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sábado, 25 de outubro de 2014

LIDAMOS MAL COM A ESPERA

Chegou finalmente o tão ansiado dia, o dia em que todos os caminhos levam à Pousada da Serra da Estrela. Se para nós, adultos, não é mais do que uma escapadinha de fim-de-semana, para o Miguel é o culminar de uma longa espera ainda mais tratando-se de um "hotel de 5 estrelas", como ele gosta e exige... Nesse, como em muitos outros pontos de vista, estamos completamente de acordo. Para ficar mal instalado prefiro ficar em casa. Mas há excepções obviamente quando se trata de conhecer novos países ou então porque o programa promete, lá se faz o sacrifício a pensar que são só algumas noites... Mas o Miguel, não!
Chegou finalmente o tão ansiado dia da partida, não tanto por nós mas pelo pequenito. É certo que todos (pelo menos, eu!) lidámos mal com a espera. O que estará na origem desta impaciência que nos leva a não gostar de esperar? Será porque fomos habituados à satisfação imediata dos desejos? A exigir da vida e de todos o tudo e agora?
Talvez por isso lidámos tão mal com a espera…

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

OLHAR COM OLHOS DE VER

Há dias em que até nós estranhámos algumas das nossas reacções e comportamentos… Pelo menos ainda acontece surpreender-me embora não com muita frequência… mas acontece. Há dias dei por mim a “ver” alguns dos livros que herdei do meu padrasto um autodidacta com uma cultura acima da média. Uma das suas grandes paixões eram os livros que mandava encadernar cuidadosa e luxuosamente. Por essa vasta e rica biblioteca deambulei durante a minha juventude, “devorando” livro após livro. Hoje convivo diariamente com alguns desses livros que herdei sem contudo os “ver”. Sim porque olhar, nem sempre significa ver. Eles existem ali na estante como se fossem meros bibelôs nas suas luxuosas encadernações. Isto acontece não por desprezo ou falta de gosto pela leitura mas por já terem sido lidos em tempos idos. Entre esses livros, os que despertaram a minha atenção foi a obra completa de Hall Caine* que li ainda muito novo. Talvez na altura não tenha alcançado totalmente a “mensagem” que cada uma das suas obras encerra. Para tudo há um tempo certo e penso que naquela data o não seria. Decidi-me então reler “O filho pródigo” por ser uma das obras mais emblemáticas deste escritor.
Há dias em que olhamos com olhos de ver o que sempre esteve ao nosso lado e que por hábito deixámos de dar valor... É então que nos surpreendemos a descobrir algo de novo no que pensávamos já não ter novidade nenhuma…
Há dias assim

*Sir. Thomas Henry Hall Caine (1853-1931), foi dramaturgo e novelista, tendo alguns do seus livros sido adaptados para cinema. Os seus textos usualmente apresentam um trángulo amoroso, ainda que também não tenha excluído temáticas de natureza social.

A partir doa anos 60 os livros traduzidos para português começaram a rarear sendo apenas possível encontrá-los em alfarrabistas por não terem sido feitas novas edições.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

BODAS DE AVENTURINA

Celebramos hoje 37 anos de casados, bodas de aventurina. Confesso que não sabia. Calculava que aventurina fosse uma pedra preciosa ou semipreciosa mas não fazia a mínima ideia da cor ou textura. Cá em casa não sou eu o entendido em Geologia por isso é admissível e desculpável a minha ignorância.
Através da minha pesquisa na NET, fiquei a saber que a aventurina não é mais que uma variedade de quartzo verde com inclusões de fuchsita ou de hematita. A aventurina favorece a recuperação e a resistência imunológica. É a pedra da cura. A presença de dióxido de silício na composição da aventurina confere-lhe uma acção rejuvenescedora. Não se admirem por isso se depois deste aniversário nos encontrarem com um aspecto muito mais jovem… A culpa será da aventurina.
Mas o mais importante é que também aprendi que a palavra “boda” deriva do latim Votum, o que significa promessa. Comemorar as bodas de casamento não é mais do que renovar, em cada ano, a “promessa” da tolerância, do perdão, da compreensão e do respeito mútuo, sem os quais não é possível construir uma duradoura vida a dois.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O USO CORRECTO DOS BOTÕES DO ELEVADOR

Porque tinha uma consulta marcada na minha oftalmologista no Instituto Cuf, dirigi-me ao elevador, carreguei no botão para subir e assim que o elevador parou fui informado pelos ocupantes de que estavam a descer. Ressalvo aqui que não fui o autor desta paragem forçada de quem se dirigia ao piso de estacionamento. Se o elevador parou no piso 0 isso só pode significar que antes de mim alguém carregou indiscriminadamente nos botões de subir e de descer em simultâneo. Esta “técnica” (carregar em simultâneo no botão de subir e no de descer) é bastante frequente. Contudo, de nada adianta a esperteza pois só servirá, por exemplo, para fazer parar um elevador que vai a descer quando o “esperto” o quer é subir… Obviamente o elevador vai descer e só depois subirá até ao piso pretendido.
Este assunto já por demais debatido e explicado em vários blogues, continua a ser do desconhecimento da maioria dos utentes de elevadores. Continuo a verificar que as pessoas manifestam uma completa ignorância quanto à função daqueles botõezinhos de chamada dos elevadores…Se a ignorância desta função dos ditos botões até pode não acarretar em prejuízo de maior num centro comercial em que habitualmente não há pressa de chegar seja onde for, já o mesmo não acontece num hospital como no caso concreto.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PRIORIDADE NO ATENDIMENTO

Ainda não me habituei, nem sei se algum dia me irei habituar à triste ideia de ser considerado “idoso”. Depois de uma longa espera para ser atendido na Worten, descobri que neste estabelecimento os “idosos” têm prioridade no atendimento. Não tenho por hábito fazer-me valer deste privilégio mas porque a espera era muita, tirei a senha respectiva e fui prontamente atendido… Que me perdoem as pessoas com a mesma pressa que aminha e que ultrapassei apenas por ser idoso… Segundo a OMS, idosas são todas as pessoas com mais de 65 anos de idade em países desenvolvidos e com mais de 60 anos de idade em países em desenvolvimento. Ainda bem que nasci num país dito desenvolvido senão já seria idoso há mais tempo…! Mesmo assim, lá caio eu (sem para-quedas) no grupo etário dos idosos. Caio mas seja-me permitido discordar do termo “idoso” que, além de me soar a coitadinho, não passa de uma reles plástica da palavra “velho”. Não vejo por que recear a palavra “velho”. Assim como passámos, desde que nascemos, pela infância, adolescência e idade adulta,… e também, para quem tiver a sorte de lá chegar, à velhice. A idade cronológica é um estereótipo que de modo algum serve para compartimentar um indivíduo em cada uma dessas fases. Assim como há quem se demore a sair da infância tal como há gente quem permaneça na juventude além da idade prevista, também há quem se demore a entrar na velhice. Com efeito, o prolongamento da expectativa de vida aliada às mudanças que se têm vindo a verificar no mundo do trabalho, vieram alterar o conceito de “idoso”… Cada vez mais se verifica que pessoas com 65 ou mais anos de idade ainda se mantêm ativas (em todos os sentidos), quer no mundo laboral ou fora dele. Nesse sentido, ainda não me considero “idoso” apesar da minha idade cronológica. Quando tal acontecer, por favor chamem-me velho, poupem-me à palavra “idoso.

sábado, 18 de outubro de 2014

NEM TUDO É TÃO FÁCIL ASSIM...

Porque vislumbrei um pouco de sol por entre os aguaceiros, enchi-me de coragem e dirigi-me à Unidade de Saúde Familiar da minha área no intuito de ser vacinado contra a gripe. Pensava eu que era só chegar, aguardar a minha vez e pronto, picadela no braço e já está… Pensava eu mas estava enganado. Nem tudo é tão fácil assim. Informaram-me que não, não podia ser já vacinado, teria de fazer marcação. Já que estava ali decidido a ser vacinado, pedi para fazerem a marcação. Depois de alguns minutos de espera, fui informado que ficaria agendada para o próximo dia 21 pelas 8h55. Após os primeiros minutos de estupefação, acabei por compreender a necessidade da marcação visto que imensa gente recorre aos serviços de enfermagem desta Unidade de Saúde. Uns por necessidade real e premente, outros, nem por isso… Enquanto esperava a minha vez de ser atendido, reparei que a cara de muitos dos utentes não me era estranha… Devo dizer que sou obrigado a dirigir-me a esta Unidade de Saúde trimestralmente com a finalidade de requisitar e levantar receitas e requisições para análise do INR e só por esse motivo acabo por reconhecer alguns dos utentes mais habitues. Alguns até bem conflituosos que já vi agredir verbalmente outros utentes com quem entabulam conversa.
Por incrível que pareça, há pessoas, sobretudo idosos, que fazem do Centro de Saúde um ponto de convívio a pretexto de uma simples “dor de cabeça”…
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