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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O MUNDO VAI ACABAR CEGO

Sempre que ocorre mais um atentado à vida de seres humanos inocentes, há uma voz que se levanta em defesa do velho código de Hamurabi cuja máxima é “olho por olho, dente por dente”. Num daqueles seus polémicos discursos à multidão dos seus apoiantes, Donald Trump defendeu a prática desta máxima como sendo a solução para combater o Estado Islâmico.   O que este código preconiza essencialmente, é que se faça aos agressores algo em tudo semelhante ao mal que eles executaram. Isto é, à morte de inocentes, como aconteceu recentemente em Nice, responderíamos com a morte de outros inocentes…
Face a estes actos de uma brutalidade gratuita, é grande a tentação de por em prática a máxima “olho por olho, dente por dente”, se não nos lembrássemos de que, do outro lado, também há gente inocente.
Por vezes cedo à tentação de defender que se aplique a lei de Hamurabi relativamente aos assassinos e autores de qualquer outra violência exercida sobre outrem. Mas, como Gandhi muito bem lembrou, “Olho por olho e o mundo acabará cego”.

terça-feira, 19 de julho de 2016

NÃO ESCREVO, MAS PENSO

Não escrevo, mas penso. E há tanta coisa que penso, mas não escrevo…! Se não escrevo ainda penso. Penso que vai haver amanhã, que o sol veio para ficar, que as férias estão a chegar… Sim, porque férias só considero aqueles dias em que me afasto de casa. Entenda-se por casa a terra onde vivo, o edifício que habito, o café que frequento, a caixa do correio onde moram as contas para pagar,... Podem ser apenas uns 10 ou 15 dias mas é o tempo suficiente para me certificar de que há mais mundo para além deste cantinho onde circulo (mas pouco) durante o resto do ano.
Não escrevo há alguns dias, mas nem por isso deixei de pensar, logo este blogue tem um filão inesgotável… até ao dia em que efectivamente se esgote. É a lei da vida.
E por que razão não escrevo?
Valores mais baixos (literalmente) se impõem…

domingo, 17 de julho de 2016

MAIS UM ARTISTA QUE DESPONTA

Penso que não será exagero da minha parte afirmar que estamos perante mais uma obra prima saída das mãos de Ricardo Leal.

Por mim, sou fã não por uma questão de parentesco, mas pelo valor artístico das poucas peças que me foi permitido observar. Que o bom gosto impere e lhe seja dado o devido valor.
Repare-se neste pormenor do trabalho.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

DO LADO CERTO PARA O LADO ERRADO

Porque não entrei palavras que melhor traduzam o meu “luto” perante este acto cobarde contra mulheres, homens e crianças (!) desarmados, sirvo-me deste texto de Pedro Rolo Duarte:

“… por mais liberais que sejamos, há ainda, e sempre, para quase tudo, um lado certo e um lado errado. Assisto, estupefacto e chocado, à tragédia de Nice, e consola-me um único facto: a maioria de nós persiste no lado certo. A tentação pode ser grande, mas não podemos ceder ao lado errado.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

OS MITRAS E AS MITRAS

Até há bem pouco tempo, por mitras só conhecia as usadas pelos mais altos representantes religiosos, Católicos e Ortodoxos, em ocasiões solenes. Ultimamente tenho sido surpreendido com o uso do termo num contexto totalmente diferente.
Num mundo em constante e rápida mudança não é difícil correr o risco de ficar desactualizado em questão de meses ou mesmo até de dias. O que hoje é tido como certo, amanhã pode estar completamente ultrapassado; o que hoje é moda, amanhã pode cair em desuso ou mesmo ser considerado cafona. Nem sei até se o termo cafona continua em (bom) uso, isto é, se não é considerado possidónio… É que, como tudo, também a língua falada passa por modas e, determinados termos que faziam parte do vocabulário da nossa juventude, encontram-se completamente fora de moda.
Quem contacta com jovens na família ou profissionalmente, é sempre uma boa ideia conservar-se bem informado acerca da evolução do linguajar indispensável a uma boa comunicação entre diferentes gerações. Por isso, apressei-me a consultar diversos dicionários online tendo em vista conhecer o significado de mitra na terminologia actual. Por definição e por oposição aos chamados betos, trata-se de um jovem (entre os 20 e os 35 anos), de comportamento ruidoso, desrespeitoso, ameaçador ou mesmo violento, que é vaidoso, mas tem gostos considerados vulgares.
São afinal aqueles a quem, numa terminologia mais antiquada, eu designava de Gunas ou Chungas… Espécime que, ao que parece, prolifera principalmente nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra e se encontram quase sempre nos jogos de futebol, manifestações… e ginásios. Há-os de todos os géneros e feitios. Alguns até têm cursos superiores graças aos sacrifícios que os pais fizeram para os mandar para a universidade; uns são cultos, outros ignorantes; uns são de esquerda, outros de direita.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

SABER PERDER, SABER GANHAR

Por mais que se diga que não importa ganhar, o importante é participar, na realidade toda a gente quer é ganhar.
Todos sabemos, porque a vida nos ensinou, que tal é impossível. A vida é feita de vitórias e derrotas. Umas vezes ganha-se, outras perde-se e isto em todos os campos, quer profissional, quer emocionalmente.
Contudo, talvez por culpa nossa (dos mais velhos), criou-se uma geração de jovens que lidam mal com a derrota. É frequente ouvir o cliché: “os jovens não sabem perder, não sabem ouvir os mais velhos, querem que tudo lhes corra de feição”. E na verdade, muitos dos jovens não sabem porque não admitem perder. Alguns, perante a derrota, demonstram um sentimento de desgosto e inconformismo exagerado e doentio.
Sabe-se, através de estudos de conceituados psicólogos de todo o mundo, que o sentimento de frustração perante a derrota está intimamente relacionado com o medo, a insegurança e principalmente com uma vida familiar conturbada.
Não admira, pois, que a recente derrota no Euro, tenha provocado por parte de alguma sociedade francesa um profundo mal estar o que talvez possa ser explicado pelo medo e insegurança que têm vivido nos últimos tempos devido aos atentados terroristas.
Por muito que custe, é preciso aceitar esta dura realidade, a vida é feita de vitórias e derrotas e quem não sabe perder, jamais merece ganhar.
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