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domingo, 9 de novembro de 2014

OS MUROS DA VERGONHA...

Comemora-se hoje o 25º aniversário da queda do muro de Berlim. Para os mais novos convém alertar que o “muro” não ruiu por si próprio devido à idade ou por efeito de algum tremor de terra. O muro ruiu pela vontade de um povo mas para isso foi necessário regar os seus alicerces de muitas lágrimas e não menos sangue. Lágrimas de quem ficou separado dos seus entes queridos e o sangue de quem em vão tentou transpô-lo em busca da liberdade. Esta aberração permaneceu em pé durante 28 longos anos (1961 – 1989).
Não só pela minha “costela” alemã mas principalmente porque prezo acima de tudo a liberdade colectiva assim como a liberdade individual do ser humano, é para mim uma data com um significado muito especial. Lamentavelmente ainda hoje se erguem muros entre povos e indivíduos que limitam ou restringem liberdade dos outros. O Muro de Berlim foi apelidado ao longo dos anos de “Muro da Vergonha”. Ainda coexistem por esse mundo fora muros que são uma autêntica vergonha e que apenas existem devido à conivência (conveniência), comodismo e indiferença de governantes e da sociedade em geral.
Em Janeiro de 2001, tive a oportunidade de visitar Berlim sendo dessa época as fotos que se seguem.
O que resta como memória do tristemente célebre muro
Também no asfalto de algumas ruas e avenidas se assinala onde se erguia o muro
Aqui permanece o Checkoint Charlie... como aviso para gerações futuras...


sábado, 8 de novembro de 2014

SILÊNCIOS

Em qualquer relacionamento nem tudo são rosas… E ainda bem, atrevo-me a dizer. As rosas também têm espinhos e, além disso, por muito que se faça para que perdure a sua beleza sempre efémera, acabam por murchar … Também num qualquer relacionamento, não forçosamente amoroso, é inevitável haver desentendimentos, discussões, ressentimentos, silêncios… Em vez de encararmos cada um destes episódios como mais um passo a caminho do colapso, deveríamos aceitá-los como meras fases do natural crescimento e consolidação do relacionamento se convenientemente resolvidos através do diálogo. Sem dúvida que o diálogo entre pares se revela útil e necessário mas os silêncios também podem dizer tudo o que as palavras não conseguem, ou então, não dizer nada… o que não implica a existência de uma fenda no edifício da comunicação porque, como dizia Carlos Drummond, mesmo em silêncio e com o silêncio dialogámos.
Inevitavelmente, entre dois seres que se gostam, haverá silêncios, existirão momentos em que não se encontra nada de útil para dizer, mas o silêncio vai mais além da falta de palavras … nesses silêncios está contida toda a cumplicidade de uma boa e sólida relação porque também eles, os silêncios, a fortalecem…

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

CHEGOU O FRIO

Chegou aquele tempo em que, se calhar, devia era hibernar não fora detestar perder tempo… Não posso conceber passar toda a estação (outono, inverno ou seja lá o que for pois já nem se distinguem) nesse estado de letargia, numa semivida estupidificante… Chegou o frio e com ele os dias curtos, o anoitecer mais cedo, a chuva morrinhenta, detesto andar enchouriçado em roupa e mesmo assim ter frio, detesto a humidade do ar, detesto o nariz a pingar, detesto o trânsito nos dias de chuva, … Detesto este tempo.
Se calhar a solução para mim não seria propriamente hibernar mas fazer como as andorinhas… bazar para latitudes mais quentes… Detesto o frio mas frio acompanhado desta chuvinha parva que diz que não molha mas que deixa toda a gente encharcada, nem se fala…
O frio para mim é altamente incapacitante, tira-me a vontade de sair, de comer, de sair da cama, de me vestir, já para não falar de outras vontades… Detesto a chuva mas mais ainda, o frio.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ESTRELA CADENTE

Dizer, na minha idade, que era a primeira vez que via uma estrela cadente não seria muito credível. E de facto não era. Mesmo assim, daquela vez, foi como se fosse uma estreia e dei por mim a cismar… Onde iria aquela estrela…? Que pressa a faria voar? Seria ela afinal quem eu pensava que era…?
Eu sei que o que vi não era uma estrela a despencar-se lá do alto do firmamento, eu sei. Faz parte da minha cultura geral o conhecimento de que a tal “estrela” não passava afinal de um pedaço de rocha que, ao ser capturado pelo campo gravitacional terrestre entrou em rota de colisão com o nosso planeta e se desintegrou ao entrar na atmosfera… Eu sei. Mas por que não sonhar? Que custa afinal um sonho? Fosse o que fosse, estrela, rocha ou meteorito, podia muito bem ser quem eu penso que era…
Não sou muito dado a superstições ou tradições mas dessa vez, apenas dessa vez, fiz um pedido.
Seja por ter visto a estrela cadente, por ela ser quem eu penso que era ou por ter feito o pedido, até hoje ainda não me arrependi de o ter feito…

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

POR QUE SERÁ QUE SÓ ACONTECE DE MANHÃ?!

Há sempre um dia que, pela manhã, o carro faz aquele barulhinho meio engasgado e decididamente não pega. Já não é a primeira vez que isso me acontece em diferentes carros que já tive e curiosamente, sempre de manhã quando tencionava ir trabalhar ou tratar de algum assunto mais ou menos urgente. Com o carro enfiado na garagem do prédio sem hipótese de o empurrar, lembrei-me de uma garagem que fica perto e para lá me dirigi a pé. Foram simpáticos ao ponto de se deslocarem comigo ao prédio e com um carregador de bateria, puseram-me o carro a trabalhar para o levar até à garagem. Aí fui informado que não tinham uma bateria daquele tipo mas que a mandariam vir de modo a estar lá pelas 14h30. Entretanto e simpaticamente, empresaram-me uma bateria para poder circular até a outra chegar. Aí começaram os “problemas”. Onde se abre o capô? Não sabia. Nunca precisei de o abrir neste carro. O mecânico também não sabia. Depois de muito espreitar por baixo do volante, lá encontraram o manípulo para o efeito. Logo surge outro problema. Como se retira a bateria? Desaperta parafuso daqui, mais um dacolá e finalmente tinha a bateria substituída não sem alguma perda de tempo que felizmente, no meu caso, não fazia muita diferença. Apesar de toda a boa vontade e simpatia destes profissionais, nota-se uma certa falta de preparação e actualização para o desempenho das suas funções. É neste aspecto que o nosso sistema de ensino falha. Abolir o ensino técnico foi um erro assim como canalizar todos os alunos para o ensino universitário onde alguns andam anos e anos a marcar passo quer por falta de capacidade intelectual, quer por falta de interesse. Nem todos podem ou querem ser “doutores”. Há que formar bons profissionais dentro das áreas tecnológicas.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

EM FRENTE AO MAR

Há dias em que me apetece partir sem destino tal qual quem o não tem… Conduzir sem rumo certo nem hora de chegada, deixar-me embalar pelo rolar dos pneus na estrada ao sabor dos pensamentos… Noutros dias, dias de sol de outono, apetece-me ficar ali sentado, frente ao mar, quieto, calado, simplesmente a olhar, olhar o horizonte sem “ver” nem ouvir nada nem ninguém… Gritar com os olhos o que a boca não consente… Ouvir no silêncio palavras não pronunciadas… Sentir o corre-corre da gente ao meu redor e saborear o privilégio de não ter pressa nem hora de partida ou de chegada… O privilégio de deixar o tempo correr e ficar parado, apenas por instantes, os necessários para os olhos navegarem por esse mar imenso que se enrola e desenrola perante mim… deixar que os pensamentos se diluam nesse “mar chão” em dias de calmaria… Há dias em que apetece ficar ali sentado… sem pressa… sem hora marcada… sem destino…
Há dias assim…
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