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segunda-feira, 6 de julho de 2015

CONHEÇO ESTE RIO

Conheço este rio,
não direi como as minhas mãos porque essas,
não conheço por fora nem por dentro.
Elas têm vida própria,
esvoaçam quando falo, ora quentes, ora frias…
As minhas mãos são longas e esguias… 
como diria o poema.(Poema)
O rio, esse conheço eu bem,
corri a minha infância em paralelo
ao correr das suas águas.
Aos saltos por escadas dos Guindais
alcançava a sua margem,
a margem das suas águas.
Conheço este rio
como lhe conheço as margens
vestidas em tons de verde
ou então de amarelo
ao sabor das estações.
Conheço as casas debruçadas sobre as águas
em todas habitei com meu olhar…
Conheço este rio
tanto quanto ele deixar.

domingo, 5 de julho de 2015

MAIS PAPISTA QUE O PAPA

Todo o crente, católico praticante ou não, aquando do nascimento de uma criança na família, tem geralmente o legítimo desejo de a baptizar. Aí começam as diligências para a escolha dos padrinhos, do local onde se realizará a recepção aos convidados e fundamentalmente a escolha da igreja onde realizar o baptizado. Tudo isto se resolve com maior ou menor dificuldade mas a partir daqui esbarra-se com a burocracia levada ao extremo por alguns padres.
Esta conversa vem a propósito da intenção de baptizar a nossa princesinha. A boa e cristã intenção esbarrou com os entraves postos pelo padre da freguesia porque o padrinho escolhido (meu filho e tio da criança) não é crismado, não frequenta a igreja, nunca foi apresentado ao padre,…
Por estes e por outros motivos que só Deus conhece, não foi possível passar-lhe um “atestado de idoneidade” seja lá o que isso for…
Lembro-me de ter lido num jornal diário que o Papa Francisco em Janeiro de 2014 baptizou na Capela Sistina o filho de uma mãe solteira e o filho de dois militares casados apenas pelo civil. Em Portugal e nos dias que correm, ainda há padres que negam o baptismo aos filhos de pais que se encontram em situações semelhantes… que fará se não forem crismados! Apesar de, segundo dizem os especialistas, não existir nada no Código de Direito Canónico que impeça o baptismo nestas condições.
É uma pena que ainda existam padres mais papistas que o Papa sendo eles os principais responsáveis pelo cada vez maior afastamento dos crentes e não crentes da igreja católica.

sábado, 4 de julho de 2015

UM DIA A GENTE CANSA

Um dia a gente cansa, sem aviso prévio, em silêncio…
A gente não diz que está cansado até ao dia em que também se cansa de não dizer. Então, procura-se algo que não canse tanto e aí dá-se conta que tudo cansa mas quem está cansado não volta atrás… Não é que não se queira, é que às vezes, a gente também cansa de voltar a fazer os mesmos erros…

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A CADA DIA QUE PASSA

A cada dia que passa é maior a distância e, vistas bem ao longe, montanhas enormes parecem coisa pouca… Vendo ao longe aumenta o campo de visão que o olhar consegue abranger em vez de se focar em pequenos pormenores. Desta forma, aqueles pormenores que tanto constrangimento causavam, acabam diluídos no todo, isto é, reduzidos à sua real grandeza…
Há momentos na vida que, tal como um quadro, quando vistos de perto não produzem grande impacto mas à distância é possível aperceber-se de toda a sua beleza.
A cada dia que passa, é possível que aumente também o sentimento de frustração por aquelas coisas que não foram mas poderiam ter sido feitas ou evitadas e, por vezes, aumenta também a saudade. Mas nem todas as saudades são iguais. Há as que diminuem com o tempo e outras há que crescem, crescem de tal maneira que acabam por sufocar a quem as sente.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

FALAR SOZINHO MELHORA O FUNCIONAMENTO DO CÉREBRO

Há notícias boas e más notícias que nos deixam umas felizes outras angustiados… Ora aqui está uma notícia que muito me agrada pelo facto de me deixar menos apreensivo quanto ao meu estado de saúde. De facto, falar sozinho é quase sempre interpretado como um sinal de insanidade mental.
Sendo uma dessas pessoas que, desde longa data me habituei a manter acesos diálogos comigo mesmo em que me justifico ou tento justificar os outros e de imediato rebato desculpas e opiniões, esta notícia veio aquietar a minha preocupação relativamente à minha sanidade mental.
Em poucas palavras a notícia resume-se ao seguinte:
Segundo um estudo realizado recentemente e publicado no “Quarterly Journal of Experimental Psychology”, falar sozinho melhora o funcionamento do cérebro…! O estudo sugere que, dar instruções verbais, aumenta o nível de concentração mental, ajuda a controlar melhor os pensamentos e as reações emocionais. Em pesquisas anteriores a esta, já se tinha concluído que as crianças que conversam sozinhas, têm mais facilidade no processo de aprendizagem. Dessa forma, ficou provado no estudo que, falar sozinho, é também uma maneira de exercitar o cérebro e de melhorar a memória. Uma ótima terapia para as pessoas mais esquecidas.
Portanto, se é daquelas pessoas que falam sozinhas, não por falta de companhia, mas porque não gostam de pôr as ideias em ordem ou reforçar procedimentos; se já lhe aconteceu andar pela rua a falar com os seus botões e recebeu olhares de soslaio; se costuma, mesmo em casa, manter longos “diálogos” consigo próprio, apesar de ficar com sérias dúvidas quanto à sua sanidade mental…. então, respire de alívio.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

NÃO É FÁCIL ENVELHECER COM DIGNIDADE

O envelhecimento da população a nível mundial é uma realidade incontornável das sociedades contemporâneas. O aumento da longevidade devida aos progressos da medicina e à qualidade dos cuidados paliativos e alimentares além da diminuição da taxa de natalidade, deu origem a uma população cada vez mais envelhecida. Contudo, a longevidade só faz sentido enquanto acompanhada por uma qualidade de vida a todos os níveis… Caso contrário, os idosos são confrontados com o constrangimento de serem internados num dos muitos lares de idosos que por aí grassam como cogumelos em tempo frio de inverno.
Envelhecer com dignidade no nosso país, não é fácil… No fim da vida, quando as forças falham, a saúde teima em nos abandonar, só restam duas opções: continuar a viver sozinhos enquanto uma réstia de energia o consente ou, em casos extremos e por vontade de familiares, o internamento num lar de idosos. Ultimamente, qual tormenta, têm chovido notícias de idosos encontrados mortos em casa. A cada notícia que surge na comunicação social, sentimo-nos chocados e sub-repticiamente arranjamos forma de aliviar a culpa pensando: manias dos velhotes, esta de morrer sozinhos! Preferem morrer abandonados em casa do que num lar!
Chamar lar àqueles “armazéns” requer uma boa dose de boa vontade principalmente para quem já alguma vez os visitou. Esquecendo as deficientes condições das instalações da maioria, o idoso é confrontado com horários rígidos e regras às quais não estava habituado… É submetido à falta de privacidade tendo de partilhar o quarto bem como todos os espaços comuns com outros idosos que nunca conheceu antes. Para agravar ainda mais a situação, são-lhe impostas actividades que constituem um verdadeiro insulto à inteligência dos mais lúcidos.
Deus nos livre e guarde de ter de recorrer ao internamento num lar de idosos…
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