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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ÀS VEZES FICO CALADO

Às vezes não encontro mais palavras para dizer e então, fico calado. Posso permanecer assim durante horas, dias, semanas até… Não fora conviver com familiares e esqueceria que tenho voz…
Às vezes encontro a palavra certa e digo aquilo que faz bem ouvir dizer;
aquilo que ajuda a suportar um desgosto;
aquilo que os outros querem ouvir;
aquilo que nunca devia ser dito mas que é verdadeiro…
Às vezes, não encontro outras palavras para dizer e então, fico calado. Podia permanecer assim durante horas, dias, semanas até… mas nem sempre quero. E então digo aquilo que é suposto dizer em certos momentos mas o que me apetece mesmo é dizer aquilo que efectivamente penso. Não é fácil dizer o que se pensa. Por vezes magoa por ser verdade, outras vezes desperta em nós a consciência do que não queríamos ver, do que em nós anda escondido…
Às vezes não encontro mais palavras para dizer e então, fico calado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A BELEZA PASSA MAS O ESTILO PERMANECE

Ora aqui está uma mulher com estilo, alguém dizia na mesa ao lado.
Concordo, pensei cá para mim sem comentar fosse o que fosse... Sempre esta mania de pensar as mais das vezes em silêncio, mas raras vezes em voz alta.
Passeei de novo o olhar pelas fotos de Bob Willoughby: Audrey Hepburn, 20 anos depois, em exposição na Fnac. Surpreendeu-me constatar que já passaram 20 anos depois da sua morte! O tempo passa vertiginosamente embora às vezes nos pareça ter parado ou andar mais devagar. Mas de facto, ele passa e a prova-lo surpreendem-nos estas datas de acontecimentos mais marcantes.
Voltando às fotos, é-nos dado observar Audrey Hepburn em várias poses, em diferentes momentos da sua carreira. Em todas elas transparece aquela distinta elegância, duma sofisticação inconfundível. Sem ser uma beleza bombástica, antes pelo contrário, frágil e discreta, ela tinha inquestionavelmente aquele não sei quê que muitos chamam – estilo. Um estilo que a acompanhou dentro e fora do ecrã como embaixadora da UNICEF onde desenvolveu um trabalho notável.
Mais importante do que a beleza é o estilo.
A beleza passa mas o estilo permanece…

domingo, 27 de setembro de 2015

COM UM VESTIDO PRETO...

O circo está montado e já percorre o país em turné, de terra em terra. Os “artistas” fazem de tudo para “distrair” o seu público; eles saltam, cantam, fazem malabarismos e sobretudo prometem, prometem, prometem… São assim os comícios políticos e seus representantes. Por princípio, vestem de cores escuras, muitas vezes recorrem ao preto. Como diria a saudosa actriz Ivone Silva, "Com um simples vestido preto, nunca me comprometo." Neste sentido, a todos assentaria como luva um vestidinho preto… Nos seus discursos nada de propostas concretas, permanecendo as mesmas na generalidade. É que convém não se comprometer, não dar uma explicação cabal sobre como iriam concretizar as suas promessas… Em vez disso, empenham-se no insulto e acusações mútuas sobre quem atirou o país para a situação em que se encontra. Pura demagogia que só engana quem não tem a capacidade de dedução. Desde o 25 de Abril estiveram alternadamente no poder o PS e o PSD, sendo fácil concluir a quem cabe a culpa… O Governo, seja ele qual for, é tal qual uma tartaruga no cimo de um poste:
Ninguém entende como ela lá chegou;
Ninguém acredita que ela esteja lá; 
Ninguém sabe que ela não chegou lá sozinha;
Ninguém entende porque a colocaram lá.
Ninguém sabe que ela não devia nem poderia estar lá; 
Ninguém sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá; 
Então, há que ajudá-la a descer, e tomar medidas para que nunca mais suba, porque lá em cima, seguramente não é o seu lugar!"

sábado, 26 de setembro de 2015

O SENHOR EMBAIXADOR

Como que por acaso, num daqueles acessos revivalistas de que raramente sou acometido (graças a Deus) revisitei um livro de Erico Veríssimo: “O Senhor Embaixador”. Este velhinho romance, publicado em 1965, curiosamente mantém a actualidade no que se refere à sua trama política e social. Para quem já leu outros livros do autor, é natural que estranhe a escrita de Érico Veríssimo neste livro. O autor adopta aqui um tipo de escrita muito diferente daquela a que nos tinha habituado em obras anteriores.
A acção deste romance desenrola-se entre Washington e Sacramento, uma república imaginária da América Central caricaturando algumas repúblicas latino-americanas, corruptas, instáveis e ditatoriais. É curiosa a semelhança entre Sacramento e Cuba ao tempo em que o romance foi escrito, principalmente na descrição que faz de uma revolução liderada por uma figura messiânica que, na realidade, é controlado por um comunista radical, e que tira do poder o ditador com o apoio dos EUA… Curiosa é também a referência ao livro War Is a Racket, onde um ex-militar diz que todas as guerras são feitas por motivos económicos.
E não são?!
Gravura de Pawel Kuczinski
O principal objectivo de qualquer guerra é usurpar os recursos dos vencidos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

CANIVETE SUÍÇO

Às vezes dou comigo a pensar. Pensar é o que fazem as pessoas que não têm mais nada de importante para fazer. Na lufa-lufa do dia-a-dia não há lugar para pensar. Há que tocar a vida para a frente e seja o que Deus quiser… se é que Ele existe!
Hoje dei por mim a pensar no que seria um bom amigo… Pois é. Cada vez que alguém nos desilude damos por nós a pensar naquele rol de qualidades que caracterizam o que consideramos ser um bom amigo. Exigimos que seja alguém com quem partilhar alegrias e tristezas, com quem seja divertido estar e que tenha grande senso de humor, que esteja sempre disponível, que encontre sempre a palavra certa para nos animar,… E a lista parece não ter fim pois sempre encontrámos mais uma qualidade que faz falta a um bom amigo…
Após enumerar todas essas funcionalidades exigidas a um bom amigo, dei por mim a pensar: mas isso não é um bom amigo, isso é mais um canivete suíço…
Convenhamos que, ser um bom amigo nem sempre é fácil. Ao longo da vida, muitas pessoas ficam ao nosso lado para sempre enquanto muitas outras se afastaram mas, cada amizade que fica é uma mais-valia inestimável. Em vez de procurar o amigo tipo canivete suíço não devemos esquecer que para manter qualquer amizade é preciso também ser um bom amigo…

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

OUTONO

Homenagem àquela a quem um dia permiti
um breve olhar sobre a minha alma
a partir do qual as nossas almas se irmanaram…
Em pleno Outono, tempo de recordar, faço esta singela homenagem
àquela que foi minha única irmã.

Outono
O sol é brando e morno… E não aquece
as nossas almas sós, enregeladas…
E as folhas secas gemem, desgarradas
por fresca brisa que nos arrefece…

Já se não ouve pelas madrugadas
o despertar das aves… Emudece
a voz em nossas vidas quebrantadas,
e opressa solidão nos entristece…

Na rara melancolia do horizonte,
há um pedaço de sol em cada monte,
resumindo, saudosa, a luz dos céus…

Não sei que sinto em mim chegado o Outono!
- Folha morta levada no abandono
onde eu não sou da terra nem de Deus!...

Maria Bernardette
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