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domingo, 19 de março de 2017

QUEM SOU?

Por que se celebra mais um dia, o Dia do Pai, impõe-se uma reflexão mais atenta sobre o próprio dia. Viajando pelas redes sociais, só encontro referências ao “melhor pai do mundo”. Ainda bem que assim é. Por mim, continuo à espera de saber do pai que, como toda a gente, certamente tive.
Entre pai, avô, companheiro, amante, amigo, ou seja, lá o que for, continuo sem saber quem realmente sou. Se para ser pai, segundo a definição, basta ter um ou mais filhos, então serei apenas pai. Mas se ser Pai significa ter amor para dar, então não posso deixar de homenagear aquele que me criou e fez de mim o que hoje sou. Ser pai é aquele que cria e educa uma criança que não gerou, mas que adoptou quando casou com a mãe deles … Esse é o Pai.
Ser pai é muito mais do que poderia aqui dizer, é o sorriso sempre aberto fora de horas, o oceano dos sonhos que ficaram por sonhar, o calor do abraço que acalma e acarinha e o beijo, aquele beijo que não termina nunca …
Ser Pai, é tudo isto. Enfim, ser Pai não existe.
Posso não saber quem sou, mas uma coisa é certa, um destes papeis, cabe-me a mim.
Feliz Dia do Pai.

sexta-feira, 17 de março de 2017

O MEDO DO QUE VIRÁ

Ter medo, seja do que for, é natural. Pode surgir, pelo menos, de duas maneiras diferentes. Ora nos protege de uma hipotética ameaça à nossa integridade física, o que é bastante útil, ora assume a sua forma mais negativa já que funciona como um entrave à realização de muita coisa na vida…
Quantas vezes esquecemos o velho ditado, quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela. Isto quer dizer, que quando permite a perda do que realmente amávamos, é por que nos quer dar algo melhor …  E aqui começa a minha discordância e consequente descrença na Fé e no próprio Deus…
Recordo tudo a que fui poupado, desde a cirurgia cardiotorácica até à cirurgia renal passando pela das cataratas e pergunto-me, que mais me estará reservado? Uma coisa, tem sido pior do que a outra. Sinto por perto o medo do que virá a seguir.
O melhor é seguir em frente já que, como diz o outro, o pior medo é aquele que sentimos por nós próprios.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A MINHA ESTRANHA RELAÇÃO COM O MAR

O mar tem destas coisas. Ou se ama ou se odeia. Estranha é a relação que mantenho com o mar. Fico pelo amor não correspondido ou mal compreendido.
Quantas vezes fiquei ali, junto às ondas, escutando o ruído que elas fazem ao espraiam-se na areia molhada! Quantas vezes caminhei ao longo da praia apreciando a imensidão do oceano, sem parar um momento para “escutar” o que o mar tinha para me dizer.
Foram inúmeras as vezes em que ouvi o mar com ouvidos de gente crescida, de homem feito e não com os ouvidos pouco ou nada poluídos de criança! O mar tem uma forma muito especial de falar. Não se escuta com ouvidos de gente, mas com os ouvidos da alma. Os mesmos ouvidos que embora confundidos com emoções dizem aquelas coisas que preferíamos não ouvir…
Tudo corria normal, só que nesse dia parei. Parei por que estava cansado de fingir-me forte, por que o caminho acabava ali ou por que sim, parei. Ali sentado, de frente para o mar, olhos nos olhos, rezei. Desta vez, não existia nada nem ninguém para escutar, apenas eu, o mar e aquela oração que jamais repetirei.
O mar tem destas coisas, quer pelas suas lendas ou magias, faz-nos rezar.
Há dias assim.

segunda-feira, 13 de março de 2017

INDIFERENÇA


Se falo, ninguém responde.
Se choro, ninguém consola
a dor que no rosto se esconde…
em levantando a gola.

domingo, 12 de março de 2017

SÍMBOLOS DE ANIVERSÁRIO

A vida e a morte andam sempre de braço dado. Embora não pareça e queiram fazer-nos crer o contrário, é pura mentira. Na realidade a vida e a morte dão-se bem e por que se dão bem, não nos apercebemos que andam e vão para todo o lado de braço dado, mesmo sem saberem…
Sempre que se aproxima (mais) um aniversário, sente-se a presença da morte quando afinal apenas se deseja festejar a vida. É aí que nos apercebemos que a vida anda de braço dado com a morte. Desde que nascemos, carregamos no coração a morte que um dia, de mansinho ou com violência, há-de chegar.
Ao celebrar mais um aniversário não nos damos conta de que as velas, além de simbolizarem o tempo que passou, simbolizam também a vida e a morte. Ora acesas, ora apagadas, não permitem que se ignore o sopro da vida em plena morte…
O bolo tem a forma redonda em homenagem a Artemisa, deusa da Lua e da Fecundidade não esquecendo que, actualmente, podem encontrar-se várias formas.
É geral o costume de festejar o aniversário na presença de amigos numa tentativa vã de afastar a morte.
Não esquecer a prenda. Essa oferta significa, além de encorajada pelo comércio, o amor (perdido) entre mãe e filho, apenas interrompido pelo corte do cordão umbilical.

sábado, 11 de março de 2017

QUEM ME LEVA...

Não digo “quem me leva os meus fantasmas”(1) como diz a canção de Pedro Abrunhosa, mas quem me leva daqui para fora! Pois é.
Hoje apetecia-me sair sem rumo, sem horário, sem destino. Sair só por sair e ficar onde quer que fosse (de preferência cinco estrelas) desde que seja confortável.
Recordo, com saudade, velhos tempos em que pegaria na família e no carro e lá ia eu… sempre condicionado pelo horário escolar, é verdade. Hoje não existe calendário escolar, sou conduzido, não conduzo. Já não “pego” nada nem ninguém, sou “apenas” condicionado pelas consultas e sessões de fisioterapia…
Ainda não conduzo, por isso, não me perguntem onde quero ir (como se eu soubesse)!
Hoje gostava de sair sem rumo, sem horário, sem destino….

Quem me leva onde não vou… mas quereria ir.

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