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sexta-feira, 3 de junho de 2016

DE CORAÇÃO ABERTO

Hoje não me apetece abrir o coração. Nem aqui, nem em parte nenhuma. Nem em sentido figurado e muito menos, literalmente (safa!!!). Já me bastou quando foi preciso abri-lo por motivos óbvios de saúde…
Aqui para nós, em boa hora o abriram apesar de todo o sofrimento do pós-operatório. Uma vez aberto, todos os medos, tabus e preconceitos que se encontravam aprisionados se libertaram permitindo adquirir uma nova capacidade de análise e filosofia de vida que a maioria dos mortais jamais irão experimentar.
Há dias em que nos fechámos ao exterior concentrando toda a nossa atenção no próprio EU. Deixo já aqui o aviso de que não é nada fácil nem agradável tal prática. É que, fechando-se ao exterior, isso conduz inevitavelmente a um profundo exercício de introspecção que pode vir a revelar-se profundamente doloroso e mesmo decepcionante. Compreensivelmente, a maioria das pessoas tentam a todo o custo evitar fechar-se sobre si próprios. Em tempos cheguei a pensar ser esta uma manifestação de falta de inteligência. Só mais tarde compreendi que afinal não passava de um mecanismo de autodefesa.
Seja como (ou o que) for, hoje não me apetece abrir o coração. Por isso, não esperem encontrar confidências, palpites, sugestões,… nem me atrevo a dizer conselhos porque afinal quem sou eu para os dar? São apenas sugestões para ultrapassar qualquer momento mais difícil à luz da experiência adquirida ao longo de muitos anos. É essa uma das finalidades deste blog.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

DA MINHA JANELA P´RA TUA

Todos temos uma janela, ou mais do que uma. Mesmo os sem abrigo, não tendo casa, têm a maior janela de todas por onde podem ver o céu por inteiro…
Há janelas que se abrem para o lado mais sombrio da rua e outras por onde, se não entram directamente os raios solares, pelo menos entra toda a luz do sol.
Toda a gente, de quando em vez, se debruça por uma janela nem que seja a do Windows no computador, mas essa é uma janela virtual por onde muitos se evadem das realidades desagradáveis da vida…
Tendo a possibilidade de escolher a janela por onde observamos a vida, inexplicavelmente há quem teime em abrir sempre a janela que dá para o lado sombrio. Por essa janela apenas conseguem ver o lado errado das coisas o que os deixa revoltados e faz deles gente amarga. Por outro lado, abrindo a janela que dá para o lado luminoso é possível ver com clareza a real dimensão dos problemas, equacioná-los, prever soluções e exigir correctamente uma solução.
Há dias em que abrimos a janela que dá para o lado mais luminoso da vida e nos surpreendemos a (re)descobrir toda a beleza que nos rodeia.
Há dias assim.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O CÃO QUE COMIA CHUVA

É um livro escrito por Richard Zimler com ilustrações de Júlio Pomar. Diz o autor que se trata de um livro infantil (o quarto) o que, na minha opinião, não corresponde inteiramente à verdade. De infantil tem apenas o narrador (a Violeta) e o herói, um menino de 11 anos chamado Zé. O tema central da história gira à volta do bullying e das alterações comportamentais das vítimas. Por este motivo considero de leitura obrigatória para os pais que têm filhos em idade escolar e principalmente para quem está na direcção das escolas (públicas ou privadas) e a quem cabe a responsabilidade de detectar e evitar que tais situações se prolonguem no tempo além de tomar medidas radicais para punir os delinquentes.
A certa altura o autor escreve pela voz de Violeta. Passados uns dias, ouvi os nossos pais a conversarem e a interrogarem-se sobre as razões que levariam rapazes de 15 anos a aterrorizar um colega de 11 e a roubar-lhe as suas coisas. Talvez fossem maltratados pelos próprios pais e tivessem aprendido a violência em casa. Achei que fazia sentido, mas ao fim de algum tempo deixei de prestar atenção à conversa. Apercebi-me que as razões não me interessavam. Soavam-me a desculpas. E, a meu ver, não havia desculpas para fazer com que alguém como o Zé passasse a odiar as coisas de que mais gostava. É um crime. E qualquer pessoa que faz isso devia pagar um preço elevado.
Quantos dos que me estão a ler não terão um episódio do género que por vergonha ocultaram dos pais e mais tarde de si próprios?
É que o bullyng existe e sempre existiu embora com outro nome. A meu ver e de acordo com a opinião da Violeta, o bullying é um crime e, qualquer pessoa que o pratica devia pagar à sociedade um preço elevado. Tudo o que se possa dizer sobre as razões que levam os autores a exercer estes actos, soam-me a desculpas…

terça-feira, 31 de maio de 2016

AFINAL DE QUEM É A CULPA?

Geralmente, a culpa não é de ninguém porque ninguém a assume inteiramente. Há sempre uma desculpa para qualquer falha decorrente dos nossos actos. Por isso se diz que a culpa morre solteira…
Se há pessoas que assumem corajosamente as suas falhas, outras há com a estranha capacidade de culpar os outros das próprias falhas. Se perdem, a culpa é dos árbitros, se chegam atrasados, a culpa é de quem chegou mais cedo. Se ficam ausentes, a culpa é de quem não tentou comunicar e por aí adiante. Nunca são totalmente responsáveis pelos seus fracassos. Há pessoas assim com a surpreendente capacidade de elaborar argumentos de tal modo convincentes que, além de se auto convencerem da própria inocência, acabam por convencer os outros de alguma culpa mesmo que inexistente…É o que se chama virar o bico ao prego.
Afinal somos todos culpados senão cúmplices por fecharmos os olhos à violência contra o ser humano e animais, à corrupção que acontece à nossa volta, aos poluidores do nosso planeta, …
Na verdade, é mais fácil culpar os outros do que assumir a nossa quota parte da culpa.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

UMA ESPLANADA À BEIRA-MAR

Não fazia a mínima ideia de há quanto tempo estava a ouvir o seu interlocutor. Estavam sentados numa esplanada de frente para o mar. Embora parecesse distraído a contemplar a paisagem, escutava-o com atenção ao mesmo tempo que comparava cada uma das suas palavras com o que supostamente ele estaria a pensar. Aqui e ali encontrava discrepâncias ente o pensamento e as palavras proferidas. De tão habituado que estava a detectar essas diferenças, já não o surpreendiam nem mesmo o incomodavam. Além disso, o tema da conversa era o simples relato de um episódio familiar, nada que pudesse alterar o curso do planeta. Mas havia por trás do discurso uma mentira traduzida apenas por uma omissão de somenos importância. Não conseguia evitar irritar-se por não compreender de imediato o motivo destas omissões. Em todas as conversas há sempre alguma coisa a esconder por medo, vergonha ou simplesmente com o fim de consolidar a imagem criada pela própria pessoa. Ele mesmo tinha com frequência destas omissões.
Ao longe, na praia, as ondas continuavam a desfazer-se numa sequência monótona, umas atrás das outras. De repente, apercebeu-se do silêncio. O amigo terminara o seu relato. Geralmente gostava do silêncio, mas este começou a tornar-se um embaraço para ambos. Isso via-se pelo tamborilar dos dedos no tampo metálico da mesa. Pigarreou como quem vai falar sem fazer a mínima ideia do que ia dizer. No horizonte o sol tinha iniciado o seu lento mergulho nas águas do mar tingindo o céu de um vermelho rubro como se a própria cor se diluísse no azul celeste. Finalmente falou:
- Amanhã vai estar bom tempo… pela cor do céu… parece…
Nem sempre o que parece, é.
O boletim meteorológico anunciava chuva fraca para o dia seguinte.
(Jorge Leal, in O homem que lia o pensamento)

sexta-feira, 27 de maio de 2016

ASSIM VAI O FUTEBOL PELO MUNDO

Não vai longe o dia em que o noticiário da RTP1 abriu com a notícia de que José Mourinho será o novo treinador do Manchester United. A notícia foi vociferada pelo locutor de serviço como se de um bofetão se tratasse para os mais distraídos. Dei por mim a pensar não sem alguma indignação: e eu com isso?
Se esta notícia não teve o impacto que era suposto visto não ser um adepto ferrenho do futebol, já a notícia da quantia disponibilizada para contratações deixou-me algum tempo a pensar. É que, segundo a notícia, o treinador terá ao dispor 260 milhões de euros…! Tal quantia ultrapassa em muito o Orçamento para a Cultura em Portugal (174,8 milhões para o ministério da Cultura) e equivale ao custo anual do Hospital de Santa Maria em conjunto com o Pulido Valente que irão custar este ano 400 milhões ao erário público… O futebol é que “induca” e de resto, haja saúde…
Note-se que ao homem (leia-se José Mourinho) não lhe cabe a culpa, se de culpa se trata, de lhe serem disponibilizados tantos milhões para fazer do Manchester um campeão, como os que seriam necessários para o orçamento da saúde e cultura em Portugal. Ainda por cima o clube nem é português nem os 260 milhões saem do nosso Orçamento de Estado.
Haja saúde e educação.
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