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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

EM NOME DO BOM SENSO

Não vou dizer que foi com grande surpresa que recebi a notícia da aprovação da reposição das subvenções vitalícias (!) a deputados que ganham mais de 2000 euros… Esta benesse permite aos deputados com apenas doze anos de serviço terem direito a uma subvenção para o resto da vida…
Neste país e da classe política já espero tudo… Mas que é preciso lata do PSD e do PS proporem e aprovarem este descalabro num país em que tanta gente passa fome e em que a maioria da população faz grandes sacrifícios para pagar as dívidas da classe política e dos banqueiros…! Afinal, “em nome do bom senso” os proponentes (Couto dos Santos-PSD e José Lelo-PS) vieram recuar retirando a dita proposta. Perante tal imoralidade, não fosse o povo acordar, manda o bom senso (ou o medo das próximas eleições) que a proposta fosse retirada…
Nas próximas eleições legislativas teremos a já habitual alternância entre o PSD e o PS e tudo ficará na mesma… afinal entre os dois partidos a diferença está apenas no D de democrático que de democracia não tem nada enquanto o PS nem disfarça não apondo o D em parte nenhuma…
Teremos alternância lá para 2015 nas eleições legislativas. Não há dúvida que este país se está a tornar num país de alterne…

TIVE SAUDADE DO MAR

Foi assim de repente, de um modo imprevisível… tive saudade do mar. Era suposto, nestes dias em que não me convém sair de casa, sentir saudades dos amigos, de frequentar o ginásio, fazer compras no shopping, conduzir sem destino… Mas foi do mar que vieram e me assaltaram as saudades…! Tive saudade da brisa fresca que às vezes abomino, do barulho das ondas do casamento entre céu e mar na linha do horizonte, da calmaria ou da fúria das ondas que sempre me traz paz, da cor do céu ao pôr-do-sol… Podia ter sentido saudade de mil coisas e de muita gente mas foi do mar, imprevisivelmente, que tive saudade… Dizer que foi imprevisível é força de expressão. Eu sempre tive saudades do mar, basta para isso que me afaste dele por algum tempo e nem é preciso muito. A propósito, recordo os anos que vivi em Viseu rodeado de montanhas em que uma ida até ao Porto, antes do advento da A25, era obra para quase um dia de viagem… Nesse tempo, a saudade foi crescendo dia após dia até se tornar insuportável o que me fez abandonar tudo e regressar… ao mar. Amo o mar na medida em que o temo. Jamais me deixo abraçar totalmente pelas ondas sem nunca me aventurar mar adentro. No entanto, não posso viver sem ele. E neste jogo do gato e do rato, ou antes, do mar e da areia, vou vogando à beira mar…

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

EU TAMBÉM NÃO SABIA

Como já disse, ou antes como escrevi Ler aqui, não se pode saber tudo… e eu também não sabia. Admiti então que a minha ignorância se devia à recusa tácita em recolher informação sobre o que me iria acontecer. Preferi a ignorância não fosse amedrontar-me e fugir em cuecas (literalmente) pelo hospital fora…
Afinal, como a maioria das pessoas, eu também não sabia que o laser já não se usa na cirurgia às cataratas há longos anos. A técnica actual consiste em fazer a remoção do cristalino através de ultrassons utilizando um ponteiro vibratório que ao mesmo tempo que vai fragmentado o cristalino e a catarata em pequenos pedaços, a vai também aspirando. Em seguida uma lente intraocular é implantada para ajustar o foco da imagem na retina.
Não foi meu intento com esta série de posts armar ao coitadinho e muito menos em herói. A intenção foi desmistificar este tipo de cirurgia e encorajar quem dela precisa ou venha a precisar. Avancem sem medo. Não custa nada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

NÃO DEIXE DE VER ESTA BELA PAISAGEM

Durante muitos anos alimentei o receio de vir a ter cataratas a partir do momento em que minha irmã e mais tarde também a minha mãe foram submetidas à cirurgia às cataratas. Pensava eu que se tratava de uma patologia mais relacionada com a hereditariedade ou mera predisposição afectando apenas um pequeno número de pessoas. O diagnóstico de que sofria de cataratas caiu sobre mim como uma bomba sendo afinal o culminar do meu receio de vários anos.
Perante a minha reacção a médica prontamente desdramatizou este diagnóstico. Segundo ela, todas as pessoas, a partir de uma certa idade, acabarão por ter cataratas já que, com o avançar da idade, o cristalino vai envelhecendo ficando cada vez mais opaco o que origina uma visão nublada que dificulta tarefas como a ler, conduzir e distinguir fisionomias… Com efeito, a maioria das cataratas desenvolve-se lentamente não originando inicialmente problemas de visão. Esses problemas surgem mais tarde e de forma gradual. Envelhecer pois é um processo natural mas há que vivê-lo com qualidade.
Devido ao aumento da expectativa de vida da população mundial, o número de pessoas com cataratas tem vindo a aumentar. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002, a catarata é responsável por 48% dos casos de cegueira no mundo.É pois imperioso enfrentar a remota hipótese de um dia vir a precisar de eliminar essa malfadada catarata. Não custa nada. Era uma pena deixar de ver uma bela paisagem como esta…

terça-feira, 18 de novembro de 2014

CIRURGIA ÀS CATARATAS - 2º DIA APÓS

Mais um amanhecer normal, sem dores, seguido do ritual das gotas de duas em duas horas que se prolongou durante o dia… Depois do pequeno-almoço, o banho apesar da proibição de lavar a cabeça. Esta não é a única restrição, entre outras do senso comum, relato apenas algumas que nem sempre lembrariam: não pegar em pesos, não se baixar para apertar os sapatos, evitar o contacto directo com vapores na face, não se expor a temperaturas elevadas, não esfregar ou tocar com os dedos o olho intervencionado, não frequentar ambientes de fumo ou poeiras, não colocar água e sabão no olho intervencionado,…
Esperei com ansiedade a consulta agendada para as 16 horas no próprio Hospital da CUF logo após a cirurgia. À hora marcada compareci no Instituto CUF, para ser avaliado e com a finalidade de esclarecer várias dúvidas. Fiquei a saber que as gotas vão continuar até à próxima consulta que será a 15 de Dezembro…! Que chatice! Até lá, nada de ginásio mas já posso lavar a cabeça com o olho bem fechado… Aleluia! De resto tudo a evoluir para a normalidade. Ainda não vejo a 100% mas está a evoluir bem.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CIRURGIA ÀS CATARATAS - 1º DIA

Como certamente desconfiaram através da leitura do meu último post, fui submetido sábado passado, a uma cirurgia às cataratas. Passadas que foram 24 horas após a cirurgia, achei ser o momento oportuno para iniciar o relato da minha experiência. É possível encontrar na Internet variadíssimos relatos da cirurgia às cataratas mas, na minha opinião, todos eles demasiado científicos e muito focados na cirurgia em si. Tentarei fazer um relato que descreva sem exageros nem dramatismo o que se sente antes, durante e depois de uma cirurgia como esta no intuito de ajudar quem em perspectiva…
Começo por testemunhar a minha surpresa quando me introduziram numa sala onde já se encontravam cinco pacientes reclinados em poltronas articuladas. Chamar-lhes pacientes é o nome mais apropriado pois é preciso muita paciência para estar ali de olhos fechados (pelo menos um) durante mais de três horas como foi o meu caso. Pelas conversas que escutei, alguns estavam lá há mais tempo. O tempo de espera tem tudo a ver com a dilatação da pupila sendo necessário que atinja um máximo de dilatação para que se possa realizar a cirurgia. Para o efeito, são aplicadas gotas amiudadas vezes por uma enfermeira que se divide pelos seis pacientes além de dar entrada a outro sempre que alguém é chamado ao bloco operatório deixando vago um cadeirão Não invejo a sorte desta enfermeira…
Ao fim de pouco mais de três horas também eu fui conduzido ao boco operatório onde mudei para uma maca e me fixaram firmemente a cabeça com fita adesiva… Lá começou a “maquineta” a destacar o cristalino e a introduzir a lente sem que se sinta qualquer dor. Sente-se apenas um ligeiro incómodo e só precisámos fixar um ponto luminoso durante toda a intervenção. Terminada a cirurgia que decorre em cerca de 15 minutos, passa-se à sala do recobro onde nos dão um chazinho sempre útil a quem não o tomou em pequeno e que apesar de não me apetecer nada acabei por tomar para descontrair no percurso até casa. Mais uma vez fiquei surpreendido por não sentir a mínima dor. Apenas desconforto como o que se sente quando uma pestana ou um gão de poeira entra para um olho… Deveras frustrante foi o facto de ver tudo desfocado. Pensava eu que ia ficar a ver nitidamente depois de colocada a prótese. Felizmente, no dia seguinte, comecei gradualmente a ter uma acuidade visual muito perto do normal embora tivesse de recorrer aos velhos óculos para ler. Nada mau.

O mais aborrecido do pós-operatório já que não se sente dores, são as gotas que têm de se colocar no olho intervencionado de duas em duas horas… Valha-nos que durante a noite não se colocam pelo que podemos dormir descansados.
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