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terça-feira, 30 de setembro de 2014

EM LIBERDADE CONDICIONAL

Após uma semana em que me senti prisioneiro na minha própria casa, ou seja, uma semana de perfeito cativeiro, estou finalmente em liberdade. Não uma liberdade plena pois estou ainda sujeito a alguns condicionalismos. Pode dizer-se que é, de acordo com a definição da Wikipédia*, uma liberdade condicional.
O facto de ter readquirido a capacidade de conduzir e de poder frequentar de novo o ginásio sob determinadas condições é já um grande passo em direcção à liberdade plena… Contudo a condução está ainda condicionada por algum desconforto que não me permitirá fazer grandes viagens. No ginásio apenas consegui fazer marcha e passar alguns momentos no banho turco. Nada mau.
Só quem já passou por uma experiência tão limitante como esta, consegue compreender o que é estar incapacitado de poder agir de acordo com as suas escolhas mesmo que conscientes…

* é o sistema em que um condenado, ao invés de cumprir toda a pena encarcerado, é posto em liberdade se houver preenchido determinadas condições impostas legalmente.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA

Pois é, faz hoje 15 de sofrimento físico e moral devido à queda que dei no ginásio. É sabido que o sofrimento físico anda geralmente ligado ao sofrimento moral e interagem de forma a avolumarem-se mutuamente. Quando se passa por uma fase de dor intensa devida a uma qualquer causa (doença ou acidente), é natural que o sofrimento moral lhe seja subjacente. Dizem os entendidos que, não raras vezes, o sofrimento moral pode agravar a dor ao provocar contracções musculares, entrando-se assim num ciclo vicioso. Não nego que no meu caso, o sofrimento moral por me ver privado de certo modo da minha mobilidade não tenha contribuído para sentir mais intensa a dor física.
Para usar uma palavra agora muito em voga, direi que, devido à minha capacidade de resiliência, tenho conseguido recuperar e sei que depois conseguirei ir para a frente continuando a minha vida normal.

domingo, 28 de setembro de 2014

RESTAURANTE CITY TOP

Apesar de começar a sentir-me um pouco melhor, ainda não me atrevo a conduzir. E pensar que anda aí tanta gente a conduzir em piores condições de mobilidade…! Felizmente ou infelizmente, conduzem a velocidades de tal modo reduzidas que só empatam e acabam por pôr em perigo a vida dos outros… Bem, mas isso agora não interessa nada, como diria a minha “amiga” Teresa Guilherme.
Embora fosse a minha vez de conduzir e pagar o almoço, os meus amigos e parceiros dos almoços de domingo não desistiram do almocinho e lá fui eu de boleia. Para fugir à rotina e por ser mais perto de casa, optamos pelo restaurante City Top. Este restaurante, está inserido no complexo do City Golf da Senhora da Hora, mesmo ao lado da Estrada da Circunvalação. Fácil de localizar. É um espaço agradável com uma decoração moderna e funcional, super luminoso com vista para o campo de golf. Mais importante que tudo isso, é oferecer, além um serviço simpático e personalizado, boa comida a um preço bastante acessível. Recomendo. Vale a pena experimentar por todos os motivos que enumerei.
Bom apetite!

VEM AÍ O MAU TEMPO

Diziam os entendidos do IPMA que o temporal vinha cá para o norte ao fim da tarde deste sábado mas ficou-se  por um céu plúmbeo e nem gota de chuva… Como se, desde o passado inverno, alguma vez ele tivesse ido em demanda de outras regiões! Desde aí, não tem feito outra coisa senão breves pausas para recuperar o fôlego e voltar a soprar com toda a força além de despejar cântaros de água na forma de chuva e muitas vezes, granizo. Hoje, apesar da previsão de sol radioso, o céu tornou-se cada vez mais escuro e a chuva voltou de mansinho. Se o temporal, lá fora, se tem revelado violento, não menos rigoroso é o temporal que há em mim… Um temporal de ventos ciclónicos de raiva por me ver privado da minha liberdade e fustigado por dores que penso não merecer…
Todo o temporal é assim, quando menos se esperara, ele desencadeia-se devastador com ventos fortes que arrasam tudo até mesmo os sonhos mais fortes… e chuva intensa que alaga tudo e cuja enxurrada arrasta mesmo a mais sólida esperança…
Como todo o temporal, também o meu começou assim… quando menos se podia esperar, uma valente queda de uma espreguiçadeira no ginásio cuja cobertura alguém colocara cuidadosamente de modo a não se notar que estava solta. Eu não sou mau mas desejo que o autor de tão solícito acto desça de cu um bom lanço de escadas onde quer que as encontre. Eu não sou mau… mas podia ser melhor!
Resultado, segunda-feira, passados oito dias da queda, fiquei longas horas no hospital em observações e exames a tudo e mais alguma coisa! Fizeram o que era necessário fazer!
Como me dizem, em ar de consolo, podia ter sido pior! Claro que podia, podia ter partido o osso da bacia, o tal de coxis ou coisa pior ainda que nem imagino o que seja…
Alegrem-se os meus amigos e descabelem-se os inimigos porque estou em franca recuperação. Já me consigo sentar embora por pouco tempo e com alguma dor e a pisadura começa já a desaparecer. Até a tempestade interior começa também a amainar…!
Como vêm, eu não sou mau… mas podia ser melhor.

sábado, 27 de setembro de 2014

A CASA ONDE EU NASCI

No regresso de uma das últimas visitas de estudo que fiz com os alunos (antes de me reformar), tomámos o funicular dos Guindais. Qual a minha surpresa quando saí em pleno Largo Actor Dias! Foi no 1.º andar do número 82 deste Largo que nasci e cresci até cerca dos meus 9 anos. Quando digo nasci, digo-o literalmente, porque o parto ocorreu em casa sendo minha mãe auxiliada apenas por uma parteira (não profissional). Era assim que as coisas se passavam em plena cidade Invicta.
Tudo me pareceu além de familiar, também muito diferente da imagem que guardava de criança. O Largo não era assim tão grande como eu imaginava nem a rua tão larga, nem os plátanos tão altos… A casa já não existe, foi demolida para dar lugar ao viaduto da rua Duque de Loulé. Em frente da minha casa, do outro lado da rua, ficava o Largo Actor Dias com o seu chafariz ao centro rodeado de grandes plátanos, paredes meias com a muralha Fernandina. Ainda hoje, apesar de estar em pleno coração da cidade, goza do mesmo silêncio de outrora… e no silêncio do largo pareceu-me ecoar a lenga-lenga que precedia as nossas brincadeiras do esconde-esconde ou caçadinhas como lhe queiram chamar: "Pim, Pam, Pum, cada bola mata um, p'ra galinha e p’ró peru quem se livra és mesmo tu". Seria bola ou bala? Bola não fazia grande sentido mas servia muito bem para o efeito… Muitos anos se passaram, muitas casas já habitei mas, quando ouço alguma criança recitar a lenga-lenga, sou transportado ao Largo e é essa casa que revejo, a casa onde cresci…
Como diz a canção:
Et la maison, où est-elle, la maison
Où j'ai grandi ?
Je ne sais pas où est ma maison
La maison où j'ai grandi.
Où est ma maison ?
Qui sait où est ma maison ?
Ma maison, où est ma maison ?
Do outro lado da rua ficava o prédio onde nasci
O chafariz ainda lá está bem no centro do Largo com a muralha fernandina como fundo
Era por esta escadaria (escadas dos Guindais) que, em louca correria, descíamos até ao rio
 
Do lado oposto às escadas ficava a Praça da Batalha onde não estávamos autorizados a ir mas sempre o fazíamos às escondidas da mãe...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

AS LOMBAS REDUTORAS DE VELOCIDADE LRV

Já aqui me referi a elas e se volto ao tema não se fique a pensar que sou contra as lombas redutoras de velocidade em locais onde isso se justifique tais como junto a passadeiras, escolas e outros locais onde hajam ocorrido vários acidentes. A colocação das lombas redutoras de velocidade na maioria dos casos seria perfeitamente descabida não fora a falta de civismo de muitos automobilistas, mas enfim, temos os automobilistas que temos…
Se por um lado lhes reconheço algumas vantagens, ao contrário do que muita gente bem-intencionada pensa, as lombas redutoras de velocidade têm uma série de inconvenientes devido aos problemas que originam. Para não me alongar muito, citarei apenas a poluição sonora que penaliza quem perto delas mora, o desgaste ao nível da suspensão e direcção das viaturas o que poderá contribuir para eventuais acidentes… Não posso deixar de referir (até porque o estou a sentir na pele), os prejuízos que causam ao nível da saúde dos automobilistas e passageiros principalmente se já têm algum problema instalado. E quem os não tem, passará a ter a médio ou a longo prazo ao nível da coluna.
Todos os dias e várias vezes ao dia, sou obrigado a “cavalgar” duas (e logo duas, Senhor!) dessas lombas redutoras de velocidade, e sempre me revolto contra quem teve a “brilhante ideia” de sugerir e aprovar a sua instalação no interior de um condomínio numa zona onde não é necessária a travessia de peões nem existe recreio de crianças que aliás dispõem de amplo espaço nas traseiras…! Não devo ser só eu a ter a mesma opinião porque tenho observado, agora que estou mais tempo em casa por motivos de saúde, que a maioria dos condóminos as contorna sempre que não há carros estacionados ao lado delas. Será que quem as mandou instalar também as contorna…?!
A existência das (mal) ditas lombas é um atentado à capacidade mental de quem as aprovou e de quem por elas é obrigado a passar além de mais um exemplo de má gestão e aplicação dos dinheiros do condomínio…
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