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domingo, 17 de abril de 2016

LOBO BOM, BANCO MAU

No meu tempo de criança contava-se a história do “Capuchinho Vermelho e o Lobo Mau”. Segundo reza a história, o Capuchinho Vermelho ia levar à avó alguns bolos e um pote de mel quando o lobo mau lhe apareceu ao caminho. Apesar da recomendação da mãe para que não falasse com estranhos, o capuchinho deu trela ao lobo pois até que lhe pareceu muito simpático. Todo o lobo mau tem um ar simpático por isso a história se tem repetido ao longo dos tempos…
Ao chegar a casa da avó, o lobo que já tinha comido a avó, comeu-a também. Era um lobo de muito sustento e não fazia distinção entre novas e velhas…. Comia todas que lhe apareciam pela frente. Enfim, uma história pouco recomendável para as crianças mais pequenas.
Sempre que se fala em banco bom e banco mau, vem à baila esta história do Capuchinho Vermelho a ser comido pelo lobo mau. Recentemente, António Costa sugeriu a criação de um gigantesco “banco mau” (não confundir com o Lobo Mau) que teria como função ficar com os ativos tóxicos da banca nacional. Apesar das boas intenções, também me parece que este banco mau, a exemplo de outros e, tal como o lobo mau, vai acabar por comer os inocentes Capuchinhos Vermelhos que somos afinal todos nós.

sábado, 16 de abril de 2016

INTROSPECÇÃO

Há dias de sol que mais parecem dias de chuva e dias de chuva que mais parecem dias de sol. Há ainda aqueles que nem sim nem não. Nem chove, nem faz sol. São o que eu chamo de dias cinzentos. Apesar de tudo, prefiro estes dias sem sol aos dias de chuva.
Tal como insinuei logo no início do texto, um dia de sol pode ser tão tristonho quanto um dia de chuva. Tudo depende do estado de espírito de cada um e das contingências da vida. Hoje foi um daqueles dias cinzentos que convidam à introspeção através de memórias visuais e auditivas. Pior do que os dias de chuva, são estes dias cinzentos e frios que convidam a um olhar para dentro de nós e nos propiciam uma leitura mais profunda de um qualquer (res)sentimento, afeto ou problema e nos convidam a uma boa leitura ou à escrita e, principalmente, a consolidar pensamentos vagos em periclitantes certezas…
Há dias assim.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

AS COISAS NUNCA SÃO O QUE PARECEM

No intuito de enviar para a ADSE algumas receitas não comparticipadas, dirigi-me bem cedo a um Espaço do Cidadão relativamente perto de casa. Digo bem cedo porque contava encontrar uma funcionária que a experiência nos habituou a esperar que seja lenta, distraída, pouco hábil com o sistema informático e, consequentemente, encontrar uma longa fila de espera. Nada disso aconteceu. Fui atendido de imediato por uma jovem simpática, sorriso nos lábios, atenta à minha dificuldade em preencher o documento de entrega. Atendimento 5 estrelas.
De facto, quantas vezes idealizamos coisas que mais tarde se vieram a revelar total ou parcialmente diferentes do que imaginávamos?
As coisas nunca são o que são ou o que parecem ser. Já dizia alguém que desconheço: “As coisas que realizamos, nunca são tão belas quanto as que sonhamos”. De outro modo, pode dizer-se que as coisas nunca são como a gente quer o que significa que nunca ficam ou acontecem tal como as idealizamos.
Falar de coisas num sentido mais lato, aplica-se também a sentimentos, emoções… e outras coisas…

quarta-feira, 13 de abril de 2016

MAIS UM BEIJO

Porque hoje é dia do beijo, cá estou outra vez a declarar-me avesso a estes dias que têm sempre por trás uma forte componente comercial. Não só me irrita esta componente consumista como me desgosta principalmente a hipocrisia que arrasta alguns pacatos e honestos cidadãos a celebrar o dia, só porque este é o dia, com um beijo que apenas repete um hábito pouco habitual…
Note-se que não tenho nada contra o beijo, acredito mesmo que além de prazeroso é até muito saudável. Está cientificamente comprovado que através do beijo são libertadas no organismo as endorfinas cujo efeito é cerca de 200 vezes superior ao da morfina…!
Por este e por outros motivos toca a beijar não apenas neste, mas em todos os dias do ano, por amor, por amizade e porque sim.

terça-feira, 12 de abril de 2016

MEMÓRIAS DE UM CÃO

Hoje foi um mau dia. Sinto-o no cheiro. Sim porque de cheiros percebo eu. Já quando ele mostra os dentes naquilo que os humanos chamam de sorriso fico sempre apreensivo. Não sei se é o tal sorriso dos humanos se ele vai morder a dona. Nós, os cães, mostramos os dentes para ameaçar e se não resulta, podemos mesmo morder.
Hoje foi um dia mau, sinto-o no cheiro, por isso hoje não há sorrisos e se o dono mostrar os dentes é seguramente para morder a dona ou as crianças.
Está na hora do jantar. Como sempre as crianças são as últimas a sentar à mesa. Eles não sentem o cheiro e não sabem que hoje foi um dia mau. É pena que os humanos sejam tão limitados no que respeita ao faro! Receio que aquelas risadas acabem mal. O dono hoje está sem paciência e ainda algum vai ficar de castigo.
Como sempre sento-me no chão ao lado do dono. Ninguém entendeu até hoje como o mosaico deste chão é frio e o sacrifício que faço para permanecer ali sentado à espera que caia um osso ou um naco de carne da refeição dos humanos. Por hábito, abano a cauda aí uma três vezes, mas hoje ninguém repara nem me dirige ao menos o olhar. Como todos os cães, compreendo e não guardo ressentimentos, hoje está a ser um dia mau… para todos. Mesmo assim, sou um sortudo. Pior foi o que aconteceu ao cão do vizinho. Contou-me o mais novo que os pais abandonaram o cão na autoestrada certamente para morrer atropelado. Naquele dia o pequenote não parava de chorar agarrado ao meu pescoço. Tinha aquele cheiro agridoce que tem o sofrimento dos humanos por isso lhe lambi a cara algumas vezes. Acho que nunca vai perdoar ao pai ter abandonado o buldogue na autoestrada… Isto é o que eu acho, mas os cães não têm direito de opinião.
Sigo para a sala atrás do dono. Abano a cauda embora hoje ninguém repare em mim. Precisava de ir à rua fazer as minhas necessidades, mas hoje está a ser um dia mau. Se calhar ninguém me vai levar à rua e lá terei que fazer no chão. Estou mesmo a ouvir os gritos da dona: cão porco, foste mau.

domingo, 10 de abril de 2016

NÓS POR CÁ... TUDO BEM

Se dúvidas houvesse, depois do escândalo designado “Papéis do Panamá” ficámos a saber que vivemos num país tão pobre que quase nem figurávamos na lista dos envolvidos no esquema das offshore. Após o escândalo ter rebentado, logo surgiram nomes sonantes como o de Vladimir Putin, Petro Poroshenko (Ucrânia), Sigmundur
Gunnlaugssonde (Islândia), etc. Nós por cá, temos o Idalécio isto para que não se diga que não há fuga aos impostos em Portugal. Até nisso somos pobres! E pensava eu que vivia num país povoado por evasores fiscais!
Divulgada que foi parte da lista dos designados “Papeis do Panamá” não aparece o nome de nenhum ministro ou ex-ministro (primeiro ou não) ou outro nome de destacado político português, … nada. Só temos o Idalécio, porra! Até nisto somos pobres.
Caso não venha a ser divulgado o nome de nenhuma destacada figura pública portuguesa, devia erguer-se uma estátua ao Idalécio, no mínimo, dar-lhe o nome de rua, por nos ter representado neste mediático escândalo.
Aqui para nós que poucos leem, confesso que cheguei a recear que o meu nome viesse a aparecer na célebre lista, isto por ter adquirido um panamá no Corte Inglês. Mais tarde, para meu alívio, verifiquei que o dito foi feito no Equador... Que alívio!
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