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domingo, 22 de maio de 2016

CORTE DE CABELO COM NOSTALGIA

Cortei o cabelo. Fiquei mais eu. Fiquei com aquela cara que Deus me deu. Fiquei assim como estou, ou seja, não fiquei grande coisa.
Por falar na cara que Deus me deu lembrei-me de um episódio da minha adolescência relacionado com as dádivas de Deus ao ser humano. Nas nossas viagens para Lisboa, a minha irmã que tanto tinha de beleza como de péssima voz para o canto, adorava cantarolar enquanto conduzia, o fado “Foi Deus” de Amália Rodrigues. De tão chateado de a ouvir cantar, o meu irmão deixou que ela chegasse àquela parte do fado que diz:
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto às andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim.
Neste momento, ele interrompeu-a e disse:
- Olha que não te deu grande coisa.
Desatámos os três a rir e quase não parámos até chegar a Lisboa.
Ainda hoje não consigo ouvir este belo fado sem esboçar um sorriso ao lembrar-me da cena.

sábado, 21 de maio de 2016

OS ANIMAIS NÃO SÃO COISAS

Poucos animais têm o condão de me irritar com a sua presença, mas as moscas têm um lugar privilegiado na minha lista. Com o aproximar dos dias quentes de verão é inevitável contar com a sua presença dentro das nossas casas. Se aquele bailado aéreo seja já motivo suficiente para me irritar, é revoltante quando teimam em pousar em mim ou na nossa comida. Só de pensar que já as vi à volta dos contentores do lixo ao fundo da rua, a pousar sobre dejectos dos cães cujos donos se esquecem de remover dos passeios, nem posso imaginar que espécie de doenças nos podem transmitir…!
Por todas as razões detesto moscas. Não exagero mesmo se disser que as odeio e ainda mais as suas “primas” varejeiras. Um verdadeiro nojo. Eis o motivo que me levou a andar atarefado às voltas com uma varejeira para a tentar expulsar de casa sem a mínima intenção de a matar. Abri uma parte da janela e a estúpida mete-se entre os vidros e por mais que a oriente para frincha aberta para a liberdade, não havia meio de conseguir sair. Teimosamente atira-se contra os vidros até que, depois de muito a guiar para a abertura da janela lá conseguiu atinar e saiu a voar e a zumbir.
Se há coisa mais estúpida é a chamada mosca varejeira. Empregar o termo “coisa” talvez seja demasiado forte e até crime agora que os animais vão deixar, de acordo com os projectos de lei do PS, BE, PAN e PSD, de ser considerados coisas. Concordo plenamente que um animal não pode ser comparado a uma cadeira ou outro objecto qualquer. Contudo algumas dúvidas ficaram a assombrar a minha concordância. Serão só os animais de companhia ou a lei é extensível a todo o género de animais? Então e as pulgas, as carraças, as aranhas, as moscas, os crocodilos, …? Isto só para falar naqueles animais que me são menos simpáticos.

A ver vamos.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

WHERE ARE YOU NOW

Repetidas vezes escrevi sobre canções que não nos saem da cabeça. São aquele género de canções que conseguimos ouvir distintamente mesmo sem o auxílio de qualquer equipamento musical. Apenas ecoam na nossa cabeça.
De há uns tempos para cá, é esta – Where are you now - a canção que me acompanha não sei se pela melodia, linda sem dúvida, se pela letra. Estou em crer que é este último factor que faz toda a diferença. Como o título sugere, a letra refere-se a alguém que desapareceu da vida de alguém, passe a redundância.
Fazendo um balanço, ao fim de alguns anos de vida, já muitas pessoas passaram pela nossa vida. Uma ficaram, outras partiram por variadíssimos motivos. Talvez tivessem terminado a sua missão junto de nós por isso partiram. Recordámos com saudade os que se ausentaram desta vida e também alguns daqueles que simplesmente se ausentaram da nossa companhia e damos por nós a pensar: Where are you now?
Deixo aqui um "cheirinho" desta canção que não me sai da cabeça.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

DEPENDÊNCIA DE UM PAR DE LENTES

Esquecer os óculos ou sofrer algum percalço de percurso para quem tem algum problema de visão pode tornar-se um verdadeiro drama principalmente quando não se pode recorrer a um acompanhante. Nunca me tinha apercebido do quão dependo deles para as mais insignificantes tarefas do dia-a-dia como seja, ler um livro, mensagens de telemóvel, consultar preços numa loja, …
Como já aqui referi, depois de me ter submetido a uma cirurgia às cataratas recuperei totalmente a visão ao longe. Talvez por isso e por ter deixado de usar óculos com lentes progressivas, passei a dar pouca importância aos óculos de ver ao perto. De tal maneira o seu uso se banaliza que nem sempre nos lembramos de os transportar connosco para onde quer que nos desloquemos. Se esta deslocação se faz dentro de um raio de acção relativamente perto de casa, o esquecimento não se torna tão dramático. Contudo, se nos deslocamos para longe como aconteceu nesta última deslocação a Lisboa, o caso pode assumir proporções bastante dramáticas. Felizmente tinha a família por perto para compensar a minha falta de visão, mas fiquei impedido de ler um livro, as mensagens de SMS e os e-mails no telemóvel.
De tal modo nos tornámos dependentes destes meios de comunicação que, ficar privados deles, é quase como ficar à deriva em alto mar.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

RECORDAÇÕES QUE FAZEM DOER

Há recordações que doem e incompreensivelmente teimamos em reviver. É assim uma espécie de masoquismo sem qualquer razão aparente. Não possuo formação académica que me permita compreender determinados comportamentos humanos de forma a explicar esta teimosia em reviver as más recordações. Ninguém em seu perfeito juízo se auto flagela, no entanto, isso acontece. Recordar o que por vezes magoa, ocorre comigo e seguramente com muito boa gente dita normal. A única explicação plausível é o facto de o ser humano se guiar mais pela emoção do que pela razão.
É verdade que, como seres racionais, deveríamos ter a capacidade de controlar as emoções negativas (as que fazem doer). Ironicamente, quase sempre conseguimos controlar as emoções que nos poderiam proporcionar algum prazer, mas ficámos impotentes perante aquelas que fazem doer.
Há músicas que nos transportam no tempo e uma delas é a célebre canção o “Desafinado” de Jobim. Esta música tem o condão de me transportar ao tempo em que o meu irmão aprendia a tocar de ouvido o violão dedilhando vezes sem conta os seus acordes na viola recentemente adquirida. Por ironia do destino, sempre perverso, era esta a música que tocava na estação de serviço onde parámos no regresso de Lisboa depois do acidente que o vitimou. Ainda hoje me emociona ouvir esta canção cujo CD, numa atitude de puro masoquismo, ponho a girar de vez em quando.
Vá lá alguém compreender o ser humano…!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O POVO PORTUGUÊS SEMPRE PRONTO A AJUDAR QUEM MAIS PRECISA...

Quem como eu gosta de estar atento aos noticiários televisivos foi apanhado de chofre com a notícia de que a Alemanha, pelo segundo ano consecutivo, apresenta um saldo positivo. Como se não bastasse, em 2015 apresentou um excedente orçamental de 19 400 milhões de euros, sendo este o valor mais elevado desde a reunificação…!
Numa Europa que se debate, ano após ano, com défices negativos esta notícia não deixa de causar alguma surpresa principalmente no que se refere ao povo português. Por aqui se vê que o povinho português tem andado muito distraído ou então pouco observador. Sendo que o excedente orçamental recorde nas finanças públicas alemãs foi conseguido à custa das exportações de produtos alemães, como os automóveis, etc., ao nosso povo e governantes se deve agradecer. Basta observar as marcas que predominam na frota automóvel governamental e no número de BMW, Audi´s e Mercedes (e outros) que circulam nas nossas estradas…
Curioso que aquando de uma qualquer manifestação contra a austeridade e da S.ra Merkel, cada manifestante se desloca no seu Audi, BM, Mercedes, Mini, VW, Opel,… a caminho da dita manifestação.
Bem-haja ao povo português sempre pronto a colaborar em causas nobres e muito crítico com quem nos explora.
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