Etiquetas

quarta-feira, 24 de junho de 2015

FOI NUMA NOITE DE S. JOÃO

Lembras-te?
Lembras-te daquela noite?
Até a mim me surpreendeu este súbito acesso de memória!
Há noites assim que a gente não esquece.
Nessa noite, tu ainda eras tu e eu, eu era outro.
Lembras-te?
Foi numa noite de S. João e nós dois sozinhos, tendo apenas a TV por companhia, desdenhávamos do “povinho” que desfilava pela rua não tanto por desdém mas por ninguém nos ter convidado…?
Nesse tempo éramos tão cúmplices que nem era precisa uma única palavra para entabularmos uma grande conversa. Também sabíamos quando o silêncio era o melhor a dizer porque o silêncio entre nós não era só silêncio. Apenas com os nossos olhares nos entendíamos.
Por uma estranha conjugação astral ou por influência de São João, demos por nós a confessar nossos segredos mais profundos. Segredos só dessa vez verbalizados o que nem teria sido necessário por demais já serem conhecidos…
Nesse tempo, tínhamos os nossos segredos, segredos como aqueles que só são partilhados entre irmãos que nem precisam ser do mesmo sangue…
Lembras-te?
Era noite de São João e nós desdenhávamos do “povinho” que desfilava pela rua armados de alho-porro. Nesse tempo a tradição era dar a cheirar a flor do alho-porro ou a cidreira e só mais tarde deram lugar ao plástico dos infernais martelinhos.
Naquelas noites, tendo por companhia apenas a TV, éramos tão felizes sem saber…!
Há dias... e noites assim

terça-feira, 23 de junho de 2015

NOITE DE SÃO JOÃO

Hoje, na minha cidade, é a grande noite, a noite de São João. Apesar do solstício de verão esta é a noite mais longa em que muita gente sai à rua para confraternizar em vários locais da cidade. Não importa muito saber quem é o santo que se está a festejar e que nem sequer é o padroeiro da cidade cuja padroeira é a Senhora da Vandoma. Neste particular, também em Lisboa cometem a mesma imprecisão já que o padroeiro da cidade não é Santo António como muita gente pensa, mas sim S. Vicente.
Quanto ao resto, o facto de ser uma festa popular está de acordo com o santo, homem simples que viveu em pleno deserto. Tem uma particularidade a escolha desta data para a celebração do santo. Ao contrário do que acontece com os outros santos populares que se festejam no dia da sua morte, São João é festejado no dia do seu nascimento.
João Baptista era, como se sabe, primo de Jesus Cristo tendo como missão pregar os mandamentos do cristianismo incomodando muita gente com as palavras que pregava. Por ter denunciado a mancebia entre o Rei Herodes e a mãe de Salomé foi mandado decapitar.
É este o santo que celebrámos nesta data. São estes os festejos de São João que não se restringem apenas à cidade do Porto. Muitas outras cidades e Vilas nortenhas o celebram também.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O SONHO MAIS SECRETO

Apesar de não morrer de amores, gosto mais de leões do que de hienas. Não porque alguma vez tenha tido uma má experiência com estes canídeos. Não gosto de hienas pela sua natureza oportunista e sádica… Enquanto os leões caçam e matam as suas presas antes de as devorar, as hienas ou se contentam com os restos da refeição dos leões ou, quando caçam, devoram sadicamente as suas presas ainda vivas… Por estas e outras razões, não gosto de hienas.
Se não gosto de hienas no estado selvagem, ainda gosto menos das citadinas… Também elas sobrevivem à custa dos leões (citadinos). Se por qualquer razão um desses leões é capturado e enjaulado, é ver as hienas numa azáfama empenhadas em manifestações, petições e uivos como só elas sabem dar, na tentativa de libertar o leão… Compreende-se esta atitude, pois sem a ajuda dos leões estas hienas só conseguirão sobreviver à custa de muito trabalho.
Decididamente embora não goste de leões porque devoram as suas vítimas indefesas gosto ainda menos de hienas sorridentes cujo sonho mais secreto é um dia virem a tornar-se leões…

domingo, 21 de junho de 2015

SAUDEMOS O VERÃO

Oficialmente chegou hoje mas, como tudo que não tem hora de chegar, há alguns dias que ele andava por aí. Bem-vindo seja o Verão venha ele em que dia vier!
O calor aperta, o calor é demais, que venha depressa uma chuvinha para refrescar… É assim o ser humano, sempre descontente, sempre ansiando por aquilo que não tem para logo de seguida desejar o que perdeu…
É tempo de aproveitar este céu azul e temperaturas convidativas a uma roupa mais leve e colorida, para conviver, gozar umas justas e apetecidas férias e sobretudo deixar de desenhar nuvens onde elas não existem…
Que estes sejam dias de sol, de praia de noites cálidas, de divertimento, seja do que for que nos traga felicidade.

sábado, 20 de junho de 2015

A FAMÍLIA QUE (NÓS) TEMOS

As pessoas foram chegando em grupos formados pelos pais, avós, amigos, vizinhos e sei lá mais quem…! Só não vinha o cão porque era proibida a entrada no espetáculo. Falavam em voz alta, riam e cumprimentavam-se entre si. Eu não conhecia ninguém e ninguém me conhecia ao que parece. Passava meia hora das dezasseis, quando se deu início ao espectáculo. Entrei. E ali estava eu entre três cadeiras vazias destinadas aos pais e aos avós. Tudo bem, eu sou avô do Miguel, estava no lugar certo. O espectáculo começou, o Miguel subiu ao palco e depois de muito acenar, finalmente viu-me. Estava cumprida a minha missão. Evitar que se sentisse só. Eu continuava a senti-me só na presença de tantos avós e alguns pais ainda jovens… assim permaneci até à chegada da mãe depois de deixar a Ritinha a dormir em casa da avó. Mais tarde, chegou o pai. Havia meninos com muita família na assistência e outros com menos mas nenhum ficou sozinho com o avô a assistir a mais de metade do espectáculo. Ninguém escolhe, por isso cada um não tem a família que merece mas aquela que lhe calhou na sorte. Recorrendo a um velho chavão, direi que os amigos sim, são a família que escolhemos.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

PROMETO NÃO FALHAR (A LEITURA)

De tão falado, divulgado e atirado para os top de vendas, o livro “Prometo Falhar” de Pedro Chagas Freitas despertou em mim aquela curiosidade apanágio de quem anda sempre à procura de algo inovador. Vai daí, num impulso súbito, muito ao meu estilo, adquiri o livro ali mesmo, numa das últimas incursões à Fnac.
Esta obra, surpreende o leitor mais desprevenido pelo estilo de escrita na qual me revejo em parte, Pedro Chagas é um escritor e eu, um “pensador”. Isto é, enquanto Pedro Chagas conta estórias, eu limito-me a registar os meus pensamentos. E ficámos por aqui nas comparações. Em parte devido a essa remota afinidade mas principalmente pelo tema abordado - o amor, não poderia dizer outra coisa que não fosse, gostei! É um livro que recomendo (como se isso fosse preciso…!) como uma leitura de eleição para este verão que se aproxima. Como se trata de uma compilação de curtas estórias (de amor), é a leitura ideal para uma esplanada, piscina ou até mesmo na praia sem correr o risco de perder o fio à meada já que o livro é composto por vários pequenos textos, eu preferia chamar-lhe crónicas... "É um livro para ler da frente para trás ou de trás para a frente, deitado, em pé ou sentado porque, faça o que fizer, "é possível sair ileso de tudo.Menos do amor". E, sendo uma obra que aborda diferentes tipos de relações e situações amorosas, não seria despropositado classificá-lo como um pequeno manual para quem quer (ou precisa) aprender a amar porque, ao contrário do que muita gente pensa, amar não é algo que já nasça com a gente… (Ler mais).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...