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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O ÚTIL E O ESSENCIAL

Cada vez que empreendemos uma limpeza a fundo nas nossas casas deparámos com imensa tralha que fomos acumulando ao longo dos anos. Umas porque achamos úteis, outras porque são essenciais no nosso dia-a-dia e outras ainda, porque sim… Desta forma vamos atafulhando gavetas, roupeiros, a casa toda…
Em dia de grandes limpezas é que nos apercebemos da enormidade dos objectos, roupas e móveis que fomos acumulando. Guardamos coisas porque nos são úteis mas perante a quantidade perdemos-lhe o tino e quando precisámos delas não fazemos a mínima ideia onde as guardámos. Outras coisas, conservamos em casa porque são essenciais e essas sabemos perfeitamente onde se encontram porque as usámos muitas vezes. É nisto que reside a diferença entre o útil e o essencial. Se não se usa muitas vezes, pode ser útil mas não é essencial…

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

NÓS, PORTUGUESES, SOMOS ASSIM

Nós, portugueses, temos a mania de chamar amigo a toda a gente. Ele é:
Ó amigo, venham de lá esses ossos;
Ó amigo, empreste-me o jornal;
Ó amigo, dê-me uma ajudinha;
Ó amigo, empreste-me aí uns euritos (aí perdem-se os euros e o “amigo”);
Ó amigo, vá pró c…
Ó amigo, vá gozar a p q p.
Esta mania de chamar “amigo” a toda a gente que entra ou passa pela nossa vida não leva a lado nenhum ou, se leva, só pode ser por maus caminhos… Porque nem todos os que chegam, ficam ou partem na nossa vida, seja através do parentesco ou não, na verdade não se podem chamar de amigos. Também não digo que sejam inimigos, diria antes que são apenas conhecidos…
Amigos são aquelas pessoas que conhecemos por acaso, às vezes nem sabemos muito bem quando nem onde mas, de repente, tornam-se tão próximos, que é como se fossem da nossa família. Apesar de não serem do nosso sangue, a consideração que temos por eles, supera a que temos por alguns familiares.
Actualmente é mesmo muito difícil, para não dizer quase impossível ter muitos amigos porque fazer amizades é fácil, difícil é saber mantê-las. Para isso, é necessário estar sempre presente, preocupar-se com os seus problemas e estar disposto a sacrificar-se para ajudá-los quando necessário.
A capacidade de fazer amigos depende em muito da nossa disponibilidade em ajudar mesmo quem não se conhece, sem esperar nada em troca.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O COMPRIMIDO

Todas as noites tomo o meu comprimido. Podia tomar de manhã, ou à tarde, mas é à noite que o tomo. Não sei porquê, se por sugestão do cardiologista se por livre arbítrio, mas é depois do jantar que o faço. E porquê? Porque senão morro… Bem, diminuindo um pouco ao dramatismo, devia dizer, se não o tomar, é provável que morra ou talvez não. Mas não vale a pena fazer essa cara de enterro. Primeiro, porque ainda não morri nem tenciono fazê-lo tão cedo e depois, se pensar bem, também não está livre de morrer.
Basta dar um valente tombo;
Basta que se entupa uma artéria na sua cabeça;
Basta que se afogue na piscina ou no mar este verão;
Basta que o seu coração decida parar subitamente. Aí temos a tal de morte súbita…
Basta... Que esteja vivo.
Talvez exista por aí quem desejasse que eu não tome o comprimido. Eu sei que lhe daria uma grande alegria… Mas não, não o farei nem em nome do meu imenso altruísmo.
Todas as noites tomo o meu comprimido.
Podia tomar de manhã, à tarde mas é a noite que o tomo.
Às vezes esqueço-me, isso acontece raramente.
Às vezes viajo e esqueço-me de os levar comigo. São apenas alguns dias de abstinência…
Às vezes revolta-me esta dependência…
mas só às vezes.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O LÓGICO E O ABSURDO

Ontem foi domingo. Depois de ler esta verdade insofismável já sei que estão a pensar: e hoje é segunda. Pois é, por isso é que estou a escrever sobre o dia de ontem…
Ontem foi dia de mais um almoço com amigos, os de sempre, no restaurante de sempre, adivinhem qual. Mas nem tudo se passou de forma rotineira. Desta vez, depois de almoço, aportámos a Vila do Conde onde está a decorrer a Feira de Artesanato. Chegámos antes das 15 horas e as portas ainda estavam fechadas o que nos permitiu especular sobre a hora de abertura e se o ingresso seria ou não pago. Prevaleceu o meu espírito prático, pelo que atravessei a rua e me dirigi ao posto de informação ali existente onde fui informado que a entrada era grátis. Apressei-me a transmitir a notícia aos companheiros de viagem. Olhámos uns para os outros e, decidimos: é grátis? Então vamos embora. São assim as decisões de quem é decidido… O cómico da situação está no confronto entre o lógico e o absurdo. O lógico seria esperar 15 minutos pela abertura da feira, o absurdo foi a decisão de não visitar a feira mesmo depois de saber que a entrada era livre. A sessão de riso que nos acometeu foi o resultado da perceção das duas opções supostamente incompatíveis…

domingo, 2 de agosto de 2015

VÁ LÁ A GENTE ENTENDER

Só quem embala no peito
Dores amargas secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.



Vá lá a gente entender os poetas…!
O desabafo é próprio de quem em algum dia desesperou de os tentar entender…Por muito que se esforce ou por muito que se ame a poesia, é impossível entender os poetas. Por isso, mais vale desistir. Seja em que circunstância for, é uma perda de tempo até porque um poeta não é uma única pessoa, são muitas numa só (tome-se como exemplo o poeta Fernando Pessoa).
Tentar entender seguindo os parâmetros normais, alguém que vive num universo alternativo, é pura utopia.
Não é poeta quem quer. Ou se nasce poeta ou… não.

sábado, 1 de agosto de 2015

OS CONTROLADORES

Há dias em que a gente cansa e, de súbito, faz-se luz: Todo esse cansaço provém da atitude errada de querer controlar a vida o que só contribui para gerar ansiedade e depressão. A partir do momento em que se abdica desse controlo, todo o stress e o consequente cansaço desaparecem como que por milagre. Basta para isso deixar que as coisas aconteçam como têm que acontecer e permitir que as pessoas sejam exactamente como são… Há que aceitar que não se pode mudar os outros, nem os acontecimentos pois a própria vida é incontrolável.
Controlar o outro é exactamente o impossível por isso descontrolo o outro para que a minha influência seja o que quero para mim. (João Negreiros)
Há dias em que a gente abdica de controlar tudo e todos…!
Há dias assim.
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