de qualquer coisa é costume dizer-se que quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela… É preciso estar atento, para encontrar a verdade nesta frase. Os olhos da alma veem mais longe o que é visível e que um olhar normal não é capaz de ver. Através dessa janela é possível descobrir o caminho a seguir, o caminho que nos leva não onde planeávamos chegar mas onde é preciso estar!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O SILÊNCIO


Há ocasiões em que as palavras só atrapalham, não é preciso falar, o silêncio é suficiente para exprimir tudo o que nos vai cá dentro…
Começo a gostar do silêncio, a gente habitua-se a tudo, mesmo aos silêncios…! Gosto do silêncio que diz tudo sem querer dizer nada, sim porque há silêncios que falam.  Acho o silêncio preferível às muitas palavras que nada dizem ou que dizem o que honestamente nunca devia ser dito.
Hoje em dia as pessoas gostam de falar, de expor tudo o que pensam o que nem sempre é a melhor maneira de lidar com certas situações. Existem silêncios que contam os (vãos) motivos que levaram ao esquecimento, outros que avisam dos perigos e das regas que devem ou não ser quebradas e, quando falam, esses silêncios dizem certas verdades que ficam a doer. Às vezes era preferível uma mentira dita como verdade. Apesar de tudo tenho uma boa relação com o silêncio visto que pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala …
Há dias em que se esperam as verdades nuas e cruas ditadas pelo silêncio já que o silêncio… também fala!
Há dias assim.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O CAMINHO


Passo a passo, degrau a degrau, lá se vai caminhando pela estrada da vida em direcção sabe-se lá onde. O mesmo se passa com os tortuosos caminhos deste mundo. Não interessa saber precisamente para onde se vai nem saber quantos percalços se vão encontrar pelo caminho… O que interessa realmente é caminhar.
Desistir? Nunca, não é uma opção.
Toda gente tem um caminho só seu que forçosamente terá que percorrer e nenhuma desculpa consegue evitar de o fazer. Mais tarde ou mais cedo esse caminho espera por nós e teremos de o percorrer mas, como já disse o poeta, o caminho faz-se caminhando o que equivale a viver cada dia como se fosse o último que nos é dado nesta jornada.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A GENTE HABITUA-SE


A gente habitua-se a tudo. Habitua-se à ausência temporária ou definitiva de familiares e amigos, habitua-se à falta de atenção, dos abraços e mesmo dos apertos de mão... A gente habitua-se a esperar em vão por um telefonema, uma mensagem, pela vez de ser atendido, habitua-se até a ser ignorado mesmo por aqueles de quem nunca se esperava ser ignorado...
Habitua-se a assistir imperturbável à corrupção, à presença dos sem-abrigo, à poluição,… que até pensamos que é normal existirem.
A gente habitua-se a tudo, sobretudo ao que é bom mas também se habitua ao que é mau. É verdade que é mais fácil habituar-nos ao que é bom mas acabamos por nos habituarmos tanto ao bom como ao mau por muito que demore.
O ser humano tem esta estranha e maravilhosa capacidade, a de se habituar a tudo mas, o mais extraordinário, é que se habitua até à peregrina ideia de se habituar a tudo…
A gente habitua-se a tudo, até ao que não devia.
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