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terça-feira, 22 de março de 2016

REALIDADE E UTOPIA

O confronto entre a realidade e a utopia não é de agora, tem sido uma constante ao longo da história da humanidade. Trata-se afinal do confronto entre a aceitação das regras socialmente estabelecidas e os novos valores e conceitos. De uma forma mais simplista, podemos dizer então que se trata afinal do confronto “ente o que é” e o “que deveria ser”. Entre a realidade e a utopia, apenas uma delas prevalece não sendo possível uma coexistência pacífica.
Não conheço uma definição melhor para utopia do que esta de Eduardo Galeno:
"A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. A distância que separa a realidade da utopia só vem confirmar que a utopia é algo irrealizável…
Como se sabe, decorar uma casa de modo a transformá-la num lar coabitável ao gosto de mais do que uma pessoa é um trabalho árduo que exige grande esforço e equilíbrio entre a utopia e a pura realidade. Conseguir conjugar interesses, gostos e conceitos entre os diferentes moradores é algo que exige um trabalho árduo em constante construção.

domingo, 20 de março de 2016

É PRIMAVERA E HÁ FLORES!

Ó Março, salvé! Vestes Primavera!
Bênção de luz e cor! Sons de alegria!
E a terra entoa em ébria sinfonia
o ressurgir da vida que perdera!

Desde a mais rara flor, à folha de hera,
tudo é vibrante em erótica magia!
E um perfume viril nos inebria
qual dança de intangível baiadera!

Tal como a esperança, os campos reverdecem,
os delicados lírios reflorescem,
o sol violenta as sombras da incerteza…

Ó Março deslumbrante! Sê Benvindo!
É Primavera e há flores! O ser mais lindo
de entre todos os seres da Natureza!...

sábado, 19 de março de 2016

EU PAI

Eu pai,
eu filho,
eu órfão (de pai),
eu triste (sempre),
eu ave que não voa,
eu a quem Deus deu asas
e impediu de voar…
Eu agradeço este dia
por ser apenas mais um dia,
mais um dia que permaneço neste chão
de asas fechadas…

A AVÓ GRACINDA

Lembro-me sempre com saudade da avó Gracinda sentada na soleira da porta a descascar ervilhas para uma tigela que colocava no regaço. Na verdade, a avó Gracinda não era avó de ninguém e não se lhe conheciam parentes vivos nem mortos. Mas era assim chamada por toda a gente lá do Largo. A avó Gracinda morava numa casa de R/C e andar, vizinha de uma outra há muito desabitada e em adiantado estado de degradação. Segundo a avó Gracinda, “ali havia coisa do diabo”. À noite viam-se luzes dentro da casa e durante o dia, era possível ouvirem-se ruídos estranhos.
Durante um jogo de futebol um remate menos certeiro, projectou a bola para o interior daquela casa vazando uma das janelas cujo vidro há muito desaparecera. Corremos todos para a frente da casa e ali ficámos especados a olhar aguardando que o mais corajoso fosse buscar a bola. A avó Gracinda, como sempre sentada na soleira da sua porta, aconselhou: Deixem lá a bola miúdos, não entrem que aí há coisa do diabo. Nessa noite cada um recolheu a sua casa, mas ninguém relatou aos pais o episódio da bola que ficou no interior da casa onde ninguém entrava. Ninguém, é como quem diz, constava que os miúdos mais velhos se refugiavam lá dentro para fumar às escondidas e fazer sabe-se lá que outras tropelias…
A avó Gracinda evitava o mais possível passar em frente daquela casa, até que um dia, em perseguição do gato preto que lhe roubara o novelo de lã, viu cair-lhe uma telha mesmo à frente do nariz e que lhe foi acertar em cheio no pé esquerdo. A partir daí, era ver a avó Gracinda a mancar à frente e o gato preto a mancar atrás dela. Não que o fizesse por solidariedade, mas por ter ficado com uma das patas presa numa ratoeira. Mesmo a mancar, aquele gato seguia a avó por todo o lado, excepto à noite nas suas incursões à casa desabitada…
Contava-se que uma adolescente já espigadota um dia entrou naquela casa atrás do cão que para lá fugira. Esteve desaparecida durante todo o santo dia e, ao cair da tarde, quando saiu, vinha meio zonza e sem falar com ninguém. Nunca se soube o que por lá se passou, o certo é que passados nove meses, a rapariga deu à luz um bebé. Do cão, nunca mais se soube o paradeiro…
Ali havia seguramente coisa do diabo…
(Mais um texto que, depois de reescrito, saltou da gaveta)

sexta-feira, 18 de março de 2016

TODOS TRAZEMOS UMA MISSÃO

Eu acredito que não é em vão que atravessamos esta vida. Todos trazemos uma mensagem, chamemos-lhe missão ou karma, tanto faz. Não vou especular se tem ou não tem a ver com outras vidas ou vivências anteriores. Isso também não interessa… agora. Acredito nas mensagens que trazemos e transmitimos mesmo sem disso ter plena consciência. Umas vezes a mensagem restringe-se a um familiar ou amigo, mas outras há que se destinam a um público mais lato. É o caso dos compositores, escritores, pintores, etc. Quantas vezes ao ouvirmos uma canção, ler um livro ou assistir a um filme ouvimos ou lemos uma frase, uma palavra que seja, que nos dá a resposta para algo que nos preocupa e nos indica um caminho? Quantas vezes, em qualquer parte, encontramos pessoas que nunca tínhamos visto antes e nos dizem o que naquele momento mais precisávamos de ouvir?
Eu acredito que todos trazemos uma missão e, porque acredito, não digo, mas escrevo o que penso.

quinta-feira, 17 de março de 2016

HEI-DE VOLTAR... QUALQUER DIA

Qualquer dia eu volto
de onde há muito me ausentei
sem que ninguém visse,
nem tão pouco notasse…
Qualquer dia voltarei
lá de longe por onde ando
mas não me perguntem quando
porque quando… nem eu sei.

                                      Jorge Leal
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