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sábado, 18 de junho de 2016

QUEM ME DIZ ONDE É A ESTRADA?

Onde me leva esta estrada… ainda não sei. Ainda que não me leve a parte nenhuma é por ela que seguirei… É essa apenas a minha certeza.
Há estradas assim em que, pela beleza da paisagem ou pelo agreste do envolvente, a gente sente … sente que é por aí que tem de seguir. Mesmo que não nos leva a nada.
É como que um “destino” traçado por qualquer força superior ou, mais modernamente, como se um GPS que naquela voz um tanto irritante nos diz: siga em frete até à próxima rotunda… Continuámos seguindo em frente na ansiedade de alcançar a bendita da próxima rotunda que nunca chega ou, se chega, a mesma voz continua dizendo: siga em frente… até à próxima rotunda…
E lá vamos seguindo em frente, incapazes de alterar o rumo por alguém traçado como o destino fatalista de um fado, como algo incontrolável.
Tudo depende afinal da beleza da paisagem ou do agreste do envolvente…. Há quem tenha a sorte de seguir por estradas que conduzem a paisagens paradisíacas plenas de sol e calor… enquanto outras nos transportam através de tempestades onde a cada curva nos espreita um dos nossos fantasmas. Por umas, ou por outras, teremos de seguir sob pena de nos perdermos irremediavelmente.
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me diz onde é a estrada?

sexta-feira, 17 de junho de 2016

ESTOU NUMA DE NÃO TE IMPORTES

A história não dizia com a “careta”, mas não me importo. Não me importo porque isso foi ontem e hoje, já é passado. Também me parece que o provérbio não é bem assim, seria mais “não diz a cara com a careta”, mas isso também não importa.
A chuva que persiste em cair e que, segundo dizem, veio para ficar, também não importa. Estou numa de não me importar. Agora vivo o momento presente (como se isso existisse…!). Se pensarmos bem, o presente é apenas presente por uma fracção do segundo porque, no segundo seguinte, já é passado.
E quem se importa com o passado? Muito boa gente, o que não me parece ser uma prática muito saudável. O passado não se repete nem se pode modificar por isso, o que está feito, está feito.
Foi bom? É para recordar.
Foi mau? É para esquecer e, de algum modo, retirar algum ensinamento para o futuro porque o presente, apenas o é numa fracção de segundo.
Se não entendeu o meu ponto de vista, melhor será recorrer a esta magistral definição do tempo:
O que é, pois, o tempo? Se ninguém mo pergunta, sei o que é; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não sei: no entanto, digo com segurança que sei que, se nada passasse, não existiria o tempo passado, e, se nada adviesse, não existiria o tempo futuro, e, se nada existisse, não existiria o tempo presente. De que modo existem, pois, esses dois tempos, o passado e o futuro, uma vez que, por um lado, o passado já não existe, por outro, o futuro ainda não existe? Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não passasse a passado, já não seria tempo, mas eternidade. Logo, se o presente, para ser tempo, só passa a existir porque se torna passado, como é que dizemos que existe também este, cuja causa de existir é aquela porque não existirá, ou seja, não podemos dizer com verdade que o tempo existe senão porque ele tende para o não existir? (Santo Agostinho, Confissões- Livro XI)
Ainda mais confuso? Deixa lá, fica numa de não te importes...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

DISFARÇAR O MEDO

Quando se é pequeno, tem-se medo do escuro, de monstros, do desconhecido, enfim, tem-se medos pequeninos que parecem enormes. Depois de crescidos, os medos também são maiores e mais se agigantam. Como toda a gente, mesmo aqueles que dizem não os ter, tenho os meus medos.
Ter medo não é vergonha nenhuma. Atrevo-me mesmo a dizer que é um sentimento normal e até saudável na medida em que nos protege de qualquer perigo real. Sem me prender com a necessidade de definir o “medo”, direi que toda a gente, em algum momento ou situação na vida, já sentiu medo. Daí que toda a gente guarda no mais íntimo de si próprio os seus medos, sejam de que natureza forem. O medo de viajar de avião, de andar de elevador, do escuro, de perder, de falhar, da traição, da doença, do futuro… De todos, o mais grave, é o medo de nós próprios. O medo das nossas emoções e das nossas reacções em determinadas situações é real e, por vezes, perfeitamente justificável.
Se alguém me perguntasse agora, já não tens medo?
Diria sim, ainda tenho medo. A única diferença é que aprendi a disfarça-lo…

terça-feira, 14 de junho de 2016

O LIVRO "O QUARTO DE JACK"

Ter um livro de castigo não faz de todo o meu género. Ou leio ou o ponho definitivamente de parte. Aliás tem sido esse o meu lema de vida em muitos outros aspectos, ou tudo ou nada. Que não sirva de exemplo. Devo esclarecer que nem sempre me tenho dado bem com esta filosofia de vida, mas o que fazer? O “mal” já vem de nascença.
Voltando ao tema do livro, depois de algum tempo de castigo à cabeceira da cama, lá me forcei a terminar a leitura. Na minha opinião e é o que aqui prevalece, a narrativa na voz de uma criança de 5 anos, torna-se por vezes fastidiosa e repetitiva. Como todas as crianças, também esta revela um espírito voluntarioso e de alguma teimosia.  De tal modo está bem caracterizado o personagem que por vezes dá vontade de lhe aplicar um bom tabefe. Deus nos livre de violências. Convém, no entanto, não esquecer que se trata de ficção…
O tema central do livro relata o quotidiano de uma adolescente que foi sequestrada e mantida prisioneira durante anos num quarto onde acaba por engravidar e dar à luz um rapazinho a quem dá o nome de Jack. A “história” nem sequer é original sendo do conhecimento geral vários casos semelhantes ocorridos em diferentes países.
Resumindo e para não me alongar mais, confesso que não me entusiasmou a leitura deste livro cuja narrativa se torna, como já disse, monótona e arrastada prendendo-se com a descrição de demasiados pormenores que pouco contribuem para a construção da trama até porque são por demais repetidos na primeira metade do livro.
No meu Top de leituras continua o livro "A rapariga no comboio". É um livro bem escrito, original e que mantém o leitor em suspense até à última página.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

ESPELHO MEU, ESPELHO MEU

Vermo-nos ao espelho, nos nossos dias, é algo incontornável. Eles estão por todo o lado, em casa, no elevador, nos estabelecimentos comerciais, nos WC, … Em qualquer parte, onde a gente se encontre, lá está um espelho onde nos podemos (ad)mirar.
Apesar desta profusão de espelhos, pode dizer-se que a maioria das vezes não nos olhamos ao espelho. Pelo menos de um modo geral. Olhámos apenas para partes do nosso corpo e quase nunca o olhámos como um todo. A nossa atenção tem como objectivo verificar se está tudo bem com o cabelo, se o batom manchou os dentes, ver se algum pelo escapou à lâmina de barbear, se a roupa está devidamente alinhada, e a observação da nossa imagem fica-se geralmente por aí.
Observe-se o olhar de estranheza da bebé ao observar-se ao espelho. Poderia pensar-se que, como na história, estaria a perguntar: espelho meu, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu? O que acontece na realidade é que ela não se reconhece na imagem reflectida no espelho. Na maioria das vezes o que vemos reflectido no espelho não corresponde de todo à imagem mental que de nós guardámos. Pode dizer-se que não nos reconhecemos quando olhámos sem filtros para a nossa imagem no espelho.
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