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terça-feira, 30 de junho de 2015

RAIS ME PARTA SE VOU CHORAR

Dizia Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) no seu poema "Em linha recta":
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
Mas nós, os da minha geração, quando éramos putos, levávamos porrada daquela mesmo a sério e às vezes por “dá lá aquela palha”. Que passe a expressão já que todo o burro come palha… mas os nossos pais não.
As ordens dadas nunca eram repetidas e, quando não acatadas, lá vinha mais um bofetão. Hoje diríamos (a medo), um açoite. Naquele tempo não se conheciam “os direitos da criança” nem existia a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.
Apesar do que ficou dito, sou absolutamente contra os chamados castigos corporais e a implementação do “respeito” através do temor…
Contudo devo confessar que muito tabefe que levei foi muito bem aplicado, na hora certa e nem por isso deixou cicatriz no corpo ou na alma. Ainda está por descobrir a alternativa eficaz à milagrosa palmada no rabo em situações extremas como quando o puto resolve atravessar a rua largando a mão do progenitor. Não conheço nenhum discurso pedagógico que seja tão eficaz quanto a palmada dada no momento certo. Até porque passados poucos segundos a criança já não retém absolutamente nada do discurso.
Vem daí, dos meus tempos de criança esta rebeldia, orgulho e inconformismo perante situações de injustiça social que nem toda a porrada conseguiu vergar. Nessas ocasiões, lembro-me de cerrar os dentes e pensar: rais me parta se vou chorar. Dizendo isto arranjava forças para aguentar e nem uma só lágrima rolava pela face.
Hoje em dia era inadmissível praticar este tipo de “educação” até porque existem leis de protecção à criança e mesmo que não existissem, tentaríamos sempre evitar fazer as nossas crianças passar pelo mesmo.
Mais tarde, quando adultos, a vida vai-nos ensinando a levar, isto é, ela própria se vai encarregando de nos dar porrada. Já tenho levado alguma e talvez ainda vá levar mais mas rais me parta se vou chorar…

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DO ALTO DA MINHA JANELA

Do alto da minha janela,
contemplo o mundo lá em baixo e o mundo contempla-me a mim… Quer queira, quer não, ficámos assim fatalmente unidos. E que todas as janelas, portas e postigos permitam esta união entre os dois mundos!
Do alto desta janela,
observo outras janelas. Olho aquele ali que se refresca na janela em frente… Não admira! Num país em que o frio e a chuva estão presentes durante quase todo o ano, o anormal calor que se faz sentir convida a refrescar. Ao mesmo tempo que se refresca, como de costume, talvez fume um cigarro.
Numa outra janela mais abaixo, alguém vê televisão, não sei se por gosto ou por não ter nada mais interessante para fazer… mas de momento, está para ali virado.
Do alto da minha janela,
consigo ver o pôr-do-sol até que me fique apenas gravado na retina…
Do alto da minha janela,
contemplo o mundo e o mundo contempla-me a mim e, desta união, uma certeza me assalta: que a vida merece mesmo a pena... 

domingo, 28 de junho de 2015

UMA TARDE BEM PASSADA

Há tardes vazias e tardes cheias, tardes de festa e tardes de pesadelo, tardes bem passadas e tardes que não passam…esta foi uma tarde bem passada e em boa companhia no parque da cidade ali juntinho ao Pavilhão da Água. Uma tarde cheia de sorrisos de crianças e de pais ali presentes. Sobre a(s) mesa(s) as mais diversas “multas” iam desde os salgados até às frutas passando pelos mais variados doces. Um verdadeiro picnic como há muito não participava.
Dou por mim a admirar os diferentes tons de verde, tudo em volta é verde, tudo em volta é belo, tudo em volta é um festival de cor! E eu penso... Meu Deus! O que seria de mim se não tivesse sido operado e acabasse por cegar? 
À volta do carrinho da Rita juntam-se alguns coleguinhas do Miguel – Parece o Miguel, diziam. Eu acho-a diferente do irmão e assim se confirmou a minha inépcia para detectar parecenças familiares…
Obrigado Chupetão por nos proporcionar uma tarde tão cheia de verde, do rosado das faces e das mais variadas cores do vestuário das crianças e principalmente daquela cor inconfundível que tem o sorriso de crianças e dos pais… que ali, de certo modo, também voltaram a ser crianças…
Tenho a certeza que aqueles meninos levaram para casa o seu lençol com um nó bem apertado… e o meu também.

sábado, 27 de junho de 2015

A IMPORTÂNCIA DO NÓ NO LENÇOL

A história anda por aí nas redes sociais e não faço ideia se é ou não verídica até porque desconheço o autor. Para quem não conhece ou simplesmente para recordar, vou tentar conta-la em breves palavras:
Conta-se que numa reunião de pais, a directora de uma escola apelava a que estivessem presentes durante o maior tempo possível com os filhos. Nesse momento foi surpreendida por um pai que se levantou e explicou, que não tinha tempo para estar com o filho durante a semana pois, quando ele saía para trabalhar, o filho ainda estava a dormir e, quando voltava do trabalho, o garoto já não estava acordado. 
Explicou, ainda que, apesar de ter de ir trabalhar para sustentar a família, ficava angustiado por não ter tempo para estar com o filho e que todas as noites ia beijá-lo quando chegava a casa. Para que o filho soubesse que tinha estado lá, dava um nó na ponta do lençol da sua cama. O nó era o meio de comunicação entre eles. 
Conto esta história como motivo de reflexão sobre as infinitas formas que dispomos para demonstrar que estamos presentes ou para comunicar.
São gestos simples como estes, um simples beijo e um nó na ponta do lençol que nos fazem sentir menos sós e desejados.
Quantas vezes arrastamos o nosso lençol por uma vida inteira sem um único nó… E, pior ainda, é quando além da ausência do nó, nem somos dignos de ouvir palavras, mesmo que vazias, de conforto ou de desculpas pela ausência…

sexta-feira, 26 de junho de 2015

APESAR DE EXPLORADA E EXAURIDA, MERECE RESPEITO

Hoje deu-me para sair em defesa da classe média à qual infelizmente também pertenço. É óbvio que preferiria pertencer à classe dos ricos para a qual até possuo o perfil apropriado mas não quis a sorte que tal acontecesse…
Apesar de explorada, exaurida e desprezada, a classe média merece todo o respeito de governantes, políticos em geral e restante população. Isto porque a classe média é o suporte deste país sem a qual já teríamos entrado em banca rota há muito tempo. É sobre a classe média que incide o grosso das medidas de austeridade na forma tributária. Desde o início da crise de austeridade, Portugal já perdeu uma grande parte da classe média por via da emigração e do empobrecimento devido à enorme carga fiscal que se abateu sobre ela. Deste modo, a sociedade portuguesa é formada maioritariamente pela classe dos (novos) ricos e dos pobres e quer uma, quer outra, em nada contribuem para encher os cofres do Estado. Os ricos porque conseguem contornar as medidas de austeridade e os pobres porque nada têm para tributar e ainda recebem, através do rendimento mínimo e subsídios de desemprego. É legítimo portanto concluir que é sobre aqueles que trabalham por conta de outrem que recai o grosso dos impostos, ou seja, sobre a classe média.
Não resta a menor dúvida de que a classe média é indispensável ao desenvolvimento da economia do país. Se esta abandonar o país ou ficar mais pobre e envelhecida, quem sustentará este país? 
Hoje deu-me para sair em defesa da tão explorada e exaurida classe média.
Há dias assim

quinta-feira, 25 de junho de 2015

LISTAS DE COMPRAS

Por ter adquirido uma Bymbi, por ter começado a cozinhar, por ter a mania da organização e porque sim, comecei também a fazer algumas compras no supermercado. Dizer que é a minha actividade preferida seria mentir. Considero-a tão aborrecida quanto necessária. Detesto o tempo perdido à procura daquilo que pretendo comprar e mais ainda o tempo de espera nas filas para pagamento…
Com o objectivo de conseguir fazer as compras num mínimo tempo possível não me esquecendo de nada, reactivei o velho hábito de fazer listas de compras. Comecei por registar num papelucho o que precisava de comprar mas como a ordem era aleatória isso obrigava-me a dar mais voltas do que seria necessário, isto é, voltar a uma secção onde já havia estado. Aí comecei a fazer o registo por secções até chegar à lista que publico em anexo. Com esta lista é possível:
·Poupar tempo.
·Encontrar todos os artigos de acordo com um único percurso na superfície comercial sem ter de voltar atrás à procura de algum artigo que se encontrava numa secção por onde já se havia passado.
·Deixar para o fim a secção dos congelados que devem ser os últimos a adquirir.
Antes de preencher esta lista há que ter em conta a necessidade de planear as refeições. Planear as refeições da semana ou dos próximos dias permite além de comprar apenas aquilo que é necessário, gastar os alimentos que já temos em casa.

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