Hoje eu podia escrever um monte de coisas sobre um monte de
assuntos e talvez acabasse por escrever sobre coisa nenhuma. Podia passar os
olhos sobre os títulos dos jornais e encontrar montes de assuntos sobre os
quais escrever, podia deixar correr os pensamentos e agarrar um deles para
transcrever, podia pensar no que me preocupa no momento a até dramatizar um
pouco para obter um texto mais interessante, podia ir ao “baú” das coisas
antigas (como já fiz) e contar uma daquelas histórias de criança,… Enfim, podia
escrever um monte de coisas. Mas coisas são coisas, não passam disso. As coisas
são o que são e quase sempre não merece a pena escrever sobre elas…
Num sentido mais lato, podemos pensar (mais difícil é
escrever) em coisas que só o coração pode entender e, por isso mesmo, seria uma
perda de tempo tentar escrever… Aliás, a maioria das coisas que nos acontecem
na vida são inexplicáveis. Há coisas que os olhos dizem como já aqui escrevi e
que só o coração consegue escutar… E há também montes de corações surdos por esse
mundo fora…!
Tal como nada
acontece por acaso, também creio que os nossos gostos não são de ontem, nem de
anteontem, eles vêm talvez de muito longe, de outras eras e começam cedo a
manifestar-se. Este meu gosto por automóveis como se pode ver, quase nasceu
comigo, talvez já o traga de outras eras…
Penso que o modelo
escolhido foi um Buick ou Chevrolet… se estiver enganado alguém que me corrija.
Afinal ainda era muito pequenino para saber distinguir as marcas.
Dividir o tempo entre
as tarefas de casa, família e médicos deixa muito pouco tempo para dedicar a
mim próprio. É recorrente dizer-se que toda a gente precisa de dedicar algum
tempo para ficar a sós consigo próprios. Essa necessidade porém, varia de pessoa
para pessoa e também com a idade. Na verdade, uns precisam de mais tempo do que
outros para dedicar a esse trabalho interior. Considero que pertenço ao grupo
daquelas pessoas que necessitam de uma parcela de tempo maior para manter o
equilíbrio interior só possível depois de arrumar e catalogar o turbilhão de
pensamentos que me assolam durante o dia e de gerir aquela montanha de emoções
que esses pensamentos me provocam. Se em épocas normais esse tempo é essencial,
em épocas de crise, seja ela de que natureza for, é mesmo vital. Ultimamente
não me tem sobrado muito tempo para mim, aquele tempo para ficar em silêncio,
longe das outras pessoas deixando a mente vaguear à solta…
Felizmente, depois da
consulta de oftalmologia fiquei menos stressado por saber que afinal estes derrames
são comuns à maioria das pessoas contanto que não sejam muito frequentes e,
além disso, não são impeditivos de uma cirurgia às cataratas.