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sexta-feira, 22 de julho de 2016

A ESTRADA

Há dias em que a gente se sente meio perdido por qualquer razão, seja ela concreta, imaginária ou mesmo sem razão nenhuma. Lá estou eu meio embrulhado e a confundir o leitor mais corajoso e atento. Mas é mesmo assim o que se sente quando, ao longo da vida, se nos depara uma nova encruzilhada. Usando o velho cliché, direi que a vida é feita de escolhas e regularmente nos confronta com nova encruzilhada. Nessa altura do percurso, é imperioso tomar a decisão de optar por um dos vários caminhos que se nos oferecem correndo até o risco de se perder. Toda a gente, em algum momento, já foi confrontado com essa escolha.
A escolha da estrada que nos leva foi aquela que, no momento, nos pareceu ser a estrada certa tendo em vista os objectivos do momento. E por ela vamos seguindo até ao dia em que nos interrogámos se teria sido a melhor escolha. Mas, será que existe uma estrada certa? E por que não ser esta mesmo por onde vamos caminhando?
Por vezes a dúvida nasce apenas do tédio, da rotina instalada, da ausência de diálogo, de pequenos detalhes mal interpretados… dos nadas de que a vida é feita e que afinal são tudo o que nos resta para construir o futuro.
Há dias assim.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O MUNDO VAI ACABAR CEGO

Sempre que ocorre mais um atentado à vida de seres humanos inocentes, há uma voz que se levanta em defesa do velho código de Hamurabi cuja máxima é “olho por olho, dente por dente”. Num daqueles seus polémicos discursos à multidão dos seus apoiantes, Donald Trump defendeu a prática desta máxima como sendo a solução para combater o Estado Islâmico.   O que este código preconiza essencialmente, é que se faça aos agressores algo em tudo semelhante ao mal que eles executaram. Isto é, à morte de inocentes, como aconteceu recentemente em Nice, responderíamos com a morte de outros inocentes…
Face a estes actos de uma brutalidade gratuita, é grande a tentação de por em prática a máxima “olho por olho, dente por dente”, se não nos lembrássemos de que, do outro lado, também há gente inocente.
Por vezes cedo à tentação de defender que se aplique a lei de Hamurabi relativamente aos assassinos e autores de qualquer outra violência exercida sobre outrem. Mas, como Gandhi muito bem lembrou, “Olho por olho e o mundo acabará cego”.

terça-feira, 19 de julho de 2016

NÃO ESCREVO, MAS PENSO

Não escrevo, mas penso. E há tanta coisa que penso, mas não escrevo…! Se não escrevo ainda penso. Penso que vai haver amanhã, que o sol veio para ficar, que as férias estão a chegar… Sim, porque férias só considero aqueles dias em que me afasto de casa. Entenda-se por casa a terra onde vivo, o edifício que habito, o café que frequento, a caixa do correio onde moram as contas para pagar,... Podem ser apenas uns 10 ou 15 dias mas é o tempo suficiente para me certificar de que há mais mundo para além deste cantinho onde circulo (mas pouco) durante o resto do ano.
Não escrevo há alguns dias, mas nem por isso deixei de pensar, logo este blogue tem um filão inesgotável… até ao dia em que efectivamente se esgote. É a lei da vida.
E por que razão não escrevo?
Valores mais baixos (literalmente) se impõem…

domingo, 17 de julho de 2016

MAIS UM ARTISTA QUE DESPONTA

Penso que não será exagero da minha parte afirmar que estamos perante mais uma obra prima saída das mãos de Ricardo Leal.

Por mim, sou fã não por uma questão de parentesco, mas pelo valor artístico das poucas peças que me foi permitido observar. Que o bom gosto impere e lhe seja dado o devido valor.
Repare-se neste pormenor do trabalho.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

DO LADO CERTO PARA O LADO ERRADO

Porque não entrei palavras que melhor traduzam o meu “luto” perante este acto cobarde contra mulheres, homens e crianças (!) desarmados, sirvo-me deste texto de Pedro Rolo Duarte:

“… por mais liberais que sejamos, há ainda, e sempre, para quase tudo, um lado certo e um lado errado. Assisto, estupefacto e chocado, à tragédia de Nice, e consola-me um único facto: a maioria de nós persiste no lado certo. A tentação pode ser grande, mas não podemos ceder ao lado errado.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

OS MITRAS E AS MITRAS

Até há bem pouco tempo, por mitras só conhecia as usadas pelos mais altos representantes religiosos, Católicos e Ortodoxos, em ocasiões solenes. Ultimamente tenho sido surpreendido com o uso do termo num contexto totalmente diferente.
Num mundo em constante e rápida mudança não é difícil correr o risco de ficar desactualizado em questão de meses ou mesmo até de dias. O que hoje é tido como certo, amanhã pode estar completamente ultrapassado; o que hoje é moda, amanhã pode cair em desuso ou mesmo ser considerado cafona. Nem sei até se o termo cafona continua em (bom) uso, isto é, se não é considerado possidónio… É que, como tudo, também a língua falada passa por modas e, determinados termos que faziam parte do vocabulário da nossa juventude, encontram-se completamente fora de moda.
Quem contacta com jovens na família ou profissionalmente, é sempre uma boa ideia conservar-se bem informado acerca da evolução do linguajar indispensável a uma boa comunicação entre diferentes gerações. Por isso, apressei-me a consultar diversos dicionários online tendo em vista conhecer o significado de mitra na terminologia actual. Por definição e por oposição aos chamados betos, trata-se de um jovem (entre os 20 e os 35 anos), de comportamento ruidoso, desrespeitoso, ameaçador ou mesmo violento, que é vaidoso, mas tem gostos considerados vulgares.
São afinal aqueles a quem, numa terminologia mais antiquada, eu designava de Gunas ou Chungas… Espécime que, ao que parece, prolifera principalmente nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra e se encontram quase sempre nos jogos de futebol, manifestações… e ginásios. Há-os de todos os géneros e feitios. Alguns até têm cursos superiores graças aos sacrifícios que os pais fizeram para os mandar para a universidade; uns são cultos, outros ignorantes; uns são de esquerda, outros de direita.
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