Passaram-se vários
dias sem ver o Miguel. Com a mudança de escola deixou de haver necessidade de o ir
buscar ao fim da tarde, necessidade essa que nos permitia uma cumplicidade e um convívio quase diário.
Passaram-se apenas alguns dias, mas por vezes alguns dias são muitos dias, dias
demais… A amizade é assim, não esmorece e consegue ser maior que a distância
que nos separa. Eu sei que existem imensas definições científicas ou
psicanalíticas para explicar o que nos faz gostar ou não de uma pessoa que às
vezes, mal conhecemos mas todas essas definições não passam de palavras e a amizade
não se define por palavras mas por gestos, silêncios, sorrisos, abraços e, por
vezes, até das lágrimas…Não vejo o mínimo interesse em procurar uma razão que explique
a amizade que nos une a mim e ao Miguel. Podia tentar explicá-la através da
capacidade de pensar e ver as coisas através dos olhos de um puto de 5 anos,
mas de facto, a amizade acontece sem qualquer razão aparente… A amizade é assim…
um sentimento. E os sentimentos não se explicam… sentem-se.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014
OS SENTIMENTOS NÃO SE EXPLICAM
domingo, 12 de outubro de 2014
FAZ HOJE ANOS QUE PARTISTE
Faz hoje 19 anos que partiste e no
céu brilhou mais uma estrela… Pois é, o tempo passa, o relógio não para mas as
lembranças ficam… A tua partida foi apenas física pois a cada instante, a cada
momento, ainda sinto a tua presença. És tu quem me levanta a cada queda que dou…
És tu quem alivia as minhas dores com os teus remédios caseiros que ainda hoje
encontro nas farmácias com nomes mais sofisticados… És tu que ainda hoje me
contas aquelas histórias já mil vezes repetidas de que recordo palavra por
palavra…
Faz hoje anos que partiste e, nesse
dia, nada parou, o trânsito fluía normalmente, não se fez silêncio, o vento
agitava as árvores onde os pássaros cantavam alegremente. Digamos que o mundo
não sentiu a tua falta, mas nós sentimos, nós os que de algum modo te amávamos…
Também hoje o mundo não parou de girar, o trânsito lá fora continua intenso, as
pessoas riem ou correm sisudas para os seus empregos, o vento continua a agitar
os ramos das árvores onde os pássaros não pararam de chilrear… nada mudou. Cá
dentro também não. A mesma saudade, o mesmo receio de não ter feito o que
devia, a mesma dor de não ter podido estar presente…
Faz hoje 19 anos que partiste e para
trás ficaram os almoços na mesa da cozinha, os jantares de Natal com a mesa
cheia que só agora se começa a animar com a presença dos netos…
Faz hoje anos que partiste e ainda
muitas vezes me “engano” e ponho o teu prato na mesa… apenas porque te sinto presente
a cada instante, a cada momento, a cada um dos meus trambolhões…
sábado, 11 de outubro de 2014
A TERRA VAI TREMER NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA
Segundo proposta da
ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil), vai realizar-se segunda-feira dia
13, um simulacro de tremor de terra. Este exercício, tem por finalidade o
alerta e a sensibilização da população em geral para o procedimento a adoptar
antes e durante a ocorrência de um sismo. Ler aqui
A intenção é boa mas, segundo o Conselho Português de Proteção Civil (COPPROCIV), a atitude
de se proteger debaixo de uma mesa, conforme a foto sugere, não é de todo
recomendável. Uma mesa pode não resistir e esmagar quem se protegeu debaixo dela.
Está provado que é mais seguro colocar-se ao lado de móveis do que debaixo
deles tal como demonstra o seguinte vídeo: Ver aqui
É natural a
preocupação da COPPROCIV quanto aos conselhos transmitidos pela ANPC para o
próximo dia 13. Segundo este Conselho, com esta exercício, podem estar a preparar-se pessoas para a morte em detrimento da sua
proteção, e que em situação real o número de vítimas pode aumentar se forem
seguidas as recomendações até aqui difundidas.
Mais uma vez
se verifica o mau hábito de preparar acções desta gravidade em cima do joelho
sem a devida preparação e informação, sem que haja um consciente planeamento da
mesma colocando em perigo, não intencionalmente é certo, a vida das
pessoas.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
A FACTURA DA SORTE E O ELEFANTE BRANCO
Porque
hoje é quinta-feira, dia de sorteio da factura da sorte, vou ter aquela
sensação estranha que oscila entre a esperança e angústia. Toda a gente que
participa num concurso o faz com a secreta esperança de vir a ser premiado. Não
nego que tenho a esperança de um dia vir a ser premiado já que me habituei a
exigir o número de contribuinte em quase todas as facturas. Aquela sensação de
angústia tem origem no receio de ser presenteado com aquilo que chamo de
elefante branco (não tem nada a ver com a moda dos automóveis brancos). Este
prémio, para a maioria dos portugueses, não é mais do que um elefante branco, expressão idiomática com origem no antigo Sião. Consta que o Rei oferecia um elefante
branco, animal sagrado, quando queria presentear alguém da sua corte. Esta
oferta que pretendia ser um privilégio e uma recompensa por serviços prestados,
acabava por ser um transtorno devido ao elevado custo que consistia em manter o
animal devidamente alimentado e cuidado. A expressão adequa-se perfeitamente ao prémio atribuído pela “factura da sorte”. A maioria de portugueses,
pensionistas e viúvas,... não têm condições para manter e tratar deste verdadeiro “elefante
branco”…
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
VIAJAR DE AVIÃO
Gosto
tanto de viajar de avião como detesto a partida e a chegada… Na partida, não gosto da espera para o check-in, a espera para o embarque. Depois não gosto do desconforto ao levantar voo devido à variação da pressão nos ouvidos e ao
medo de que um monstro daqueles não consiga elevar-se no ar contra todas as
leis da gravidade… Detesto a aterragem porque revejo as imagens de aviões que
se despenharam nesta fase do voo e tenho razões de sobra para sentir esse medo
(Ver)… Depois do desembarque, vem aquela espera pela bagagem… Por todos estes
motivos, podia pensar-se que não gosto de viajar de avião, mas não, adoro mesmo
aviões e sobretudo viajar… de avião!
A
incongruência parece ser uma das minhas principais características. Entre o
querer e o não querer, o gostar e o odiar, o ter fé e o não ter, … toda a minha
vida vacilei entre uma e outra opção, entre o ser e o seu oposto. Se me
perguntam se gosto do amarelo (note-se que é a minha cor preferida), apetece-me
sempre dizer: tem dias…
Mas
voltando às viagens de avião. Não é só o desconforto dos trâmites da chegada e
da partida, já admiti que também não me sinto muito confortável na descolagem e
na aterragem. Depois, durante o voo, tudo tranquilo, não se passa nada até ao
momento em que eventualmente surge alguma turbulência… aí, o desconforto,
chama-se medo.
Apesar
do medo, não sou daquelas pessoas que suam frio (como já vi em companheiros de
viagem). Consigo mesmo relaxar e desfrutar da paisagem que se pode observar
através da janela do avião; o casario lá em baixo, os rios, as montanhas como
se de um Google mapa se tratasse…
Apesar
dos atrasos nos voos, alteração das portas de embarque comunicadas através dos alto-falantes
num tom de voz que ninguém consegue entender, do medo da descolagem e da
aterragem, tudo isso é sublimado pelo gosto que tenho em conhecer outros
países, outras cidades, outros povos com novos hábitos de vida,…
Embora
escape ao plano do racional, atrevo-me a dizer que adoro viajar de avião.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
A MADONA SISTINA
Há
quadros que nos transmitem sensações, despoletam emoções muitas vezes indescritíveis.
Aliás, tem sido esse o objectivo perseguido pela maioria dos pintores desde a
antiguidade até aos tempos modernos. Na verdade todos os quadros originam reacções e nos levam a sentenciar com um “gosto” ou “não gosto”. Esta “sentença”
não é mais do que a exteriorização das emoções/sensações que a pintura nos desperta.
Não
recordo quando nem onde comprei o “quadro” (se assim lhe posso chamar) e que actualmente
se encontra numa das paredes do meu quarto. Obviamente eu sabia que não tinha
ali um original e que se tratava apenas da reprodução de um qualquer quadro
célebre, mas até à data nunca tinha tido a mínima curiosidade em descobrir quem seria o autor. Desde que o comprei, e por isso mesmo, sempre me provocou uma
sensação de proximidade o aspecto profundamente humano em oposição à maioria das
representações da Virgem demasiado divinas, demasiado distantes…. Talvez por esse
motivo, pela tristeza que perpassa no olhar da virgem sempre me seduziu a
observação deste “quadro” e, não sendo um homem de sólida fé, consigo ter com
esta imagem uma relação de proximidade.
Ter
tempo de sobra e ficar “preso” em casa por motivos de saúde, tem destas coisas,
deu-me para descobrir quem teria pintado o original desta obra de uma
simplicidade tão tocante. Confesso a minha decepção ao constatar que o “meu
quadro” é apenas um fragmento do verdadeiro, A Madona Sistina.
O quadro foi pintado por Rafael (Raffaello
Sanzio) em 1512 por
encomenda do Papa Júlio II para homenagear o seu falecido tio, o Papa Sisto
IV. Como se pode ver, a Virgem com o Menino ao colo, conversa
com Santa Bárbara e São Sisto.
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